Alzheimer: este é o seu futuro sombrio? – PARTE 2 – Uma esperança para quem está disposto a mudar tudo

Dale E. Bredesen é uma autoridade mundial no estudo das doenças neurodegenerativas. Foi neurologista-chefe na Universidade da Califórnia e também professor e na Universidade de San Diego. Dirigiu um programa de investigação do envelhecimento no Burnham Institute. Enquanto estava na UCLA – Universidade da Califórnia, Los Angeles, encabeçou uma pesquisa que se tornou conhecida mundialmente, chamada “Reversão do declínio cognitivo: um novo programa terapêutico”, em 2014. Trata-se de um relatório que descreve ações personalizadas, de abordagens múltiplas, que foram prescritas a 10 pacientes avançados com Alzheimer. É um trabalho anedótico, ou seja, está aquém de um verdadeiro estudo científico, mas traz em detalhes como 9 dos 10 pacientes, ao cabo de algumas semanas, apresentaram melhoras objetivas e subjetivas. Em seu resumo, relatou o seguinte: dos primeiros 10 pacientes que utilizaram o programa, incluindo pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer, comprometimento cognitivo leve amnésico ou comprometimento cognitivo subjetivo, nove apresentaram melhora substancial. Importante foi o fato de que seis pacientes cujo declínio cognitivo tinha tido um grande impacto no desempenho no trabalho, eles foram capazes de retornar às suas atividades profissionais ou continuar trabalhando sem dificuldades. As conclusões do estudo afirmam que não são surpreendentes os resultados positivos alcançados, porque programas ou tratamentos multiterapêuticos se mostram mais eficazes que os monoterapêuticos – estes últimos sempre muito baseados em drogas, em medicações.
Vamos dar uma olhada mais de perto no que Dale chamou de tratamento multiterapêutico. Ele investiu nas seguintes frentes: alimentação e hábitos alimentares, suplementação, atividade física e meditação. Seus pacientes tinham entre 55 e 75 anos, homens e mulheres. Exames laboratoriais foram feitos logo após uma extensa anamnese, que é uma entrevista que tem o objetivo de compreender todo o cenário em que está inserido o paciente – seus hábitos, desafios, potencialidades, disfunções, dia a dia em casa e no trabalho, estado emocional e mental etc. Alguns realizaram testes neuropsicológicos a fim de determinar a extensão e o grau de seu Alzheimer. Nos exames laboratoriais estavam os indicadores de inflamação, níveis dos principais hormônios, níveis dos minerais, colesterol total, HDL e LDL, triglicerídeos, 25-hidroxi-colecalciferol e hemograma completo. Anamnese e exames de laboratório dão um amplo panorama do estado real dos pacientes.
Para cada um foi criado um plano exclusivo, customizado, personalizado, sempre atendendo às frentes terapêuticas pré-estabelecidas. Todos receberam estímulos permanentes para se manterem dentro do regime terapêutico, faziam exames com regularidade, possibilitando ajustes alimentares e suplementares, e suporte para as atividades físicas e meditação.
Para que você entenda melhor, exemplificando, eu vou focar em apenas 1 dos 10 casos, ok?
A ‘paciente 1’ era mulher, 67 anos, apresentou perda progressiva da memória durante 2 anos seguidos. Ela tinha um trabalho exigente, executiva, preparava relatórios analíticos e era obrigada a viajar muito. Em algum momento, foi forçada a largar o emprego. Em seu depoimento na anamnese, disse que tinha muita dificuldade em ler, pois ao chegar no final da página de um livro, tinha de voltar toda a leitura, pois já não lembrava mais do conteúdo visto. Não se lembrava mais de números que usava com frequência, estava com problemas em dirigir. Até mesmo viagens curtas, como ir e vir do trabalho, tinha dificuldade em chegar, em acessar as ruas certas. Algumas informações pessoais de caráter emocional estavam comprometidas, como misturar os nomes de seus animais de estimação. Sua mãe tinha desenvolvido declínio cognitivo progressivo semelhante a partir dos 60 anos. Teve de ir viver em uma casa de repouso onde faleceu aos 80 anos. Ao saber que estava desenvolvendo o mesmo problema que sua mãe, a ‘paciente 1’ decidiu cometer suicídio, pois não queria passar pelos mesmos desafios que sua mãe. Foi nesse ponto de sua vida que uma amiga a encaminhou ao Dr. Dale Bredesen.
A ‘paciente 1’ foi submetida a um extenso protocolo multiterapêutico – ela foi capaz de aderir a muitos dos pontos, mas não a todos os componentes. No entanto, após 3 meses, ela notou que todos os seus sintomas ruins haviam diminuído drasticamente: ela voltou a dirigir sem problemas, a lembrar de números complexos, a reter informações, voltou a preparar relatórios e retomou seu trabalho normalmente. Tornou-se assintomática. Dois anos e meio depois, com 70 anos, ainda permanecia trabalhando em tempo integral. O protocolo aplicado foi chamado de Sistema Terapêutico 1.0, e consistia em: suplementação para aprimoramento cognitivo, aumentar seu NGF (fator de crescimento neuronal), aumentar os componentes estruturais sinápticos, otimizar antioxidantes, otimizar minerais essenciais, garantir oxigenação noturna, tratando a apneia do sono, otimizar a função mitocondrial e excluir a toxicidade por metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio. Na alimentação, eliminou todos os carboidratos simples, glúten e alimentos processados, industrializados. Aumentou o consumo de vegetais, frutas e peixes não cultivados. Passou a fazer o jejum intermitente, ficando entre 12 e 14 horas entre o jantar e o café da manhã, e pelo menos 3 horas entre o jantar e o horário de dormir. Aumentou seu período de sono de 4-5 horas para 7-8 horas por noite. Restabeleceu sua terapia de reposição hormonal. Teve de aprender a meditar, e fazia 2 sessões de 20 minutos todos os dias. Para reduzir o estresse, aprendeu a fazer ioga. Gostou tanto que se tornou instrutora. Passou a se exercitar por um mínimo de 30 minutos, de 4 a 6 vezes por semana. O relatório não menciona o peso inicial da paciente, mas em algumas semanas ela perdeu pouco mais de 10 kg.
Esse protocolo multifuncional foi personalizado para cada 1 dos 10 pacientes. De novo, apenas um deles não conseguiu reverter seu Alzheimer, porque já estava muito avançada sua degeneração.
Bem, pelo exemplo analisado, nós pudemos observar os pontos multifatoriais atacados pelo protocolo.
Não há segredo no fato de que melhorar a alimentação traz ganhos na saúde, assim como suplementar minerais nos casos de deficiência e substâncias antioxidantes. A novidade mais recente é o jejum intermitente, ou seja, intercalar períodos de alimentação com períodos mais longos de jejum. E não deve haver surpresas na questão da atividade física. Sabe-se há muito tempo que colocar o corpo para trabalhar músculos e coração traz inúmeros benefícios. Aliás, segundo a opinião de muitos renomados fisiologistas e médicos, tudo o que você fizer de bom ao coração também estará fazendo ao seu cérebro. Mas eu fiz uma outra descoberta interessante. Quer dizer, eu não, mas dois cientistas brasileiros: a neurocientista Fernanda de Felice e o bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, que publicaram um artigo na revista Nature Medicine, em janeiro de 2019. Eles apresentaram um conjunto robusto de evidências de que a prática intensa de atividade física é muito importante para a formação de memória e proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do mal de Alzheimer. São inúmeros os compostos liberados pelo exercício físico, mas um, em especial, mostrou-se fundamental para a saúde cerebral: uma proteína-hormônio chamada irisina, identificada pela primeira vez pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade de Harvard, em 2012. Em um congresso sobre diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia a deusa grega mensageira Íris. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria a alterações benéficas em outros órgãos e tecidos do corpo. Há quase duas décadas De Felice e Ferreira dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Eles sabem, portanto, o que estão afirmando, sobre a influência e importância da irisina, da atividade física intensa.
Bem, para finalizar esta análise, eu faria um complemento ao protocolo: comer menos.
Novos estudos indicam que a redução da ingestão calórica pode aumentar a capacidade cognitiva, reduzir o envelhecimento celular e promover a longevidade. Quase um século de dados mostra que estressar nossos corpos e cérebros restringindo calorias – dentro da razão, de um plano consistente — impulsiona as células a crescerem mais fortes e mais resistentes. A restrição calórica também estimula o sistema de defesa antioxidante do cérebro, e é uma ótima maneira de perder alguns quilos, se necessário. Restrição calórica significa reduzir a ingestão de 30 a 40 por cento das calorias. Em vez de consumir uma média de 2.000 calorias por dia, você consumiria de 1.200 a 1.400. Eu diria que apenas comer menos ao longo do dia pode ser eficaz. Os centenários do arquipélago japonês de Okinawa adotaram a filosofia do “hara hachi bu”, em que param de comer quando estão 80% satisfeitos, uma prática ligada à sua longevidade. Uma outra maneira eficiente de consumir menos calorias e manter a qualidade nutricional é aumentar o consumo de vegetais e frutas com baixo índice glicêmico, proteínas magras e gorduras essenciais, e, claro, eliminar alimentos açucarados e processados.
Na minha opinião, depois de toda essa análise complexa e completa, eu diria que o Alzheimer, antes de tudo, é uma doença do nosso estilo de vida moderno, no mesmo nível da diabesidade – a síndrome composta pela diabetes e obesidade. Há um interessante texto a respeito nessa plataforma, veja lá. Temos de encarar o fato de que nosso corpo, nossa fisiologia, ainda se encontra na pré-história, há mais de 20.000 anos. Pense em como eram as coisas naquela época, a vida ao ar livre, a atividade física necessária para conseguir comida em um cenário de alimento escasso e competitivo, a falta dos elementos agressores e opressores modernos. Não dá pra voltar no tempo. Mas temos que reviver alguns daqueles hábitos para conseguir viver plenamente, e não apenas sobreviver à custa de remédios.
De novo, voltando à pergunta inicial – o que você faria se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer? Eu lhe recomendaria: não espere os sinais, não espero resultados de exames genéticos ou outros – mude já sua vida, adote novos hábitos, elimine os ruins. Quer uma dica como fazê-lo? Achou este texto complexo demais, difícil de entender como aplicar alguns dos conceitos em sua vida? Relaxe. Aqui, nesta plataforma, há um Programa Especial chamado ‘Protololo UCLA – Alzheimer’. É uma tradução, vamos dizer assim, do estudo conduzido pelo médico americano Dale Bredesen que vimos neste texto. E para você que ficou até aqui, até o final, uma atualização daqueles resultados: ao protocolo aplicado já somam mais de 500 curas! Então, se você considerar ser um assinante ‘Premium’ de ‘Cuide de Sua Vida’, terá acesso simples e fácil a este protocolo. No menu aqui em cima, acesse ‘Planos’, altere seu registro. Depois, clique em ‘Especiais’ e em ‘Programas’. Nesta página encontrará facilmente o ‘protocolo’. Eu recomendo que você assista tudo, compreenda os princípios e ponha em prática as atividades descritas, sempre sob orientação ou supervisão de um profissional de saúde. Isso é importante. Pois bem. Até a próxima análise, no próximo texto! Um abraço!

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