Saúde física

Passando as fezes a limpo – PARTE 3 – Finalmente as fezes!

Acho que está na hora de voltar a falar das fezes, não? Claro que ainda há muito a se falar do sistema digestório – saúde, disfunções, patologias – por exemplo, a doença celíaca -, parasitoses, mas deixaremos tudo isso para outros textos.

Até aqui, eu creio que você percebeu o extremo valor do sistema digestório, e por isso entende agora a importância do que está comendo, como está comendo e quando. Certo?

Pois então, o resultado do que você come, depois de passar por este complexo sistema mecânico-físico-químico, é aquilo que o corpo expurga, expele, expulsa. As fezes.

Vamos olhar diretamente para elas, fixamente. Na sua próxima ida ao banheiro para “fazer um número 2”, como diziam meus filhos, eu quero que você observe 4 características: a forma, a consistência, a cor e o cheiro. É, eu sei, não é a coisa mais agradável do mundo, mas vamos lá, isso pode lhe dar uma ideia de alguns pontos interessantes sobre sua saúde, seu estado de saúde.

Vamos entender o que são fezes normais, de uma pessoa saudável. As fezes normais têm formato de salsicha ou banana, não necessitam de esforço para a evacuação, não são ressecadas ou amolecidas, tem cor castanha, não apresentam sangue, e o ato de evacuar é rápido e expressa alívio imediato.

Quanto à forma, há uma escala de observação, chamada de ‘Escala de Bristol’, com 7 tipos básicos que podem apresentar subtipos, foi desenvolvida pelo Dr. Ken Heaton na Universidade de Bristol, por isso o nome. Vamos a eles. Vou descrever para você… Ufa, que nojo, hein? Hehehe, tente imaginar.

O ‘tipo 1’ apresenta caroços duros, pequenas bolinhas separadas. De cara, é sinal de constipação, prisão de ventre, severa; o ‘tipo 2’ tem formas irregulares, segmentadas em forma de uma salsicha bastante encaroçada. Indica leve prisão de ventre e trânsito digestivo bastante lento; o ‘tipo 3’ tem forma de salsicha, é mais lisa, mas com algumas fissuras ou ranhuras na superfície. É fruto de uma evacuação normal, com ótimo trânsito intestinal, talvez uma leve desidratação; o ‘tipo 4’ é alongada, lisa e macia. Indicação de evacuação normal, sinal de ótimo trânsito intestinal; o ‘tipo 5’ mostra pedaços macios separados, com bordas bem nítidas. É um indicativo de provável diarreia ou irritabilidade intestinal; o ‘tipo 6’ são pedaços bem moles, com bordas mal definidas, as fezes são bem pastosas, com alguns pequenos caroços. É diarreia, com trânsito intestinal bastante comprometido; por fim, o ‘tipo 7’ são fezes líquidas, sem pedaços sólidos, é diarreia, com trânsito intestinal bastante desregulado. Via de regra, o ser humano deve evacuar todos os dias, mas nem sempre é assim que acontece.

Se a frequência for mais espaçada, a cada dois ou três dias, e as fezes estiverem dentro dos parâmetros da normalidade, está tudo bem.

Entretanto, caso o aspecto das fezes não represente os tipos 3 ou 4 da Escala de Bristol e o número de evacuações na semana for menor, é preciso acender o sinal de alerta.

Quanto à cor, as fezes podem apresentar 5 grupos de colorações, incluindo seus sub tons: esverdeadas, amareladas, avermelhadas, muito claras ou muito escuras.

Fezes muito esverdeadas podem significar um trânsito intestinal muito rápido – a cor esverdeada é a presença da bile, e não dá tempo de bactérias processarem corretamente. Situações de estresse, intestino irritável ou infecção bacteriana causam isso.

Fezes amareladas podem ser indicativo de problemas na digestão de gorduras, ductos biliares entupidos ou mesmo na composição do suco pancreático. Também podem indicar infecção intestinal, acompanhadas de dor abdominal, febre e diarreia.

Fezes avermelhadas podem ser por simples ingestão de beterrabas – algumas pessoas simplesmente não conseguem processar o pigmento arroxeado chamado betanina – ou causas mais sérias, como a presença de sangue nas fezes. Isso pode ser devido a doenças como Chron, colite ulcerativa, câncer intestinal ou hemorroidas. Neste último caso, o sangramento deixa uma coloração de sangue vivo, vermelho vivo.

Fezes muito escuras têm associação à falta de uma adequada digestão de proteínas ou mesmo sangramento em algum órgão do sistema digestório, como úlceras gástricas e varizes no esôfago.

Por fim, fezes muito claras, assim como as amareladas, têm a ver com problemas na digestão de gorduras, doenças no fígado, nas vias biliares e também anemia.

Você reparou que suas fezes tiveram alteração radical de cor ultimamente? Se a coloração normal não voltar em até duas semanas, procure um médico. Do mesmo jeito que sentir fraqueza, tontura, febre, ou mesmo tiver uma rápida perda de peso sem razão aparente. Aí, sim, vá ao médico ainda mais rapidamente, não espere.

Já falamos da forma, consistência, cor. Agora, vamos ao cheiro.

Um odor meio fétido, mau cheiroso, é normal. Porque as bactérias acabam gerando compostos sulfurosos durante a digestão, e também depende muito do que é ingerido. Por exemplo, um consumo exagerado de carne vermelha e comida mais condimentada podem gerar fezes com odor mais acentuado. Má absorção de nutrientes também. Aliás, esse é um bom sinal da disbiose, do equilíbrio de sua flora intestinal.

Agora, quando você vai ao banheiro “fazer o número 2” e sua família é obrigada a sair de casa, aumente a atenção – o problema pode ser quase lá no início, na quebra das proteínas animais, ainda no estômago. Essa quebra incompleta pode gerar um subproduto chamado cadaverina, uma molécula produzida pela hidrólise, comum na putrefação de tecidos orgânicos de corpos em decomposição. Você entendeu, né? Cadáver, cadaverina, mau cheiro. O processo também tem a ver com certas fermentações bacterianas intestinais, mas o fato é de que, bastante provavelmente, seu estômago está liberando HCl, ácido clorídrico, de forma insuficiente. Se você sofre de fezes fétidas e refluxo noturno, é quase certeza disso, pode conversar com seu médico a respeito, ok? Ele deverá lhe prescrever uma substância que auxilie no aumento do ambiente ácido, ou, de pH mais baixo, em seu estômago.

Bom, agora que você deu uma boa olhada nas fezes, o que fará? Claro, vai apertar o dedo no botão da descarga e ficar olhando aquela sua produção estranha ir embora água abaixo, certo?

Errado! “Pelamordedeus”! Jamais faça isso! Jamais olhe suas fezes indo embora pela privada! Se você me disser isso pessoalmente, eu terei muito receio de apertar suas mãos ou cumprimentar você mais proximamente. Porque você deve ser uma pessoa que carrega constantemente uma película invisível de bactérias por todo o corpo – rosto, cabelos, pele, roupa! Seu banheiro deve ser um ambiente contaminado – sua escova de dentes, pente, escova de cabelos, e, mais grave ainda, se você usa lentes de contato e deixa a caixinha sobre a pia do banheiro para facilitar o uso e retirada. É um baita perigo de contaminação… dos olhos!

Olha, deixa eu lhe contar sobre um estudo feito no Reino Unido por uma universidade de lá, sobre a saúde e higiene dos cidadãos médios ingleses, há quase 20 anos.

De forma geral, quase 1/3 da população estudada tinha rastros de coliformes fecais, ou coliformes termotolerantes no jargão técnico atual, por todo o corpo. No aprofundamento da pesquisa, viram que isso se devia a 2 hábitos: na forma como tomavam banho e como davam descarga após defecar. No primeiro caso, é um processo intuitivo: você pega o sabonete e logo vai para aquelas áreas que supostamente são mais ‘sujas’, como genitais, nádegas e embaixo dos braços. Ao lavar as nádegas e seu recôndito, você contamina o… sabonete! E depois espalha as bactérias pelas demais partes do corpo. Portanto, primeira coisa a mudar, se você faz o mesmo: comece por lavar a cabeça, os cabelos, desça para as áreas descobertas até os pés, depois as axilas, genitais, nádegas e o recôndito. Não preciso aqui falar o nome do dito ‘cujo’. Claro, logo após se ensaboar, seja cuidadoso com quem for o próximo no banho – lave bem seu sabonete, para não deixar vestígios de coliformes termotolerantes.

O segundo hábito percebido pelo estudo é exatamente a questão de dar adeus às massas fecais! Vê-las indo embora, no redemoinho de água da privada. Ocorre que a descarga é tão violenta que uma parte da água se transforma em nuvem de partículas ao bater no fundo e encontrar as fezes. Uma nuvem gasosa de água e resíduos fecais. Essa nuvem chegaria a subir até 4 metros de altura se tivesse liberdade, mas ela encontra você, seu rosto, seu corpo, as paredes e o teto do banheiro, por onde desliza, é rebatida e se espalha. Então, você acaba produzindo um ambiente totalmente contaminado – tudo o que fica exposto sobre a pia, como escova de dentes e cabelo, toalhas de rosto e banho, sua caixinha das lentes de contato, maquiagem, potes de perfume, desodorante, etc.

Entendeu? Como dizia minha avó, “quer que eu desenhe para ficar mais claro”?

Olhe, não se trata de má-fé, quer dizer, não fazemos corretamente muitas coisas porque, simplesmente, não refletimos sobre elas e seus desdobramentos, não é verdade?

Mas ainda bem que temos pessoas que nos alertam! Muito cedo meu pai, que era professor de biologia, me contou sobre a utilidade da tampa da privada. “Se está lá”, dizia ele, “tem um bom motivo para usá-la! Tem que manter fechada!”

Verdade.

Os primeiros cintos de segurança apareceram nas carruagens de cavalos, em 1885. A grande revolução dos cintos, o modelo de 3 pontas, já estava em circulação nos automóveis na década de 1960. Contudo, o cinto de segurança só se tornou obrigatório efetivamente no Brasil em 1994. Se tal medida tivesse sido tomada antes, 70% das mortes nos acidentes poderiam ter tido outro final.

Falando em final, vamos ficar por aqui? Já teve muuuita informação pra você digerir, não é verdade? Hehehe, desculpe o trocadilho.

Mas continuaremos a falar de intestino e sistema digestório em outros textos. Até lá. Um abraço!

Passando as fezes a limpo – PARTE 2 – Disfunções do sistema digestório e cognição

Preste atenção aqui, veja só isso: nos tempos primitivos, a dieta humana era crua, rica em fibras pouco digeríveis e hipocalórica. Mesmo o fogo depois de ser controlado pelo homem – tem gente que insiste que o fogo foi ‘inventado’, mas como inventar algo que já estava disponível na natureza? – era um luxo mantê-lo aceso para cozinhar. Mais fácil era acendê-lo para assar as caças, e assim uma parte da refeição era realmente cozida de alguma forma. Porque o cozimento de legumes e cereais demandavam outra invenção do homem – as tigelas, vasilhames e mais tarde as panelas. Então, na pré-história, o estômago era adaptado para armazenar uma maior quantidade de alimentos e suportar períodos de jejum prolongado. O volume de alimentos ingeridos deveria ser maior, e o intestino precisava ser muito longo para receber e processar mais alimentos e não eliminar nutrientes essenciais. Agora, a dieta contemporânea é normalmente muito calórica, com poucas fibras, resíduos e é facilmente assimilada. É possível absorvê-la eficientemente já nas porções proximais, quer dizer, iniciais, do intestino, criando picos de absorção de nutrientes.

O fato é que isso é uma verdadeira ameaça aos sinais neuroendócrinos, que dependem da distensão intestinal e da presença de nutrientes no intestino distal, quer dizer, na parte quase final do intestino delgado, para desencadear a secreção dos hormônios intestinais. Em outras palavras, as partes do jejuno e íleo – que são as partes média e final do intestino delgado -, tendem a absorver menos nutrientes, reduzindo a produção de GLP-1. Esse hormônio é muito importante para a regulação do apetite. Os nutrientes que atingem aquele ponto quase terminal do intestino delgado são, portanto, um estímulo fundamental para a liberação do GLP-1, e isso não acontece como devia. Já foi descrito em estudos científicos que diabéticos e obesos apresentam produção de GLP-1 muito reduzida após as refeições. Isso é o contrário nos magros e saudáveis. Veja, o PYY é um outro hormônio peptídico intestinal que também é secretado pelas células da porção final do intestino delgado e início do intestino grosso. Isso deveria ocorrer após as refeições, proporcionalmente à quantidade de calorias ingeridas. Este hormônio, o PYY, diminui a mobilidade intestinal e aumenta a saciedade, o que provoca diminuição do apetite e a ingestão de alimentos.

Então, devido a essa “evolução” na dieta humana, o intestino delgado está, vamos dizer assim, inadequadamente longo, assim como o estômago, que se transformou em uma câmara de estoque inadequadamente grande. Uma dieta rica em carboidratos simples, pobre em gordura, proteínas e fibras, é altamente digerível, quer dizer, facilmente digerível, o que, abre aspas, “deixa sobrando muitos metros de intestino sem função objetiva”, fecha aspas.

Seguindo em frente no sistema digestório, os restos de uma refeição levam entre 9 e 10 horas para chegar ao intestino grosso, onde permanecem por cerca de… 3 dias! Aqui, durante este período, boa parte da água e sais é absorvida e são produzidas e assimiladas algumas vitaminas, como a K e até traços da B12. Na região final do cólon, a massa fecal – os resíduos – se solidifica, se compacta, transformando-se em fezes. Cerca de 30% da parte sólida das fezes é constituída por bactérias vivas e mortas e os 70% restantes são constituídos por sais, muco, fibras (como a celulose) e outras substâncias não digeridas adequadamente. O reto, a parte final do intestino grosso, fica geralmente vazio, enchendo-se de fezes pouco antes da defecação. A distensão provocada pela presença de fezes no local estimula as terminações nervosas do reto, permitindo a expulsão das fezes.

E aqui vai uma pergunta pessoal: você vai ao banheiro 1 vez por dia? Ou 2, ou 3? Claro, para defecar, fazer cocô. Vai? Reflita sobre tudo o que eu disse até aqui. Principalmente no fato de que uma refeição pode levar 4 dias para ser totalmente digerida e expelida. Você também tinha a ideia errada de que isso acontecia em 4 horas? Pois é. Muita gente tem essa percepção. Os cientistas afirmam que essas são métricas erradas, falsas! Ir ao banheiro defecar 2-3 vezes ao dia. Claro que há também o outro lado, ou seja, a constipação, quer dizer, a dificuldade de evacuar, a prisão de ventre. E suas causas mais frequentes são desidratação, baixa ingestão de fibras, sedentarismo e até mesmo efeitos colaterais de medicamentos. Muitas pessoas com esta condição – a prisão de ventre – acabam apelando para o uso de medicamentos e soluções mais perigosas, como a lavagem intestinal.

Veja, de novo, em uma pessoa normal, esse processo digestivo, que envolve mais de 10 órgãos, leva entre 24 e 120 horas! O que faz essa imensa diferença é o consumo de fibras e o tipo delas. A fibra faz você se sentir saciado por mais tempo, também puxa água para o bolo fecal, mantendo-o macio. Fezes ásperas, duras, são, para falar de forma elegante, muito desagradáveis. Fibras também aumentam a massa bacteriana. A água e as bactérias aumentam o volume do bolo fecal, ajudando-o a se mover no trato intestinal. Outras vantagens da fibra: ela desacelera a absorção de açúcares pelo sangue e acumula bactérias do trato digestivo, ajudando você a manter uma microbiota mais saudável. A fibra está muito associada à redução do risco de desenvolver diabetes, de doenças cardíacas, de diversas doenças gastrointestinais e até mesmo cânceres.

Mesmo assim, a maioria de nós não consome o suficiente. No Brasil, a grande maioria dos adultos não está ingerindo nem metade das fibras recomendadas por dia.

Bem, até agora, vimos que a função primordial do sistema digestório é garantir que o corpo receba combustível de qualidade para que suas funções ocorram perfeitamente. Mas esse sistema digestório tem também outras funções, por exemplo, a secreção de hormônios que controlam o metabolismo e controlam até o nosso humor. E mesmo a imunidade! O intestino representa o maior compartimento de todo o nosso sistema imunológico. Existe uma interação bastante importante entre as bactérias, vírus e outros microrganismos normalmente presentes nos alimentos e no intestino e as células do sistema imunológico presentes naquele órgão. A superfície de contato do intestino com esses microrganismos e com os alimentos ingeridos é muito maior até mesmo do que a existente entre a pele e o meio ambiente.

Nesse ponto, devo ressaltar o seguinte: são as fibras as principais fontes de alimento das boas bactérias que temos em nossos intestinos. Por que boas bactérias? Porque a microbiota intestinal, ou flora intestinal, um complexo de espécies de micro-organismos que vivem no trato digestivo, é fundamental para a nossa saúde. Pois é. Trilhões de bactérias, vírus e fungos vivem em nós ou dentro de nós, e manter um relacionamento bom e equilibrado com esses seres é uma vantagem absoluta. Juntos, eles formam o microbioma intestinal, um rico ecossistema que desempenha uma variedade de funções em nosso corpo.

As bactérias em nossos intestinos ajudam a decompor alimentos que naturalmente não conseguimos digerir; elas produzem nutrientes importantes e protegem contra germes nocivos. Contudo, ainda não sabemos exatamente quais as bactérias, os tipos, um intestino robusto precisa, mas sabemos que é importante para um microbioma saudável ter uma boa variedade de espécies bacterianas. E muitos fatores afetam nossos microbioma -incluindo nosso meio ambiente, medicamentos como antibióticos e até mesmo se seu parto, seu nascimento, foi por cesariana ou normal. Embora não possamos controlar todos esses fatores, através de uma boa dieta podemos manipular o equilíbrio de nossos micróbios prestando atenção ao que comemos. A fibra dietética de alimentos como frutas, legumes, nozes e grãos integrais é o melhor combustível para as bactérias intestinais. Quando as bactérias digerem a fibra, elas produzem ácidos graxos de cadeia curta que nutrem a barreira intestinal, melhoram a função imunológica e podem ajudar a prevenir a disbiose e a inflamação crônica, o que reduz o risco de câncer. E quanto mais fibra você ingerir, mais as bactérias que digerem fibras colonizam seu intestino.

Veja, em um estudo recente, os cientistas trocaram as dietas regulares ricas em fibras de um grupo de sul-africanos rurais pelas dietas ricas em gordura e carnes de um grupo de afro-americanos que viviam nas grandes cidades. Após apenas duas semanas de dieta rica em gordura ruim, carboidratos simples e pobre em fibras, bem ao estilo ocidental, o grupo rural africano mostrou aumento considerável da inflamação do cólon, bem como diminuição da produção do butirato – um ácido graxo de cadeia curta importante para diminuir o risco de câncer de cólon. Enquanto isso, o grupo afro-americano que mudou para uma dieta rica em fibras, carboidratos complexos e com baixo teor de gordura ruins teve o resultado oposto. Então, o que há de errado com nossas bactérias intestinais quando comemos alimentos processados ​​com baixo teor de fibras? Está aí, bem explicado, bem exemplificado. Menos fibra significa menos combustível para elas, que, essencialmente, morrem de fome. Isso resulta em menos diversidade e bactérias famintas.

Há também os alimentos ricos em gordura láctea, como leite integral e refrigerantes açucarados, que foram correlacionados com a diminuição da diversidade. Na verdade, algumas dessas bactérias impactadas por uma alimentação ruim podem até começar a se alimentar do próprio revestimento mucoso do intestino, causando permeabilidade intestinal. E isso é grave! Por outro lado, alguns alimentos específicos podem afetar as bactérias intestinais da forma boa, benéfica! Em um estudo recente, os cientistas descobriram que frutas, legumes, chá, café e chocolate amargo estavam correlacionados com o aumento da diversidade bacteriana por conterem polifenóis, que são compostos antioxidantes naturais. E não é só “o quê”, mas o “como” – como a comida é preparada também importa. Alimentos frescos, minimamente processados, geralmente têm mais fibras e fornecem melhor combustível. Assim, legumes levemente cozidos no vapor, salteados ou crus são tipicamente mais benéficos do que pratos fritos ou extensamente cozidos.

Existem também maneiras de preparar alimentos que podem realmente introduzir boas bactérias, também conhecidas como probióticos, em seu intestino. Alimentos fermentados estão repletos de bactérias probióticas úteis, como lactobacilos e bifidobactérias. Elas eram originalmente usadas como forma de conservar alimentos antes da invenção da refrigeração, através da fermentação, que continua sendo uma prática tradicional em todo o mundo. Alimentos como kimchi, chucrute, tempeh, e kombucha fornecem variedade e vitalidade de bactérias boas às dietas. O iogurte é outro alimento fermentado que pode introduzir bactérias úteis em nosso intestino. Isso não significa necessariamente que todo iogurte seja bom para nós. Marcas com muito açúcar e poucas bactérias não ajudam! Isso se sabe há muito tempo. Mesmo

em 1895, um cientista russo, Elie Metchnikoff, ficou fascinado ao observar a influência de bactérias intestinais na saúde e longevidade. Ele sugeriu, em seus estudos, que as pessoas de partes da Europa Oriental viviam mais porque comiam muitos alimentos fermentados, contendo lactobacilos vivos. Essa teoria foi ignorada na época e somente muitas décadas depois é que os cientistas reconheceram a importância da microbiota na regulação de doenças e na capacidade cognitiva.

Vamos explorar isso agora? Intestino e cognição? Pois mesmo o cérebro em sua cabeça e o seu intestino estão permanentemente trocando informações. E como eles fazem isso? Se lhe perguntassem onde está localizado o sistema nervoso do corpo humano, você provavelmente responderia somente no cérebro e na medula espinhal, certo? Mas, além do sistema nervoso central, que consiste nesses dois órgãos, nossos corpos também têm o sistema nervoso entérico, um revestimento de dupla camada, com mais de 100 milhões de células nervosas, que abrange nosso intestino, do esôfago ao reto. O sistema nervoso entérico, como é chamado, tem sido apontado como o “segundo cérebro”. É por isso que apenas pensar em comida pode levar seu estômago a começar a secretar enzimas, ou mesmo aqueles que têm pavor de falar em público, ao terem de fazer um discurso, sentem-se totalmente enjoados.

Até recentemente, os cientistas pensavam que esses dois sistemas se comunicavam apenas por meio de hormônios produzidos por células enteroendócrinas espalhadas por todo o revestimento do intestino. Depois de detectar alimentos ou bactérias, as células liberariam mensageiros moleculares que estimulariam o sistema nervoso a modular o comportamento. Mas acontece que o processo pode ser muito mais direto. Um neurocientista do intestino-cérebro da Duke University, Diego Bohórquez, descobriu que algumas células enteroendócrinas também fazem contato físico estreito, formando sinapses, com o sistema nervoso entérico, com cerca de 100 milhões de neurônios – quase o mesmo número que toda a medula espinhal. Por curiosidade, esses mesmos 100 milhões de neurônios produzem quase 95% de toda a serotonina que circula pelo corpo – conhecida como o ‘hormônio da felicidade’, entre suas funções está a regulagem do ritmo cardíaco, do sono, do apetite, do humor, da memória e da temperatura do corpo.

Essa revelação, da relação íntima entre intestino e cérebro, abre a porta para repensar como isso nos afeta e pode um dia mudar a forma como tratamos condições físicas e mentais tão variadas quanto obesidade, anorexia, síndrome do intestino irritável, autismo e TEPT – transtorno de estresse pós-traumático.

Veja só: de fato, há um eixo intestino-cérebro chamado, em inglês, de GBA – Gut-Brain-Axis, que consiste na comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central e o entérico, ligando os centros emocionais e cognitivos do cérebro com as funções intestinais periféricas. Isso é uma descoberta sensacional! E os avanços recentes na pesquisa descreveram a importância da microbiota intestinal em influenciar essas interações. Essa influência mútua entre microbiota e o GBA parece ser bidirecional, ou seja, acontece através da sinalização da microbiota intestinal para o cérebro e do cérebro para a microbiota intestinal por meio de ligações neurais, endócrinas, imunes e humorais. Várias evidências disponíveis são suporte à existência dessas interações, bem como os possíveis mecanismos fisiopatológicos envolvidos. Na prática clínica, a evidência de interações microbiota-GBA vem da associação da disbiose, o desequilíbrio da microbiota, com distúrbios do sistema nervoso central, como comportamentos depressivos de ansiedade e distúrbios gastrointestinais funcionais.

Em particular, a síndrome do intestino irritável pode ser considerada um exemplo da ruptura da saúde dessas relações complexas. Escute só essa: pesquisadores brasileiros também descreveram o mecanismo pelo qual desequilíbrio entre espécies bacterianas que vivem no intestino favorecem a predisposição ao Mal de Parkinson e outros distúrbios neurodegenerativos. Tudo isso coloca em perspectiva nosso estilo de vida moderno, principalmente a pouca importância dada à alimentação e aos hábitos alimentares, que juntos estão nos adoecendo, física e mentalmente.

Continua na ‘parte 3’

Passando as fezes a limpo – PARTE 1 – O sistema digestório

Por mais desagradáveis que as coisas possam ser ou parecer, como tudo na vida, o melhor é enfrentar, ficar cara a cara, olho no olho. Só assim podemos avaliar corretamente um desafio, um perigo ou um desgosto, que mais tarde pode nos trazer um incômodo, uma sobrecarga ou um prejuízo.

Dito isso, eu lhe pergunto: quando foi a última vez que você olhou firmemente para as suas fezes? Estou falando sério. Suas fezes podem dizer muito sobre você, quer dizer, sobre sua saúde. O que nós descartamos naturalmente, muitas vezes, acreditamos não ter nenhum valor. Esse não é o caso.

Mas antes de você achar este texto desagradável, há muitas coisas que falaremos antes mesmo de chegar nas fezes. Aliás, neste texto, como em nossa natureza, as fezes serão a última coisa que você ouvirá, combinado? Isto porque nosso sistema digestório é grande e complexo, e você precisa saber como ele funciona para ter saúde. E não é só saúde física, mas saúde mental também, pois o intestino tem muito a ver como cascatas hormonais e substâncias que impactam no cérebro diretamente. Vamos ver isso tudo. Pois bem.

Para chegar em nossas fezes, precisamos voltar para a escola, para as aulas de biologia onde tivemos a primeira descrição detalhada do sistema digestório. Ele era conhecido como sistema digestivo ou gastrointestinal, e começa na boca e glândulas salivares, passa pela faringe, desce pelo esôfago, encontra o estômago, tem suporte do fígado, vesícula biliar, pâncreas, continua pelo intestino delgado (e suas partes) e finalmente chega ao intestino grosso (e suas partes).

A comida é recebida pela boca, triturada pelos dentes com a ajuda da língua e misturada com saliva – uma composição de água, glicoproteínas e substâncias inorgânicas. A saliva tem ptialina, uma enzima que digere amidos. Sua principal função é lubrificar os alimentos que devem descer pelo esôfago e manter a boca úmida.

Essa mistura de comida triturada e saliva passa então pela faringe e alcança o esôfago, um tubo que conduz a mistura com movimentos peristálticos – uma série de contrações e relaxamentos simétricos dos músculos – até o estômago. Se a comida é saborosa e cheirosa, ao chegar lá, uma quantidade de suco gástrico está à sua espera. A função aqui é quebrar as proteínas em polipetídeos, portanto, o suco gástrico é formado por ácido clorídrico, pepsina, um pouco de renina e um muco, tudo produzido pelas glândulas do estômago. O pH, do estômago, graças ao HCl, oscila entre 1 e 3, e isso é importante porque decompõe mais rapidamente os alimentos para torná-los acessíveis ao restante do trato digestivo. A alta acidez do estômago também mata muitas bactérias e microorganismos que não podem sobreviver naquele ambiente, protegendo o corpo da infecção por muitos patógenos comuns. A produção do suco gástrico é desencadeada quando um hormônio, a gastrina, é liberado no sangue em resposta à presença direta de alimentos no estômago, indicando que ele precisa se movimentar e iniciar o processo mecânico de digestão. Várias glândulas são responsáveis pela produção de diferentes componentes desse suco gástrico e por alcançar o equilíbrio correto entre todos os componentes. Já no intestino delgado, a comida bem processada recebe o suco pancreático, e então, os polipeptídeos agora serão transformados em aminoácidos e outros nutrientes. É aqui, no intestino delgado, que os nutrientes vitais serão absorvidos pelo organismo.

Ao contrário do suco gástrico, o suco pancreático que é secretado no duodeno – a primeira porção do intestino delgado -, tem o pH beeem elevado, ou seja, é bem alcalino. Isto porque ele precisa neutralizar a acidez da mistura recém-chegada. Essa modificação de pH facilita também a ação de enzimas. O suco pancreático é formado por bicarbonato e várias enzimas – a função é garantir a máxima absorção de tudo que pode ser aproveitado pelo corpo. Ainda temos a ação da bile, um líquido esverdeado produzido pelo fígado e armazenado na vesícula biliar. É uma mistura de água e sais minerais, bem alcalina, que tem uma ação física, e não química, no processo digestivo. A bile age como um detergente, provocando a emulsificação das gorduras, reduzindo a tensão superficial entre as moléculas lipídicas, aumentando sua exposição à ação das lipases – as enzimas que ajudam a transformar óleos e gorduras.

Acha que acabou a parte bioquímica? Nem de longe. O intestino delgado produz o suco entérico em células de suas paredes. É formado por muco e enzimas que deverão completar a digestão dos alimentos. Sacarase, lactase, maltase, nucleotidases e peptidases são algumas das principais enzimas. Ele produz também hormônios reguladores dos processos digestivos, como a secretina, pancreozimina e enterogastrona. Não é fácil, não!

E como é que o organismo absorve os nutrientes?

Água, alguns sais e álcool podem ser absorvidos diretamente no estômago. Por isso aquela bobagem de “antes de beber, forre seu estômago com azeite para o álcool não ser absorvido”. Já ouviu essa? Pois é, a pessoa fica bêbada e enjoada com o excesso de gordura no estômago vazio.

A maioria dos nutrientes são absorvidos pela mucosa do intestino delgado e passa para a corrente sanguínea. Os aminoácidos e açúcares atravessam as células do revestimento intestinal e também vão para o sangue, que se encarrega de distribuir tudo às células do corpo. O glicerol e os ácidos graxos também acabam atingindo a corrente sanguínea, e depois de uma refeição rica em gorduras, o sangue fica com uma aparência ligeiramente leitosa por conta das gotículas de lipídios.

Continua na ‘parte 2’

D3 – um hormônio confundido com vitamina – PARTE 3 – Quanto você necessita?

Vamos voltar à questão original: quanto de 25-hidroxi-D você precisa ter circulando em seu sangue para manter os processos metabólicos saudáveis? Esse índice é medido em nanogramas por mililitro, ng/mL. Uma revisão publicada recentemente na Nature Reviews Endocrinology discute as diferenças nas recomendações para suplementação de vitamina D em mais de 40 países, trazendo também a forma como diferentes agências e países recomendam que seja feita a interpretação dos níveis séricos (no sangue) de 25 hidroxi D.

Vou traduzir a tabela para você: na Holanda, acima de 12 ng/mL um indivíduo já estaria em quadro de suficiência. Na Austrália e Nova Zelândia, acima de 20 ng/mL. Para a associação global Endocrine Society, acima de 30 ng/mL. Finalmente, para a Vitamin D Council and Experts, acima de 40 ng/mL. Alguns especialistas, estudiosos dedicados à vitamina D3, defendem que os níveis ideais para a manutenção e boa saúde está entre 40 e 70 ng/mL. Eu acompanho um grupo de médicos brasileiros que defendem números ainda mais anabolizados que esses. Temos profissionais que defendem taxas entre 70 e 120 ng/mL. Em seus consultórios, pacientes que fazem suplementação para atingirem esses níveis têm acompanhamento constante e não apresentam efeitos colaterais, o que nos faz querer observar mais de perto, de aprofundar os estudos e entender, principalmente, as causas da intoxicação.
Voltando à tabela, tem coisa esquisita aí, pra dizer o mínimo: como se chegam a resultados tããão diferentes para um índice tão importante? Que país, órgão ou grupo de estudo está certo? O que defende 12 ng/mL ou o que defende um mínimo de 70? A diferença é gritante!
Talvez haja uma preocupação, isto impacte diretamente no conservadorismo de alguns números – talvez outras disfunções orgânicas sejam acionadas a partir dos níveis elevados de colecalciferol no sangue, o que justificaria a tão alarmada hipercalcemia, uma condição que os níveis de cálcio no sangue sobrem muito e há deposição nos tecidos, o que pode ser fatal a longo prazo. Geralmente, a hipercalcemia é uma desordem metabólica associada ao câncer ou à hiperatividade das glândulas paratireoides. Esse cálcio extra circulante afeta muitos sistemas no corpo. Há uma certa unanimidade internacional que coloca o nível de 140 ng/mL de 25-hidroxi-D no sangue como sendo o limite inicial para uma provável intoxicação por D3. Aliás, segundo The American Society for Bone and Mineral Research, em português “Sociedade Americana para Pesquisa de Ossos e Minerais”, os efeitos colaterais ligados à esta suposta intoxicação advêm do excesso de cálcio circulante, pois não há relatos ou pesquisas que corroborem quaisquer sintomas ligados ao excesso da D3, ou de suas precursoras ou derivadas.
Mas onde tudo isso nos leva? Tem mais um dado que precisamos entender. Foi calculada a produção ou o consumo de vitamina D3 e sua relação com os índices de colecalciferol circulante no sangue. Veja bem: em um indivíduo saudável, de 70 quilos, cada 1.000 unidades internacionais ou 25 microgramas de vitamina D3 podem elevar os níveis sanguíneos em 7 ng/mL. Se você fizer um exame de 25-hidroxi-D circulante no sangue e ele detectar um índice de 20 ng/mL, ao cabo de algumas semanas, você pode aumentá-lo para 50 ng/mL tomando 4.300 unidades internacionais diariamente. Isso se você pesar 70 kg. Se você estiver desconfiado desses números, se achar demasiados ou exagerados, eu lhe digo o seguinte: segundo publicação da The American Society for Bone and Mineral Research, abre aspas, “as evidências de ensaios clínicos mostram que uma ingestão prolongada de 250 μg (10.000 UI)/d de vitamina D3 provavelmente não apresenta risco de efeitos adversos em quase todos os indivíduos da população em geral, e isso atende aos critérios para um nível de ingestão superior tolerável”, fecha aspas. Não entenda isso como uma sugestão, hein? É apenas um exemplo para que você tenha ciência de como a coisa, mais ou menos, funciona.
Eu quero voltar à resolução da ANVISA e suas recomendações. A ideia aqui é mostrar um claro descompasso entre a ciência atualizada e a prática política. Então, a resolução RDC nº 269 de 22 de setembro de 2005, abre aspas, “atualizando os valores de ingestão diária recomendada de vitaminas, elenca o seguinte em suas tabelas:

  • Ingestão diária para adultos: 5 microgramas ou 200 unidades internacionais;
  • Ingestão diária para lactentes e crianças: 5 microgramas (considerando crianças de zero a 10 anos) ou 200 unidades internacionais; e;
  • Ingestão diária para gestantes e lactentes: 5 microgramas ou 200 unidades internacionais.

A resolução deixa clara a necessidade de se atualizar os valores e parâmetros de ingestão diária para indivíduos de diferentes grupos populacionais, e que o descumprimento constitui infração sanitária.
Depois de tudo o que vimos até aqui, isso faz algum sentido para você?
Veja, eu não estou recomendando nada a você, muito menos prescrevendo! Não sou médico, não conheço você, não sei de suas deficiências e do seu estado de saúde. E aqui vai mais uma ressalva: 25-hidroxi-D circulante não significa vitamina D3 absorvida e funcional no seu organismo. Se os seus rins estiverem doentes, eles podem não ativar o calcidiol, não conseguem transformá-lo em calcitriol. Geralmente, quem faz hemodiálise por exaustão ou falência renal não ativa a D3. E há um último agravante: seus receptores celulares de D3 podem estar saturados, você pode sofrer de resistência ao calcitriol! É raro, mas pode acontecer, então tudo o que lhe mostrei aqui não faz sentido para o seu organismo. E tem mais – quanto mais velhos ficamos, menor nossa capacidade de transformar 25-hidroxi-D em 1-25-hidroxi-D. Um indivíduo de 70 anos tem, em média, 4 vezes menos capacidade de ativar a vitamina D que um jovem de 25 anos.
Qual minha recomendação? É a seguinte. Em primeiro lugar, observe-se atentamente. A ideia é procurar sintomas possíveis da deficiência de vitamina D. Se você tem uma inflamação do nervo óptico – isso é um possível sinal de esclerose múltipla-, ou sente uma diminuição geral do desempenho, se tem dores de cabeça após esforço físico, ou dores nas articulações, ou tremores e cãibras musculares, se dorme muito mal, se sente diminuição da concentração, e por último, tem unhas quebradiças, uma conjunção desses sinais pode ser um alerta. Vá ao seu médico, faça o exame de 25-hidroxi-D, e todos os outros necessários para avaliar corretamente sua condição – por exemplo, os níveis de paratormônio, de cálcio total, e outros – deixe que ele avalie você e prescreva a suplementação. De tempos em tempos, refaça o exame a fim de criar um acompanhamento. Isso é muito importante.
De novo, lembre-se que a forma ideal de obter D3 é pela produção endógena, a partir da luz solar. O corpo forma a maior parte da vitamina D que você necessita convertendo a luz solar na pele. As quantidades em excesso são armazenadas no tecido adiposo, quer dizer, na sua gordura corporal, no tecido muscular e no fígado. Para isso, é necessário expor áreas maiores da pele ao sol por períodos mais longos todos os dias.
Por último, um aviso: esse assunto vitamina D3 não para por aqui. Tem muita coisa ainda para tratarmos juntos. Precisamos tratar dos receptores da D3 no corpo, da prevenção da deposição do cálcio nos tecidos moles, do impacto da D3 no sistema imune, entre muitos outros. Nos próximos textos, ok? Então, até lá, um abraço!

D3 – um hormônio confundido com vitamina – PARTE 2 – Bioquímica

Essa parte do texto é eminentemente técnica, talvez você goste, talvez você ache demasiado ‘acadêmico’, mas eu incluí aqui por entender ser muito necessário você saber o que acontece em seu corpo, de forma geral.
O termo vitamina D engloba um grupo de moléculas derivadas do colesterol produzido em nosso organismo. Mais precisamente, do 7-deidrocolesterol (7-DHC), você já ouviu esse nome por aqui. A partir dele, ocorre uma cascata de reações fotolíticas, ou seja, ativadas pela luz, e enzimáticas, que acontecem em células de diferentes tecidos, em diferentes órgãos. Também nessa denominação abrangente está a forma inativa da vitamina D, o chamado calcidiol, que é convertido na forma ativa chamada calcitriol – 1 alfa, 25 dihidroxi-vitamina D – e seus precursores, ou seja, todas as formas anteriore. Isto está longe de ser simples, tanto que essa cascata de reações e inativações foi chamada de Sistema Endocrinológico da Vitamina D. A ele é atribuído, inicialmente, o papel de regulador da fisiologia osteomineral, em especial do metabolismo do cálcio. Entretanto, a 1-25-dihidroxi-D está extremamente envolvida na homeostase, que é a condição de relativa estabilidade da qual o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente, também de vários outros processos celulares, entre eles a síntese de antibióticos naturais pelas células de defesa, a modulação da autoimunidade e a síntese de interleucinas inflamatórias, tem impacto no controle da pressão arterial e é muito importante na regulação dos processos de multiplicação e diferenciação celular. É também atribuída à vitamina D o papel antioncogênico, quer dizer, o papel de combater as células cancerígenas em nosso organismo.
Muitos estudos realizados nas últimas décadas mostram que a vitamina D impacta em mais de 900 genes-alvos, o que corresponde a cerca de 3% do genoma humano. Isso é simplesmente incrível! Devem ser mais de 290 sínteses enzimáticas. O reconhecimento da importância da vitamina D na nossa saúde global despertou um grande interesse na comunidade científica. Aqueles estudos todos mostraram que uma grande parcela da população mundial, independente da idade, etnia e da localização geográfica, apresenta baixos níveis de vitamina D. Em território brasileiro, os estudos mostram prevalência de baixos níveis em cerca de 60% dos adolescentes, de 40% a 58% nos adultos jovens e entre 42% e 83% em idosos, com taxas mais altas ainda de deficiência entre indivíduos com idades mais avançadas. São dados oficiais, comparados às referências adotadas como adequadas pelo governo brasileiro. Se estas referências oficiais estiverem realmente baixas, por conta de dados anacrônicos, – vamos abortar essa questão logo em seguida – os resultados são ainda piores e mais dramáticos! Esse panorama por si só é muito polêmico, porque não há consenso em qual seria o melhor ensaio laboratorial para a dosagem da vitamina D e quais parâmetros devem ser utilizados para definir se um indivíduo tem suficiência, insuficiência ou deficiência de vitamina D.
Nos seres humanos, apenas 5% a 10% da vitamina D necessária à adequada função do organismo vem da dieta. Na alimentação, as principais fontes são de origem animal – a vitamina D está presente nos peixes gordurosos de água fria e profunda, como atum, salmão e no plâncton -, e tem também o ergosterol, de origem vegetal, presente nos fungos comestíveis. Os restantes 90% a 95% que necessitamos são sintetizados pelo nosso organismo. Ou deveriam. Em nosso corpo, tudo começa nas camadas mais profundas da pele, onde está armazenado o precursor 7-deidrocolesterol. É necessário que tomemos sol, luz solar direta, mais especificamente, precisamos da radiação ultravioleta tipo B. É uma frequência da luz solar de comprimento de onda entre 290 e 315 nanômetros. Ela atinge o planeta entre 10h30 da manhã e 14h30 durante os meses mais quentes. Dependendo de onde estamos no planeta, se mais próximo do equador ou mais distante dele, essa radiação sofre interferência e perde poder, potência. Nas estações do ano mais frias essa interferência também ocorre, por isso, no inverno, nas regiões temperadas, os governos atentos fazem suplementação de vitamina D às suas populações. Pois bem.

Esta é a ‘cascata’ fisiológica de produção da vitamina D3 em nosso organismo

Outra variável muito importante nessa etapa de ativação da vitamina D é a quantidade de melanina na pele. Melanina é o que dá pigmentação, cor, e proteção contra a radiação solar. Quanto mais melanina, mais escura é nossa pele, menos absorvemos a radiação ultravioleta. Por isso, indivíduos com pele mais escura precisam de mais exposição ao sol para sintetizarem a mesma quantidade de vitamina D3 que indivíduos de pele clara.
E quanto de sol você deve tomar? Quanto mais sol, mais vitamina D? Não. O corpo é sábio, já vimos que o excesso de vitamina D causa intoxicação, portanto, há um mecanismo natural de proteção contra a síntese excessiva de D3. Quando ficamos muito tempo em exposição ao sol, a pré-vitamina D3 se transforma em 2 outras substâncias quase inertes. Veja só, vou lhe dar um exemplo prático. Ao nível do equador, durante um mês de verão, ao meio dia, com o sol a pino, um adulto de 70 quilos, saudável, pele clara, exposto completamente ao sol, sua pele é capaz de produzir 5 miligramas de vitamina D3 em 20 minutos. Se você preferir, fazendo a conversão direta, o corpo produz 20.000 Unidades Internacionais. Depois desse curto período, percebe-se que a pele ganha uma coloração avermelhada, formam-se os “eritemas”, ou seja, manchas pontilhadas vermelho-esbranquiçadas por conta da vasodilatação dos vasos capilares da pele. Neste estágio, cessa-se a produção de colecalciferol e os excedentes serão inertes. Da pele ou mesmo advindo da dieta, o colecalciferol cai na corrente sanguínea e segue para o fígado, onde passa por reações bioquímicas de hidroxilação do carbono 25. Daí o nome 25-hidroxi-vitamina D, ou, calcidiol, que é o pré-hormônio ou pró-hormônio. Veja, o corpo é uma orquestra onde dificilmente um único músico se destaca. Dito isso, uma parte significativa do processo ocorre nos rins! A enzima que ajuda na hidroxilação, na ativação, é produzida neles, onde o calcidiol é transformado em calcitriol ou 1,25-dihidroxi-colecalciferol – a forma ativa da vitamina D encontrada no corpo. Essa ativação também acontece em outros tecidos do corpo, mas os rins concentram grande parte do processo. Então, o calcitriol aumenta a absorção de cálcio pela via intestinal, inibindo a excreção deste mineral pelos rins, entendido?
Nesse ponto acho que já é o suficiente, né? Este texto não é uma aula de bioquímica, portanto, chega de nomes complexos e formulações bioquímicas.
E o que é muito importante você saber? Que a vitamina D3 ativada possui receptores em quase todas as células do corpo humano, com exceção das hemácias (que são células do sangue), exceção também em algumas células musculares estriadas maduras e algumas células altamente diferenciadas do sistema nervoso central. Então, veja só, em um resumo: a vitamina D3 ativada é responsável pelo metabolismo osteomineral, por vários processos de regulação do sistema imunológico, pelo ciclo celular, e neste, principalmente pela apoptose, que é a morte celular programada. Sem a apoptose, as células tornam-se ‘imortais’, viram células cancerígenas, que são aquelas que se proliferam sem controle; a vitamina D3 ativada também é responsável pelos processos relacionados à fertilidade do indivíduo, pela saúde do sistema cardiovascular e pressão arterial, pelo controle do metabolismo glicídico, ou seja, está na raiz da produção da insulina pelo pâncreas; também está no processo de desenvolvimento do sistema musculoesquelético – impacta na produção das fibras musculares e no volume da massa muscular. No cérebro, estudos novos mostraram que a vitamina D3 ativada tem ação estimuladora do fator de crescimento neural (NGF) e modulação do desenvolvimento cerebral. Vários outros tecidos, como placenta, pulmões, próstata, adipócitos – que são as células de gordura -, retina, entre inúmeros outros, também são impactados pela vitamina D3 ativada. De novo – esse pró-hormônio regula 3% de todo nosso genoma, portanto, é absolutamente fundamental em nossa vida, em nossa saúde.
E como isso aconteceu? Bem, isso aconteceu ao longo de, pelo menos, 3,5 milhões de anos de evolução humana, desde os hominídeos. Olhando bem mais para trás, o pró-hormônio D3 é muito mais antigo. Os hominídeos herdaram de seus antecessores esses processos bioquímicos. Daí ser quase impossível de se calcular quando se deu o início de tudo. Tudo porque, durante todo esse período, estivemos suscetíveis, muito expostos, à radiação solar, à luz do sol. Toda nossa evolução foi batizada tendo a energia solar como fonte de vida.
Agora, reflita comigo. A vida do homem sempre foi ao ar livre. As roupas, as coberturas artificiais de proteção contra o frio e outras intempéries foram sendo adotadas em nosso estilo de vida ao longo dos últimos 200 mil anos. Isso é especulativo, ok? Mas a vida continuou ao ar livre, em contato direto com a luz solar. Por isso, todo nosso organismo é absolutamente dependente da radiação ultravioleta. Sem radiação, não existe vitamina D3. Sem vitamina D3, não há vida, não há saúde. Então, me responda? O que estamos fazendo hoje? Você acorda em sua casa, protegido da luz solar. Entra no seu automóvel, ou pega um transporte público, protegido da luz solar. Vai trabalhar em um escritório, loja ou fábrica, protegido da luz solar. No fim do dia, quando a luz do sol já está fraca, minguada, faz o caminho contrário e chega em casa. Que radiação benéfica impactou sua pele? Quanto de pró-hormônio D3 seu organismo conseguiu produzir com isso? Percebeu o problema? Lembrando de tudo o que eu falei aqui, antes, quantas doenças você está desenvolvendo silenciosamente pela falta ou deficiência de D3?
Está na hora de fazermos contas, certo? Você precisa saber quanto de 25-hidroxi-D você precisa ter circulando em seu sangue para manter os processos metabólicos saudáveis.
E aqui, antes disso, preciso fazer novas considerações pra gente conseguir chegar a uma conclusão correta. O que as agências e órgãos de controle e saúde afirmam ser índices saudáveis, ou, no mínimo, aceitáveis?
Quem ou como esses índices foram calculados? Que exames foram feitos e como? Pois é, aqui está, uma outra novela. Sente-se ainda mais confortavelmente que lá vem outra história.
Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, nos Estados Unidos, claro, sempre lá, uma comissão técnica foi criada com o objetivo de investigar problemas de nutrição que poderiam afetar a defesa nacional. A comissão estudou alimentos energéticos e uma lista de nutrientes, criando um conjunto de diretrizes ou normas. Essas normas seriam usadas como recomendações nutricionais para as forças armadas, para os civis e para a população exterior que poderia ter necessidade de ajuda alimentar. Por causa do racionamento de comida durante a guerra, os guias alimentares levaram em conta a disponibilidade de alimentos na época. Esses estudos foram chamados de RDA – Recommended Dietary Allowance. Várias revisões foram feitas a partir das mudanças em estilo de vida e disponibilidade alimentar, e, em 1997, por sugestão do Instituto de Medicina da Academia Nacional dos Estados Unidos, a RDA se tornou parte de um amplo conjunto de orientações dietéticas chamado Dietary Reference Intake – DRI – utilizado tanto pelos Estados Unidos quanto Canadá. Claro que países por todo o mundo acabaram por adotar orientações semelhantes, alguns têm tabelas próprias, outros adotaram as recomendações fornecidas pela OMS – Organização Mundial da Saúde e FAO, sua agência especializada em esforços para erradicar a fome no mundo. No Brasil, encontrei uma resolução de 2005, publicada pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, da aprovação do Regulamento Técnico sobre a Ingestão Diária Recomendada – IDR – de proteína, vitaminas e minerais. Nessa publicação há uma série de tabelas de valores nutricionais por faixas de idade, vou comentar sobre elas um pouco mais adiante. Pois bem. As DRIs internacionais, ou IDR brasileira, têm como um dos objetivos orientar profissionais que atuam na área de alimentação e nutrição sobre os novos conceitos e recomendações nutricionais e sua interpretação. Assim, as DRIs podem ser usadas para planejar dietas, definir rotulagem e para programas de orientação nutricional. Um ponto que me chamou a atenção foi o seguinte – abre aspas – “assim como as antigas RDAs, cada DRI refere-se a uma ingestão de nutrientes ao longo do tempo por indivíduos aparentemente saudáveis”. Isto está em um documento da ILSI – International Life Science Institute, uma fundação científica pública, filiada à OMS. Aparentemente saudáveis significa uma população de pessoas que não manifestaram doenças, que têm seus exames laboratoriais dentro da média normal. Outro ponto que me chamou a atenção naquele documento – abre aspas – “as DRIs são formadas por valores de referência baseados em dados, contudo, estes são frequentemente escassos ou tirados de estudos que possuem limitações para tratar a questão”. Em outras palavras, a origem, tratamento, assertividade e acurácia daqueles dados é obscura. Há dados que vêm sendo herdados há décadas, e não se questionam as origens ou os métodos que foram usados para extraí-los. Claro, eu não posso ser leviano – preciso fazer um aparte aqui – minhas considerações nesse texto têm o objetivo de analisarmos somente a questão da vitamina D, por isso, não posso generalizar. Grupos de estudiosos, historicamente, vêm se debruçando sobre o assunto nutrição, há muita complexidade nisso, muitos desdobramentos, muitas reflexões sobre padrões, normalidade, exceções, julgamento científico etc. As variáveis são infinitas – há tabelas de ingestão dietética recomendada, de necessidade média estimada, de ingestão adequada, de limites superiores toleráveis, de biodisponibilidades, de interações entre nutrientes e micronutrientes, tabelas de risco, entre outras. Portanto, temos de ter muito cuidado para não levantarmos questionamentos contestáveis ou não genuínos.

(Continua na parte 3)

D3 – um hormônio confundido com vitamina – PARTE 1 – História e importância

Em um dos textos aqui desta plataforma eu falo sobre a natureza do conhecimento especializado. Uma de suas características principais reside no fato dele ser efêmero por um lado e dinâmico por outro. Porque é um tipo conhecimento que está em constante atualização. É natural isso – quanto mais a ciência avança, mais ela esclarece o que antes eram suposições, hipóteses ou mesmo teorias, e corrige o que era impreciso. Suas atualizações chegam mesmo a reparar antigas especulações e ideias seculares. Por mais que esse tipo de conhecimento se torne público, é bom entender que esta publicidade não o transforma em verdade absoluta. A vitamina D é um bom exemplo disso. Há pelo menos 150 anos de tentativas de entendê-la corretamente e conceituá-la definitivamente. Hoje, o que sabemos é bastante próximo à verdade, contudo, uma série de ideias especulativas ainda cercam o tema, e fazem da vitamina D uma espécie de ‘Dr. Jekyll e Mr. Hyde’ da medicina. Conhece essa história? Em português – ‘O médico e o monstro’ – Henry Jekyll era um homem bom, cientista, marcado por uma personalidade dividida – tinha seu lado obscuro que se revelava na persona de Mr. Edward Hyde, um sujeito cruel, violento e sem remorsos. Assim é a vitamina D para alguns médicos – o elixir da saúde -, mas, para outros, um exagero perigoso, uma glorificação comercial da bilionária indústria de vitaminas e suplementos. Para esse entendimento, vamos fazer uma jornada – começar na história e avançar para eventos recentes. Você vai gostar. Além de muito instrutivo, é algo que você dificilmente vai esquecer, que é a minha ideia aqui. A gente costuma lembrar melhor das boas histórias.
A vitamina D está muito ligada ao raquitismo, uma doença que se caracteriza pela mineralização insuficiente de ossos e cartilagens. Ela acontece durante a fase de crescimento do indivíduo, principalmente pela deficiência de vitamina D, mas pode também estar associada a uma mutação genética.
Vamos focar aqui na forma historicamente mais comum do raquitismo e em como a vitamina D foi descoberta, pois o que aconteceu foi uma espécie de ‘esclarecimento em paralelo’. Essa doença, o raquitismo, foi descrita pela primeira vez por um médico grego chamado Soranus, em 100 a.C. E a história da vitamina D começou há mais de 100 anos. E o que é uma vitamina? Em 1911, um bioquímico norte-americano chamado Kazimierz Funk criou o termo “vita amines” para designar as substâncias essenciais cuja deficiência na dieta seria a causa de doenças específicas. A expressão vitaminas pretendia significar “vital aminas”, do latim vita – vida -, mais o termo químico aminas – que são compostos orgânicos com nitrogênio, derivados do amoníaco. Em 1920, Jack Drummond, um bioquímico inglês que estudava nutrição, propôs uma mudança de nomenclatura, porque esse sufixo “aminas” não se aplicava às características de todos os micronutrientes que foram identificados. Então, cada uma das substâncias essenciais que tivesse sido isolada e caracterizada até aquela data, ou mesmo no futuro, seria denominada por uma letra do alfabeto latino, por ordem de sequência.
Por conceito, o que são as vitaminas? São substâncias orgânicas que nosso organismo necessita, em pequenas quantidades, que são indispensáveis ao bom funcionamento, mas que o corpo não produz. Isso é importante frisar. Elas precisam necessariamente ser ingeridas e absorvidas. Estão na classe dos micronutrientes. Pois bem.

Durante a Revolução Industrial, as crianças ficavam confinadas em ambientes insalubres, longe da luz solar

Na história, o raquitismo foi descritivo várias vezes, em locais distintos, por estudiosos diversos, mas foi em uma aparente coincidência, nos finais do século 18 e início do século 19, durante o desenvolvimento da Revolução Industrial, que um surto de raquitismo na população infantil das principais cidades da Inglaterra e em outros países da Europa e Estados Unidos, chamou a atenção. Naquela época, prevalecia o conceito de que o raquitismo teria origem em ambientes degradados e com baixa exposição solar. O clínico francês Armand Trousseau teria sido o primeiro a dizer, em 1861, que o raquitismo em crianças resultava da falta de exposição do corpo ao sol e de deficiências alimentares. Ele foi talvez influenciado pelos resultados que a medicina alemã, de forma geral, vinha divulgando sobre a utilidade do óleo de fígado de bacalhau no tratamento do raquitismo. Trousseau, então, propôs que o raquitismo poderia ser curado com a ingestão de óleo de fígado de bacalhau, ou qualquer outro óleo de peixe, somada à exposição do corpo ao sol.
Mas, por que exposição ao sol? A “fatura já não havia sido liquidada” com a administração do óleo de peixe? Intuitivamente, foi percebida uma correlação entre a falta de sol e o raquitismo, porque as crianças, durante a revolução industrial, ficavam trancadas em casa enquanto seus pais iam trabalhar nas oficinas, ou mesmo quando elas já estavam em idade de produzir com sua mão de obra, ficavam enclausuradas durante todo o tempo nas mesmas oficinas onde trabalhavam seus pais. É bom lembrar também que esses países de hemisfério temperado, quanto mais ao norte ou mais ao sul, menor a incidência e potência dos raios solares.
Nessa linha, em 1895, o pediatra austríaco Max Kassowitz evidenciou que a incidência do raquitismo variava com as estações do ano – maior nos meses de inverno e menor nos meses de verão e outono. Apesar dessas considerações, também se acreditava que o raquitismo fosse uma doença congênita, portanto, algo que era passado dos pais à criança.
Em poucas décadas, também paralelamente, a ciência avançou muito no conhecimento da luz e seus espectros luminosos. Em 1920 estava definida e esclarecida a existência e as propriedades da radiação ultravioleta da luz solar, uma frequência não visível, com alguma aplicação terapêutica. Tanto que eram muito bem aceitas a helioterapia – o tratamento de certas moléstias que utiliza a luz solar sobre a pele – e a fototerapia – um outro método terapêutico baseado em banhos de luz, que utiliza os raios infravermelhos e ultravioleta artificiais. Em 1928, um estudioso chamado Laurens postulou que “o efeito da radiação ultravioleta no organismo não se exercia diretamente nos seus órgãos, antes, resultava da formação na pele de uma substância fotoquímica que era rapidamente transportada pela corrente sanguínea aos restantes setores do organismo.” Ele acertou quase em cheio! Foi nesse período, mais ou menos, que o pediatra alemão Kurt Huldschinsky revelou que crianças com raquitismo melhoravam depois de expostas à luz solar e também à iluminação artificial que reproduzia a luz ultravioleta. Estes tratamentos constantes recuperavam a mineralização dos ossos e fortalecia os doentes. Mas a ciência estava longe ainda de entrar em concordância. Terapias com radiação ultravioleta tinham um efeito colateral – o câncer de pele. E também, uma série de estudos em laboratório ainda identificou dois outros fatores como fundamentais na cura do raquitismo – a vitamina A, que já era bem conhecida dos bioquímicos, e o cálcio. Não vale a pena aqui discorrer sobre essas mudanças todas, sobre as idas e vindas, só o fato de que isso permaneceu no meio científico criando algumas incertezas. Ainda na década de 1920, bioquímicos e pediatras estavam dispostos a matar essa charada. Um cara chamado McCollum testou o óleo de fígado de bacalhau INIBINDO a vitamina A, que se supunha ser o principal fator contra o raquitismo. Ainda assim, este óleo de fígado de bacalhau alterado, na dieta, induzia a sinais de recuperação e regeneração óssea. Portanto, McCollum concluiu que ainda havia uma OUTRA substância presente no óleo de bacalhau que promovia a deposição do cálcio nos ossos. Seria uma outra substância lipofílica, ainda por ser descoberta. E isso aconteceu logo em seguida – a substância foi batizada de vitamina D, por ter sido a quarta vitamina catalogada. Essa identificação química foi possível por conta de uma colaboração internacional entre laboratórios europeus e um americano, em 1927. Finalmente, em 1931, cientistas isolaram, purificaram e identificaram a estrutura do ‘ergosterol irradiado’, depois denominado vitamina D2 ou calciferol. A suplementação dietética com o ergosterol irradiado, e sua versão comercial Viosterol, na adição de alguns alimentos como cereais e pão, era fácil, econômica e, dessa forma, tornou-se prática corrente, o que teria contribuído para alguma redução no raquitismo infantil na época.
Em 1932, nos Estados Unidos, o leite começou a ser fortificado com Viosterol, após uma campanha de prevenção ao raquitismo. Esse esforço equivaleu à campanha de qualquer produto farmacêutico, de tão robusta. Entretanto, foram verificadas algumas diferenças incômodas nos resultados obtidos com o Viosterol quando comparados aos resultados obtidos com os óleos de peixe. Tinha alguma coisa errada. Óleos de peixe somados à irradiação corporal direta por luz ultravioleta eram muuuito mais eficazes do que o tal Viosterol. Rudolf Schoenheimer, um proeminente bioquímico, avaliou o seguinte: “o ergosterol irradiado” era um produto vegetal, e tinha baixa absorção pelo organismo humano. No geral, esteróis de origem vegetal têm mesmo baixa absorção. Por outro lado, o óleo de fígado de bacalhau era preferido por muitos clínicos e pediatras por conter também concentrações elevadas de vitamina A. De alguma forma, a vitamina A ainda era muito importante no processo de cura. Vou dedicar um outro texto a esse ponto em especial, vale a pena.
Deixe-me fazer um aparte aqui: desde a década de 1930 se sabe que a vitamina D2 traz resultados clínicos ordinários, medianos, exatamente por conta da difícil absorção dessa substância vegetal pelo nosso organismo. Você sabia que, até hoje, quando se lê em uma embalagem “enriquecido com vitamina D”, é da vitamina D2 que estamos falando? Claro, por motivos econômicos! A vitamina D2 é muito mais barata para se produzir que a vitamina D3, além de manter sua estabilidade naquelas adições. Pois bem.
Em 1935 uma questão foi resolvida: a síntese do 7-desidrocolesterol foi concretizada, ele foi isolado na pele de humanos, bois e ratos, e, depois de irradiado, exibiu efeitos anti-raquitismo. Isso pôs um fim às dúvidas sobre os benefícios terapêuticos da luz ultravioleta. O produto resultante do 7-desidrocolesterol recebeu a designação de vitamina D3 (ou colecalciferol), isso em 1936. Na mesma data, foi esclarecido que o constituinte do óleo de fígado de peixes que lhe confere propriedades antirraquíticas é estruturalmente idêntico ao nosso pró-hormônio D3.
No fim da década de 1940, Bartos Velluz e Gaston Amiard propuseram que a vitamina D seria formada na epiderme, em nossa pele, por fotólise do 7-desidrocolesterol, e isso resultaria na chamada provitamina D, com subsequente isomerização em vitamina D3. O processo mais complexo, o mecanismo de formação da então vitamina D3 a partir da irradiação do 7-desidrocolesterol existente na pele seria descrito corretamente só três décadas mais tarde. No ano em que eu nasci, 1966, Judith Lund e Hector DeLuca esclareceram definitivamente a situação: demonstraram pela primeira vez, que a vitamina D3 é uma pró-hormônio inativo, e absolutamente diferente e desprovido das características que são comuns às vitaminas. Ou seja, o colecalciferol, a D3, não é vitamina. É, no máximo, um pró-hormônio. Mas, por que ainda é chamado de vitamina? Por convenção, por conta de uma longa publicidade e equívocos que duraram décadas e também porque é uma substância encontrada em suplementos alimentares, o que justifica, entre aspas, o título de vitamina.
Esclarecido isso, vamos seguir adiante. Ainda temos muito trabalho, muitas descobertas por aqui. E para facilitar as coisas, eu me rendo, vou continuar chamando o colecalciferol de vitamina D3, ok?
Durante quase todo o século 20, falta de orientação adequada para suplementação terapêutica ou educação pública adequada, provavelmente, contribuíram para umas complicações no outro espectro de anormalidades no metabolismo da vitamina D. Ou seja, sua toxicidade, a chamada hipervitaminose D.
Por um lado positivo, a suplementação de produtos alimentares com vitamina D foi fundamental para a erradicação do raquitismo no início do século XX nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos. Nesses quase 100 anos, um acúmulo bastante heterogêneo de evidências ligou a deficiência de vitamina D a uma variedade de problemas de saúde, e isso levantou um grande interesse público. Os suplementos que contêm vitamina D estão agora amplamente disponíveis tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento, e muitos estão na forma de formulações não regulamentadas, vendidas ao público com poucas orientações para uma administração segura. Juntos, isso contribuiu para uma transição na qual um aumento global expressivo nos casos de toxicidade da vitamina D tem sido relatado. Médicos reclamam agora que enfrentam o desafio de tratar essa condição de hiper vitaminose D que pode apresentar um espectro de complicações agudas, até com risco de vida. É a classe médica assumindo um papel de alerta. Vamos ver isso mais de perto. Preste atenção aqui.
Análises feitas por todo o mundo durante décadas mostrou uma alta constante dos níveis séricos de vitamina D em vários países – Irlanda, Noruega, Canadá, Inglaterra, Austrália e Estados Unidos. Abrindo um parêntesis – nível sérico é um termo usado por profissionais de saúde para se referir a quantidade de uma determinada substância no sangue. Bem, só nos Estados Unidos, a média de casos de toxicidade por hiper vitaminose D saltou de 196 por ano para mais de 4.300, mais de 20 vezes em um curto espaço de tempo, de 1 década, de 2000 a 2011. Isso lhe parece considerável? Numericamente, sim, eu concordo. A toxicidade da vitamina D é geralmente iatrogênica, quer dizer, acontece por erro médico, ou devido a uma overdose acidental. Suplementos contendo vitamina D hoje são facilmente obtidos em farmácias, mercados e outras lojas de varejo. Alguns desses suplementos existem como formulações não regulamentadas ou não licenciadas. Esses fatores, juntamente com a falta de educação pública para a dosagens seguras, provavelmente contribuíram para aumentar esses casos relatados de toxicidade da vitamina D. O envenenamento não intencional por vitamina D também foi associado à super fortificação de produtos de consumo, como leite e até óleo de cozinha.
Um relato de hipervitaminose D que ocorreu nos Estados Unidos, em oito pacientes, descobriu-se que a fonte foi um erro em um laticínio, onde foi feita uma fortificação excessiva de vitamina D no leite da ordem de 232.000 UI por litro, em vez do padrão de 400 UI por litro. Um outro caso relatado naquele país, fala de um idoso, 72 anos, hospitalizado por estado mental alterado, taquicardia e insuficiência respiratória aguda. Passou sete dias internado na UTI, onde foi submetido a uma hemodiálise intermitente. Quando melhorou seu estado mental, relatou estar consumindo diariamente, há vários meses, 50.000 UI de colecalciferol, a D3, mais 500 mg de cálcio e 400 UI de ergocalciferol, a vitamina D2. Em outra região do planeta, na Caxemira, na Índia, pacientes idosos receberam formas orais ou injetáveis de várias vitaminas para doenças diversas. De acordo com um relatório, 62 pacientes foram intoxicados com vitamina D por negligência – eles receberam múltiplas injeções de vitamina D com doses de 600.000 UI por injeção! Esses idosos apresentaram hipercalcemia e lesão renal aguda. Também houve o caso de 7 crianças que receberam altas doses de injeções de vitamina D com mais de 900.000 UI, por conta de um déficit de crescimento. No Brasil, também, um relatório descreve um aumento exponencial na ingestão de vitamina D na última década, partindo do uso indiscriminado em manipulações e preparações que podem potencialmente aumentar a incidência de hiper vitaminose D. Aliás, deixa eu recordar aqui um caso desses ocorrido na cidade de Porto Alegre, em 2020. Dois estudantes foram hospitalizados com náuseas, vômitos e dor de cabeça. A mãe de um deles afirmou que isso ocorreu depois que a filha começou a suplementar com cápsulas de vitamina D, de doses de 2.000 UI. Ocorre que, desconfiada do produto, a mãe resolveu mandar analisar as tais cápsulas. Para surpresa geral, cada cápsula continha o equivalente a 2.350.000 UI – um claro erro de produção, e todo o lote de produtos foi retirado do mercado pelo fabricante.
O que tudo isso nos diz? Não muito ainda, creio. Vamos nos aprofundar em alguns outros tópicos importantes para você entender o todo. Agora, você é bom você conhecer o conceito de Unidade Internacional. Depois, vamos avaliar quais são as verdadeiras necessidades fisiológicas de D3 para descobrir o que há de errado nessa história toda. Fique comigo.
Em farmacologia, Unidades Internacionais são as unidades de medida da quantidade de uma substância, com base na atividade biológica avaliada. A unidade internacional é usada para vitaminas, hormônios, diversos medicamentos, vacinas, produtos derivados de sangue ou outras substâncias biológicas ativas. A ideia é saber o quanto da substância está diluída, por média. 100 UI por mL significa 100 unidades internacionais por mililitro. E a quanto corresponde 1 unidade internacional? A 0,025 microgramas. Em outras palavras, 40 unidades internacionais equivalem a 1 micrograma, que é 1 milionésimo de grama. Você percebe que são valores minúsculos? É aí que mora a confusão.
Quando não consumimos a quantidade necessária de vitaminas, dá-se o nome de hipovitaminose. No entanto, o consumo excessivo também é prejudicial para a nossa saúde, chamado de hipervitaminose. E existe ainda os casos de carência extrema ou total de vitaminas, chamado de avitaminose. As vitaminas são divididas em dois grupos:
as lipossolúveis: são solúveis em gordura e por isso podem ser armazenadas pelo corpo – fazem parte deste grupo as vitaminas A, D, E e K; o segundo grupo é das vitaminas hidrossolúveis: como o nome já diz, solúveis em água, não podem ser armazenadas no corpo. É o caso das vitaminas do complexo B e a vitamina C. Perceba o seguinte: de forma geral, as suplementações de vitaminas hidrossolúveis são de ordens mais elevadas – no mercado, encontram-se versões de vitamina C de meio grama a 1 grama a dose diária, exatamente pelo fato delas não serem armazenadas no organismo. Já nas vitaminas lipossolúveis as suplementações, no geral, têm ordens de grandeza muuuito menores, pois elas se acumulam no organismo. Temos uma percepção geral, de que ‘mais é melhor – se eu tomar mais, os resultados serão ainda mais satisfatórios’, mas isso não é verdadeiro quando se trata do nosso organismo. Estou trabalhando em um texto só sobre isso, depois você procura por ele aqui na plataforma – “Quando mais é menos – a lógica do corpo humano”. Nossa saúde é um verdadeiro ajuste fino sob diversas perspectivas. Vou compartilhar com você algumas experiências pessoais quando for oportuno.
Então, quanto devemos suplementar de D3 para chegarmos ao potencial máximo de nosso organismo? Antes de responder a essa pergunta, é melhor eu aprofundar o que É a D3, como nosso corpo a produz, em que condições, como ela é ativada e quando suplementar.

(Continua na parte 2)

Mens Sana in Corpore Sano

Em algum momento de sua vida, provavelmente na escola, você deve ter ouvido a seguinte citação em latim: ‘Mens sana in corpore sano’. Em tradução livre – ‘mente sã em corpo sadio’. Hoje ela tem a ver com a ideologia do homem saudável, mas a frase é uma pequena parte da resposta que o autor deu à questão sobre – o que as pessoas deveriam desejar na vida: “orandum est ut sit mens sana in corpore sano, fortem posce animum mortis terrore carentem, qui spatium uitae extremum inter munera ponat naturae“, etc. etc. A tradução meio literal é “Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são. Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte, que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza”, etc, etc.
Esta reflexão foi feita pelo romano Decimus Iunius Iuvenalis, um poeta que viveu entre o século 1 e 2 de nossa era, depois de Cristo. Apesar de ele fazer apologia à questão do caráter e das virtudes de um caminho para uma vida tranquila e longeva, eu gostaria de nos concentrar nas implicações dessa relação mente-corpo. Em tese, nossa mente é nosso verdadeiro eu – um conjunto de pensamentos, conhecimentos, experiências e vivências que nos tornam únicos, assim como nossos corpos, que foram talhados pela nossa genética, por processos epigenéticos, pelos cuidados com a saúde e mesmo pela falta deles. Não se preocupe com os conceitos, com os termos técnicos, com as definições científicas e filosóficas. Eu vou procurar explicar tudo para você. Tudo a seu tempo. Vamos voltar ao Iuvenalis, e focar no caminho para uma vida longa e produtiva. Isso é o que todos desejamos – uma vida longa. Para que ela seja possível, devemos manter uma boa saúde. E você sabe o que é saúde? A melhor definição que conheço é dada pela OMS, a agência da Organização das Nações Unidas:
Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. OMS – Organização Mundial da Saúde
Você concorda com isso? Essa definição tem sido alvo de inúmeras críticas, pois um estado de completo bem-estar faz com que a saúde seja algo ideal, inatingível impossível de se estabelecer metas para ela. Por outro lado, há todo um ecossistema formado por diversas indústrias interessadas em sua saúde: a indústria médica, indústria farmacêutica, indústria alimentícia, indústria do esporte, só para ficar nas mais importantes. E se há indústria, há fortes interesses econômicos envolvidos. Concorda? Quer um exemplo? Se você tem mais de 60 anos, provavelmente toma remédios para controlar sua pressão arterial e também para manter baixos seus níveis de colesterol. Durante quanto tempo você terá de tomar esses remédios? Por todo o resto de sua vida, diz seu médico. Como assim? Remédios não são feitos para curar doenças? Então, por que tomar remédios até morrer? Porque há toda uma classe de medicamentos criada para remediar, para controlar sintomas e não agir nas causas. Eles tornam sua doença suportável ou aceitável. Pense nessas implicações. É o que chamamos de ‘faturamento por recorrência’, um modelo econômico em que se paga por um produto ou serviço enquanto o consumir. No caso desses medicamentos, para sempre, ou até você decidir parar com eles. Por isso, no Brasil, o mercado farmacêutico vem crescendo de forma sistemática, na faixa dos dois dígitos por ano – muito acima da economia de forma geral. Então, isso é definitivo? É um caminho sem volta de todos nós? Não. É o que vamos ver aqui, na plataforma ‘Cuide de Sua Vida’. O que eu lhe proponho é que a gente avalie cada elemento dessa sofisticada equação que é nossa saúde. O que devemos ter em mente é o seguinte: tudo o que você sabe sobre sua alimentação está correto? Tudo o que você sabe sobre remédios e cura para doenças está claro? Tudo o que você acredita ser importante para manter seu bem-estar é verdadeiro? Vamos saber, ou pelo menos entender, para que possamos tomar as melhores decisões para nossa vida. Vamos falar de paleoantropofisiologia, de genética, de crenças limitantes, de nutrição, de atividade física, e até de meditação. Vai ser uma jornada esclarecedora, para dizer o mínimo. Pode acreditar. Vamos começamos analisando nosso passado e nosso presente neste mundo. Entender a evolução humana e as condições de alimentação no transcorrer dos tempos históricos iniciados há mais de 4 milhões de anos, é fundamental para refletirmos corretamente sobre nossa alimentação nos dias de hoje. Nossa existência começou na África, num período batizado de Plioceno. Pequenas populações de hominídeos se concentravam nas planícies de savanas do sul e do leste do continente. Uma série de análises genéticas globais realizadas em 2016, portanto bem recentes, concluiu que todas as populações atuais não africanas de seres humanos descendem de uma única população que emergiu na África entre 70 e 150 mil anos atrás. Durante quase 3 milhões de anos, os hominídeos se alimentaram de plantas que coletavam e da caça de pequenos animais. Na dieta, estavam frutos silvestres, como figo, raízes e tubérculos, folhas comestíveis, ovelhas selvagens, coelhos, e mesmo grandes insetos. Em sua trajetória de conquista por outros continentes, o Homo Sapiens migrou para o Oriente Médio, Europa, Ásia e finalmente para a Austrália e América, mas a todo lugar que ia continuava a se alimentar da mesma forma, coletando plantas silvestres e caçando animais selvagens. Você quer ter uma ideia do cenário, das condições enfrentadas por essas pequenas mas heroicas populações de humanos? Há uma série de televisão chamada ‘Largados e Pelados’, produzida pelo canal Discovery. Em cada programa, um casal diferente de especialistas em sobrevivência é obrigado a passar 21 dias num ambiente selvagem, sem roupa ou utensílios modernos. O desafio é lutar por comida, suportar as intempéries, encontrar ou produzir água potável. Não importa o lugar – savanas africanas, florestas equatoriais, florestas temperadas, ilhas remotas, praias isoladas, todos esses ambientes foram ‘testados’ por pessoas aptas e altamente capacitadas. Invariavelmente, neste curto período de 3 semanas, de 21 dias, todos os participantes passaram por sérias necessidades, perderam muito peso – entre 8 e 20 quilos cada um, alguns tiveram de desistir diante do rigoroso teste de sobrevivência.
Nesse momento eu vou te fazer uma pergunta que eu tenho feito ao longo dos últimos anos e, acredite, ninguém respondeu objetivamente, de forma correta! Por que 2 especialistas em sobrevivência ao serem colocados na natureza selvagem, como era a realidade de nossos antepassados, eles perdem tanto peso em um curto espaço de tempo? 8, 10, 15, 20 quilos em 21 dias? Eu vou dar um tempinho pra você refletir a respeito. E então? Se você respondeu que é porque eles não comem, isto é claro, bem óbvio. Mas por que eles não comem? Veja, são pessoas preparadas, especialistas em sobrevivência, em ambientes desafiadores. E aqui está a resposta: é porque o alimento jamais esteve disponível na natureza! Jamais! E durante os 3 milhões de anos que nos antecederam não havia geladeiras, armazéns, mercados. A agricultura ainda não tinha sido inventada. Não se produzia alimento em qualquer tipo de escala. A natureza não fornecia comida de forma abundante. Se você pensou nas frutas, os pomares que conhecemos hoje não existiam, e os pássaros e os macacos chegavam antes! E assim, dessa forma, por evolução e seleção natural, chegamos aos dias de hoje com a mais impressionante e conhecida máquina em termos de produtividade que é o nosso corpo humano. Nós “devolvemos” ao ambiente uma pequena fração do que consumimos, ou seja, o organismo humano foi talhado para aproveitar quase tudo o que consegue ingerir e digerir. O que não é prontamente utilizado, é reservado, na forma de gordura corporal. E esse é um ponto interessante, vamos ver mais adiante quando falarmos sobre emagrecimento, combinado? Vamos voltar novamente às nossas populações de antepassados. Ficou claro que encontrar alimentos era uma dura tarefa diária. E quando os líderes caçadores-coletores voltavam com comida mais farta, o pequeno grupo se saciava de tudo o que era possível, ali mesmo, na hora. Lembre-se de que não havia formas de se conservar alimentos. Depois dessas refeições, todos se deitavam ou se protegiam, quietos, para fazer a digestão e economizar o máximo de energia. E em que momento o grupo voltava a procurar comida? Quando a fome passava a apertar novamente, não antes, não da forma planejada como conhecemos hoje, marcada no relógio. Reflita comigo: durante um espaço de tempo extraordinário, nossos antepassados se alimentavam de forma irregular, em períodos beeem espaçados de tempo – refeições mais fartas, talvez 1 vez por dia, talvez 1 vez a cada 2 ou 3 dias. Em outros casos, comia-se o que estava disponível, sempre muito pouco. Tudo isso teve forte impacto em nossa formação e evolução genética. Aliás, essas mudanças, as alterações genéticas, se dão em longos espaços de tempo, em incontáveis e sucessivas gerações. Na natureza, os processos não ocorrem de forma inesperada, de repente, de forma súbita. Agora, vamos avançar bem adiante no tempo, para mais ou menos 10.000 anos atrás, quando houve a suposta criação da agricultura. Os homo-sapiens, nós, começamos a dedicar quase todo nosso tempo e esforço em manipular algumas selecionadas espécies de plantas e animais. Hoje, cerca de 95% das calorias que alimentam a humanidade vêm desse seleto e pequeno grupo de plantas e animais que nossos ancestrais domesticaram em um curto espaço de 5 ou 6 mil anos. Isto porque, dos milhares de espécimes que eram coletados ou caçados, apenas alguns eram adequados à agricultura e pecuária, e se encontravam em locais específicos onde ocorreram as revoluções agrícolas, por todo o mundo. Cientistas e especialistas concordam que a Revolução Agrícola foi um enorme salto para a humanidade, mas de forma nenhuma significou uma dieta melhor. A Revolução Agrícola apenas proporcionou uma explosão populacional. Hoje, comemos menos variedade, mas grandes quantidades. Você está compreendendo o ponto de vista? Durante milhões de anos nosso organismo evoluiu para ser uma excepcional máquina acumuladora de reservas quando a comida era escassa. Em um curtíssimo espaço de tempo comparado à toda nossa evolução, tornamos a comida abundante, disponível e barata. Qual o impacto disso em nossa saúde? É simples – começando pela obesidade, se estendendo por todas as doenças modernas, males e distorções orgânicas que simplesmente não existiam há mil, dois mil anos, cinco mil anos. Vamos fazer o seguinte: colocar em uma escala gráfica tudo o que vimos. Imagine uma linha de tempo em que 3,5 milhões de anos foram transformados em 12 meses. Isso dá mais ou menos 300 mil anos para cada mês certo? Pense em uma régua de 12cm, cada cm corresponde então a 300 mil anos. Lá no início da régua estão os hominídeos Ardipithecus e Australopithecus, recém-formados bípedes. 6 meses depois em nossa escala, no meio da régua, ou seja, 2 milhões de anos depois, surge o Homo Habilis, e quase 1 milhão de anos depois, o Homo Erectus. Foi nesta fase que surgiu o fogo, e com ele o cozimento dos alimentos. Logo em seguida, o uso de roupas. No último mês de nossa escala reduzida, no centímetro final, é que surgiu o Homo Sapiens – há cerca de 300 mil anos. Vale aqui ressaltar, novamente, que a natureza não dá passos abruptos ou súbitos. Essas sucessões evolutivas, cada pequena mudança em nosso organismo, ocorreu ao longo de centenas de gerações.
Em nossa escala reduzida, a agricultura e pecuária surgiram nas últimas… 45 horas! Uma minúscula fração no cenário evolutivo. Em nossa régua, significaria um-terço de milímetro! Quer algo ainda mais surpreendente? O açúcar, um dos 5 alimentos mais consumidos em todo o mundo na atualidade surgiu em nossa escala somente nas últimas 3 horas, ou precisamente, há pouco mais de 500 anos! É algo pra lá de recente em nossa vida evolutiva! Agora, me responda: nosso corpo, nossa fisiologia conseguiu se adaptar às rápidas mudanças de cardápio, de hábitos alimentares? Não, lógico que não. Um dos males ocasionados pela nossa alimentação moderna – é a diabesidade. Você já ouviu falar? Sabe o que é? Diabesidade? É um termo cunhado para designar a coexistência de duas doenças crônicas – a diabetes e a obesidade – portanto, diabesidade. Essas doenças se desenvolvem de forma multifatorial, quer dizer, não têm uma origem única, mas são resultado de diversos fatores ambientais, comportamentais e genéticos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo – hoje, cerca de 27% dos 7,6 bilhões de habitantes do planeta estão com sobrepeso, e 9% do total são obesos. Por outro lado, há 670 milhões de pessoas diabéticas no planeta – 1 em cada 11 habitantes. Em 1980, eram 108 milhões de diabéticos, para uma população total de 5 bilhões de pessoas, 1 em cada 47! Analisando esses números, vemos que os casos de diabetes saltaram de 2,1% do total da população para 9,1% em pouco mais de 25 anos. Por que disso? Porque o mundo está ficando mais velho, e deu tempo para o desenvolvimento desses males modernos. Veja, aqui vão mais números – a chamada prevalência de diabetes analisada em uma população entre 20 e 79 anos é de 8%. Quando analisamos a faixa dos 65 aos 79 anos, essa taxa sobe para 19%. Você saberia me responder o porquê? Vamos juntos agora encontrar essa resposta, ok? Pense comigo.
Se os mais velhos estão com sobrepeso e com os maiores índices de diabetes, é porque eles estão desenvolvendo a chamada síndrome metabólica.
A síndrome metabólica é caracterizada pela associação de fatores de risco para as doenças cardiovasculares – como ataques cardíacos e derrames cerebrais -, além da diabetes. Ela tem como base a resistência das células à ação da insulina, um importante hormônio. É, portanto, uma doença da civilização moderna, associada à obesidade, como resultado da alimentação inadequada e do sedentarismo. Vamos explorar isso aqui. E começamos por entender alguns conceitos, ideias e pontos de vista sobre nossa fisiologia humana. Um adulto de 70 Kg tem cerca de 5 litros de sangue percorrendo todo o corpo, sangue que leva alimento e oxigênio às células, retira resíduos indesejáveis e o gás carbônico, e por onde trafega um sem número de substâncias para nossos processos homeostáticos. Nesses 5 litros de sangue estão circulando também cerca de 4 a 5 gramas de glicose, o que equivale a uma pequena colher de chá, ou, em outras palavras, para ficar no jargão médico, isso significa uma taxa de glicemia normal, que varia entre 80 e 100 mg/dL de sangue. Pois bem. Para lhe dar uma perspectiva de como isso é pouco comparado ao que ingerimos diariamente em nossa moderna alimentação, uma pequena lata de suco industrializado tem em média 35g de açúcar. Ao ingeri-la, seu organismo tem que lidar com todo esse excesso de forma radical, pois agora a taxa de glicemia sobe expressivamente, e o organismo lutará para voltar à normalidade. E isso é feito da seguinte forma: quando sobra glicose no sangue ela é armazenada em nossos músculos e no fígado na forma de glicogênio. O fígado armazena até 7% de seu peso em glicogênio. A função desse glicogênio hepático é manter a glicemia do corpo entre as nossas refeições. Ele é a forma de se armazenar glicose que poderá ser exportada para qualquer lugar do corpo que tenha necessidades energéticas. Existem dois hormônios relacionados ao metabolismo do glicogênio: a insulina e o glucagon. A insulina é responsável por transportar a glicose do sangue para dentro de cada célula. Ela é a chave que abre as membranas celulares para que esse verdadeiro combustível chegue onde ele é processado. Sem a insulina, as células simplesmente não teriam como absorver a glicose. Quando o corpo está com hiperglicemia, quer dizer, com altas taxas de glicose – e isso ocorre logo após refeições fartas em carboidrato, a insulina age com outras enzimas para que ocorra a estocagem de glicose em forma de glicogênio no fígado e músculos. Os verdadeiros excessos são transformados em um outro tipo de armazenagem: as gorduras corporais. E a insulina está bastante presente nesse processo também. Por isso, dizemos que insulina é um hormônio lipogênico. Em um outro processo metabólico, é o glucagon o responsável pela quebra do glicogênio e a liberação de glicose quando o corpo está hipoglicêmico, o que ocorre entre as refeições. Lembre-se – o nosso corpo precisa manter um certo nível de glicose no sangue para fornecer energia para as células constantemente, entre 4 a 5 g no total. Perceba o seguinte: açúcar aumentado no sangue aumenta também a insulina. A insulina constante, em altas doses, estressa os receptores nas células, que passam a não mais processá-la. Quando chegamos nesse estágio, nossos níveis de açúcar no sangue ficam muito elevados e os da insulina também. Vou explicar melhor isso para você. Quem produz a insulina em nosso corpo é um órgão chamado pâncreas – e há 2 tipos de insulina: a basal e a bolus. A primeira, a basal, é liberada de forma contínua no sangue para que nossas células tenham acesso à glicose necessária e produzam energia. Já a insulina bolus é liberada em grandes quantidades quando há o aumento expressivo de açúcar no sangue, após uma refeição. Como nós vimos por aqui, a história do ser humano no planeta remonta a mais de 3 milhões de anos. Em 99,9% desse período, o alimento era escasso na natureza. Tínhamos que lidar com isso. Nossa genética foi talhada por condições extremas de falta de recursos – no caso, alimentos. O homem passou todo um longo ciclo evolutivo fazendo apenas 1 grande refeição diária, ou uma dessas refeições a cada 2 dias, 3 dias. Só muito recentemente é que foi inventada a agricultura e, mais recente ainda, a industrialização e a distribuição abundante de comida na forma de carboidratos. De um jeito bem simplista, podemos dizer que durante muito tempo nosso organismo precisou produzir muito pouca insulina para controlar os excessos, e agora a coisa se inverteu radicalmente. A nossa alimentação moderna, tanto no cardápio quanto nos hábitos, é que está produzindo as condições ideais para a resistência insulínica – a causa número 1 da diabesidade. Veja, não é só na glicemia que há o monitoramento das taxas, na insulina também. Se a glicose ideal está entre 80 a 100 mg/dL, nossa insulina ideal está entre 2 a 5 mili-unidades por litro de sangue. Essas taxas precisam ser verificadas em jejum de 8 horas, quando hipoteticamente estamos em completo estado basal, ou seja, funcionando sem os excessos das refeições. Portanto, é em jejum que fazemos a medição da nossa insulina basal. Os médicos e os nutricionistas que me assistem devem estar comentando: “mas há também a predisposição genética para essas doenças”. Sim, justo! Existem vários biótipos humanos, cada um com suas características. Por causas genéticas, há pessoas que, naturalmente, produzem muito pouca insulina, e há aquelas que têm resistência insulínica quase de berço. Pessoas que produzem pouca insulina geralmente são magras, muito magras – são aquelas que podem comer de tudo e não engordam! É o tipo de pessoas que todos temos muuuita inveja! E há também aquelas que, por questões genéticas, produzem muuita insulina e engordam muito facilmente. Tenho um amigo que não pode nem sentir o cheiro de bolo de chocolate que ganha peso. Ai, ai.. Esses casos, eu lembro aqui, são os pontos fora da curva estatística, quer dizer, são exceções comparadas à grande maioria da população. Vamos voltar ao massacre das nossas células pela insulina. Se traçarmos um comparativo grosseiro entre nossa alimentação há 100 mil anos e agora, nós injetamos em nosso corpo diariamente de 6 a 10 vezes mais insulina que nossos antepassados. Multiplique isso por 20 ou 30 anos e você tem a fórmula ideal para a destruição da sua saúde. De forma lenta e gradual, ao longo dos anos, vamos ganhando peso – gorduras acumuladas de forma excessiva que ajudam a promover e acelerar ainda mais a resistência insulínica. O final dessa história é sempre muito ruim. As últimas décadas de nossas vidas só é possível consumindo remédios. Muitos remédios. Vou tentar deixar mais clara essa questão da sensibilidade para você entender, vou usar um exemplo não muito adequado: sabe quando uma pessoa entra em uma sala com um perfume intenso, doce, forte? É até muito desconfortável permanecer ali. Contudo, depois de uns 5-6 minutos, deixamos de perceber o cheiro, pois nossos sensores olfativos ficam estressados e passam a não mais perceber aquela fragrância. Ocorre algo similar com nossas células e a insulina. Praticamente todas as células de nosso corpo têm receptores para a insulina, e com o tempo e o excesso contínuo, nossas células passam a não mais ter sensibilidade à insulina. Entendeu? Qual a solução para isso? Não é só mudar a sua alimentação, mas mudar também os seus hábitos alimentares. E isso é fácil? Bem, há um ditado que diz o seguinte: “antes mesmo de você mudar sua alimentação, você mudará de religião!” Quer dizer, a solução é coisa mais simples do mundo, mas também é de longe a mais difícil. O raciocínio é o seguinte: mudar os nossos hábitos alimentares é simples, mas é também dificílimo de colocarmos em prática, pois somos seres sociais, e comer faz parte de todas as culturas existentes por todo o mundo. Perceba que eventos em sociedade, quase em sua totalidade, têm comida envolvida. Em um resumo, sua saúde física só poderá ser alcançada se você baixar ou eliminar as causas da resistência insulínica. O verdadeiro combate de quem tem diabetes não é a taxa de glicemia, mas a taxa de insulina basal! Voltando às soluções simples, é necessário substituir uma dieta rica em carboidratos por uma dieta rica em gorduras saudáveis e proteína. E ir além: reduzir drasticamente a quantidade de vezes que você come por dia. É! Isso sim é difícil! Durante as últimas décadas todos nós tivemos de conviver com ideias que vão de encontro ao que eu contei sobre nossa evolução – como “comer de 3 em 3 horas”, ou mesmo da necessidade de se fazer 3 ou 4 refeições ao dia. Isso é recomendável apenas para atletas! Vou lhe contar um pouco sobre meus hábitos alimentares. Meus novos hábitos alimentares, pois eu fui testando, errando e aprendendo, com meu próprio corpo, ao longo dos últimos 20 anos. Você pode achar muito radical, mas eu me alimento apenas 1 vez por dia. E faço isso há pelo menos 5 anos. Nos primeiros 6 meses, perdi 17 quilos. Tenho 1,75 de altura e mantenho meu peso em cerca de 71 quilos. Minha disposição e capacidade física de hoje é melhor que dos meus filhos de 20 anos. É surpreendente, não? Pois eu fui aprendendo, avaliando e aplicando uma série de teorias e conhecimentos, experimentando dietas, sempre com um objetivo: descobrir a verdade por trás de nossa realidade, de nossa existência. O resultado de tudo isso, de minhas descobertas, de minhas experiências, os caminhos que percorri e as encruzilhadas que testaram minha determinação, eu continuarei trazendo para você, nesta série de artigos, ok?
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