Saúde mental

Alzheimer: este é o seu futuro sombrio? – PARTE 2 – Uma esperança para quem está disposto a mudar tudo

Dale E. Bredesen é uma autoridade mundial no estudo das doenças neurodegenerativas. Foi neurologista-chefe na Universidade da Califórnia e também professor e na Universidade de San Diego. Dirigiu um programa de investigação do envelhecimento no Burnham Institute. Enquanto estava na UCLA – Universidade da Califórnia, Los Angeles, encabeçou uma pesquisa que se tornou conhecida mundialmente, chamada “Reversão do declínio cognitivo: um novo programa terapêutico”, em 2014. Trata-se de um relatório que descreve ações personalizadas, de abordagens múltiplas, que foram prescritas a 10 pacientes avançados com Alzheimer. É um trabalho anedótico, ou seja, está aquém de um verdadeiro estudo científico, mas traz em detalhes como 9 dos 10 pacientes, ao cabo de algumas semanas, apresentaram melhoras objetivas e subjetivas. Em seu resumo, relatou o seguinte: dos primeiros 10 pacientes que utilizaram o programa, incluindo pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer, comprometimento cognitivo leve amnésico ou comprometimento cognitivo subjetivo, nove apresentaram melhora substancial. Importante foi o fato de que seis pacientes cujo declínio cognitivo tinha tido um grande impacto no desempenho no trabalho, eles foram capazes de retornar às suas atividades profissionais ou continuar trabalhando sem dificuldades. As conclusões do estudo afirmam que não são surpreendentes os resultados positivos alcançados, porque programas ou tratamentos multiterapêuticos se mostram mais eficazes que os monoterapêuticos – estes últimos sempre muito baseados em drogas, em medicações.
Vamos dar uma olhada mais de perto no que Dale chamou de tratamento multiterapêutico. Ele investiu nas seguintes frentes: alimentação e hábitos alimentares, suplementação, atividade física e meditação. Seus pacientes tinham entre 55 e 75 anos, homens e mulheres. Exames laboratoriais foram feitos logo após uma extensa anamnese, que é uma entrevista que tem o objetivo de compreender todo o cenário em que está inserido o paciente – seus hábitos, desafios, potencialidades, disfunções, dia a dia em casa e no trabalho, estado emocional e mental etc. Alguns realizaram testes neuropsicológicos a fim de determinar a extensão e o grau de seu Alzheimer. Nos exames laboratoriais estavam os indicadores de inflamação, níveis dos principais hormônios, níveis dos minerais, colesterol total, HDL e LDL, triglicerídeos, 25-hidroxi-colecalciferol e hemograma completo. Anamnese e exames de laboratório dão um amplo panorama do estado real dos pacientes.
Para cada um foi criado um plano exclusivo, customizado, personalizado, sempre atendendo às frentes terapêuticas pré-estabelecidas. Todos receberam estímulos permanentes para se manterem dentro do regime terapêutico, faziam exames com regularidade, possibilitando ajustes alimentares e suplementares, e suporte para as atividades físicas e meditação.
Para que você entenda melhor, exemplificando, eu vou focar em apenas 1 dos 10 casos, ok?
A ‘paciente 1’ era mulher, 67 anos, apresentou perda progressiva da memória durante 2 anos seguidos. Ela tinha um trabalho exigente, executiva, preparava relatórios analíticos e era obrigada a viajar muito. Em algum momento, foi forçada a largar o emprego. Em seu depoimento na anamnese, disse que tinha muita dificuldade em ler, pois ao chegar no final da página de um livro, tinha de voltar toda a leitura, pois já não lembrava mais do conteúdo visto. Não se lembrava mais de números que usava com frequência, estava com problemas em dirigir. Até mesmo viagens curtas, como ir e vir do trabalho, tinha dificuldade em chegar, em acessar as ruas certas. Algumas informações pessoais de caráter emocional estavam comprometidas, como misturar os nomes de seus animais de estimação. Sua mãe tinha desenvolvido declínio cognitivo progressivo semelhante a partir dos 60 anos. Teve de ir viver em uma casa de repouso onde faleceu aos 80 anos. Ao saber que estava desenvolvendo o mesmo problema que sua mãe, a ‘paciente 1’ decidiu cometer suicídio, pois não queria passar pelos mesmos desafios que sua mãe. Foi nesse ponto de sua vida que uma amiga a encaminhou ao Dr. Dale Bredesen.
A ‘paciente 1’ foi submetida a um extenso protocolo multiterapêutico – ela foi capaz de aderir a muitos dos pontos, mas não a todos os componentes. No entanto, após 3 meses, ela notou que todos os seus sintomas ruins haviam diminuído drasticamente: ela voltou a dirigir sem problemas, a lembrar de números complexos, a reter informações, voltou a preparar relatórios e retomou seu trabalho normalmente. Tornou-se assintomática. Dois anos e meio depois, com 70 anos, ainda permanecia trabalhando em tempo integral. O protocolo aplicado foi chamado de Sistema Terapêutico 1.0, e consistia em: suplementação para aprimoramento cognitivo, aumentar seu NGF (fator de crescimento neuronal), aumentar os componentes estruturais sinápticos, otimizar antioxidantes, otimizar minerais essenciais, garantir oxigenação noturna, tratando a apneia do sono, otimizar a função mitocondrial e excluir a toxicidade por metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio. Na alimentação, eliminou todos os carboidratos simples, glúten e alimentos processados, industrializados. Aumentou o consumo de vegetais, frutas e peixes não cultivados. Passou a fazer o jejum intermitente, ficando entre 12 e 14 horas entre o jantar e o café da manhã, e pelo menos 3 horas entre o jantar e o horário de dormir. Aumentou seu período de sono de 4-5 horas para 7-8 horas por noite. Restabeleceu sua terapia de reposição hormonal. Teve de aprender a meditar, e fazia 2 sessões de 20 minutos todos os dias. Para reduzir o estresse, aprendeu a fazer ioga. Gostou tanto que se tornou instrutora. Passou a se exercitar por um mínimo de 30 minutos, de 4 a 6 vezes por semana. O relatório não menciona o peso inicial da paciente, mas em algumas semanas ela perdeu pouco mais de 10 kg.
Esse protocolo multifuncional foi personalizado para cada 1 dos 10 pacientes. De novo, apenas um deles não conseguiu reverter seu Alzheimer, porque já estava muito avançada sua degeneração.
Bem, pelo exemplo analisado, nós pudemos observar os pontos multifatoriais atacados pelo protocolo.
Não há segredo no fato de que melhorar a alimentação traz ganhos na saúde, assim como suplementar minerais nos casos de deficiência e substâncias antioxidantes. A novidade mais recente é o jejum intermitente, ou seja, intercalar períodos de alimentação com períodos mais longos de jejum. E não deve haver surpresas na questão da atividade física. Sabe-se há muito tempo que colocar o corpo para trabalhar músculos e coração traz inúmeros benefícios. Aliás, segundo a opinião de muitos renomados fisiologistas e médicos, tudo o que você fizer de bom ao coração também estará fazendo ao seu cérebro. Mas eu fiz uma outra descoberta interessante. Quer dizer, eu não, mas dois cientistas brasileiros: a neurocientista Fernanda de Felice e o bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, que publicaram um artigo na revista Nature Medicine, em janeiro de 2019. Eles apresentaram um conjunto robusto de evidências de que a prática intensa de atividade física é muito importante para a formação de memória e proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do mal de Alzheimer. São inúmeros os compostos liberados pelo exercício físico, mas um, em especial, mostrou-se fundamental para a saúde cerebral: uma proteína-hormônio chamada irisina, identificada pela primeira vez pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade de Harvard, em 2012. Em um congresso sobre diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia a deusa grega mensageira Íris. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria a alterações benéficas em outros órgãos e tecidos do corpo. Há quase duas décadas De Felice e Ferreira dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Eles sabem, portanto, o que estão afirmando, sobre a influência e importância da irisina, da atividade física intensa.
Bem, para finalizar esta análise, eu faria um complemento ao protocolo: comer menos.
Novos estudos indicam que a redução da ingestão calórica pode aumentar a capacidade cognitiva, reduzir o envelhecimento celular e promover a longevidade. Quase um século de dados mostra que estressar nossos corpos e cérebros restringindo calorias – dentro da razão, de um plano consistente — impulsiona as células a crescerem mais fortes e mais resistentes. A restrição calórica também estimula o sistema de defesa antioxidante do cérebro, e é uma ótima maneira de perder alguns quilos, se necessário. Restrição calórica significa reduzir a ingestão de 30 a 40 por cento das calorias. Em vez de consumir uma média de 2.000 calorias por dia, você consumiria de 1.200 a 1.400. Eu diria que apenas comer menos ao longo do dia pode ser eficaz. Os centenários do arquipélago japonês de Okinawa adotaram a filosofia do “hara hachi bu”, em que param de comer quando estão 80% satisfeitos, uma prática ligada à sua longevidade. Uma outra maneira eficiente de consumir menos calorias e manter a qualidade nutricional é aumentar o consumo de vegetais e frutas com baixo índice glicêmico, proteínas magras e gorduras essenciais, e, claro, eliminar alimentos açucarados e processados.
Na minha opinião, depois de toda essa análise complexa e completa, eu diria que o Alzheimer, antes de tudo, é uma doença do nosso estilo de vida moderno, no mesmo nível da diabesidade – a síndrome composta pela diabetes e obesidade. Há um interessante texto a respeito nessa plataforma, veja lá. Temos de encarar o fato de que nosso corpo, nossa fisiologia, ainda se encontra na pré-história, há mais de 20.000 anos. Pense em como eram as coisas naquela época, a vida ao ar livre, a atividade física necessária para conseguir comida em um cenário de alimento escasso e competitivo, a falta dos elementos agressores e opressores modernos. Não dá pra voltar no tempo. Mas temos que reviver alguns daqueles hábitos para conseguir viver plenamente, e não apenas sobreviver à custa de remédios.
De novo, voltando à pergunta inicial – o que você faria se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer? Eu lhe recomendaria: não espere os sinais, não espero resultados de exames genéticos ou outros – mude já sua vida, adote novos hábitos, elimine os ruins. Quer uma dica como fazê-lo? Achou este texto complexo demais, difícil de entender como aplicar alguns dos conceitos em sua vida? Relaxe. Aqui, nesta plataforma, há um Programa Especial chamado ‘Protololo UCLA – Alzheimer’. É uma tradução, vamos dizer assim, do estudo conduzido pelo médico americano Dale Bredesen que vimos neste texto. E para você que ficou até aqui, até o final, uma atualização daqueles resultados: ao protocolo aplicado já somam mais de 500 curas! Então, se você considerar ser um assinante ‘Premium’ de ‘Cuide de Sua Vida’, terá acesso simples e fácil a este protocolo. No menu aqui em cima, acesse ‘Planos’, altere seu registro. Depois, clique em ‘Especiais’ e em ‘Programas’. Nesta página encontrará facilmente o ‘protocolo’. Eu recomendo que você assista tudo, compreenda os princípios e ponha em prática as atividades descritas, sempre sob orientação ou supervisão de um profissional de saúde. Isso é importante. Pois bem. Até a próxima análise, no próximo texto! Um abraço!

Alzheimer: este é o seu futuro sombrio? – PARTE 1 – O que é, sintomas, genética e epigenética

De acordo com um artigo publicado na revista ‘Genetics in Medicine’, em 2012, o risco médio ao longo da vida para você ou eu desenvolvermos Alzheimer é de 10 a 12 por cento. Esse risco dobra se você tem um parente de primeiro grau, pai ou mãe, com o transtorno. Antes de eu lhe explicar em detalhes o que é o ‘Mal de Alzheimer’, eu lhe pergunto: se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer, o que faria? Vou lhe dar três alternativas de resposta:
A. Continuaria com sua vida, como se nada tivesse acontecido, quer dizer, ignoraria o fato;
B. Dedicaria sua vida a encontrar uma cura – uma que pudesse estar em uso quando você começasse a precisar;
B. Você começaria a se preparar para enfrentá-la, até mesmo de pequenas formas, mudando sua alimentação, adotando novos hábitos, pesquisando práticas que lhe ajudem a viver com a doença no futuro.
Muitas pessoas que enfrentam uma predisposição genética para uma doença grave optam por ignorar a possibilidade de a desenvolverem. Dizem a si mesmas: “isso não vai acontecer comigo. E, se acontecer, lá na frente eu dou um jeito.” Outras alteram drasticamente suas vidas para evitar ao máximo esse futuro sombrio. Há ainda algumas poucas que adotam uma postura interessante – aceitam o risco, passam a estudá-lo, acreditam que serão vítimas da doença, mas ainda mantêm uma postura positiva e trabalham para atenuar os problemas futuros.
E então? Qual seria a sua postura frente a este desafio?
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. Ocorre em todo o mundo e afeta todos os grupos étnicos. A incidência de Alzheimer está aumentando, em parte, devido ao aumento da expectativa de vida. É uma doença progressiva, que destrói a memória e outras funções cognitivas importantes por conta da degeneração das células cerebrais e suas conexões. Até o momento, não existe cura, e a medicina convencional, vamos chamar assim, possui apenas estratégias de controle que podem melhorar os sintomas temporariamente. E que sintomas seriam?
Na cognição, há um declínio mental generalizado – dificuldade em pensar e compreender, delírio, desorientação, esquecimento. Há incapacidade de fazer cálculos simples, de reconhecer coisas comuns, e uma gradual perda da memória recente.
Em termos comportamentais, há inquietação, irritabilidade, agitação, não raro, momentos de agressividade. Pessoas com Alzheimer avançado repetem palavras sem sentido, acabam apáticas.
Fisicamente, pode-se confundir o Alzheimer com um outro distúrbio, o Parkinson, por conta das contrações musculares rítmicas, incapacidade de coordenar movimentos musculares. A fala é embaralhada, confusa, também há incontinência urinária.
Os especialistas da saúde que ajudam a tratar da doença são neurologistas, psiquiatras, geriatras e clínicos gerais.
A doença se instala quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Como consequência, surgem fragmentos de proteínas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços entre eles, chamadas beta-amiloides. Como resultado dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem, o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
A doença também se desenvolve de forma lenta – a partir do diagnóstico, a sobrevida média oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios:
– A forma inicial: alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;
– Estágio 2, moderado: dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. A pessoa fica agitada e manifesta insônia;
– Estágio 3, grave: não há como realizar as tarefas diárias mais simples, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e uma deficiência motora progressiva;
– Estágio 4, terminal: o doente fica restrito ao seu leito, à sua cama. Também fica mudo, tem dor ao engolir, portanto, passa a não mais se alimentar e sofre com diversas infecções, principalmente a urinária, que pode gerar a falência dos rins e demais órgãos em um efeito cascata. Neste estágio, sua imunidade está muito, muito baixa.
Do ponto de vista fisiológico, o cérebro pesa cerca de 2% de um indivíduo de 70 kg, quer dizer, tem cerca de 1,4 kg, e consome 20% de todo o oxigênio inalado. Entre 50 e 85 anos, o peso do cérebro é mantido regularmente, mas em um doente de Alzheimer, na sua forma mais radical, ele pode chegar à metade disso, passando a ser incompatível com a vida. Este é o Alzheimer Atrófico. Em média, para compararmos, uma pessoa pode perder até 12% do peso de seu cérebro até os 90 anos de idade. Esse é um fenômeno natural, ocorre por um déficit do número de mitocôndrias nas células neurais, assim, os neurônios e as células da glia se encurtam.
Há também o Alzheimer Inflamatório, consequência de uma situação muitas vezes subclínica, quer dizer, que não produz manifestações detectáveis através de exames clínicos regulares e laboratoriais. Nesse caso, o corpo mantém um estado inflamatório permanente, causado por um estilo de vida – alimentação, hábitos, costumes – incompatível com nossa fisiologia. Por exemplo: a falta de prática de atividade física, a alimentação com baixo nível de micronutrientes, um elevado consumo de açúcar e outros refinados e mesmo falta de sono adequado.
Por último, eu ressalto aqui o Alzheimer Tóxico, que advém do consumo ou exposição a produtos com elevados níveis de venenos ou substâncias que podem causar danos à nossa saúde se ingeridas, inaladas ou em contato com a pele, mesmo em pequenas quantidades, mas de forma regular. Com o tempo, o acúmulo de tais substâncias em nosso organismo, principalmente no cérebro, promove a degeneração das células nervosas e acelera o processo degenerativo.
Como foi descoberta essa doença, o Alzheimer? De fato, a demência é quase tão antiga quanto a própria humanidade, algumas vezes confundida com a própria senilidade, quer dizer, com nossa degeneração e envelhecimento natural, que nos tira capacidades fisiológicas. Existem vários tipos de demência, quase 100 – há a vascular, a gerada por Parkinson, a frontotemporal, a de Pick, a demência por corpos de Lewy, a demência por abuso de álcool e, claro, o Alzheimer, que representa quase 70% de todos os casos.
Durante a década de 1910, na Universidade de Munique, dois renomados psiquiatras alemães estavam fazendo pesquisas clínicas sobre psicose e doenças senis. Mas um deles estava mais interessado no trabalho feito em laboratório. Com a ajuda de uma equipe médica italiana, usando métodos de coloração biológica, Aloysius Alzheimer conseguiu identificar placas amilóides e emaranhados neurofibrilantes, que são anomalias cerebrais. Elas se tornariam os identificadores do que ficou, portanto, conhecido como a doença ou o mal de Alzheimer.
Aloysius, em 1912, saiu de Munique e foi para a Universidade de Breslávia, onde aceitou um cargo de professor de psiquiatria e diretor do Instituto Neurológico e Psiquiátrico. Sua saúde se deteriorou logo após sua chegada e ele foi hospitalizado. Aloysius morreu três anos depois.
Quantas pessoas têm Alzheimer no mundo? E no Brasil? Quantas serão em 2050, por exemplo, quando eu mesmo tiver mais de 80 anos? Como diria ‘Jack’, vamos por partes.
No Brasil, estima-se que existam 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico. No mundo, são quase 36 milhões de doentes acometidos pelo mal. Daqui a pouco menos de 30 anos, em 2050, serão 4 milhões de doentes no Brasil e mais de 150 milhões no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS. Veja, a população não crescerá nesta proporção, o que significa que demência e o mal de Alzheimer estão em franca progressão.
Vamos voltar à pergunta que fiz no início deste texto, com suas 3 possibilidades de resposta: se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer, o que faria? Continuaria com sua vida, como se nada tivesse acontecido, ignorando o fato? Dedicaria sua vida a encontrar uma cura que pudesse estar em uso quando você começasse a precisar? Ou começaria a se preparar para enfrentar a doença, mudando sua alimentação, adotando novos hábitos, pesquisando práticas que lhe ajudem a viver com ela no futuro?
Eu volto a essa pergunta, porque aquelas previsões de crescimento da demência me parecem conservadoras. Porque, tudo o que vi até agora, tudo o que estudei, me mostra que o desenvolvimento do mal de Alzheimer, e também da demência de forma geral, claro, tem muito a ver com nosso estilo de vida atual e pouco com nossa genética, falando stricto sensu, quer dizer, em sentido específico, porque, na verdade, tem muuuito a ver com a epigenética.
Vamos explorar isso agora, você vai entender tudo.
Como você deve saber, o material genético que herdamos dos nossos pais é armazenado em estruturas denominadas cromossomos. Temos 22 pares de cromossomos, mais dois cromossomos X, nas mulheres, ou um cromossomo X e um Y, nos homens.
Cada cromossomo contém milhares de genes que contêm informação específica para a estrutura de seus portadores. Ou seja, cada gene contém as instruções para modelar um pequeno aspecto de uma pessoa. Eles são a unidade fundamental da hereditariedade, e permitem que características específicas, como a cor dos cabelos, altura, cor da pele, a tendência para desenvolver diabetes numa idade avançada, sejam transmitidas de uma geração para a geração seguinte.
Já a mutação é uma alteração num gene. Algumas mutações são benéficas, mas muitas outras são potencialmente prejudiciais. Alguns genes, por exemplo, são causadores de doenças – se uma pessoa herdar um gene para um tipo de distrofia muscular irá certamente desenvolver essa doença na vida. Outros genes são fatores de risco, ou seja, podem não levar inevitavelmente ao aparecimento de uma doença, tal como a diabetes, hipertensão arterial ou Doença de Alzheimer, mas tornam muito provável o seu desenvolvimento ao longo da vida, desde que haja um gatilho para isso, algo que acione aqueles genes, que iniciem o processo. Esse é o conceito de epigenética. É a interação entre fatores ambientais a que estamos sujeitos e a expressão da informação contida em nosso DNA.
O simples fato de se ter um parente próximo com Doença de Alzheimer não significa a existência de uma ligação genética. As pessoas que têm fatores genéticos de risco apresentam apenas um ligeiro aumento do risco de desenvolver a doença, em comparação à média da restante população. Até onde se sabe, hoje, o gene mais importante descoberto relacionado ao Alzheimer é a apolipoproteína-E, que se localiza no cromossoma 19. Este gene ocorre em três formas, ou isoformas: tipo 2, tipo 3 e tipo 4. Todas as pessoas têm dois genes de apolipoproteína-E: eles podem ser do mesmo tipo – 2/2, 3/3 ou 4/4 -, ou uma combinação de dois tipos – 2/3, 2/4 e 3/4. Foi descoberto que as pessoas com pelo menos um gene tipo 4 e especialmente aquelas com dois – 4/4 – apresentam um risco aumentado de desenvolverem mais cedo a Doença de Alzheimer do que outras pessoas com outros tipos de apolipoproteína-E. Preciso ressaltar que metade das pessoas que têm 85 anos e têm 2 cópias de apolipoproteína-E – tipo 4, não têm sintomas da doença de Alzheimer nessa idade.
As pessoas com tipo 2, especialmente as de tipo 2/2, parecem estar protegidas do desenvolvimento da doença até muito mais tarde na vida. Os pesquisadores, até agora, não conseguiram explicar esta situação e, atualmente, existem muitos estudos em curso para descobrir por que razão isto acontece. Eu tenho minha própria teoria e vou compartilhar com você em seguida.
Voltando, portanto, o tipo de apolipoproteína-E não significa que a Doença de Alzheimer vai ocorrer ou não. É sabido que algumas pessoas podem chegar aos 90 anos com o tipo 4 e não desenvolverem demência, enquanto outras com tipo 2, aquele gene mais brando, podem desenvolvê-la muito mais cedo na vida. Isto significa que o tipo de apolipoproteína-E que pessoa tem não é suficiente para causar a Doença de Alzheimer.
Agora, é bom você saber mais o seguinte: existe uma forma rara da Doença de Alzheimer que é transmitida de geração em geração. Ela é denominada como Doença de Alzheimer Familiar, ou DAF. Se um dos progenitores possui uma mutação genética que provoca DAF, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-la. A presença do gene significa que a pessoa poderá desenvolver Doença de Alzheimer, normalmente entre os 40 e os 60 anos. Esta forma da Doença de Alzheimer afeta um número extremamente reduzido de pessoas, de 1 a 4% do total dos casos. E foram identificados três genes que, se sofrerem certos tipos de mutação, vão causar DAF. Estes são denominados presenilina 1, PSEN1, do cromossomo 14, presenilina 2, PSEN2, do cromossomo 1, e o gene da Proteína Precursora Amiloide, APP, no cromossomo 21. Um teste genético pode identificar alterações específicas naqueles genes de uma pessoa. Este teste pode indicar se a pessoa tem DAF, se uma criança herdou o gene alterado de um dos seus pais e se irá desenvolver a doença no futuro. No entanto, não consegue determinar quando é que os sintomas vão ter início. Este tipo de doença, a DAF, Alzheimer Familiar, é um verdadeiro pesadelo. Os outros, nem tanto, e vou explicar porque, voltando novamente à questão que deu início a este texto.
Você ignoraria o teste e continuaria levando a sua vida da mesma forma, correndo o risco de desenvolver demência futura? Eu acredito que não. E se você não tivesse como saber, como testar e atestar quais tipos de alipoproteína-E carrega em seus genes? Qual a medida mais inteligente a se tomar? Prevenir, claro. Impedir os gatilhos que acionam os genes! Nesse ponto começaremos a explorar o que fazer a respeito.

(Continua na ‘Parte 2’)

A Informação, o Excesso e a Pobreza de Atenção

Como você avalia o seu desempenho profissional na empresa onde trabalha? Como você avalia o desempenho de sua empresa no mercado? Como você avalia o seu mercado no contexto geral, econômico? Imagino que todas as respostas estão ligadas ao quanto você é uma pessoa bem informada, o quanto é antenada e tem alma buscadora. Basicamente, a informação é tudo! Quanto mais sabemos, mais entendemos o que acontece ao nosso redor, maior a nossa capacidade de tomar decisões acertadas.

E se você estiver consumindo a informação errada?

Entramos na era da produção massiva de informação. Atualmente, em um ano, a humanidade produz mais dados que em 100 anos de história registrada. É assustador, pois essa produção cresce em progressão geométrica. Então, fica impossível você ter acesso ou consumir tudo o que é produzido! Até aí, sem novidades. As coisas ficam esquisitas quando você se apercebe de que o mundo digital lhe entrega mais do que você consegue absorver. E você passa a tentar acompanhar o ritmo: redes sociais, portais de notícias, blogs, rádio no carro, jornal, telejornal, comunicadores instantâneos, grupos de amigos, grupos de trabalho, grupos de atividades diversas, livrarias de shopping, cinema, escola, faculdade, pós.

Neste mundo, tudo tem princípio dual, duplo-antagônico: se você consome a informação, a informação consome algo de você. Ela consome a sua atenção! Expandindo o raciocínio, como alertou Herbert Alexander Simon, Nobel de Economia, “a riqueza de informação cria a pobreza de atenção”.

É absolutamente necessário você alocar sua atenção no que é produtivo, em meio a esta superabundância de fontes de informação. Lembre-se: produção de dados não significa produção de conhecimento!

Tente consumir tudo, e sua atenção empobrecerá, seus registros serão enevoados. Se quiser consumir conhecimento, pare de ler dados, passe a ler resenhas, passe a assistir às críticas e análises de pessoas sabidamente inteligentes, de opiniões firmes e esclarecidas, procure pelas conclusões nos relatórios infindáveis, vá direto ao ponto.

Como sugestão, reduza sua imersão na mídia. Reduza seu tempo nas redes sociais. Controle-se, deixe de acessar e-mails, mensagens instantâneas, portais de internet, a cada 10 minutos. Estabeleça um horário restrito para tudo isso. É difícil! Você passará um bom tempo com a sensação de que está perdendo coisas incríveis, que há algo importante que está passando ao largo da sua vida, que você está deixando de se atualizar como deveria.

Balela. É só um efeito psicológico da descompressão, da desintoxicação. O efeito colateral pretendido é ótimo. Trata-se de ganhar tempo livre! Tempo livre para refletir. A reflexão leva a resultados extraordinários, como por exemplo, você passa a ser uma daquelas pessoas sabidamente inteligentes!

Educação, carreira e escolhas. Qual o caminho seguro para ter sucesso na vida?

A maioria dos adolescentes em idade pré-vestibular têm uma preocupação que eu atribuo aos ambientes nos quais eles estão inseridos, ou seja, escola, grupos de amigos, redes sociais, etc. Trata-se do seguinte: como ter sucesso na vida? Como ser produtivo, próspero e rico, e assim aproveitar tudo o que a vida pode oferecer? Que profissões eles devem seguir para conquistar tudo isso mais rapidamente e até mais facilmente?

Percebo que jovens de hoje são muito impactados pela mídia digital – são perseguidores dos exemplos constantes dos modelos de sucesso presentes redes sociais. Há grupos que fazem apologia ao dinheiro abundante, exibem relógios caros, carros exclusivos, mansões, viagens exóticas, vertem nas taças garrafas de champanhe de 30 mil euros! Isso causa uma distorção incrível na mente daqueles que sonham cedo com uma carreira de sucesso, construindo a imagem de uma realidade virtualmente inacessível.

Bem, eu acredito que existam três formas, e apenas três, de se ficar rico, no mundo inteiro: a primeira é herdar uma fortuna, a segunda é ganhar em uma loteria e a terceira é por esforço próprio.

No primeiro caso, essa possibilidade está restrita a pouco mais de 1% da população mundial. No segundo caso, somando todos os jogos de azar ou loterias que podem deixar alguém milionário, isto significa 0,00004% da população global. O terceiro caso é o mais comum e acertado! E qual profissão seguir para conquistar mais rapidamente uma vida de sonhos?

Vamos ao topo da pirâmide tentar resolver a questão. Por todo o mundo, a lista de bilionários traz pouca diversidade: um máximo de 15 ou 16 cursos superiores diferentes. Um estudo do UBS Investment Bank apontou que 22% são engenheiros, 12% são administradores, 9% artistas, 8% economistas, 3% financistas, 2% cientistas, matemáticos e advogados e os outros 8% reúnem os demais cursos.

É conclusivo para você? Para mim não, principalmente porque o estudo também mostra que mais de 1/3 dos bilionários jamais sentou em uma cadeira de universidade. No Brasil, esse índice é ainda maior, beira os 50%. Ou seja, metade das maiores riquezas do país foi construída por pessoas que não tem um diploma de curso superior! Ainda no assunto educação, somente 15% dos bilionários globais que fizeram uma faculdade estudaram nas universidades da mais alta reputação e apenas 14% deles têm MBA ou doutorado.

Isso lhe parece um balde de água fria? Pois a crença geral é de que a educação, a formação convencional, é segura e eficiente quando o que se deseja é ter sucesso na vida. Lógico, a educação é fundamental, sem conhecimento não se vai longe, mas não garante uma vida de sonhos.

Aqui está um alento.

Há 30 anos, conheci um homem extraordinário que nasceu na pobreza e sobreviveu a sérios infortúnios. Morador de rua, catador de lixo, encontrou no seu trabalho de subsistência a grande oportunidade que o transformou em milionário. Hoje, suas empresas de reciclagem faturam mais de R$ 25 milhões por ano. Em todas as atividades há exemplos desse tipo.

A conclusão, somando todos os dados que dispomos, é que uma profissão específica não carrega os atributos gerais do sucesso ou da prosperidade. Você pode ser qualquer coisa: engenheiro, administrador, artista ou catador de papel. A diferença está em você, em quem você é, como pensa, como age, o que lhe motiva, em como você construirá sua carreira, como construirá seus conhecimentos, como acumulará competências, habilidades, como alargará suas experiências e vivências e se transformará em um profissional de sucesso ou em uma pessoa rica, próspera.

Avaliando todos os “que chegaram lá”, parece-me que há somente um caminho possível. O da obstinação, do foco, do objetivo perseguido persistentemente. Persistentemente.

Diga-me, você é obstinado?

Inspiração, decisão e ciência. O porquê das pessoas comprarem o que compram e o porquê de você trabalhar onde trabalha

Qual é a ciência por trás de nossas decisões? Há um campo novo do marketing chamado “neuromarketing” que estuda a essência do comportamento do consumidor. Ele procura o entendimento da lógica do consumo, dos desejos, impulsos e motivações das pessoas através das reações a determinados estímulos.

Uma das descobertas mais importantes reside no fato de que grande parte de nossas decisões são tomadas em nível subconsciente. O “neuromarketing” se aproveita disso e sugere que as ações de vendas devam impactar os consumidores com formação de memórias, emoções e experiências positivas. É uma forma de fazê-lo – o consumidor – a se lembrar de uma marca mais facilmente, com uma receptividade ampliada.

Cientificamente falando, os pesquisadores se utilizam de tecnologias de imagem para identificar variações de atividades cerebrais, como a Ressonância Magnética Funcional. Pessoas que se submeteram ao processo foram estimuladas sinestesicamente e tiveram as diversas regiões de seus cérebros estudadas a partir do consumo de oxigênio e de glicose do sangue. A lógica é que esse consumo cerebral aponta áreas em franca atividade.

O cérebro sempre analisa uma questão sob pontos de vista diferentes – um sistema capaz de avaliar dilemas. Uma parte tem o desejo de chegar à conclusão mais lógica. Ela utiliza uma região chamada de córtex pré-frontal. Uma segunda está ligada às suas experiências consumadas, a um conjunto de recompensas adquiridas, chama-se núcleo accumbens. E a terceira parte reporta-se à nossa herança genética, a um conhecimento intuitivo que influencia nossas escolhas constantemente, mesmo sem a gente querer, pois ele zela por nossa integridade no instante em que uma escolha aparece, ajudando nas decisões imediatas. Refere-se à zona central límbica, com ênfase na área da ínsula. Essas duas últimas estruturas também são responsáveis pelas respostas emocionais, pelos sentimentos de lealdade e confiança. A interação das três partes é complexa, mas completa. Há uma permanente conferência entre o racional e o supostamente irracional.

Continuemos só um pouco mais na neurociência. O córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo processamento lógico, surgiu relativamente tarde na evolução da espécie humana. Emoções e instintos se desenvolveram com nossos ancestrais há muito mais tempo. Por isso elas são tão fortes e nos influenciam tanto. Portanto, imaginar que nossas decisões são sempre racionais é suposição superada. Na verdade, não há decisão que não contemple também o que chamamos vulgarmente de intuição.

Uma compreensão de que o que nos inspira está fora do mecanismo de linguagem, da verbalização racional, mas é um fruto de um processo que ocorre no sistema límbico, utiliza a área do cérebro responsável pela memória e motivação, onde as emoções e sentimentos são originados.

Grande parte das corporações sistematizaram seus discursos para o mercado. O discurso padrão parte do que é mais claro, baseando-se na racionalidade em primeiro plano. Quer dizer, quando uma empresa vai ao mercado comunicar um novo produto ou apresentar uma tendência, ou mesmo falar de si mesma, ela se utiliza de argumentos lógicos, de fatos. Argumenta consistentemente, com clareza e precisão. Muitas vezes, uma roupagem criativa suaviza esse discurso técnico. O resultado não é motivador. Ele, o discurso, não consegue trazer o consumidor, o cliente, para o seu lado, mas apenas desperta um exercício de reflexão.

O que as empresas deveriam almejar pode ser traduzido por “venha fazer parte do que somos, do que fazemos.” Isto é realmente inspirador. Essa é a mensagem de conexão que deve ser estimulada. Aliás, levando todos esses conceitos para o lado dos recursos humanos de uma empresa, este é o segredo de uma boa contratação. Diga-me: que tipo de engajamento você tem com sua empresa, com a empresa para a qual trabalha?

Um bom funcionário ou colaborador não é aquele tecnicamente perfeito. É aquele perfeitamente engajado! É aquele que acredita nos fundamentos da empresa para a qual trabalha. Lógico, um cargo deve ser preenchido por um profissional qualificado, que atenda às expectativas e necessidades intrínsecas, inerentes à atividade. Para a empresa, o preenchimento de uma vaga pode significar somente isso ou a oportunidade mágica de ter em seu quadro alguém que “faça a diferença”. Para o profissional, pode haver mais que o simples reconhecimento econômico pelo trabalho realizado através de um bom salário e benefícios reluzentes. Pode significar uma ampla realização, de um propósito maior, coletivo, que cause a diferença no mercado, na sociedade. Mas como uma corporação pode conseguir um profissional que supere as expectativas ao invés de somente atendê-las?

A resposta está na capacidade que a empresa tem de inspirar, de influenciar a raiz moral e espiritual do nosso ser. Uma empresa deve impulsionar seus colaboradores através de uma causa, um propósito, uma crença profunda. Isso só ocorre se ela souber o seu papel, se tiver realmente uma causa justa em seu âmago, definida, expressada em suas atividades, em seus produtos, serviços, em sua comunicação. Lembre-se: as pessoas não compram somente o que uma empresa faz. Mas também e principalmente porque ela faz. E o que ela faz espelha o que acredita.

Onde chegar? A primeira regra do sucesso é a mais ignorada

Diga-me: quanto tempo você levará para chegar? (Pense um pouco antes de prosseguir). Pois é. Difícil responder a uma pergunta dessas, certo? Parece conversa de louco. Chegar aonde? A partir de onde? Ir como? Pasme. É nesta condição que grande parte dos profissionais no mercado, de forma geral, se encontra! Eles simplesmente não têm um plano traçado para as suas carreiras!

Quando jovens se jogam nas universidades, às vezes em cursos que nem são a primeira opção, alguns altamente motivados, outros imbuídos de satisfazer o desejo de pais e parentes. Depois, são sorteados para estágios e, distraidamente, iniciam suas carreiras em alguma empresa ou instituição. Flertam com seus sonhos, planejam algum curso de extensão e aprendem uma nova língua. O tempo passa e os agora profissionais passam a reagir à vida e ao mercado. É um voo meio às cegas, concorda? Uma realidade não limitada às empresas médias e pequenas.

Há alguns anos fui convidado para palestrar em um curso de MBA desenvolvido pela Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, para uma grande corporação. Num fim de tarde de domingo chuvoso, falei para 35 executivos da empresa, que estavam no período de fechamento do curso. Todos exaustos. Tentavam acompanhar meu raciocínio em um assunto espinhoso: a semiótica. (De forma bem breve para não sair de nosso assunto, a semiótica é “o estudo dos fenômenos considerados como sistemas de significação, leva em conta os signos sob todas as formas e manifestações e que assumem diversos significados”).

Você está pensando certo: semiótica não é exatamente o melhor tema para uma palestra de fechamento de curso de MBA, em um domingo chuvoso, todos há dias longe de casa e da família. Portanto, antes que os presentes caíssem em tédio, provoquei uma discussão: “A Semiótica da Prosperidade”.

Inicialmente, fiz alguns questionamentos que foram respondidos com as mãos levantadas acima da cabeça. Perguntei: “quem, de todos os presentes, quer ser o presidente da corporação?” Duas pessoas, ao fundo, levantaram as mãos. Continuei, “quem tem a carreira planejada para os próximos 5 anos?” Mais uma vez, os dois profissionais, dos 35, levantaram as mãos. “Quem tem a carreira planejada para os próximos 2 anos?” Idem os dois, mais uns três dos presentes. “Quem trabalha muito? Mais de 8 horas por dia?” 95% dos presentes levantaram as mãos. E uma última pergunta: “quantos de vocês são honestos?” Bem, muitos ficaram bravos com a pergunta, então consideramos que todos ali tinham conduta ilibada. Pois bem.

Com as respostas frescas de todo o grupo, aprofundei: “quem acredita na fórmula que, sendo honesto, ético e trabalhando muito, intensamente, vai prosperar e ascender na profissão ou construir uma carreira próspera?” Praticamente todos responderam positivamente. Então, completei: “vocês estão redondamente enganados! Em primeiro lugar, há bandidos que enriquecem! Portanto, honestidade ou ética não é um fator relevante para a prosperidade. Em segundo lugar, conheço pessoas que há décadas trabalham realmente duro, e nem por isso conseguiram o seu lugar de destaque, o seu lugar ao sol”. Muito importante: eu não estou estimulando ninguém a ser desonesto! Acredito que probidade, honradez e ética sejam qualidades irrepreensíveis, pilares morais para todo ser humano.

Você consegue me responder, então, o que há de errado com aquela fórmula?

A princípio nada, mas não há nenhuma garantia de que alguém honesto e trabalhador seja bem-sucedido! Simples assim.

Naquela altura, eu já tinha um veredito: os que ascenderiam na empresa, teriam grandes chances de prosperar e se tornar profissionais de sucesso seriam tão somente os dois que sinalizaram querer a presidência da corporação. Isto porque, de forma básica, eles tinham definido um objetivo.

E aqui está a primeira regra do sucesso, estranhamente ignorada: TER UM OBJETIVO. E respondendo agora à primeira pergunta deste texto, você só sabe se chegará ou quanto tempo levará para chegar se souber para onde vai! Ninguém empreende uma viagem pegando a primeira estrada que aparece, sem planejamento, sem rumo. Até aqueles que querem conhecer o mundo, os mochileiros mais informais, da forma mais aleatória possível, tem um mínimo de planejamento. Se não, passam a correr riscos, sérios riscos!

Quando escolhemos uma profissão, damos um primeiro passo rumo ao nosso futuro. A partir daí, é necessário definir até onde iremos, quais nossos sonhos mais elevados, como desejamos viver no futuro. É fundamental traçar um mapa da carreira o quanto antes!

Considere o seguinte: você deve se inscrever em cursos acessórios, complementares? Apostar em outro curso de formação superior ou extensão? Que línguas deve falar? Por quais experiências deve procurar? Durante quanto tempo? Pensando assim, por que tipo de empresas ou negócios terá de trabalhar na busca por seu crescimento e aprimoramento profissional? Quanto precisará ganhar? Quanto quer ganhar? Quando irá se aposentar e como planeja sua vida a partir daí?

Para facilitar o raciocínio, uma metáfora. Consideremos que sua carreira é uma viagem. Suas habilidades e suas competências acumuladas são suas bagagens. E o mais importante: seu objetivo é seu destino. Pensando assim, esse plano da “Viagem de Sua Vida” precisa ser orgânico e realizável. Quando necessário, mude, altere, inove, incremente o traçado. Não há linhas retas, caminhos diretos. Evite os atalhos e aproveite todos os cenários possíveis. Mantenha o objetivo.

Fazendo assim, a partir de agora, você coloca o sucesso no seu mapa pessoal, com altas chances de visitá-lo definitivamente.

Um século depois, o que Rowan continua nos ensinando sobre missão, foco, produtividade e responsabilidade?

“A message to Garcia” é um clássico mundial de 1899, um ensaio do filósofo e escritor norte-americano Elbert Green Hubbard que ganhou o mundo, sendo traduzido para 37 línguas.

A história relata a aventura de um soldado chamado Rowan que, heroicamente, superou todos os desafios e adversidades e entregou uma mensagem do então presidente William McKinley a Calixto Garcia, líder das forças rebeldes cubanas durante a Guerra Hispano-americana. O caso foi baseado em história real – o tenente Andrew Summers Rowan combateu naquele conflito e foi responsável por entregar ao então general Garcia documentos estratégicos que possibilitaram a vitória americana e a independência cubana.

Segundo Elbert, uma estátua de Rowan deveria ser fundida em bronze para imortalizar a façanha, mas a intenção real do texto nada tinha a ver com o heroísmo do personagem. Muito pelo contrário. Em um período de forte desenvolvimento industrial, os Estados Unidos se tornaram líderes mundiais em produção, rivalizando com Alemanha, Inglaterra e França. Mas a vida do trabalhador americano estava longe de ser fácil – baixos salários, condições precárias e insalubridade, jornadas longas, inexistência de direitos trabalhistas. Ou seja, um cenário altamente desmotivador.

“Mensagem a Garcia” (em português) travestia de heroísmo uma pesada advertência aos trabalhadores – eles deveriam obedecer cegamente às suas autoridades, devotando-se ao trabalho acima de suas próprias vidas. Essa foi a razão de empresas e indústrias terem impresso centenas de milhares de cópias do texto no início do século XX, distribuindo-as entre seus funcionários.

Vamos a um resumo da história.

Durante a guerra entre Espanha e Estados Unidos pelo domínio do Caribe, importava aos americanos contatarem rapidamente o chefe dos revoltosos de Cuba, um oficial chamado Garcia, que se encontrava em uma fortaleza desconhecida no sertão da ilha. O presidente McKinley precisava de sua colaboração estratégica. Contudo, como fazê-lo? Telégrafo, correio ou outro meio de comunicação mostraram-se proibitivos. Foi então que o chefe do escritório de inteligência militar destacou Rowan para a tarefa. Se Rowan não o fizesse, ninguém mais o poderia.

Alguns papéis contendo plano de ações foram entregues ao jovem soldado que nem sequer perguntou “onde está Garcia?”, quanto mais “como faço para realizar a tarefa?” E assim, poucas semanas após ter desaparecido com o documento em um invólucro impermeável amarrado ao peito sob a roupa e se lançando a uma perigosa aventura, apareceu do outro lado da ilha. Atravessou sozinho e a pé um território hostil, se embrenhou no sertão, desviou de tropas inimigas, sabe-se lá como conseguiu alimento e água, mas entregou a carta a Garcia. (Depois do ato de bravura e competência, o verdadeiro Andrew Rowan considerou que “concluiu algo até mesmo acima do seu dever de soldado”.)

Elbert completa seu ensaio fazendo uma alusão aos “novos empregados” que são chamados à responsabilidade pelos patrões, mas não fazem as “entregas necessárias”, a não ser por muito custo, não sem antes retrucarem, resmungarem e a agirem sem auto iniciativa, desviando das responsabilidades de seus cargos e funções. Conclui seu texto que suas “simpatias pertencem ao homem que trabalha, fazendo o que deve ser feito, melhorando o que pode ser melhorado, ajudando sem exigir ajuda.”

Um século depois, o que mudou?

De forma geral, o cenário trabalhista já não é mais o mesmo. Por todo o mundo, a luta pelos direitos sociais trouxe resultados muito positivos e o conflito entre “capital” e “trabalho”, longe de estar superado, também foi se ajustando às novas realidades e sendo apaziguado.

Mas a natureza humana se mantém inalterada há centenas de milhares de anos. As necessidades continuam a moldar nossos hábitos e atitudes. Os desafios pessoais continuam separando profissionais em dois grupos muito distintos em essência: os reativos e os proativos.

O primeiro grupo é formado pelos profissionais que assistem aos acontecimentos que acabam por moldar suas atitudes. São guiados pelo acaso, pelo conjunto de ocorrências aleatórias (a vida é assim, incontrolável) e vivem em um cenário de conformação. Ao final de suas vidas, olharão para trás e dirão que foram guiados pelo destino, que suas carreiras não poderiam ter sido diferentes, que seus caminhos não poderiam ter sido trilhados de outra forma e que o conjunto de suas obras, por tudo isso, estariam sempre e necessariamente orientados para os mesmos resultados alcançados.

O segundo grupo, dos proativos, é formado por profissionais que lutam por seus propósitos, por suas pretensões e que, muito provavelmente, chegarão a um ponto muito mais elevado de satisfação e de realização. São os “Rowans modernos”. Não necessitam de chefes, pois se identificam com seus líderes. Assumem a responsabilidade independentemente da autoridade que lhes foi confiada. Perseguem seus objetivos, traçam planos estratégicos para atingi-los e se envolvem de “corpo e alma” a esta missão.

A moderna “Mensagem a Garcia” está sendo escrita a todo instante e por todos os lados. Os novos desafios se multiplicam e, junto com as mudanças, transformam todos os cenários em uma guerra com a qual somente aqueles abertos à inovação, à transformação e ao crescimento pessoal estarão aptos a vencer. Você está preparado? Se não está, tem a coragem necessária para enfrentar e se ajustar ao que virá pela frente?

O fracasso, às vezes, é a melhor coisa que pode acontecer a você

Um estímulo permanente de competitividade e busca pelo sucesso leva-nos a entender que o fracasso é um estigma, uma cicatriz, a marca desonrosa que devemos evitar a todo custo. Os fracassados têm de viver com seus erros ou despreparo, são mal vistos, rejeitados. Essa rejeição promove efeitos em cascata, partindo de um mecanismo psicológico de defesa: fracassados passam a não reconhecer suas insuficiências, entram em negação, fogem da responsabilidade por terem errado, vivenciam uma frustração profunda. E têm de tocar a vida adiante, agora com uma tripla responsabilidade: a de se superar, de perseguir e alcançar o sucesso.

Mas, e quando o fracasso lhe protege de um mal maior?

Há pessoas que têm esta sorte. Ela pode ser percebida e entendida na clareza do “continuum” da vida. O fracasso, enquanto lição, é muito mais poderoso que o sucesso, pois mostra as margens de suas limitações, expõe sua miopia em avaliar situações e contextos, abre espaço para o repensar, o reinventar, o reinovar. Quem passa pelo fracasso tem arestas aparadas, ganha cicatrizes psicológicas que fortalecem seus tecidos mentais. Eu tive essa felicidade.

Em 1997, em meio a uma tarde normal de trabalho, recebo a ligação de Wander, um amigo de infância com o qual eu mantinha contato com razoável frequência. Ele havia voltado da Europa com uma ideia embaixo do braço. Tinha passado por 2 ou 3 capitais turísticas e encontrou uma oportunidade que desejou dividir comigo. Sua ideia era lançar por aqui um guia de cultura e lazer nos moldes do famoso “Time Out”. Naquela época, a versão impressa desse guia era referência de qualidade e diversidade. Uma pequena revista com alta concentração de informações sobre as atrações e programação cultural.

Wander, acho que não. Por que? Avalie comigo.

Porque, em primeiro lugar, eu defendi em nossa conversa ao telefone, deveríamos concorrer com todos os grandes jornais que na década de 1990 capitaneavam o mercado, com seus cadernos de diversão. A revista “Veja São Paulo” também seria um forte concorrente, com suas edições semanais e páginas coloridas. Em segundo lugar, deveríamos montar e financiar uma equipe excelente de pesquisadores e colaboradores para trazer as novidades, levantar as programações culturais de teatros, cinemas, exposições, museus, enfim, de todo o universo cultural da maior cidade do hemisfério sul do planeta. Em terceiro lugar, deveríamos planejar e dar vida a uma extraordinária operação de produção gráfica e logística que pudesse agilmente imprimir dezenas de milhares de pequenas revistas, com as informações plenamente atualizadas e fazê-las chegar a centenas de bancas de jornais da Grande São Paulo, para serem consumidas a partir dos fins de semana. Por tudo isso, era uma ideia ruim e extravagante.

Vamos lembrar um ponto importante aqui: a internet não existia e os celulares eram tijolões, nem mesmo uma pálida sombra dos smartphones de hoje. Ou seja, a “mass media” em papel jornal dominava o mercado cultural.

Mas eu estava inserido em um ambiente cuja palavra de ordem é a criatividade, um dos pilares da inovação. Minha função era pensar o novo, avaliando as tendências e recriando as soluções. Coisa que, de fato, faço até hoje.

Liguei para o Wander e dei-lhe a notícia: “não faremos um guia em papel, como os outros. Vamos inovar! Nosso guia será em CD-rom multimídia. Venha para cá amanhã e lhe conto os detalhes”.

Em poucas horas eu lhe apresentei um rascunho do projeto, que reunia a melhor tecnologia disponível na ocasião, mais a irreverência, mais múltiplas possibilidades comerciais, mais o envolvimento de uma celebridade, culminando com a certeza de que estaríamos fazendo algo inédito em todo o mundo. Assim criamos o “FUNtastic São Paulo”, o piloto de uma operação que poderia ser franqueada para outras capitais do Brasil e também ganhar o mundo! Vamos aos detalhes.

O CD-rom multimídia ou “Compact Disc Read-Only Memory” (ou “disco compacto de memória somente de leitura”) era a evolução dos catálogos e revistas, a revolução na forma como se ouvia música e também o principal veículo para distribuição de software, substituindo os disquetes magnéticos. Quando o mercado acordou para suas centenas de possibilidades, os CD-roms passaram a ser fartamente distribuídos em bancas de jornal e livrarias, como produtos autorais, como brindes ou encartes de jornais e revistas. Foi uma febre. Todo tipo de conteúdo passou a ser distribuído naqueles disquinhos prateados.

Mas então, minha ideia era simplesmente trocar o papel pelo CD-rom? “Prensaríamos” dezenas de milhares de CD-roms por semana para se manterem atualizados e depois distribuídos? Não! Lógico que não! Por mais popular que fosse na época, a prensagem de CDs era uma operação custosa também. Portanto, eu tinha planejado mais um componente de inovação no projeto.

Em meados da década de 1990, os PCs (computadores pessoais), eram máquinas que ainda estavam na metade de sua trajetória de maturação: a cada ano novos periféricos eram adicionados, modificados, melhorados. De preço ainda elevado, chegavam vagarosamente aos lares dos brasileiros. Tinham tomado de assalto as empresas, das grandes às médias e pequenas (que fossem mais ousadas), nesta ordem. Nas casas, tinham configurações mais simples por questões de custo. Mas um novo componente estava saindo das fábricas, nativo nos PCs: a “placa de fax modem”. Através dela, usando a linha telefônica, era possível realizar a comunicação entre computadores. As placas transformavam os impulsos analógicos dos telefones em sinais digitais. E essa foi a base para nossa inovação, a possibilidade de uma comunicação entre PCs dos usuários com uma planejada central de dados.

O “FUNtastic São Paulo” era, portanto, um software gravado em CD-rom multimídia que, através da placa de fax modem do computador, se conectava à nossa central de dados automaticamente ao ser inicializado, carregava toda a programação cultural atualizada da cidade, e então permitia uma experiência de navegação rica, colorida e completa, com música, vídeos, fotos da cidade, mesclados em uma estrutura de informação organizada e intuitiva. Estava criado o mais fantástico guia de cultura, lazer e diversão que São Paulo jamais teve.

A solução para o desafio mostrou-se, portanto, bem desenhada. Agora, era colocar a mão na massa e fazer tudo acontecer. Mas nossos recursos financeiros, não muito abundantes, possibilitavam somente a composição de equipes de conteúdo e de comercialização, estavam longe de poder financiar a produção e distribuição dos CDs, além das outras operações de mercado. Precisaríamos de patrocínio, já que os “anjos investidores” e o modelo de “startup” ainda não existiam.

Em poucas semanas, o plano de negócios estava completo, rico em detalhes, oferecendo três tipos de projeções-padrão: otimista, realista e pessimista. No pior dos cenários, empataríamos o investimento patrocinado com os altos custos, apostando em uma cultura multimídia que tinha tudo para se fortalecer com o tempo e aumentar a base de usuários.

Durante os seis primeiros meses, trabalhamos em três frentes distintas: 1ª – o conteúdo era pesquisado, catalogado e constituído por uma equipe dedicada também em telemarketing (lembre-se: não havia o Google, o conhecimento não estava disponível à distância de um teclado e mouse). Conseguimos reunir a maior e mais atualizada base de dados da cidade – gastronomia (bares, restaurantes, rotisserias), artes (teatro, cinema, shows, exposições, concertos), casas noturnas (boates, danceterias, casas de espetáculo), centros culturais (bibliotecas, museus, livrarias, bancas 24h), parques e praças, hotéis, motéis, hobbies, atrações para crianças (passeios, programas infantis) e serviços (ingressos em domicílio, comida em domicílio, videolocadoras); 2ª – uma segunda equipe de campo (de venda de mídia) visitava estabelecimentos diversos relacionados ao conteúdo, oferecendo espaços comerciais no programa. Um gigantesco mapa de mídia foi planejado no software, com inúmeras possibilidades: desde o merchandising de categorias, até vídeos comerciais de 15 e 30 segundos, passando por “destaques” em pontos de navegação específicos. Havia inúmeros espaços comerciais; 3ª – quatro profissionais do “staff”, ligados ao planejamento do projeto lançaram-se no mercado em busca de patrocínios. Quer saber? Foi um esforço hercúleo! Ou, de forma mais atualizada, um esforço “hulkiano”!

Iniciamos o processo comercial com a necessidade de captarmos 3 cotas de patrocínio acima dos R$ 120 mil. Somadas, elas possibilitariam 12 meses de operação. Fizemos 180 reuniões em 8 meses. Todas as grandes empresas sediadas em São Paulo foram visitadas. Nas primeiras semanas, conseguimos importantes parcerias estratégicas: um dos maiores jornais de São Paulo enxergou no “FUNtastic São Paulo” um valor diferencial e nos concedeu um extraordinário espaço de mídia. Quer dizer, divulgar o produto não seria mais um problema, assim como atingir, de cara, todos os assinantes do jornal em suas casas.

“O pioneiro paga a conta mais cara”.

É verdade. Como vender fácil algo que ainda não existe? Em quase seis meses de operação, diante das dificuldades de negociar as três cotas de patrocínio (engraçado, as vendas de espaço publicitário no software foram muito mais receptivas), conseguimos enxergar novos modelos de atuação e diminuir custos em quase 30%. Ou seja, minimamente, com 2 cotas de patrocínio vendidas poderíamos “levantar voo”!

Em julho de 1997, tivemos um encontro significativo com o diretor de marketing do “Banco 1 Net”, um “banco virtual”. A proposta dessa unidade de negócios do então Unibanco era a redução de custo operacional através da prestação de serviços somente por telefone e trânsito de documentos por motoqueiros. Um banco moderno, inovador e… virtual! Ele viu um alinhamento conceitual com nosso produto e decidiu por patrociná-lo. A primeira cota estava fechada.

Em poucas semanas, motivados pela primeira conquista, partimos para negociar com grandes empresas de outros setores. E, em meados de outubro daquele ano, saímos de um escritório na Av. Paulista com a segunda cota de patrocínio fechada com a Melitta do Brasil! Tudo o que precisávamos agora era assinar os dois contratos e comemorar. Em pouco tempo, estaríamos efetivamente competindo no mercado com os guias de papel, mudando a história desse segmento.

Contudo, no final do mês de outubro recebemos uma ligação gélida: o diretor de marketing do Banco 1 Net nos informou que, por conta da “Crise Financeira dos Tigres Asiáticos”, que atingiu mercados financeiros por todo o mundo naquele mês, sua verba de investimentos havia sido cortada. E que, por pouco, a operação de sua unidade de negócios também não havia sido extinta. Pois bem. Tivemos de superar rapidamente a decepção, arregaçar as mangas e voltar às reuniões de prospecção. Ainda tínhamos a Melitta, e nos faltava, portanto, fechar uma nova cota.

Uma das coisas que nos distinguiu como bons planejadores foi nossa capacidade de pensar além, de “pensar fora da caixa”, explorando todas as possibilidades. Uma delas foi aprovar precocemente o projeto do “FUNtastic São Paulo” em todas as instâncias públicas de incentivo à cultura. Assim, fomos aprovados com louvor pela Comissão de Averiguação e Avaliação de Projetos Culturais” para a “Lei Mendonça”, uma lei municipal que prevê a associação de recursos privados com os do Município de São Paulo, por meio de incentivos fiscais, e também na “Lei Rouanet”, de âmbito federal.

Já em novembro, tivemos uma reunião empolgante com Sérgio Cunha, advogado e também titular de um escritório especializado em ações culturais, voltado à captação de recursos para projetos incentivados. Ele ficou fascinado pelo “FUNtastic São Paulo” e suas possibilidades e previu que antes do Natal assinaríamos todos os contratos de patrocínio!

No dia 26 de dezembro, recebo à tarde, no escritório, uma ligação de Sérgio, se desculpando: “Eduardo, perdoe o presente de Natal atrasado. Estou saindo agora de uma reunião aqui, no Rio de Janeiro, na sede da Embratel. Eles ficarão com as 2 cotas remanescentes! Parabéns a todos, o projeto foi elogiadíssimo!” Eu retruquei: “Bem, Sérgio, valeu o esforço, muito obrigado por tudo, mas, diga-me, quais são as próximas etapas?”

Em 15 ou 20 minutos ele detalhou os trâmites do processo dentro de uma empresa estatal como a Embratel (a Embratel só foi privatizada no ano seguinte, em 1998). Patrocínio era algo que deveria ser analisado por uma equipe técnica, ser previamente aprovado e depois submetido à assinatura formal do Ministro das Comunicações. Quanto à aprovação, já a tínhamos. Portanto, em poucas semanas, após os festejos de ano novo e recesso, ocorreria a assinatura e publicação no Diário Oficial da União.

E o imponderável se agiganta!

O nosso Ministro das Comunicações da época, Sérgio Roberto Vieira da Motta, estava com sua saúde muito fragilizada. Em um curto espaço de tempo, foi internado seis vezes com problemas respiratórios, que o levaram, inclusive, a ser tratado nos Estados Unidos. Em abril, depois de uma última internação que durou 20 dias, faleceu. Sem assinar o processo de patrocínio.

A Telebrás foi privatizada em julho de 1998, e com ela a Embratel, empresa de telefonia de longa distância, em um leilão desafiador e confuso. Com isso, morreram também nossos esforços para fazer o “FUNtastic São Paulo” ir ao mercado. Depois de tantas invertidas, jogamos a toalha.

Números do projeto: foram 15 meses de trabalho insano, cerca de R$ 150 mil em custos operacionais investidos e jamais recuperados em uma ideia genial; as equipes somavam 15 pessoas, dedicadas e motivadas; houve uma incrível sucessão de insucessos. Em outras palavras, um grande fracasso.

Finalmente, quando o fracasso nos protege.

Enquanto assistíamos na primeira fila à essa derrota pessoal, também vimos uma mudança radical no mercado. Em pouco tempo, a febre do CD-rom multimídia foi passando. Havia uma novidade tomando conta dos computadores por todo o país, prometendo facilitar o acesso à informação e aos conteúdos: a internet. E isso foi entre 1998 e 1999. Uns poucos pioneiros que resolveram apostar nesse negócio logo em seu início, colheram alguns frutos. Ou não, pois da mesma forma como a internet prometeu crescimento rápido e fortuna aos ousados e inovadores, a bolha de 1999-2000 os derrubou!

Essa foi uma onda que não pudemos surfar. Todo nosso capital para investimento se foi com o “FUNtastic São Paulo”. Ao mesmo tempo, cresceu a certeza de que, se tivéssemos conseguido colocar no mercado tamanha operação, teríamos tido vida curta, muito curta, com os CD-roms. Tecnicamente falando, a migração para a internet estava fora de cogitação. Seriam mais estudos, mais investimentos em grandezas vultosas. Ou seja, mais perdas gigantescas. Perdas e compromissos que não estávamos, definitivamente, preparados para assumir.

Hoje, 20 anos depois, percebo a sorte que tive. A sorte de ter fracassado. Contudo, em mim e para mim, ficou a certeza da criatividade, do poder inventivo, do olhar estratégico e, principalmente, de conseguir reconhecer a hora para desistir. Quer um pensamento alentador se você já viveu algo assim? “Nem tudo são lutas, e nem todas as lutas devem ser ganhas.”

Bem-vindo ao bendito fracasso.

Desejo, determinação, obstinação: os três níveis do processo de realização

Eu não conheço ninguém que não deseje uma vida feliz. Ou uma vida próspera. Ou uma vida emocionalmente bem resolvida, com família e amigos, em um círculo motivador e enriquecedor.

Por outro lado, imagino também que não há ser humano neste planeta que sonhe em ter uma vida miserável, em passar fome, que sonhe em não ter um lar para morar ou um emprego que minimamente o sustente ou seja motor de sua realização.

Pois bem. Desejar é, portanto, o primeiro nível do processo de realização. Através do desejo, almejamos algo, ambicionamos ter ou alcançar, cria-se uma tensão em direção a um fim, a um objetivo.

Mas desejar não mobiliza, não movimenta, não constrói. Por si só, o desejo não rompe barreiras, não modifica a realidade, não transcende. Populações carentes em países fragilizados certamente não desejam sua pobreza, mas não conseguem se livrar dela. É necessário agregar um outro componente ao desejo. É necessária uma forte inclinação. Uma postura interna que gere o despertar para o movimento, uma energia suficientemente firme que se volte ao seu objetivo. A este conjunto de forças internas dá-se o nome de determinação.

Quem é determinado busca um objetivo e não se desvia dele. Está, portanto, em um outro nível no processo de realização, pois agora há um componente que impulsiona em direção ao que se almeja. É uma espécie de processo de viabilização do que se pretende alcançar. Entende o que eu digo?

Mas a determinação basta? Em todos os casos? Será? Em que momento ela é insuficiente?

A mim me parece que a determinação é insuficiente quando o componente do desconhecido cresce à sua frente, se interpondo entre você e seu sonho. O desconhecido fragiliza o aspecto racional do propósito ou de seu curso. Quer um exemplo? Vou contar um caso pessoal, verdadeiro, que me fez questionar uma série de aspectos em minhas crenças pessoais.

Em março do ano 2010, fiz aniversário. Eu estava disposto a iniciar uma série de novas atividades em diversas frentes. Em uma delas, decidi iniciar um hábito em que nunca acreditei – jogar na loteria. O nome já diz tudo: loteria é um acontecimento imprevisível, improvável, determinado pelo acaso. Não há controle. Não há qualquer consistência racional. As chances são planejadamente mínimas de se ter êxito. E por ser isto mesmo, aleatório e longe de qualquer tipo de controle, eu decidi investir na experiência, já que eu sou um cara muito racional. Eu dei uma oportunidade ao improvável.

Assim, resgatei uma antiga memória familiar: meu pai jogava minimamente um cartão da Mega-Sena em que registrava as datas de aniversário da família. Em casa, éramos 6 – meu pai, minha mãe, eu e 3 irmãos. Hoje, somos 5. Eu, minha esposa, meus 3 filhos. Tive de apelar para um sorteio adicional para chegar ao sexto número. Este é cartão com 5 datas de aniversário, mais um número aleatório: 4, 7, 13, 25, 27 e 58. Este último número, lógico, foi o sorteado por mim. Impus uma regra: estava determinado a jogar em todas as extrações, durante um ano inteiro, até a semana de meu aniversário seguinte, em março de 2011. Seriam 52 semanas em que eu deveria acompanhar os resultados e replicar a aposta para as extrações.

Passou-se o primeiro mês. O segundo. O terceiro. Um incômodo começou a se instalar em minha rotina. Eu estava me esforçando determinadamente para manter o ritmo, mas em algum momento acabei falhando e perdi um dos sorteios da Mega -Sena. Atravessei o quarto mês. No final do quinto, conclui que eu com esta experiência, tinha somente instalado um hábito incômodo em minha rotina. Jogar todas as semanas me pareceu, finalmente, uma experiência que não geraria frutos, pois a chance de se ganhar o prêmio com um cartão simples, de 6 números, é de 1 em 50 milhões. Racionalmente falando, tende a zero. Fique sabendo que a probabilidade de você morrer atingido por um raio é 25 vezes maior que ganhar na Mega Sena.

Ao término do quinto mês seguido de jogo, em final de agosto de 2010, desisti da experiência. Mesmo porque, puxando pela memória, acho que consegui acertar minimamente 1 ou 2 números, umas poucas vezes.

Vamos agora para dezembro de 2013. Eu chego em casa depois de um dia de trabalho e encontro minha esposa em seu computador e meus filhos ao redor. Eles estavam planejando tentar a sorte no gigantesco prêmio da “Mega Sena da Virada”. Mais de 200 milhões de reais. Estavam felizes, sonhando com o resultado improvável de ganhar. Sonhar é ótimo! Foi então que me lembrei daquela minha solitária experiência de jogar durante um ano inteiro. Aberto no computador estava um aplicativo que avaliava a sorte, a chance dos seus palpites, quantas vezes os números escolhidos já tinham sido sorteados, os números menos sorteados, etc. Eu digitei 4, 7, 13, 25, 27 e 58. Na tela apareceu o seguinte:

“Parabéns, na extração 1.216, em 22 de setembro de 2010, você teria ganho R$ 45 milhões e 800 mil reais”.

O quê? Como assim? Quer dizer então que eu estive a 23 dias de me tornar um milionário, um dos 20 maiores ganhadores da Mega Sena e abdiquei da oportunidade? Pois é.

O que isso significa? Para mim, é simples, a determinação não bastou quando o imponderável se agigantou. Portanto, há um terceiro nível no plano da realização: trata-se da obstinação! Para além da determinação há esse apego forte, excessivo, às próprias ideias e convicções. Quem vê uma pessoa obstinada de perto pode até achá-la teimosa, implicante ou insistente. Antes de ser uma ideia fixa, trata-se somente de perseverança, de firmeza e da constância necessária para se chegar a um objetivo. Muitas vezes, da própria paixão por realizar, por concluir um caminho escolhido. Simples assim.

Dessa experiência toda, eu tirei várias lições, e gostaria que você se colocasse em meu lugar e tirasse suas próprias conclusões.

Eu finalizo com um convite: passe a observar as pessoas de sucesso autêntico. Aquelas que foram desacreditadas no início. Aquelas que, por não saberem que era impossível de chegar ao objetivo que pretendiam, acabaram realizando, contra toda perspectiva desfavorável, contra toda impossibilidade, contra todas as minúsculas probabilidades, contrariando todas as gigantescas chances de dar errado.

Na vida, devemos desejar muito, a todo instante. Em alguns momentos, devemos ser determinados. Mas acima de qualquer suspeita, quem quer chegar ao seu objetivo, tem de ser obstinado.

Pensamentos Positivos – A Grande Mentira

Pense em algo que você quer muito. A casa dos seus sonhos, um carro novo, um emprego onde lhe tratem com respeito e você obtenha o devido valor, uma saúde perfeita. Enquanto você pensa, centenas de milhares de neurônios são acionados, trocam informações, impactam seu sistema endócrino liberando hormônios que lhe farão se sentir bem. Muito bem.

Agora, pense nesta possibilidade: se você intensificar este pensamento, repeti-lo incansavelmente, mantiver estas imagens em sua cabeça, o ‘Universo’ trabalhará a seu favor. Ou Deus ou as ‘forças da natureza’ ou os ‘anjos que lhe dirão amém’ ou mesmo aquilo que você tem em suas crenças como o ‘motor superior de nossas vidas’ – algo assim promoverá, materializará este seu desejo ardente, intensamente mentalizado.

Responda com sinceridade, em um lapso de realidade: isso já aconteceu verdadeiramente com você? Um desejo ou um sonho realizado de forma extraordinária, sem explicação aparente? Conhece alguém que domina esta prática de mentalizar positivamente e hoje vive feliz e realizado?

Eu respondo por você. Desculpe-me por atravessar a questão: se você conhece alguém privilegiado nesse sentido, foi uma mera coincidência. Coisa das estatísticas. Há tantas pessoas no mundo que existe até mesmo essa possibilidade – a de pessoas atingirem alguns de seus objetivos ‘mentalizando intensamente’.

É uma mentira, infelizmente. Pense bem, caso fosse uma ‘Lei do Universo’, ‘mentalizar positivamente’ faria de todas as pessoas no mundo seres extremamente felizes, com seus desejos amplamente realizados! Quem não deseja intensamente uma vida próspera e repleta de momentos de alegria plena?

Essa mentira vende livros, palestras, webinários, cursos, brindes, mais livros e mais palestras. Ronda Byrne, por exemplo, autora de ‘O Segredo’, faturou 50 milhões de dólares em um ano de lançamento de sua obra. É um tema sensacional, pois não exige comprovação material ou científica. Só um lastro das estatísticas. Pegam-se os casos de sucesso, os pouquíssimos, e os colocam como ‘padrão’, como regra.

Para quem se encanta com isso, é uma ideia perniciosa. Ela coloca você em um alto grau de motivação interna, sem prazo de validade. Mais que isso, ela retira a capacidade de realização do seu centro interno e coloca em um ponto externo. Você acaba refém de um ‘Ser Superior Realizador’ para receber o que merece ou acha que merece. Mas a motivação é como uma breve paixão, acaba logo. Com o tempo, vem a frustração, a sensação de abandono por parte do ‘Universo Realizador’ – por que eu não? Portanto…

Portanto, o PENSAMENTO POSITIVO é destrutivo, é cruel, chega a ser desumano.

Por outro lado, temos uma grande força interna, que é a nossa MENTE. Na verdade, a mente, de forma ampla, é nosso verdadeiro eu – um conjunto de qualidades, experiências, conhecimentos, desejos e realizações. Um mix de tudo isso que se traduz em nossa personalidade (exterior e interior), tendo ao fundo nosso caráter como catalisador. É nossa mente que pode produzir alguns dos ‘milagres’, desde que você saiba exatamente como fazê-lo. Não há mistério: há muita prática e bom senso. Há muito ‘trabalho interno’ para se produzir os resultados esperados.

Nossa mente é sempre condicionada por aspectos exteriores e interiores. Mas você é quem dá o tom de sua vida: é uma pessoa proativa ou reativa? Quer dizer, busca o que ambiciona ou espera que a vida lhe traga? Tem um otimismo permanente, que impede os ciclos alternados de alegria e tristeza, de altos e baixos, ou é refém dos acontecimentos que trazem a felicidade e a infelicidade?

É isto o que faz toda a diferença na vida: ter o domínio de si. Produzir os sentimentos internos que nos fazem motivados, alegres e otimistas. Um otimismo consigo, ao contrário daquele que prevê um ideal externo de bonança e prosperidade. A este estado interno damos o nome de MENTE POSITIVA. Como tudo na vida, é um processo de aprendizado, de auto aprendizado, de testes, escolhas, retornos e avanços. Começa instável, mas vai ganhando consistência, aumentando sua segurança interior, seu senso de controle.

A mente positiva é só benéfica. Não possui efeitos colaterais, não tira o seu poder. Muito pelo contrário, mantém o seu controle sobre a vida, melhora sua saúde. E isto sim, foi comprovado cientificamente, tem respaldo das boas universidades americanas. Para saber mais a respeito, leia o artigo desta plataforma intitulado “Felicidade e Uma Vida Produtiva”.

Então, livre-se dos PENSAMENTOS POSITIVOS. Passe a adotar a MENTE POSITIVA.

Role até o topo