O artigo mais importante que você vai ler em sua vida – PARTE 1

Vamos fazer um rápido exercício mental? Se eu dissesse que você tem entre 85 e 94% de chances de ter um final de vida muito ruim, sustentado por remédios, tratamentos paliativos, somando mais 10 a 15% de possibilidade de você nem ao menos reconhecer seus familiares ou as pessoas que cuidarão de você, lá no futuro. Esses são números elevadíssimos, não? É quase uma sentença definitiva de que sua velhice será amarga, triste. Acontece que para 6 a 15% das pessoas, esse final de vida é certo, está documentado em suas células. São doenças genéticas que vão se manifestar em algum momento, não importa o que façam ou como vivam. Elas podem até superar suas doenças, mas não sem muita luta e determinação.

Dadas estas péssimas notícias nesse nosso início de conversa, agora vamos às boas notícias. Sabe aqueles primeiros números? Entre 85 e 94%? São de causas epigenéticas, que podem ser completamente revertidas. Você não precisa ter entre 85 e 94% de chance de ter um futuro lamentável, muito pelo contrário. Com o conhecimento necessário e ajustes em sua vida, você terá entre 85 e 94% de chances de viver bem e chegar à velhice com lucidez, boa saúde e o sentimento de ter tido uma vida plena. Para que isso seja possível, você precisa começar já, agora mesmo, sem perder tempo. Porque uma verdadeira bomba relógio está ativada, sem você saber.

O título deste artigo pode parecer pretensioso – “O artigo mais importante que você vai ler em sua vida” -, mas você verá que não é. Porque trata-se de sua vida, da minha, da vida de todos nós, seres humanos. O mundo está doente, apesar dos avanços da ciência e tecnologia – estamos dando início a uma nova era de voos espaciais e a um passo de colonizar um outro planeta, ao mesmo tempo que os telescópios em órbita nos dão uma visão quase infinita do universo; por outro lado, estamos confirmando a existência das partículas elementares subatômicas nos grandes centros de pesquisa nuclear; a biotecnologia está produzindo órgãos humanos artificiais com células-tronco e já fazemos edição genética de nosso DNA com precisão; a inteligência artificial ganha terreno em todas as áreas da vida moderna; e através de novas ferramentas analíticas, os livros de paleontologia e história natural estão sendo reescritos por sucessivas descobertas; o projeto genoma, onde sequenciamos 100% do DNA humano, após 30 anos de pesquisas, revolucionou a forma de se fazer diagnósticos, produzir medicamentos e vacinas, e compreender a causa de milhares de doenças; enfim, estamos dando grandes saltos em direção a um futuro quase utópico, mas tudo isso não está impedindo o avanço dos males modernos, das doenças crônicas, dos distúrbios mentais, cada vez mais comuns. Por que? Você saberia me responder? Por que as epidemias de diabetes e obesidade estão em franco crescimento? Por que o câncer é a segunda doença que mais mata no mundo? Por que o mal de Alzheimer e outras demências ameaçam nosso futuro?

Eu creio ter uma resposta para estas questões. Veja, não é uma teoria minha, original, eu só estou ligando os pontos de um complexo de sistemas que nos rodeiam: para mim e outros geniais pensadores – haha, calma, eu não estou me colocando nesta categoria, hein? – para mim, há um descompasso entre o que sabemos e o que colocamos em prática, em nosso estilo de vida. E isso está fazendo toda a diferença.

Acompanhe-me: todos nós somos o resultado de um longo processo evolutivo. Desde a diferenciação de um grupo de primatas em uma linhagem diferente, ocorrida há 6 ou 7 milhões de anos, no noroeste da África, ou mesmo o surgimento do homo sapiens, há 300 ou 400 mil anos, no mesmo continente, a genética de todas as espécies que nos geraram foi sendo talhada, esculpida, pelos ambientes em que viveram. Processos de mutação gênica foram consolidados em características adaptativas importantes, quando submetidas à seleção natural. Trocando as palavras, o DNA de todos os seres vivos sofre alterações, que chamamos de mutações, que podem ser benéficas ou não. Quando essas mutações geram características físicas superiores, vantajosas para a espécie, elas acabam sendo consolidadas e passadas adiante. Foi assim, num longo curso de milhões de anos, que deixamos as florestas e savanas africanas e partimos em foguetes rumo ao espaço. Milhões de anos.

Isto significa que as mudanças genéticas que resultam em hereditariedade, em características transmitidas às próximas gerações, demandam longos períodos de tempo para se consolidarem. Longos períodos de tempo. Esse é o ponto crucial, fundamental, essencial. O mundo está se transformando muito mais rapidamente que nossa capacidade biológica de nos adaptar a ele. Esse é o descompasso que falei há pouco. Vou te explicar, logo em seguida, que o grande problema está no fato de que todos, – todos -, temos todos um ‘corpinho de 20 mil anos antes de Cristo’ e o estamos forçando a viver em um mundo 2 mil anos depois de Cristo. Em síntese, é isso.

Eu acordei para esse fato há pouco anos. E mudei pontos importantes da minha vida. Tenho 57 anos, e minha idade biológica beira os 30. Quer dizer, cronologicamente, tenho quase 6 décadas de vida, mas meu corpo tem a vitalidade de um jovem com metade dessa idade. Milagre? Não. Conhecimento. Meu papel agora, é fazer você também acordar para este fato! Porque isso vai mudar a sua vida. Estou falando sério, não é uma aposta, um palpite. É uma certeza.

Trata-se de como a vida tem de ser vivida para que aproveitemos ao máximo nossos potenciais, para que superemos os desafios físicos e mentais, para que vivamos na plenitude, na totalidade do que é possível, para que aliviemos os sofrimentos. Você me acompanha? Este é um artigo longo, mas espero que seja cheio de boas surpresas, de novidades, de coisas que você nunca imaginaria, e que eu consiga ter a sua atenção até o final, porque a qualidade da sua vida, a partir deste conhecimento, pode se elevar a um patamar que você nunca imaginou. Minha intenção, meu objetivo, ou melhor, o que eu espero de você, é ação. Espero conseguir fazer você entender o funcionamento do seu corpo, de sua mente, de suas emoções, a mecânica de seus pensamentos e ideias, de como tudo isto se manifesta na sua vida atual. E, principalmente, que você, através da autorreflexão, seja capaz de mudar o que tem de ser mudado. Compreenda que você pode ajustar a sua vida, tomar atitudes certas que vão alterar somente os pontos mais importantes, e assim garantir mais qualidade de vida, mais longevidade e mais autossatisfação. Como eu fiz.

É uma jornada, não uma pílula mágica.

ENTENDER COMO A HUMANIDADE CHEGOU ATÉ OS DIAS DE HOJE NOS AJUDA A ENTENDER CADA UM DE NÓS

A humanidade é um milagre per se. A forma como evoluímos está muito distante de nossos conterrâneos ao longo desta era. Nenhum outro animal ou espécie viva evoluiu para ganhar consciência plena, só a nossa, somos “homo sapiens sapiens”. Do latim, homo sapiens, homem sábio. Somos os mais sábios de todos, segundo a filogenia. Será? Outras espécies de seres humanos, também conscientes, ficaram pelo caminho, como a neandertal, extinta há pelo menos 25 mil anos, até mesmo os “homo erectus”, uma das espécies humanas mais antigas, extintos entre 120 e 180 mil anos. Sim, eles também tinham consciência, produziram algum tipo de cultura.

O Homo Sapiens surgiu na África entre 300 e 400 mil anos, mas iniciou seu processo de migração para fora do continente por volta de 90 mil anos atrás, na sua versão ‘mais moderna’. O número total de indivíduos das espécies humanas permaneceu estável – cerca de 1 milhão de pessoas em todo o mundo – até o início da revolução agrícola, que ocorreu há aproximadamente 10 mil anos. Com o crescimento da produção agrícola e o avanço das cidades, a população mundial, aproveitando uma ampla disponibilidade de recursos, chegou a 5 milhões de habitantes entre 5 e 8 mil anos atrás. No ano 1 da era cristã, a população mundial já era de 170 milhões. Ou seja, multiplicou-se por 170 em pouco mais de 5 mil anos. Isto foi incrível. Mil anos depois, tinha dobrado. Por volta do ano 1.350 d.C., houve uma primeira queda significativa na população devido à peste bubônica. Mais 100 ou 150 anos depois, éramos 450 milhões de pessoas. Por volta de 1.800, com o início da Revolução Industrial e Energética, a população mundial chegou a 1 bilhão de habitantes. Ou seja, demorou 300 mil anos para a humanidade atingir a marca emblemática de 1 bilhão de pessoas. 300 mil anos. Já a marca de 2 bilhões foi atingida em 1927. Os 3 bilhões em 1960, 4 bilhões em 1974, 5 bilhões em 1987, 6 bilhões em 1999, 7 bilhões em 2011, 8 bilhões agora, em 2023. Assim, a humanidade tem adicionado 1 bilhão de habitantes no planeta a cada 12 ou 13 anos.

Sabendo desses números, fica a pergunta: como isto foi possível? A vida nas savanas africanas era duríssima, o ser humano não estava no topo da cadeia alimentar, coisa que só aconteceu muito, muito recentemente, com o advento de alguma tecnologia, mesmo que rudimentar, como lanças, facas de pedra e ossos, arcos e flechas, e o aprimoramento do seu uso, com estratégias de caça. A revolução agrícola – caracterizada pela domesticação de plantas e animais, portanto, engloba a pecuária – possibilitou o primeiro grande crescimento populacional. O segundo grande crescimento veio com outra revolução – a científica, com a produção da penicilina em escala e as vacinas. Veja, peste negra, cólera, tuberculose e tifo, juntas, mataram mais de 1 bilhão de humanos ao longo da história. Claro, outros fatores que impeliram o crescimento poderiam ser colocados aqui, por exemplo, a formação das cidades, que deu outra dinâmica às populações humanas, mas meu interesse em particular está na genética. A genética é a base para a compreensão da evolução humana, pois ela mapeia a transmissão de características de um organismo aos seus descendentes, e hoje temos a paleogenômica, o campo que estuda a reconstrução e análise de informação genética de espécies extintas. Há também a paleogenômica antropológica, que tem o objetivo de reconstituir o genoma do homem pré-histórico. Por que isso importa?

A PALEOGENÔMICA ANTROPOLÓGICA NOS DIZ ONDE, COMO E QUANDO EVOLUÍMOS. O PROCESSO CONTINUA? A EVOLUÇÃO? AINDA ESTAMOS EVOLUINDO?

Muito embora a humanidade esteja envolvida em criar métodos e tecnologias que permitirão a extensão da vida humana, a relação do ambiente com a genética, hoje, ainda é fundamental.

Eu preciso esclarecer a você esses 2 conceitos: genética e epigenética, e em como eles estão relacionados. Você já deve saber, a genética é a ciência da hereditariedade, ela estuda os genes, como eles transmitem as informações e como elas são passadas adiante, para a próxima geração, por meio da reprodução. A informação genética contida no DNA é denominada genoma, ele é organizado em cromossomos. Nossos cromossomos têm 46 pares de genes, carregam, então, todas as informações relativas às nossas estruturas fisiológicas, nossas características físicas particulares. Já a epigenética é a área da biologia que estuda as mudanças que ocorrem em nossas características observáveis, que são produzidas pelas interações com o meio ambiente que causam mudanças na expressão de nossos genes. Tudo isso parece meio confuso? Vamos facilitar um pouco. Vou tentar melhorar a explicação. Vamos dizer que você herdou de seus pais um gene que causa câncer nos pulmões. Ele está lá, quieto, inexpressivo. Em algum momento de sua vida, você começa a fumar, com o passar do tempo, esse hábito ruim, as substâncias químicas tóxicas do cigarro acabam afetando suas células, e agora você acordou o gene do câncer de pulmão. Então, agora, você desenvolve a doença. Por outro lado, vamos dizer que você sempre manteve bons hábitos e permaneceu distante do cigarro durante toda a vida. Esse gene permanecerá inativo, e você não irá desenvolver a doença. Isto é epigenética. Compreendeu?

Alguns geneticistas afirmam o seguinte – é melhor você prestar atenção aqui: entre 6 e 15% de todas as doenças têm manifestação eminentemente genéticas. Quer dizer, há doenças das quais nós não escaparemos, se tivermos os genes referentes a elas. Mas, por outro lado, entre 85 e 94% das doenças que desenvolvemos ao longo da vida têm origens epigenéticas, ou seja, motivadas por nossa relação com o ambiente em que vivemos e nosso estilo de vida. Veja bem: estilo de vida.

Os conceitos mais importantes eu já detalhei pra você. Agora, vamos avançar em meu ponto de vista, ok? Vamos lá. Mas na parte 2. Até já novamente.

Leia a PARTE 2

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