#CRISENACARREIRA

Como Você Enfrenta a Crise?

Em algum momento de sua vida, você enfrentou ou enfrentará uma crise. Financeira, emocional, estrutural, existencial, de saúde. Mas as crises não existem “fora de nós”, e sim “em nós”. Elas são uma leitura mental complexa que fazemos de uma situação específica com a qual não sabemos lidar ou que está fora de nossa zona de conforto, causando uma séria frustração e, por isso, muita ansiedade. Eu sou Eduardo Amaral, empresário da área de comunicação há 30 anos. Hoje vim trazer a você um pouco da minha experiência de bastidores, daquilo que aprendi indiretamente, durante minha vivência em diversos desafios. Nos últimos tempos, tenho observado amigos, colegas de trabalho e, principalmente, clientes, reclamando da crise por que passa o país, numa leitura mista de resultado econômico inconsistente e falta de moral e ética em todos os âmbitos institucionais. A cada vez que abrimos o jornal, assistimos ao telejornal, vemos um post nas redes sociais, conversamos em uma mesa de bar, acabamos por redundar na ideia coletiva de que tudo está ruim. Pois é, eu também acho que está. Mas o quanto isso afeta você? O quanto você se deixa afetar? Vamos olhar mais especificamente para os que estão sofrendo realmente uma crise. Nas últimas semanas, quatro ou cinco pessoas próximas relataram estar passando por severas dificuldades em seus negócios, agravadas pela pandemia. Clientes sumiram, projetos foram cancelados, estruturas tiveram de ser encolhidas, enxugadas e ainda assim estão mergulhados em um redemoinho de problemas. O dinheiro sumiu! E, se nas empresas isso é preocupante, em casa, que deveria ser um ambiente acolhedor para quem sofre no trabalho, a situação é pior, uma insatisfação que contamina toda a família. Minha vida profissional, olhando as últimas décadas, também foi marcada por altos e baixos. Também sofri problemas agudos em que decisões difíceis tiveram de ser tomadas. Apesar de indesejável, acho que esses ciclos fazem parte da carreira de todo empreendedor. Na década de 1990, minha experiência como empresário ainda não tinha saído das fraldas quando um grande cliente – o maior da nossa pequena carteira da agência de propaganda recém-aberta – resolveu nos passar uma rasteira. Pior, uma rasteira lastreada por contrato. Quando se é jovem e solteiro, tudo é mais fácil, mas não menos duro. Dediquei todos os dias da semana, de domingo a domingo, 16 horas por dia, administrando problemas, trabalhando insanamente, me alimentando mal, para descobrir rapidamente que, em alguns casos, o fundo do poço ainda lhe oferece 3 subsolos. Uma verdadeira montanha russa. Ou uma “roleta russa”. Depois de um longo período de recuperação financeira, daquela época para cá, plantei a semente de um novo modelo de negócios para a empresa, reduzi o portfólio de serviços focando no que era melhor e mais rentável, desenvolvi processos internos mais inovadores e produtivos e consegui colher certa estabilidade. Nem aplicando essa razoável fórmula empresarial escapei de outras confusões. Em duas décadas, confesso que aprendi ótimas lições, que agora eu divido com você.
“Ninguém escapa da evolução”, dizia o título de um anúncio criado por um ótimo redator com quem fiz “dupla de criação”. É a pura verdade.
Uma lei universal. Aliás, se você não estiver atento, será atropelado por ela, pela evolução. Por exemplo, o que era analógico tornou-se digital. Quantas empresas não foram ágeis o suficiente para se reinventarem ou entenderem que deveriam se adaptar às mudanças? Por isso, a alusão: uma empresa é como uma pessoa que tenta subir uma escada rolante que desce continuamente. Para se manter no mesmo lugar, é necessário estar sempre subindo os degraus, mantendo o ritmo, inovando. Para avançar e chegar lá em cima, deve-se dispender um esforço mais intenso. Experimente parar para descansar um pouco e em breve se verá lá embaixo novamente. O mercado não permite “cochilos”. Se essa é uma regra geral, se as coisas são como são, adianta lutar contra? Não. É energia desperdiçada, leva a mais tensão, a mais frustração. Esse é um aspecto que pode detonar uma crise. Portanto, se você é um gestor, gerente ou responsável por toda uma área sensível na empresa em que trabalha, fique atento, mexa-se, suba os degraus com intensidade. Naqueles meus dias de reinvenção, de superação, de trabalho duro, descobri logo que eu deveria descansar sempre que possível. Ou, no mínimo, dormir à noite. Quando você consegue repor suas energias, luta de igual para igual contra as adversidades. Mas, à noite, ao colocar a cabeça no travesseiro, centenas de pensamentos inoportunos tentam manter nossa atenção presa aos problemas. Isso não tem controle. Quem faz meditação, ioga ou conhece outra técnica avançada de relaxamento sabe que os pensamentos são produzidos com uma insistência proporcional à nossa vontade de fazê-los desaparecer. Então, eu desenvolvi uma técnica baseada em pura observação. Acompanhe este raciocínio simples. Quando estamos envolvidos na leitura de um livro de ficção, costumamos criar mentalmente os ambientes, personagens, situações. E passamos a vivenciá-las. O tom, a intensidade da narrativa e a qualidade do texto nos induzem a experiências internas, mentais. Dependendo da habilidade do escritor, essas experiências ganham contornos quase reais que nós respondemos com estados alterados de humor. Eu já comentei em outro artigo que nosso cérebro não consegue separar realidade da imaginação, ou seja, em um cenário real ou fictício, as mesmas regiões cerebrais são ativadas. Portanto, terror, apreensão, suspense, leveza, amor, paixão, ternura, amizade, tudo pode ser recriado através de uma indução direta da mente, em nosso “corpo emocional”. Veja um exemplo – no cinema, os filmes nos atingem objetivamente, criam sensações sem a necessidade da imaginação, pois as cenas são literais. Através dessa premissa, sob hipnose, é bastante provável que você acredite e vivencie situações comandadas pelo hipnotizador com um grau excepcional de realidade interna. Por isso, essa técnica terapêutica é usada em casos radicais, no tratamento de fobias, manias, ansiedade, traumas, com resultados muito eficientes. Vamos lá. Se você está sofrendo em um momento de crise, ou dorme como um bebê recém-nascido, quer dizer, chora de 4 em 4 horas, vamos direto ao ponto, à técnica simples que desenvolvi. Tente o seguinte à noite, ao deitar a cabeça no travesseiro… Quando seus pensamentos se multiplicarem à procura de soluções para seus problemas, pense duas coisas: Primeira – você terá todo o dia seguinte para encontrar uma saída, um ponto de fuga, uma recriação, uma reinvenção. Lembre-se de que é pouco provável que você possa fazê-lo deitado, no meio da noite, sem os recursos do seu ambiente de trabalho; Segunda – após “comprar” a primeira ideia, repita mentalmente: “a mente vazia não cria emoções”, “a mente vazia não cria emoções”, “a mente vazia não cria emoções”… Faça com tranquilidade, mas seja firme! É um mantra poderoso esse. Não deixe que os outros pensamentos lhe assaltem, e, quando o fizerem, volte ao mantra, repetindo seguidamente “a mente vazia não cria emoções”! Em breve, você cederá naturalmente ao cansaço, terá uma noite de sono mais tranquila e acordará com melhor disposição. Aí, então, sim, vá à luta! A grande questão continua depois das boas noites de sono reconquistadas: o que fazer em meio à crise? Como superá-la? Bem, cada crise tem uma origem, um desdobramento, características próprias, duração incontrolável, vertentes às vezes insólitas. Portanto, não posso aconselhá-lo quanto ao que fazer, mas posso lhe oferecer um novo questionamento de como enfrentá-la através de mais uma metáfora.
Há apenas 2 formas de se enfrentar uma crise
“Imagine que a crise que você está vivenciando é como um prato intragável, repugnante, asqueroso, mal cheiroso, que deve ser consumido todos os dias, obrigatoriamente. Não há como escapar. Então, como fazê-lo?” A resposta é que há duas formas de ingeri-lo. Você pode comê-lo rindo ou chorando. Rindo ou chorando. Não há outra perspectiva. Portanto, há duas formas objetivas de você enfrentar seus problemas e sua crise: rindo ou chorando. É muito comum olharmos para nossos esforços, para nossa dedicação passada, nosso trabalho intenso, nosso desejo de vencer, de ter sucesso, e questionar o que está ocorrendo sob uma perspectiva injusta. Você não merece nada disso, certo? Talvez. Mas lembre-se que tudo o que você sabe, tudo o que você conheceu, aprendeu, descobriu, vivenciou, definiu, decidiu e aplicou em seu negócio ou em sua carreira levou-o aonde está hoje, à essa situação! Traçando outro paralelo, de forma também figurativa, nenhuma tempestade acontece de imediato – primeiro há a mudança de temperatura, de pressão, de umidade, depois começam os ventos, as formações adensadas de vapor ganham quilômetros de altura, ficam escuras, cospem raios, tudo num processo declarado, visível, previsível. Ou seja, declaradamente, o culpado pelas nossas crises, em grande parte dos casos, somos nós. Vivemos o reflexo ou os desdobramentos de nossas decisões, passadas ou presentes. Nestes casos, a última coisa que você deve fazer é se enxergar como vítima. Ter pena de si mesmo ou achar que ao final das contas haverá uma recompensa por todo esse seu sofrimento impedirá de você reconhecer o maior benefício a receber por tudo isso: o aprendizado real, verdadeiro. Pense comigo: escola convencional boa geralmente é paga. A escola da vida cobra caro, mas não em dinheiro vivo. Já é uma vantagem. Na escola convencional, você aprende uma lição e depois é posto à prova. Na escola da vida, você é posto à prova e depois aprende uma lição. Para evoluir – já que “ninguém escapa da evolução” – é necessário unir, juntar o melhor das duas: ter bons professores acadêmicos, teóricos de qualidade e também viver uma vida intensa, densa, rica. Portanto, responda-me com franqueza: como você enfrentará sua crise ou sua próxima crise? Chorando? Rindo?
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