#GENERALISTA

Conhecimento – A Base da Inovação Permanente

Heráclito de Éfeso, o filósofo pai da dialética já dizia: “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Portanto, mudar é uma constante em nosso mundo e é da natureza humana. Cada nova experiência, conhecimento, vivência, reflexão, nos torna renovados, inovados.
Heráclito de Éfeso – filósofo pré-socrático (535 a.C – 475 a.C ) 
O que devemos garantir é que essas mudanças sejam benéficas – a nós e aos outros -, em uma espécie de ‘progresso permanente’. Se são poucos os que até hoje fizeram a diferença no mundo, certamente é pela falta da autoconsciência da maioria, que não recebeu incentivos, orientações ou investimentos adequados, mantendo-se alienados do próprio poder criativo e transformador. Eu sou Eduardo Amaral e há 40 anos venho construindo um histórico pessoal de estudos e autoconhecimento. Meu método é observar, conhecer, refletir, praticar e consolidar. Queria dividir com você hoje a minha perspectiva sobre a chamada inovação pessoal. Afinal, quem não quer ser uma pessoa melhor? Quem não quer ser um profissional melhor? Quem não gostaria de fazer a diferença em seu trabalho, para sua família, para sua comunidade? Pois bem. Eu acredito fortemente que somos um misto de 3 conjuntos que determinam nossa essência: 1. Nossas habilidades; 2. Nossa resiliência; 3. Nossos conhecimentos. Simples? Eu explico. No primeiro conjunto, as habilidades, são elas que definem nossas capacidades e competências, nossas qualificações. Profissionalmente, são indispensáveis para obtermos destaque na carreira. No segundo conjunto, a resiliência, estão as nossas 3 “saúdes”, alvo desta plataforma: a saúde física, a mental e a emocional. Só sendo saudável nos três aspectos é que podemos eficientemente nos adaptar às mudanças, sobrepujar os desafios e sair fortalecidos das eventuais adversidades. O terceiro conjunto é formado por outros 3 grandes grupos de domínios teóricos e práticos: o conhecimento especializado, o conhecimento generalista e o conhecimento universal. O primeiro, especializado, é adquirido na formação acadêmica e técnica, na aplicação no dia a dia, nos sucessos e fracassos ao longo da carreira. O segundo é alvo de inúmeras pesquisas e estudos atuais: um profissional generalista é aquele capaz de ser especialista em interagir com várias áreas, possui visão abrangente da profissão, da organização, do mercado, e vai além: seu conhecimento é plural, rico, lhe proporciona uma visão multifuncional, embora mais superficial. Já o conhecimento universal é aquele que advém de profundas reflexões. É um conhecimento de classe filosófica, ligado à construção de ideias e conceitos, na busca incessante pelas verdades do mundo, da vida. O que somos, por que somos? Quem se apega à metodologia filosófica tende a ser racional, sistemático, crítico. Busca a transformação da realidade, a saída de uma vida medíocre, vulgar, prosaica. Portanto, as bases são estas. Mas como tudo isso funciona? Veremos já, já. Em resumo, a inovação pessoal é uma sólida base de crescimento e evolução, constituída por um triângulo conceitual onde as suas três pontas são complementares – as habilidades, a resiliência e o conhecimento. Vamos falar das habilidades. O que é uma habilidade? É tudo o fazemos com nossa engenhosidade, destreza, capacidade. Tudo o que executamos com alguma perfeição e ligeireza. Nesse grupo estão todas as nossas aptidões, talentos natos e competências, e podem ser várias, como postula Howard Gardner, um psicólogo cognitivo famoso pela sua teoria das inteligências múltiplas. Gardner percebeu que os testes de QI não eram suficientes para descrever a grande variedade de competências cognitivas humanas – por exemplo, uma criança com alta destreza em música não é menos inteligente que outra com grande facilidade em matemática. Indo aos extremos, Machado de Assis, Tom Jobim, Aleijadinho e Pelé são expoentes brasileiros das diversas inteligências. Todos tiveram destaque em suas carreiras, dando ênfase à sua principal vocação. Aqui, fundamental é descobri-la o mais cedo possível – sua vocação. Em seguida, traçar um plano de desenvolvimento, que na maioria das vezes começa na formação acadêmica. Ela procura amplificar e aprofundar seus conhecimentos. Se o objetivo é se tornar o melhor possível naquilo que decidiu fazer, sua carreira será uma continuidade de escolhas que lhe mantenham no caminho planejado. O tempo e a prática tornarão você um profissional melhor e mais preparado. Mas o sucesso só será possível se você mantiver três características complementares: a regularidade, a intensidade e a persistência. Sem elas, você jamais chegará a ter algum destaque ou mesmo a realizar seu sonho. Regularidade é manter o ritmo de forma disciplinada. Intensidade é a força e a paixão com as quais você se dedicará a realizar. E a persistência é a firmeza com a qual superará todos os altos e baixos, mantendo a intensidade mesmo no longo prazo, garantindo o ritmo. Mas, e suas outras habilidades, além da vocação, não contam? Sim. E muito. Vamos tratar disso agora. Sucesso na carreira pode ter vários significados, é algo muito pessoal, cada um de nós pode ter uma perspectiva muito diferente, flexível até, sobre o que é sucesso. Mas ele começa lá atrás, na definição, no encontro de nossa real vocação. Ainda jovens, tendemos a seguir um caminho diferente de nossos pais, irmãos, amigos. Ou não, e descobrimos que temos uma vocação ancestral, herdada de pais e avós. A partir daí, planejamos um caminho a seguir, apostando todas as nossas fichas na atividade ou profissão cuja promessa básica é nos realizar como profissionais, cidadãos e mesmo como seres humanos complexos que somos. Tendemos a concentrar recursos e oportunidades nesse sentido único, nesse funil. Em algum momento, o sucesso virá, na forma de realização pessoal e financeira. Sucesso, em rápidas palavras, é alcançar os seus objetivos. De novo, basta ter regularidade, intensidade e persistência. Essa fórmula realmente trouxe a felicidade para um sem-número de pessoas, por todo o mundo. Olhando para trás, na história, há centenas de milhares de casos registrados, de exemplos a serem seguidos. Mas, e olhando para o futuro? O que vemos?
Processos sociais mais complexos, relações comerciais mais dinâmicas e abrangentes, disrupção em várias áreas, desaparecimento de profissões, surgimento de novas. Eu enxergo um mundo em que as mudanças estão se intensificando. Em breve, teremos de criar soluções para os problemas que ainda nem imaginamos.
Isto significa que aquela sua habilidade principal, transformada em sua vocação, sua aposta franca, terá de ser substituída rapidamente. Talvez não se trate de algo tão radical, como mudar de profissão ou de segmento de atividade. Mas de desenvolver novos conhecimentos para surfar a onda das mudanças. Tudo isso se aproveitando de suas outras habilidades, evidentemente. Hoje, sociólogos e teoristas estão especulando sobre a amplificação do foco de conhecimentos: de evoluirmos de especialistas para nos tornarmos generalistas. Ou seja, de ampliarmos as áreas em que nos distinguimos, avançando para um novo patamar, mais completo e complexo, atendendo às próximas prováveis necessidades. E aqui eu volto a Howard Gardner e sua teoria das inteligências múltiplas. Todos temos alguns outros potenciais adormecidos além da nossa vocação principal. Ou potenciais não ativados, por conta das oportunidades que abraçamos ou das decisões que tomamos ao longo da vida. Por isso, o conselho que lhe dou é: mantenha sua mente aberta e aprenda algo novo todos os dias. Crie o hábito da curiosidade, dê-se a oportunidade de descobrir coisas novas. Sob todos os cenários, isto fará de você um profissional melhor ou uma pessoa bem mais interessante. Então, eu pergunto: você é especialista ou generalista? Essa pergunta é a ‘bola da vez’ nos centros de estudo de potenciais humanos, de recursos humanos, no mundo corporativo. Duas perspectivas me fazem questionar o porquê desses conceitos serem tratados como distintos, às vezes até antagônicos. Quer dizer, ou você é um ou você é outro. Ou você é especialista ou é generalista. Em primeiro lugar, acredito, temos uma questão física – o tempo. Ele é algo comum a todos, e tem caráter excepcionalmente inflexível e irreversível. Em todo o mundo, um dia tem exatas 23 horas, 56 minutos, 45 segundos e meio. Enquanto estamos juntos, aqui, os segundos vão se sucedendo, é o ritmo. O tempo não para. Ele continua implacável apesar de todos os esforços, desejos, pedidos e orações que façamos ao universo. É inflexível. Você não pode chegar em um ponto de sua vida e optar por uma nova escolha em seu passado, voltar no tempo e preferir algo diferente, como uma outra profissão. Tempo é irreversível. Já foi. Então, todos destinamos o uso de nosso tempo em algo que não tem volta. Por definição, “tempo é o único bem irrecuperável”, como bem disse Napoleão Bonaparte. Ao escolhermos uma profissão, sabemos que, quanto mais profundo formos no conhecimento que a cerca, melhor. Mais assertivos seremos, mais destaque teremos em relação aos que sabem menos. Dedicamos um longo tempo, de forma metódica, à carreira. Quer dizer, nos tornamos especialistas por sermos racionalmente rigorosos e sistemáticos, investindo ou apostando todo o nosso tempo. Em 15, 20 ou 30 anos de estudos aliados à prática, nos tornamos uma referência. Em um longo período, todo estudioso e praticante irredutível torna-se um excepcional especialista. Esta é, portanto, uma das duas perspectivas do porquê se separar especialistas e generalistas. É a primeira. Agora, vamos à outra, à segunda. O que é conhecimento? Por conceito, conhecimento é a somatória do que se conhece. É o conjunto das informações e princípios armazenados e compartilhados pela humanidade. É o domínio, a consciência e ciência das coisas que nos cercam. Portanto, é finito sob certo sentido. E dinâmico, sob outro. Significa que tudo o que sabemos é uma fração do que ainda descobriremos. Agora, perceba que, se conhecimento é um recurso finito, pode ser também um produto administrável. Produtivamente consumível e administrável, o que nos abre as portas para a generalização. Por mais que a humanidade produza dados e informação, o novo conhecimento exige também coerência, organização das ideias, prova e contraprova, exige aderência ao que já se sabe para ser universalmente aceito. Como já comentei, os que se dispuseram a estudar e a desenvolver profundamente um tema, uma área específica, chamamos de especialista. O profissional que possui uma visão mais ampla dos objetivos de uma organização, que possui um pensamento mais estratégico e uma visão global, é um generalista. Sua dedicação em ampliar esta visão macro é seu objetivo contínuo. Generalistas acabam se tornando CEO das organizações. Compreendem a sinergia de áreas tão diversas quanto finanças, operações, TI e recursos humanos. Iniciam a carreira como um especialista, mas habilidades como liderança, gestão e administração logo dão um outro sentido à carreira. É natural, portanto, que os especialistas sejam em número maior que generalistas em uma empresa, pois os cargos gerenciais são em menor número. Dito isso, vamos voltar aos desafios modernos. Principalmente, ao desafio do futuro ambíguo, improvável, imprevisível. O futuro e os próximos cenários vão exigir dessas duas classes de profissionais – especialistas e generalistas, algo mais, algo além. Vão exigir uma nova lógica de atuação. A tendência é que os especialistas se abram para o pensamento estratégico e visão mais global e, em algum momento, essa amplitude de conhecimentos os transformará também em ótimos administradores. Ou em profissionais exponencialmente mais adequados às suas funções! A nova era da inovação contínua forçará as empresas a terem uma organização de recursos humanos mais avançada, com times mais autônomos, com mais acesso à aprendizagem organizacional. Os especialistas do futuro saberão mais que seus chefes atuais em termos de gestão. Silenciosamente, as parcerias, as joint-ventures, as plataformas de conhecimentos múltiplos e acessíveis, elas já vêm transformando mercados e empresas. Os generalistas como conhecemos hoje vão desaparecer. As carreiras de sucesso serão construídas por especialistas em constante aprendizagem e amplificação de suas áreas de conhecimento. Seremos todos multiprofissionais. Isso está lhe perturbando? Essa ideia lhe provoca desânimo? Não se preocupe. Posso afirmar que você tem todos os recursos internos e condições para essa mega atualização. Mas, antes de avaliarmos nossos recursos internos e nossa capacidade de desenvolver habilidades latentes, vamos entender um pouco mais a natureza dos três níveis de conhecimento que eu postulei aqui: o conhecimento especializado, o geral e o universal. Eu os coloco dessa forma – em uma escala hierárquica que se inicia no específico e chega ao absoluto, ao essencial. Em um mapa do tempo, eu definiria o primeiro como quase efêmero e o último transcendente, atemporal. Em um gráfico, seria o seguinte: uma pirâmide de base larga: embaixo está todo conhecimento especializado do mundo, e no alto, o universal. Tudo o que sabemos é resultado de nossas experiências, que se iniciam em nossas percepções, sensações e constantes análises que formam nosso repertório interior. Ao abraçarmos uma profissão – médico, professor, cientista, engenheiro, programador, qual for -, a profundidade na qual nos imergimos nos assuntos relativos a ela, a intensidade dos estudos e das aplicações práticas nos transformam em um especialista. Olhando para trás, ao longo dos tempos, as divagações e teorias sobre a natureza das coisas e ao funcionamento de tudo o que era observado deram lugar à tecnicidade e à metodologia científica. Na medicina, por exemplo, as dissecações feitas pelos gregos 400 anos antes de Cristo apontavam que os nervos – sensitivos e motores, estavam ligados ao cérebro, e que este era reconhecidamente a sede da inteligência. Mas, só muito recentemente, com a ajuda de microscópios eletrônicos e equipamentos de ressonância magnética é que avançamos para o entendimento efetivo do funcionamento do cérebro e suas microrregiões. Ainda assim, estamos longe de entender o mecanismo de nossos pensamentos. Você percebe, portanto, a dinâmica do conhecimento especializado? Ele evolui com o tempo. Se superpõe. Às vezes, se contrapõe, como Galileu e Copérnico fizeram na astronomia. O próximo degrau no conhecimento é o ‘geral’ -, ou seja, o conjunto do que se sabe efetivamente e foi consagrado como verdadeiro. Aqui está tudo o que exprime a conformidade com a realidade, as teorias comprovadas há muito tempo, as bases sólidas do que é permanente, estável, definitivo. É um conhecimento não sujeito às mudanças de suas bases de estudo ou à transitoriedade do conhecimento especializado. É tudo o que nos dá segurança para vivermos e tomarmos decisões. Se nos aprofundamos nesse tipo de conhecimento, mais do que datas, fatos, regras e ocorrências, acabamos por dominar as concepções, a compreensão superestrutural. Por exemplo, você não precisa ser médico para dominar o conceito de vida humana, dos fatores que podem estender ou abreviar nossa existência – alimente-se bem, tenha bons hábitos, pratique atividades físicas e terá uma vida mais longa. Recuse esse estilo de vida e morra mais cedo, simples assim. É um conhecimento já consolidado, não precisa de comprovações técnicas adicionais. Por último, temos o conhecimento universal. Um conjunto total e eminentemente abstrato, formado por ideias e concepções acerca dos porquês humanos: o que somos? Por que somos? Qual o sentido de nossa existência? O que seremos em mil ou dois mil anos? O que é a humanidade em um amplo contexto do universo conhecido? Somos tudo ou somos nada? Senhores da cognição – os únicos seres inteligentes em mais de 93 bilhões de anos-luz do espaço sideral ou somos pó? Filósofos, religiosos, ocultistas e pensadores, em todas as épocas conhecidas, em todo o mundo, convergem a um ponto – no propósito de tentar encontrar essas respostas. Viver por viver, ser o mais graduado especialista conhecido em alguma área, chegar à polimatia, ou seja, no saber mais vasto e variado possível, tudo isso não chega a nos satisfazer. Nossos espíritos têm sede por mais, muito mais. É por isso que eu acredito firmemente que você também tem esse poder, essa semente da autotransformação, da renovação, da inovação contínua. E por isso a resiliência é tão importante! Reflita aqui – como você encara um longo desafio no trabalho? Como você encara uma crise financeira? Como você encara um problema pessoal ou familiar? Você é uma pessoa resiliente? Estamos em uma era profundamente marcada pela velocidade dos acontecimentos, das mudanças, de forma contínua. Os ciclos de transformação estão cada vez mais curtos. Tecnologia e tendências novas transformam empresas, hábitos corporativos e a forma como trabalhamos, fazemos negócios e como vivemos. Embora pareça uma conjuntura positiva, tudo isso é absolutamente estressante, pois nos coloca à prova permanentemente. Esta nova realidade impõe às pessoas, aos profissionais e colaboradores das empresas um cenário de frustração, de estresse e vulnerabilidade. Mas não somente aos subordinados. Os gestores e empresários também sofrem de uma crescente ansiedade. Enfrentam a necessidade de serem mais rápidos e precisos em suas decisões, principalmente em períodos de competição anabolizada pelas crises. Esses cenários adversos são especialmente propensos a descortinar o que chamamos de resiliência. A resiliência é uma expressão migrada da física para as ciências humanas – é a capacidade para enfrentar e superar adversidades, ou a capacidade de se recompor facilmente. Uma habilidade psicológica para se adaptar aos infortúnios ou às mudanças repentinas e incontornáveis. O que descobri é que a resiliência é em parte um atributo da personalidade. Quando ativado, ele possibilita a criação de um senso de autoproteção, de autoconfiança, de renovação. Mas isto só é possível quando temos saúde mental, ou seja, quando nossos pensamentos estão sob o controle de uma certa racionalidade e não reféns das nossas emoções. Portanto, a resiliência só é possível quando, além da saúde mental, temos uma sólida saúde emocional. Veja, quando cedemos aos problemas, à ansiedade e à frustração, uma grande quantidade de cortisol – o hormônio do estresse – é permanentemente injetada em nossa corrente sanguínea, causando não só um desequilíbrio mental e emocional, mas também físico. O corpo sofre! Enfim, a resiliência só é possível também quando também temos saúde física. Acha tudo isso um pouco distante de sua realidade, do seu dia a dia? Quer dizer, acha difícil controlar integralmente o seu tripé de saúde? Eu vou lhe mostrar como isso é possível, ao longo do projeto ‘Cuide de Sua Vida’. Pense em uma extraordinária máquina orgânica, pesando entre 1 quilo e 200 e 1 quilo e 400 gramas, que processa praticamente tudo – automaticamente – para você poder viver seu dia da forma mais confortável e econômica possível. Esta máquina é o cérebro, uma junção de estruturas distintas que foram sendo ‘adicionadas’ de acordo com as necessidades evolutivas, ao longo de 4 milhões de anos. Os então hominídeos, nossos ancestrais lá atrás, possuíam as partes básicas que cuidam do comportamento voltado à sobrevivência, como a fome e o impulso sexual. Eles também deveriam ter uma estrutura rudimentar dos centros mais altos do cérebro, envolvidos no processamento emocional – como o hipocampo e a amígdala. Com o tempo, foi se avolumando o córtex, hoje complexo e gigantesco, responsável pelos pensamentos lógicos e abstratos e pela linguagem. A interação entre as regiões mais antigas e as mais novas do cérebro é o que faz de nós o que somos hoje. Há cerca de 300 anos estão os primeiros registros de estudos sobre a saúde mental. Ela está diretamente relacionada às funções cerebrais, pois é ele, o cérebro, que comanda e coordena nossos atos, pensamentos e emoções. Este é um assunto tão vasto e complexo que será impossível abordarmos todas os aspectos relevantes aqui, agora. Vamos fazê-lo ao longo de vários vídeos aqui na plataforma, ok? No conceito de saúde mental descreve-se um nível de qualidade cognitiva e emocional que inclui a nossa capacidade para apreciarmos a vida, buscando um equilíbrio entre atividades e esforços para se atingir a resiliência. Aliás, há uma tênue diferença entre saúde mental e saúde emocional. Nós trataremos disso um pouquinho mais adiante. Por ora, vamos continuar no cérebro e a manutenção de sua saúde. É o básico, o ponto inicial da jornada rumo à resiliência. Pois bem. Você trata bem seu cérebro? Se o cérebro é um instrumento poderoso e sensível, como podemos cuidar para que ele se mantenha sempre afiado e saudável? Vou lhe dar 3 recomendações e explicar rapidamente cada uma delas. A primeira: beba muita água, pelo menos 2 a 2,5 litros por dia. A base da atividade cerebral é elétrica. Em nosso organismo, isso ocorre na presença de sais diluídos em água. Beber pouca água reflete diretamente em várias atividades metabólicas e impacta profundamente no cérebro, diminuindo a função cognitiva. A segunda recomendação: faça exercícios aeróbicos. Mantenha a intensidade, sempre. Andar, correr ou praticar ginástica, procurando suar bastante. Isso protege seu cérebro. Cérebro precisa de oxigênio. Ele consome 20% de tudo o que é inalado. A terceira recomendação é… muito poderosa: medite. A meditação, do tipo relaxamento associado à contemplação interna pode transformar o cérebro. A prática faz crescer o tecido cerebral, melhora o humor e nos deixa mais resilientes. Ela envolve a metacognição, que usa o córtex pré-frontal, mas também ativa o cérebro inteiro, acessando experiências sensoriais e emocionais, impulsionando as partes mais novas e as mais antigas do cérebro. Pense em seu cérebro como um atleta. Com os cuidados corretos, pode-se extrair dele o máximo desempenho. Veja só: em um estudo realizado na Universidade de Harvard, participantes que meditaram por 40 minutos diários (em duas sessões de vinte minutos) apresentaram o tecido do córtex, a massa cinzenta, mais espesso nas áreas responsáveis pela atenção, pela tomada de decisões e pela memória de trabalho, quando comparado a quem não meditava. Um outro estudo verificou que oito semanas de meditação do tipo atenção plena – a chamada mindfulness – aumentava a densidade da massa cinzenta em várias regiões e também no hipocampo, envolvido na aprendizagem e na memória, e reduzia a densidade da massa da amídala – estrutura que desempenha um papel significativo no estresse. Também surgiram como resposta à meditação mudanças fisiológicas e bioquímicas que permaneceram muitas horas depois de terminada a sessão, proporcionando sensível melhora na saúde do praticante. Você medita? Não? Então, não sabe o que está perdendo. Diversas técnicas foram criadas e aprimoradas nos últimos milhares de anos – da yoga à meditação transcendental, da alfagenia ao mindfulness. Técnicas que foram exaustivamente testadas em laboratório, e cujos benefícios estão amplamente difundidos por toda a internet. Para mim, meditar é um dos segredos da saúde cerebral, a base de nossa resiliência. Nos últimos anos tenho me dedicado a este assunto – a saúde do cérebro – como ponto de partida para meu processo de inovação pessoal. Descobri coisas interessantíssimas, como os estímulos à criação de novas células nervosas. Nosso cérebro, portanto, pode ter intensa atividade de renovação estrutural. Este são fenômenos chamados neuroplasticidade e neurogênese. A neurogênese, apesar de não muito significativa em termos quantitativos, ocorre principalmente no hipocampo, uma estrutura no centro do cérebro muito importante para o aprendizado, a memória, o humor e a emoção. A neurocientista francesa Sandrine Thuret, num amplo estudo verificou, sem novidade para nós agora, que a atividade física aeróbica impacta positivamente a neurogênese. E o que você come também tem efeito na produção de novos neurônios no hipocampo. Uma dieta com restrição calórica de 20% a 30%, aumenta a neurogênese. Um jejum intermitente ou um longo espaço de tempo entre as refeições, aumenta a neurogênese. A ingestão de flavonóides, presentes no chocolate amargo, aumenta a neurogênese. Os ácidos graxos do ômega 3, presentes em peixes gordos de grande profundidade, vão aumentar a produção dos novos neurônios. O resveratrol, encontrado no vinho tinto, ajuda a promover a sobrevivência dos novos neurônios. Por outro lado, a ingestão de álcool diminuirá a neurogênese. Fazendo um resumo: a restrição calórica irá melhorar sua capacidade de memorizar, enquanto uma dieta rica em gordura ruim vai exacerbar sintomas da depressão. Por gordura ruim estou falando dos excessos de Ômega 6 e das gorduras hidrogenadas. Se você achar legal, vamos resumir essas recomendações para a saúde do cérebro: coma menos, procure fazer uma dieta saudável à base de frutas, legumes e peixe. Quando eu falo frutas, não estou me referindo aos sucos! Eu me dedicarei a esse assunto em um artigo exclusivo, ok? E só de vez em quando comemore todos os seus potenciais mentais recém descobertos com uma taça de vinho. Assim encerramos esse resumo sobre como tratar bem o cérebro. Agora, vamos estudar um pouco os aspectos mentais e emocionais. Saúde mental e saúde emocional. Elas fazem parte de um processo amplo, interligados de forma indissociável e de influência recíproca. Veja, uma pessoa que está sofrendo de depressão ou de extrema ansiedade tem um quadro de saúde mental alterado. Ao seu redor, as pessoas respondem a estas alterações também de forma modificada, provocando ainda mais desequilíbrio. Ter saúde mental significa aceitar de forma natural dificuldades e exigências da vida, assim como lidar bem com as emoções, boas ou ruins. Reconhecer seus próprios limites é também uma das características de quem goza de boa saúde mental. Mas saber lidar com sentimentos, conseguir se desvencilhar e superar acontecimentos ruins, também são produtos de uma boa saúde emocional. A saúde emocional é mais fácil de ser percebida por outras pessoas, uma vez que se trata diretamente da forma como lidamos com o outro. É também caracterizada pela capacidade de controlar e gerenciar as alterações de comportamento que influenciam nossas atividades cotidianas. Se você percebe que algo não está indo bem, saiba que há formas simples e práticas de se melhorar a sua saúde emocional. Em primeiro lugar, passe a monitorar suas atitudes e pensamentos. Contenha sua irritação, sua impaciência e a dificuldade em se concentrar em algo. Faça isso questionando os prováveis porquês desses comportamentos. Invista nos hábitos positivos, como comer saudavelmente e praticar atividade física, muito importante é alegrar as pessoas ao redor com uma atitude positiva. Pratique atividades prazerosas, elas estimulam a inteligência e suas habilidades sociais. Seja grato por tudo o que conquistou até aqui. Quebre a rotina. Reserve um tempo só para você. Tenha menos expectativas para evitar as frustrações e seja mais tolerante. Com o tempo, em um formidável efeito dominó, tudo isso promoverá uma saúde completa e inabalável. Física, mental e emocional. Este é o ponto de partida para sua inovação pessoal. Tenha certeza, depois de tudo o que vimos aqui, que é possível desenvolver um senso de renovação e recriação de sua própria carreira, de sua própria vida, construindo bases sólidas para impulsionar hábitos e ideias transformadoras. Você deve ter percebido que eu não gosto de verdades prontas, não gosto de ideias sem comprovação adequada. Em minha vida, testei tudo o que pude. Pus à prova meus novos saberes, minhas teorias, abracei novas ideias e abandonei crenças limitantes e invisivelmente perversas. Há um monte delas por aí. Portanto, questione sempre, acredite vendo e refletindo, mantenha a esperança. É com ela que damos o salto de fé. Use suas habilidades. Desenvolva novas. Amplifique seus conhecimentos – os especializados e os generalizados, mas busque os conhecimentos universais! Nossa vida é um sopro, viver cem anos é nada perto da idade do planeta, ou mesmo do futuro que há por vir. Por isso, dê o seu melhor, faça o seu melhor. Faça por você, faça pelas pessoas que ama, faça pelas gerações próximas. E faça tudo com regularidade, com intensidade e com persistência. Se precisar de uma luz, de um estímulo, de uma ideia nova, estarei por aqui, esperando por você. Um abraço e até o próximo artigo!
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