#INOVAÇÃO

O fracasso, às vezes, é a melhor coisa que pode acontecer a você

Um estímulo permanente de competitividade e busca pelo sucesso leva-nos a entender que o fracasso é um estigma, uma cicatriz, a marca desonrosa que devemos evitar a todo custo. Os fracassados têm de viver com seus erros ou despreparo, são mal vistos, rejeitados. Essa rejeição promove efeitos em cascata, partindo de um mecanismo psicológico de defesa: fracassados passam a não reconhecer suas insuficiências, entram em negação, fogem da responsabilidade por terem errado, vivenciam uma frustração profunda. E têm de tocar a vida adiante, agora com uma tripla responsabilidade: a de se superar, de perseguir e alcançar o sucesso.

Mas, e quando o fracasso lhe protege de um mal maior?

Há pessoas que têm esta sorte. Ela pode ser percebida e entendida na clareza do “continuum” da vida. O fracasso, enquanto lição, é muito mais poderoso que o sucesso, pois mostra as margens de suas limitações, expõe sua miopia em avaliar situações e contextos, abre espaço para o repensar, o reinventar, o reinovar. Quem passa pelo fracasso tem arestas aparadas, ganha cicatrizes psicológicas que fortalecem seus tecidos mentais. Eu tive essa felicidade.

Em 1997, em meio a uma tarde normal de trabalho, recebo a ligação de Wander, um amigo de infância com o qual eu mantinha contato com razoável frequência. Ele havia voltado da Europa com uma ideia embaixo do braço. Tinha passado por 2 ou 3 capitais turísticas e encontrou uma oportunidade que desejou dividir comigo. Sua ideia era lançar por aqui um guia de cultura e lazer nos moldes do famoso “Time Out”. Naquela época, a versão impressa desse guia era referência de qualidade e diversidade. Uma pequena revista com alta concentração de informações sobre as atrações e programação cultural.

Wander, acho que não. Por que? Avalie comigo.

Porque, em primeiro lugar, eu defendi em nossa conversa ao telefone, deveríamos concorrer com todos os grandes jornais que na década de 1990 capitaneavam o mercado, com seus cadernos de diversão. A revista “Veja São Paulo” também seria um forte concorrente, com suas edições semanais e páginas coloridas. Em segundo lugar, deveríamos montar e financiar uma equipe excelente de pesquisadores e colaboradores para trazer as novidades, levantar as programações culturais de teatros, cinemas, exposições, museus, enfim, de todo o universo cultural da maior cidade do hemisfério sul do planeta. Em terceiro lugar, deveríamos planejar e dar vida a uma extraordinária operação de produção gráfica e logística que pudesse agilmente imprimir dezenas de milhares de pequenas revistas, com as informações plenamente atualizadas e fazê-las chegar a centenas de bancas de jornais da Grande São Paulo, para serem consumidas a partir dos fins de semana. Por tudo isso, era uma ideia ruim e extravagante.

Vamos lembrar um ponto importante aqui: a internet não existia e os celulares eram tijolões, nem mesmo uma pálida sombra dos smartphones de hoje. Ou seja, a “mass media” em papel jornal dominava o mercado cultural.

Mas eu estava inserido em um ambiente cuja palavra de ordem é a criatividade, um dos pilares da inovação. Minha função era pensar o novo, avaliando as tendências e recriando as soluções. Coisa que, de fato, faço até hoje.

Liguei para o Wander e dei-lhe a notícia: “não faremos um guia em papel, como os outros. Vamos inovar! Nosso guia será em CD-rom multimídia. Venha para cá amanhã e lhe conto os detalhes”.

Em poucas horas eu lhe apresentei um rascunho do projeto, que reunia a melhor tecnologia disponível na ocasião, mais a irreverência, mais múltiplas possibilidades comerciais, mais o envolvimento de uma celebridade, culminando com a certeza de que estaríamos fazendo algo inédito em todo o mundo. Assim criamos o “FUNtastic São Paulo”, o piloto de uma operação que poderia ser franqueada para outras capitais do Brasil e também ganhar o mundo! Vamos aos detalhes.

O CD-rom multimídia ou “Compact Disc Read-Only Memory” (ou “disco compacto de memória somente de leitura”) era a evolução dos catálogos e revistas, a revolução na forma como se ouvia música e também o principal veículo para distribuição de software, substituindo os disquetes magnéticos. Quando o mercado acordou para suas centenas de possibilidades, os CD-roms passaram a ser fartamente distribuídos em bancas de jornal e livrarias, como produtos autorais, como brindes ou encartes de jornais e revistas. Foi uma febre. Todo tipo de conteúdo passou a ser distribuído naqueles disquinhos prateados.

Mas então, minha ideia era simplesmente trocar o papel pelo CD-rom? “Prensaríamos” dezenas de milhares de CD-roms por semana para se manterem atualizados e depois distribuídos? Não! Lógico que não! Por mais popular que fosse na época, a prensagem de CDs era uma operação custosa também. Portanto, eu tinha planejado mais um componente de inovação no projeto.

Em meados da década de 1990, os PCs (computadores pessoais), eram máquinas que ainda estavam na metade de sua trajetória de maturação: a cada ano novos periféricos eram adicionados, modificados, melhorados. De preço ainda elevado, chegavam vagarosamente aos lares dos brasileiros. Tinham tomado de assalto as empresas, das grandes às médias e pequenas (que fossem mais ousadas), nesta ordem. Nas casas, tinham configurações mais simples por questões de custo. Mas um novo componente estava saindo das fábricas, nativo nos PCs: a “placa de fax modem”. Através dela, usando a linha telefônica, era possível realizar a comunicação entre computadores. As placas transformavam os impulsos analógicos dos telefones em sinais digitais. E essa foi a base para nossa inovação, a possibilidade de uma comunicação entre PCs dos usuários com uma planejada central de dados.

O “FUNtastic São Paulo” era, portanto, um software gravado em CD-rom multimídia que, através da placa de fax modem do computador, se conectava à nossa central de dados automaticamente ao ser inicializado, carregava toda a programação cultural atualizada da cidade, e então permitia uma experiência de navegação rica, colorida e completa, com música, vídeos, fotos da cidade, mesclados em uma estrutura de informação organizada e intuitiva. Estava criado o mais fantástico guia de cultura, lazer e diversão que São Paulo jamais teve.

A solução para o desafio mostrou-se, portanto, bem desenhada. Agora, era colocar a mão na massa e fazer tudo acontecer. Mas nossos recursos financeiros, não muito abundantes, possibilitavam somente a composição de equipes de conteúdo e de comercialização, estavam longe de poder financiar a produção e distribuição dos CDs, além das outras operações de mercado. Precisaríamos de patrocínio, já que os “anjos investidores” e o modelo de “startup” ainda não existiam.

Em poucas semanas, o plano de negócios estava completo, rico em detalhes, oferecendo três tipos de projeções-padrão: otimista, realista e pessimista. No pior dos cenários, empataríamos o investimento patrocinado com os altos custos, apostando em uma cultura multimídia que tinha tudo para se fortalecer com o tempo e aumentar a base de usuários.

Durante os seis primeiros meses, trabalhamos em três frentes distintas: 1ª – o conteúdo era pesquisado, catalogado e constituído por uma equipe dedicada também em telemarketing (lembre-se: não havia o Google, o conhecimento não estava disponível à distância de um teclado e mouse). Conseguimos reunir a maior e mais atualizada base de dados da cidade – gastronomia (bares, restaurantes, rotisserias), artes (teatro, cinema, shows, exposições, concertos), casas noturnas (boates, danceterias, casas de espetáculo), centros culturais (bibliotecas, museus, livrarias, bancas 24h), parques e praças, hotéis, motéis, hobbies, atrações para crianças (passeios, programas infantis) e serviços (ingressos em domicílio, comida em domicílio, videolocadoras); 2ª – uma segunda equipe de campo (de venda de mídia) visitava estabelecimentos diversos relacionados ao conteúdo, oferecendo espaços comerciais no programa. Um gigantesco mapa de mídia foi planejado no software, com inúmeras possibilidades: desde o merchandising de categorias, até vídeos comerciais de 15 e 30 segundos, passando por “destaques” em pontos de navegação específicos. Havia inúmeros espaços comerciais; 3ª – quatro profissionais do “staff”, ligados ao planejamento do projeto lançaram-se no mercado em busca de patrocínios. Quer saber? Foi um esforço hercúleo! Ou, de forma mais atualizada, um esforço “hulkiano”!

Iniciamos o processo comercial com a necessidade de captarmos 3 cotas de patrocínio acima dos R$ 120 mil. Somadas, elas possibilitariam 12 meses de operação. Fizemos 180 reuniões em 8 meses. Todas as grandes empresas sediadas em São Paulo foram visitadas. Nas primeiras semanas, conseguimos importantes parcerias estratégicas: um dos maiores jornais de São Paulo enxergou no “FUNtastic São Paulo” um valor diferencial e nos concedeu um extraordinário espaço de mídia. Quer dizer, divulgar o produto não seria mais um problema, assim como atingir, de cara, todos os assinantes do jornal em suas casas.

“O pioneiro paga a conta mais cara”.

É verdade. Como vender fácil algo que ainda não existe? Em quase seis meses de operação, diante das dificuldades de negociar as três cotas de patrocínio (engraçado, as vendas de espaço publicitário no software foram muito mais receptivas), conseguimos enxergar novos modelos de atuação e diminuir custos em quase 30%. Ou seja, minimamente, com 2 cotas de patrocínio vendidas poderíamos “levantar voo”!

Em julho de 1997, tivemos um encontro significativo com o diretor de marketing do “Banco 1 Net”, um “banco virtual”. A proposta dessa unidade de negócios do então Unibanco era a redução de custo operacional através da prestação de serviços somente por telefone e trânsito de documentos por motoqueiros. Um banco moderno, inovador e… virtual! Ele viu um alinhamento conceitual com nosso produto e decidiu por patrociná-lo. A primeira cota estava fechada.

Em poucas semanas, motivados pela primeira conquista, partimos para negociar com grandes empresas de outros setores. E, em meados de outubro daquele ano, saímos de um escritório na Av. Paulista com a segunda cota de patrocínio fechada com a Melitta do Brasil! Tudo o que precisávamos agora era assinar os dois contratos e comemorar. Em pouco tempo, estaríamos efetivamente competindo no mercado com os guias de papel, mudando a história desse segmento.

Contudo, no final do mês de outubro recebemos uma ligação gélida: o diretor de marketing do Banco 1 Net nos informou que, por conta da “Crise Financeira dos Tigres Asiáticos”, que atingiu mercados financeiros por todo o mundo naquele mês, sua verba de investimentos havia sido cortada. E que, por pouco, a operação de sua unidade de negócios também não havia sido extinta. Pois bem. Tivemos de superar rapidamente a decepção, arregaçar as mangas e voltar às reuniões de prospecção. Ainda tínhamos a Melitta, e nos faltava, portanto, fechar uma nova cota.

Uma das coisas que nos distinguiu como bons planejadores foi nossa capacidade de pensar além, de “pensar fora da caixa”, explorando todas as possibilidades. Uma delas foi aprovar precocemente o projeto do “FUNtastic São Paulo” em todas as instâncias públicas de incentivo à cultura. Assim, fomos aprovados com louvor pela Comissão de Averiguação e Avaliação de Projetos Culturais” para a “Lei Mendonça”, uma lei municipal que prevê a associação de recursos privados com os do Município de São Paulo, por meio de incentivos fiscais, e também na “Lei Rouanet”, de âmbito federal.

Já em novembro, tivemos uma reunião empolgante com Sérgio Cunha, advogado e também titular de um escritório especializado em ações culturais, voltado à captação de recursos para projetos incentivados. Ele ficou fascinado pelo “FUNtastic São Paulo” e suas possibilidades e previu que antes do Natal assinaríamos todos os contratos de patrocínio!

No dia 26 de dezembro, recebo à tarde, no escritório, uma ligação de Sérgio, se desculpando: “Eduardo, perdoe o presente de Natal atrasado. Estou saindo agora de uma reunião aqui, no Rio de Janeiro, na sede da Embratel. Eles ficarão com as 2 cotas remanescentes! Parabéns a todos, o projeto foi elogiadíssimo!” Eu retruquei: “Bem, Sérgio, valeu o esforço, muito obrigado por tudo, mas, diga-me, quais são as próximas etapas?”

Em 15 ou 20 minutos ele detalhou os trâmites do processo dentro de uma empresa estatal como a Embratel (a Embratel só foi privatizada no ano seguinte, em 1998). Patrocínio era algo que deveria ser analisado por uma equipe técnica, ser previamente aprovado e depois submetido à assinatura formal do Ministro das Comunicações. Quanto à aprovação, já a tínhamos. Portanto, em poucas semanas, após os festejos de ano novo e recesso, ocorreria a assinatura e publicação no Diário Oficial da União.

E o imponderável se agiganta!

O nosso Ministro das Comunicações da época, Sérgio Roberto Vieira da Motta, estava com sua saúde muito fragilizada. Em um curto espaço de tempo, foi internado seis vezes com problemas respiratórios, que o levaram, inclusive, a ser tratado nos Estados Unidos. Em abril, depois de uma última internação que durou 20 dias, faleceu. Sem assinar o processo de patrocínio.

A Telebrás foi privatizada em julho de 1998, e com ela a Embratel, empresa de telefonia de longa distância, em um leilão desafiador e confuso. Com isso, morreram também nossos esforços para fazer o “FUNtastic São Paulo” ir ao mercado. Depois de tantas invertidas, jogamos a toalha.

Números do projeto: foram 15 meses de trabalho insano, cerca de R$ 150 mil em custos operacionais investidos e jamais recuperados em uma ideia genial; as equipes somavam 15 pessoas, dedicadas e motivadas; houve uma incrível sucessão de insucessos. Em outras palavras, um grande fracasso.

Finalmente, quando o fracasso nos protege.

Enquanto assistíamos na primeira fila à essa derrota pessoal, também vimos uma mudança radical no mercado. Em pouco tempo, a febre do CD-rom multimídia foi passando. Havia uma novidade tomando conta dos computadores por todo o país, prometendo facilitar o acesso à informação e aos conteúdos: a internet. E isso foi entre 1998 e 1999. Uns poucos pioneiros que resolveram apostar nesse negócio logo em seu início, colheram alguns frutos. Ou não, pois da mesma forma como a internet prometeu crescimento rápido e fortuna aos ousados e inovadores, a bolha de 1999-2000 os derrubou!

Essa foi uma onda que não pudemos surfar. Todo nosso capital para investimento se foi com o “FUNtastic São Paulo”. Ao mesmo tempo, cresceu a certeza de que, se tivéssemos conseguido colocar no mercado tamanha operação, teríamos tido vida curta, muito curta, com os CD-roms. Tecnicamente falando, a migração para a internet estava fora de cogitação. Seriam mais estudos, mais investimentos em grandezas vultosas. Ou seja, mais perdas gigantescas. Perdas e compromissos que não estávamos, definitivamente, preparados para assumir.

Hoje, 20 anos depois, percebo a sorte que tive. A sorte de ter fracassado. Contudo, em mim e para mim, ficou a certeza da criatividade, do poder inventivo, do olhar estratégico e, principalmente, de conseguir reconhecer a hora para desistir. Quer um pensamento alentador se você já viveu algo assim? “Nem tudo são lutas, e nem todas as lutas devem ser ganhas.”

Bem-vindo ao bendito fracasso.

Conhecimento – A Base da Inovação Permanente

Heráclito de Éfeso, o filósofo pai da dialética já dizia: “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Portanto, mudar é uma constante em nosso mundo e é da natureza humana. Cada nova experiência, conhecimento, vivência, reflexão, nos torna renovados, inovados.
Heráclito de Éfeso – filósofo pré-socrático (535 a.C – 475 a.C ) 
O que devemos garantir é que essas mudanças sejam benéficas – a nós e aos outros -, em uma espécie de ‘progresso permanente’. Se são poucos os que até hoje fizeram a diferença no mundo, certamente é pela falta da autoconsciência da maioria, que não recebeu incentivos, orientações ou investimentos adequados, mantendo-se alienados do próprio poder criativo e transformador. Eu sou Eduardo Amaral e há 40 anos venho construindo um histórico pessoal de estudos e autoconhecimento. Meu método é observar, conhecer, refletir, praticar e consolidar. Queria dividir com você hoje a minha perspectiva sobre a chamada inovação pessoal. Afinal, quem não quer ser uma pessoa melhor? Quem não quer ser um profissional melhor? Quem não gostaria de fazer a diferença em seu trabalho, para sua família, para sua comunidade? Pois bem. Eu acredito fortemente que somos um misto de 3 conjuntos que determinam nossa essência: 1. Nossas habilidades; 2. Nossa resiliência; 3. Nossos conhecimentos. Simples? Eu explico. No primeiro conjunto, as habilidades, são elas que definem nossas capacidades e competências, nossas qualificações. Profissionalmente, são indispensáveis para obtermos destaque na carreira. No segundo conjunto, a resiliência, estão as nossas 3 “saúdes”, alvo desta plataforma: a saúde física, a mental e a emocional. Só sendo saudável nos três aspectos é que podemos eficientemente nos adaptar às mudanças, sobrepujar os desafios e sair fortalecidos das eventuais adversidades. O terceiro conjunto é formado por outros 3 grandes grupos de domínios teóricos e práticos: o conhecimento especializado, o conhecimento generalista e o conhecimento universal. O primeiro, especializado, é adquirido na formação acadêmica e técnica, na aplicação no dia a dia, nos sucessos e fracassos ao longo da carreira. O segundo é alvo de inúmeras pesquisas e estudos atuais: um profissional generalista é aquele capaz de ser especialista em interagir com várias áreas, possui visão abrangente da profissão, da organização, do mercado, e vai além: seu conhecimento é plural, rico, lhe proporciona uma visão multifuncional, embora mais superficial. Já o conhecimento universal é aquele que advém de profundas reflexões. É um conhecimento de classe filosófica, ligado à construção de ideias e conceitos, na busca incessante pelas verdades do mundo, da vida. O que somos, por que somos? Quem se apega à metodologia filosófica tende a ser racional, sistemático, crítico. Busca a transformação da realidade, a saída de uma vida medíocre, vulgar, prosaica. Portanto, as bases são estas. Mas como tudo isso funciona? Veremos já, já. Em resumo, a inovação pessoal é uma sólida base de crescimento e evolução, constituída por um triângulo conceitual onde as suas três pontas são complementares – as habilidades, a resiliência e o conhecimento. Vamos falar das habilidades. O que é uma habilidade? É tudo o fazemos com nossa engenhosidade, destreza, capacidade. Tudo o que executamos com alguma perfeição e ligeireza. Nesse grupo estão todas as nossas aptidões, talentos natos e competências, e podem ser várias, como postula Howard Gardner, um psicólogo cognitivo famoso pela sua teoria das inteligências múltiplas. Gardner percebeu que os testes de QI não eram suficientes para descrever a grande variedade de competências cognitivas humanas – por exemplo, uma criança com alta destreza em música não é menos inteligente que outra com grande facilidade em matemática. Indo aos extremos, Machado de Assis, Tom Jobim, Aleijadinho e Pelé são expoentes brasileiros das diversas inteligências. Todos tiveram destaque em suas carreiras, dando ênfase à sua principal vocação. Aqui, fundamental é descobri-la o mais cedo possível – sua vocação. Em seguida, traçar um plano de desenvolvimento, que na maioria das vezes começa na formação acadêmica. Ela procura amplificar e aprofundar seus conhecimentos. Se o objetivo é se tornar o melhor possível naquilo que decidiu fazer, sua carreira será uma continuidade de escolhas que lhe mantenham no caminho planejado. O tempo e a prática tornarão você um profissional melhor e mais preparado. Mas o sucesso só será possível se você mantiver três características complementares: a regularidade, a intensidade e a persistência. Sem elas, você jamais chegará a ter algum destaque ou mesmo a realizar seu sonho. Regularidade é manter o ritmo de forma disciplinada. Intensidade é a força e a paixão com as quais você se dedicará a realizar. E a persistência é a firmeza com a qual superará todos os altos e baixos, mantendo a intensidade mesmo no longo prazo, garantindo o ritmo. Mas, e suas outras habilidades, além da vocação, não contam? Sim. E muito. Vamos tratar disso agora. Sucesso na carreira pode ter vários significados, é algo muito pessoal, cada um de nós pode ter uma perspectiva muito diferente, flexível até, sobre o que é sucesso. Mas ele começa lá atrás, na definição, no encontro de nossa real vocação. Ainda jovens, tendemos a seguir um caminho diferente de nossos pais, irmãos, amigos. Ou não, e descobrimos que temos uma vocação ancestral, herdada de pais e avós. A partir daí, planejamos um caminho a seguir, apostando todas as nossas fichas na atividade ou profissão cuja promessa básica é nos realizar como profissionais, cidadãos e mesmo como seres humanos complexos que somos. Tendemos a concentrar recursos e oportunidades nesse sentido único, nesse funil. Em algum momento, o sucesso virá, na forma de realização pessoal e financeira. Sucesso, em rápidas palavras, é alcançar os seus objetivos. De novo, basta ter regularidade, intensidade e persistência. Essa fórmula realmente trouxe a felicidade para um sem-número de pessoas, por todo o mundo. Olhando para trás, na história, há centenas de milhares de casos registrados, de exemplos a serem seguidos. Mas, e olhando para o futuro? O que vemos?
Processos sociais mais complexos, relações comerciais mais dinâmicas e abrangentes, disrupção em várias áreas, desaparecimento de profissões, surgimento de novas. Eu enxergo um mundo em que as mudanças estão se intensificando. Em breve, teremos de criar soluções para os problemas que ainda nem imaginamos.
Isto significa que aquela sua habilidade principal, transformada em sua vocação, sua aposta franca, terá de ser substituída rapidamente. Talvez não se trate de algo tão radical, como mudar de profissão ou de segmento de atividade. Mas de desenvolver novos conhecimentos para surfar a onda das mudanças. Tudo isso se aproveitando de suas outras habilidades, evidentemente. Hoje, sociólogos e teoristas estão especulando sobre a amplificação do foco de conhecimentos: de evoluirmos de especialistas para nos tornarmos generalistas. Ou seja, de ampliarmos as áreas em que nos distinguimos, avançando para um novo patamar, mais completo e complexo, atendendo às próximas prováveis necessidades. E aqui eu volto a Howard Gardner e sua teoria das inteligências múltiplas. Todos temos alguns outros potenciais adormecidos além da nossa vocação principal. Ou potenciais não ativados, por conta das oportunidades que abraçamos ou das decisões que tomamos ao longo da vida. Por isso, o conselho que lhe dou é: mantenha sua mente aberta e aprenda algo novo todos os dias. Crie o hábito da curiosidade, dê-se a oportunidade de descobrir coisas novas. Sob todos os cenários, isto fará de você um profissional melhor ou uma pessoa bem mais interessante. Então, eu pergunto: você é especialista ou generalista? Essa pergunta é a ‘bola da vez’ nos centros de estudo de potenciais humanos, de recursos humanos, no mundo corporativo. Duas perspectivas me fazem questionar o porquê desses conceitos serem tratados como distintos, às vezes até antagônicos. Quer dizer, ou você é um ou você é outro. Ou você é especialista ou é generalista. Em primeiro lugar, acredito, temos uma questão física – o tempo. Ele é algo comum a todos, e tem caráter excepcionalmente inflexível e irreversível. Em todo o mundo, um dia tem exatas 23 horas, 56 minutos, 45 segundos e meio. Enquanto estamos juntos, aqui, os segundos vão se sucedendo, é o ritmo. O tempo não para. Ele continua implacável apesar de todos os esforços, desejos, pedidos e orações que façamos ao universo. É inflexível. Você não pode chegar em um ponto de sua vida e optar por uma nova escolha em seu passado, voltar no tempo e preferir algo diferente, como uma outra profissão. Tempo é irreversível. Já foi. Então, todos destinamos o uso de nosso tempo em algo que não tem volta. Por definição, “tempo é o único bem irrecuperável”, como bem disse Napoleão Bonaparte. Ao escolhermos uma profissão, sabemos que, quanto mais profundo formos no conhecimento que a cerca, melhor. Mais assertivos seremos, mais destaque teremos em relação aos que sabem menos. Dedicamos um longo tempo, de forma metódica, à carreira. Quer dizer, nos tornamos especialistas por sermos racionalmente rigorosos e sistemáticos, investindo ou apostando todo o nosso tempo. Em 15, 20 ou 30 anos de estudos aliados à prática, nos tornamos uma referência. Em um longo período, todo estudioso e praticante irredutível torna-se um excepcional especialista. Esta é, portanto, uma das duas perspectivas do porquê se separar especialistas e generalistas. É a primeira. Agora, vamos à outra, à segunda. O que é conhecimento? Por conceito, conhecimento é a somatória do que se conhece. É o conjunto das informações e princípios armazenados e compartilhados pela humanidade. É o domínio, a consciência e ciência das coisas que nos cercam. Portanto, é finito sob certo sentido. E dinâmico, sob outro. Significa que tudo o que sabemos é uma fração do que ainda descobriremos. Agora, perceba que, se conhecimento é um recurso finito, pode ser também um produto administrável. Produtivamente consumível e administrável, o que nos abre as portas para a generalização. Por mais que a humanidade produza dados e informação, o novo conhecimento exige também coerência, organização das ideias, prova e contraprova, exige aderência ao que já se sabe para ser universalmente aceito. Como já comentei, os que se dispuseram a estudar e a desenvolver profundamente um tema, uma área específica, chamamos de especialista. O profissional que possui uma visão mais ampla dos objetivos de uma organização, que possui um pensamento mais estratégico e uma visão global, é um generalista. Sua dedicação em ampliar esta visão macro é seu objetivo contínuo. Generalistas acabam se tornando CEO das organizações. Compreendem a sinergia de áreas tão diversas quanto finanças, operações, TI e recursos humanos. Iniciam a carreira como um especialista, mas habilidades como liderança, gestão e administração logo dão um outro sentido à carreira. É natural, portanto, que os especialistas sejam em número maior que generalistas em uma empresa, pois os cargos gerenciais são em menor número. Dito isso, vamos voltar aos desafios modernos. Principalmente, ao desafio do futuro ambíguo, improvável, imprevisível. O futuro e os próximos cenários vão exigir dessas duas classes de profissionais – especialistas e generalistas, algo mais, algo além. Vão exigir uma nova lógica de atuação. A tendência é que os especialistas se abram para o pensamento estratégico e visão mais global e, em algum momento, essa amplitude de conhecimentos os transformará também em ótimos administradores. Ou em profissionais exponencialmente mais adequados às suas funções! A nova era da inovação contínua forçará as empresas a terem uma organização de recursos humanos mais avançada, com times mais autônomos, com mais acesso à aprendizagem organizacional. Os especialistas do futuro saberão mais que seus chefes atuais em termos de gestão. Silenciosamente, as parcerias, as joint-ventures, as plataformas de conhecimentos múltiplos e acessíveis, elas já vêm transformando mercados e empresas. Os generalistas como conhecemos hoje vão desaparecer. As carreiras de sucesso serão construídas por especialistas em constante aprendizagem e amplificação de suas áreas de conhecimento. Seremos todos multiprofissionais. Isso está lhe perturbando? Essa ideia lhe provoca desânimo? Não se preocupe. Posso afirmar que você tem todos os recursos internos e condições para essa mega atualização. Mas, antes de avaliarmos nossos recursos internos e nossa capacidade de desenvolver habilidades latentes, vamos entender um pouco mais a natureza dos três níveis de conhecimento que eu postulei aqui: o conhecimento especializado, o geral e o universal. Eu os coloco dessa forma – em uma escala hierárquica que se inicia no específico e chega ao absoluto, ao essencial. Em um mapa do tempo, eu definiria o primeiro como quase efêmero e o último transcendente, atemporal. Em um gráfico, seria o seguinte: uma pirâmide de base larga: embaixo está todo conhecimento especializado do mundo, e no alto, o universal. Tudo o que sabemos é resultado de nossas experiências, que se iniciam em nossas percepções, sensações e constantes análises que formam nosso repertório interior. Ao abraçarmos uma profissão – médico, professor, cientista, engenheiro, programador, qual for -, a profundidade na qual nos imergimos nos assuntos relativos a ela, a intensidade dos estudos e das aplicações práticas nos transformam em um especialista. Olhando para trás, ao longo dos tempos, as divagações e teorias sobre a natureza das coisas e ao funcionamento de tudo o que era observado deram lugar à tecnicidade e à metodologia científica. Na medicina, por exemplo, as dissecações feitas pelos gregos 400 anos antes de Cristo apontavam que os nervos – sensitivos e motores, estavam ligados ao cérebro, e que este era reconhecidamente a sede da inteligência. Mas, só muito recentemente, com a ajuda de microscópios eletrônicos e equipamentos de ressonância magnética é que avançamos para o entendimento efetivo do funcionamento do cérebro e suas microrregiões. Ainda assim, estamos longe de entender o mecanismo de nossos pensamentos. Você percebe, portanto, a dinâmica do conhecimento especializado? Ele evolui com o tempo. Se superpõe. Às vezes, se contrapõe, como Galileu e Copérnico fizeram na astronomia. O próximo degrau no conhecimento é o ‘geral’ -, ou seja, o conjunto do que se sabe efetivamente e foi consagrado como verdadeiro. Aqui está tudo o que exprime a conformidade com a realidade, as teorias comprovadas há muito tempo, as bases sólidas do que é permanente, estável, definitivo. É um conhecimento não sujeito às mudanças de suas bases de estudo ou à transitoriedade do conhecimento especializado. É tudo o que nos dá segurança para vivermos e tomarmos decisões. Se nos aprofundamos nesse tipo de conhecimento, mais do que datas, fatos, regras e ocorrências, acabamos por dominar as concepções, a compreensão superestrutural. Por exemplo, você não precisa ser médico para dominar o conceito de vida humana, dos fatores que podem estender ou abreviar nossa existência – alimente-se bem, tenha bons hábitos, pratique atividades físicas e terá uma vida mais longa. Recuse esse estilo de vida e morra mais cedo, simples assim. É um conhecimento já consolidado, não precisa de comprovações técnicas adicionais. Por último, temos o conhecimento universal. Um conjunto total e eminentemente abstrato, formado por ideias e concepções acerca dos porquês humanos: o que somos? Por que somos? Qual o sentido de nossa existência? O que seremos em mil ou dois mil anos? O que é a humanidade em um amplo contexto do universo conhecido? Somos tudo ou somos nada? Senhores da cognição – os únicos seres inteligentes em mais de 93 bilhões de anos-luz do espaço sideral ou somos pó? Filósofos, religiosos, ocultistas e pensadores, em todas as épocas conhecidas, em todo o mundo, convergem a um ponto – no propósito de tentar encontrar essas respostas. Viver por viver, ser o mais graduado especialista conhecido em alguma área, chegar à polimatia, ou seja, no saber mais vasto e variado possível, tudo isso não chega a nos satisfazer. Nossos espíritos têm sede por mais, muito mais. É por isso que eu acredito firmemente que você também tem esse poder, essa semente da autotransformação, da renovação, da inovação contínua. E por isso a resiliência é tão importante! Reflita aqui – como você encara um longo desafio no trabalho? Como você encara uma crise financeira? Como você encara um problema pessoal ou familiar? Você é uma pessoa resiliente? Estamos em uma era profundamente marcada pela velocidade dos acontecimentos, das mudanças, de forma contínua. Os ciclos de transformação estão cada vez mais curtos. Tecnologia e tendências novas transformam empresas, hábitos corporativos e a forma como trabalhamos, fazemos negócios e como vivemos. Embora pareça uma conjuntura positiva, tudo isso é absolutamente estressante, pois nos coloca à prova permanentemente. Esta nova realidade impõe às pessoas, aos profissionais e colaboradores das empresas um cenário de frustração, de estresse e vulnerabilidade. Mas não somente aos subordinados. Os gestores e empresários também sofrem de uma crescente ansiedade. Enfrentam a necessidade de serem mais rápidos e precisos em suas decisões, principalmente em períodos de competição anabolizada pelas crises. Esses cenários adversos são especialmente propensos a descortinar o que chamamos de resiliência. A resiliência é uma expressão migrada da física para as ciências humanas – é a capacidade para enfrentar e superar adversidades, ou a capacidade de se recompor facilmente. Uma habilidade psicológica para se adaptar aos infortúnios ou às mudanças repentinas e incontornáveis. O que descobri é que a resiliência é em parte um atributo da personalidade. Quando ativado, ele possibilita a criação de um senso de autoproteção, de autoconfiança, de renovação. Mas isto só é possível quando temos saúde mental, ou seja, quando nossos pensamentos estão sob o controle de uma certa racionalidade e não reféns das nossas emoções. Portanto, a resiliência só é possível quando, além da saúde mental, temos uma sólida saúde emocional. Veja, quando cedemos aos problemas, à ansiedade e à frustração, uma grande quantidade de cortisol – o hormônio do estresse – é permanentemente injetada em nossa corrente sanguínea, causando não só um desequilíbrio mental e emocional, mas também físico. O corpo sofre! Enfim, a resiliência só é possível também quando também temos saúde física. Acha tudo isso um pouco distante de sua realidade, do seu dia a dia? Quer dizer, acha difícil controlar integralmente o seu tripé de saúde? Eu vou lhe mostrar como isso é possível, ao longo do projeto ‘Cuide de Sua Vida’. Pense em uma extraordinária máquina orgânica, pesando entre 1 quilo e 200 e 1 quilo e 400 gramas, que processa praticamente tudo – automaticamente – para você poder viver seu dia da forma mais confortável e econômica possível. Esta máquina é o cérebro, uma junção de estruturas distintas que foram sendo ‘adicionadas’ de acordo com as necessidades evolutivas, ao longo de 4 milhões de anos. Os então hominídeos, nossos ancestrais lá atrás, possuíam as partes básicas que cuidam do comportamento voltado à sobrevivência, como a fome e o impulso sexual. Eles também deveriam ter uma estrutura rudimentar dos centros mais altos do cérebro, envolvidos no processamento emocional – como o hipocampo e a amígdala. Com o tempo, foi se avolumando o córtex, hoje complexo e gigantesco, responsável pelos pensamentos lógicos e abstratos e pela linguagem. A interação entre as regiões mais antigas e as mais novas do cérebro é o que faz de nós o que somos hoje. Há cerca de 300 anos estão os primeiros registros de estudos sobre a saúde mental. Ela está diretamente relacionada às funções cerebrais, pois é ele, o cérebro, que comanda e coordena nossos atos, pensamentos e emoções. Este é um assunto tão vasto e complexo que será impossível abordarmos todas os aspectos relevantes aqui, agora. Vamos fazê-lo ao longo de vários vídeos aqui na plataforma, ok? No conceito de saúde mental descreve-se um nível de qualidade cognitiva e emocional que inclui a nossa capacidade para apreciarmos a vida, buscando um equilíbrio entre atividades e esforços para se atingir a resiliência. Aliás, há uma tênue diferença entre saúde mental e saúde emocional. Nós trataremos disso um pouquinho mais adiante. Por ora, vamos continuar no cérebro e a manutenção de sua saúde. É o básico, o ponto inicial da jornada rumo à resiliência. Pois bem. Você trata bem seu cérebro? Se o cérebro é um instrumento poderoso e sensível, como podemos cuidar para que ele se mantenha sempre afiado e saudável? Vou lhe dar 3 recomendações e explicar rapidamente cada uma delas. A primeira: beba muita água, pelo menos 2 a 2,5 litros por dia. A base da atividade cerebral é elétrica. Em nosso organismo, isso ocorre na presença de sais diluídos em água. Beber pouca água reflete diretamente em várias atividades metabólicas e impacta profundamente no cérebro, diminuindo a função cognitiva. A segunda recomendação: faça exercícios aeróbicos. Mantenha a intensidade, sempre. Andar, correr ou praticar ginástica, procurando suar bastante. Isso protege seu cérebro. Cérebro precisa de oxigênio. Ele consome 20% de tudo o que é inalado. A terceira recomendação é… muito poderosa: medite. A meditação, do tipo relaxamento associado à contemplação interna pode transformar o cérebro. A prática faz crescer o tecido cerebral, melhora o humor e nos deixa mais resilientes. Ela envolve a metacognição, que usa o córtex pré-frontal, mas também ativa o cérebro inteiro, acessando experiências sensoriais e emocionais, impulsionando as partes mais novas e as mais antigas do cérebro. Pense em seu cérebro como um atleta. Com os cuidados corretos, pode-se extrair dele o máximo desempenho. Veja só: em um estudo realizado na Universidade de Harvard, participantes que meditaram por 40 minutos diários (em duas sessões de vinte minutos) apresentaram o tecido do córtex, a massa cinzenta, mais espesso nas áreas responsáveis pela atenção, pela tomada de decisões e pela memória de trabalho, quando comparado a quem não meditava. Um outro estudo verificou que oito semanas de meditação do tipo atenção plena – a chamada mindfulness – aumentava a densidade da massa cinzenta em várias regiões e também no hipocampo, envolvido na aprendizagem e na memória, e reduzia a densidade da massa da amídala – estrutura que desempenha um papel significativo no estresse. Também surgiram como resposta à meditação mudanças fisiológicas e bioquímicas que permaneceram muitas horas depois de terminada a sessão, proporcionando sensível melhora na saúde do praticante. Você medita? Não? Então, não sabe o que está perdendo. Diversas técnicas foram criadas e aprimoradas nos últimos milhares de anos – da yoga à meditação transcendental, da alfagenia ao mindfulness. Técnicas que foram exaustivamente testadas em laboratório, e cujos benefícios estão amplamente difundidos por toda a internet. Para mim, meditar é um dos segredos da saúde cerebral, a base de nossa resiliência. Nos últimos anos tenho me dedicado a este assunto – a saúde do cérebro – como ponto de partida para meu processo de inovação pessoal. Descobri coisas interessantíssimas, como os estímulos à criação de novas células nervosas. Nosso cérebro, portanto, pode ter intensa atividade de renovação estrutural. Este são fenômenos chamados neuroplasticidade e neurogênese. A neurogênese, apesar de não muito significativa em termos quantitativos, ocorre principalmente no hipocampo, uma estrutura no centro do cérebro muito importante para o aprendizado, a memória, o humor e a emoção. A neurocientista francesa Sandrine Thuret, num amplo estudo verificou, sem novidade para nós agora, que a atividade física aeróbica impacta positivamente a neurogênese. E o que você come também tem efeito na produção de novos neurônios no hipocampo. Uma dieta com restrição calórica de 20% a 30%, aumenta a neurogênese. Um jejum intermitente ou um longo espaço de tempo entre as refeições, aumenta a neurogênese. A ingestão de flavonóides, presentes no chocolate amargo, aumenta a neurogênese. Os ácidos graxos do ômega 3, presentes em peixes gordos de grande profundidade, vão aumentar a produção dos novos neurônios. O resveratrol, encontrado no vinho tinto, ajuda a promover a sobrevivência dos novos neurônios. Por outro lado, a ingestão de álcool diminuirá a neurogênese. Fazendo um resumo: a restrição calórica irá melhorar sua capacidade de memorizar, enquanto uma dieta rica em gordura ruim vai exacerbar sintomas da depressão. Por gordura ruim estou falando dos excessos de Ômega 6 e das gorduras hidrogenadas. Se você achar legal, vamos resumir essas recomendações para a saúde do cérebro: coma menos, procure fazer uma dieta saudável à base de frutas, legumes e peixe. Quando eu falo frutas, não estou me referindo aos sucos! Eu me dedicarei a esse assunto em um artigo exclusivo, ok? E só de vez em quando comemore todos os seus potenciais mentais recém descobertos com uma taça de vinho. Assim encerramos esse resumo sobre como tratar bem o cérebro. Agora, vamos estudar um pouco os aspectos mentais e emocionais. Saúde mental e saúde emocional. Elas fazem parte de um processo amplo, interligados de forma indissociável e de influência recíproca. Veja, uma pessoa que está sofrendo de depressão ou de extrema ansiedade tem um quadro de saúde mental alterado. Ao seu redor, as pessoas respondem a estas alterações também de forma modificada, provocando ainda mais desequilíbrio. Ter saúde mental significa aceitar de forma natural dificuldades e exigências da vida, assim como lidar bem com as emoções, boas ou ruins. Reconhecer seus próprios limites é também uma das características de quem goza de boa saúde mental. Mas saber lidar com sentimentos, conseguir se desvencilhar e superar acontecimentos ruins, também são produtos de uma boa saúde emocional. A saúde emocional é mais fácil de ser percebida por outras pessoas, uma vez que se trata diretamente da forma como lidamos com o outro. É também caracterizada pela capacidade de controlar e gerenciar as alterações de comportamento que influenciam nossas atividades cotidianas. Se você percebe que algo não está indo bem, saiba que há formas simples e práticas de se melhorar a sua saúde emocional. Em primeiro lugar, passe a monitorar suas atitudes e pensamentos. Contenha sua irritação, sua impaciência e a dificuldade em se concentrar em algo. Faça isso questionando os prováveis porquês desses comportamentos. Invista nos hábitos positivos, como comer saudavelmente e praticar atividade física, muito importante é alegrar as pessoas ao redor com uma atitude positiva. Pratique atividades prazerosas, elas estimulam a inteligência e suas habilidades sociais. Seja grato por tudo o que conquistou até aqui. Quebre a rotina. Reserve um tempo só para você. Tenha menos expectativas para evitar as frustrações e seja mais tolerante. Com o tempo, em um formidável efeito dominó, tudo isso promoverá uma saúde completa e inabalável. Física, mental e emocional. Este é o ponto de partida para sua inovação pessoal. Tenha certeza, depois de tudo o que vimos aqui, que é possível desenvolver um senso de renovação e recriação de sua própria carreira, de sua própria vida, construindo bases sólidas para impulsionar hábitos e ideias transformadoras. Você deve ter percebido que eu não gosto de verdades prontas, não gosto de ideias sem comprovação adequada. Em minha vida, testei tudo o que pude. Pus à prova meus novos saberes, minhas teorias, abracei novas ideias e abandonei crenças limitantes e invisivelmente perversas. Há um monte delas por aí. Portanto, questione sempre, acredite vendo e refletindo, mantenha a esperança. É com ela que damos o salto de fé. Use suas habilidades. Desenvolva novas. Amplifique seus conhecimentos – os especializados e os generalizados, mas busque os conhecimentos universais! Nossa vida é um sopro, viver cem anos é nada perto da idade do planeta, ou mesmo do futuro que há por vir. Por isso, dê o seu melhor, faça o seu melhor. Faça por você, faça pelas pessoas que ama, faça pelas gerações próximas. E faça tudo com regularidade, com intensidade e com persistência. Se precisar de uma luz, de um estímulo, de uma ideia nova, estarei por aqui, esperando por você. Um abraço e até o próximo artigo!
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