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Alzheimer: este é o seu futuro sombrio? – PARTE 2 – Uma esperança para quem está disposto a mudar tudo

Dale E. Bredesen é uma autoridade mundial no estudo das doenças neurodegenerativas. Foi neurologista-chefe na Universidade da Califórnia e também professor e na Universidade de San Diego. Dirigiu um programa de investigação do envelhecimento no Burnham Institute. Enquanto estava na UCLA – Universidade da Califórnia, Los Angeles, encabeçou uma pesquisa que se tornou conhecida mundialmente, chamada “Reversão do declínio cognitivo: um novo programa terapêutico”, em 2014. Trata-se de um relatório que descreve ações personalizadas, de abordagens múltiplas, que foram prescritas a 10 pacientes avançados com Alzheimer. É um trabalho anedótico, ou seja, está aquém de um verdadeiro estudo científico, mas traz em detalhes como 9 dos 10 pacientes, ao cabo de algumas semanas, apresentaram melhoras objetivas e subjetivas. Em seu resumo, relatou o seguinte: dos primeiros 10 pacientes que utilizaram o programa, incluindo pacientes com perda de memória associada à doença de Alzheimer, comprometimento cognitivo leve amnésico ou comprometimento cognitivo subjetivo, nove apresentaram melhora substancial. Importante foi o fato de que seis pacientes cujo declínio cognitivo tinha tido um grande impacto no desempenho no trabalho, eles foram capazes de retornar às suas atividades profissionais ou continuar trabalhando sem dificuldades. As conclusões do estudo afirmam que não são surpreendentes os resultados positivos alcançados, porque programas ou tratamentos multiterapêuticos se mostram mais eficazes que os monoterapêuticos – estes últimos sempre muito baseados em drogas, em medicações.
Vamos dar uma olhada mais de perto no que Dale chamou de tratamento multiterapêutico. Ele investiu nas seguintes frentes: alimentação e hábitos alimentares, suplementação, atividade física e meditação. Seus pacientes tinham entre 55 e 75 anos, homens e mulheres. Exames laboratoriais foram feitos logo após uma extensa anamnese, que é uma entrevista que tem o objetivo de compreender todo o cenário em que está inserido o paciente – seus hábitos, desafios, potencialidades, disfunções, dia a dia em casa e no trabalho, estado emocional e mental etc. Alguns realizaram testes neuropsicológicos a fim de determinar a extensão e o grau de seu Alzheimer. Nos exames laboratoriais estavam os indicadores de inflamação, níveis dos principais hormônios, níveis dos minerais, colesterol total, HDL e LDL, triglicerídeos, 25-hidroxi-colecalciferol e hemograma completo. Anamnese e exames de laboratório dão um amplo panorama do estado real dos pacientes.
Para cada um foi criado um plano exclusivo, customizado, personalizado, sempre atendendo às frentes terapêuticas pré-estabelecidas. Todos receberam estímulos permanentes para se manterem dentro do regime terapêutico, faziam exames com regularidade, possibilitando ajustes alimentares e suplementares, e suporte para as atividades físicas e meditação.
Para que você entenda melhor, exemplificando, eu vou focar em apenas 1 dos 10 casos, ok?
A ‘paciente 1’ era mulher, 67 anos, apresentou perda progressiva da memória durante 2 anos seguidos. Ela tinha um trabalho exigente, executiva, preparava relatórios analíticos e era obrigada a viajar muito. Em algum momento, foi forçada a largar o emprego. Em seu depoimento na anamnese, disse que tinha muita dificuldade em ler, pois ao chegar no final da página de um livro, tinha de voltar toda a leitura, pois já não lembrava mais do conteúdo visto. Não se lembrava mais de números que usava com frequência, estava com problemas em dirigir. Até mesmo viagens curtas, como ir e vir do trabalho, tinha dificuldade em chegar, em acessar as ruas certas. Algumas informações pessoais de caráter emocional estavam comprometidas, como misturar os nomes de seus animais de estimação. Sua mãe tinha desenvolvido declínio cognitivo progressivo semelhante a partir dos 60 anos. Teve de ir viver em uma casa de repouso onde faleceu aos 80 anos. Ao saber que estava desenvolvendo o mesmo problema que sua mãe, a ‘paciente 1’ decidiu cometer suicídio, pois não queria passar pelos mesmos desafios que sua mãe. Foi nesse ponto de sua vida que uma amiga a encaminhou ao Dr. Dale Bredesen.
A ‘paciente 1’ foi submetida a um extenso protocolo multiterapêutico – ela foi capaz de aderir a muitos dos pontos, mas não a todos os componentes. No entanto, após 3 meses, ela notou que todos os seus sintomas ruins haviam diminuído drasticamente: ela voltou a dirigir sem problemas, a lembrar de números complexos, a reter informações, voltou a preparar relatórios e retomou seu trabalho normalmente. Tornou-se assintomática. Dois anos e meio depois, com 70 anos, ainda permanecia trabalhando em tempo integral. O protocolo aplicado foi chamado de Sistema Terapêutico 1.0, e consistia em: suplementação para aprimoramento cognitivo, aumentar seu NGF (fator de crescimento neuronal), aumentar os componentes estruturais sinápticos, otimizar antioxidantes, otimizar minerais essenciais, garantir oxigenação noturna, tratando a apneia do sono, otimizar a função mitocondrial e excluir a toxicidade por metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio. Na alimentação, eliminou todos os carboidratos simples, glúten e alimentos processados, industrializados. Aumentou o consumo de vegetais, frutas e peixes não cultivados. Passou a fazer o jejum intermitente, ficando entre 12 e 14 horas entre o jantar e o café da manhã, e pelo menos 3 horas entre o jantar e o horário de dormir. Aumentou seu período de sono de 4-5 horas para 7-8 horas por noite. Restabeleceu sua terapia de reposição hormonal. Teve de aprender a meditar, e fazia 2 sessões de 20 minutos todos os dias. Para reduzir o estresse, aprendeu a fazer ioga. Gostou tanto que se tornou instrutora. Passou a se exercitar por um mínimo de 30 minutos, de 4 a 6 vezes por semana. O relatório não menciona o peso inicial da paciente, mas em algumas semanas ela perdeu pouco mais de 10 kg.
Esse protocolo multifuncional foi personalizado para cada 1 dos 10 pacientes. De novo, apenas um deles não conseguiu reverter seu Alzheimer, porque já estava muito avançada sua degeneração.
Bem, pelo exemplo analisado, nós pudemos observar os pontos multifatoriais atacados pelo protocolo.
Não há segredo no fato de que melhorar a alimentação traz ganhos na saúde, assim como suplementar minerais nos casos de deficiência e substâncias antioxidantes. A novidade mais recente é o jejum intermitente, ou seja, intercalar períodos de alimentação com períodos mais longos de jejum. E não deve haver surpresas na questão da atividade física. Sabe-se há muito tempo que colocar o corpo para trabalhar músculos e coração traz inúmeros benefícios. Aliás, segundo a opinião de muitos renomados fisiologistas e médicos, tudo o que você fizer de bom ao coração também estará fazendo ao seu cérebro. Mas eu fiz uma outra descoberta interessante. Quer dizer, eu não, mas dois cientistas brasileiros: a neurocientista Fernanda de Felice e o bioquímico Sergio Teixeira Ferreira, que publicaram um artigo na revista Nature Medicine, em janeiro de 2019. Eles apresentaram um conjunto robusto de evidências de que a prática intensa de atividade física é muito importante para a formação de memória e proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do mal de Alzheimer. São inúmeros os compostos liberados pelo exercício físico, mas um, em especial, mostrou-se fundamental para a saúde cerebral: uma proteína-hormônio chamada irisina, identificada pela primeira vez pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade de Harvard, em 2012. Em um congresso sobre diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia a deusa grega mensageira Íris. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria a alterações benéficas em outros órgãos e tecidos do corpo. Há quase duas décadas De Felice e Ferreira dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Eles sabem, portanto, o que estão afirmando, sobre a influência e importância da irisina, da atividade física intensa.
Bem, para finalizar esta análise, eu faria um complemento ao protocolo: comer menos.
Novos estudos indicam que a redução da ingestão calórica pode aumentar a capacidade cognitiva, reduzir o envelhecimento celular e promover a longevidade. Quase um século de dados mostra que estressar nossos corpos e cérebros restringindo calorias – dentro da razão, de um plano consistente — impulsiona as células a crescerem mais fortes e mais resistentes. A restrição calórica também estimula o sistema de defesa antioxidante do cérebro, e é uma ótima maneira de perder alguns quilos, se necessário. Restrição calórica significa reduzir a ingestão de 30 a 40 por cento das calorias. Em vez de consumir uma média de 2.000 calorias por dia, você consumiria de 1.200 a 1.400. Eu diria que apenas comer menos ao longo do dia pode ser eficaz. Os centenários do arquipélago japonês de Okinawa adotaram a filosofia do “hara hachi bu”, em que param de comer quando estão 80% satisfeitos, uma prática ligada à sua longevidade. Uma outra maneira eficiente de consumir menos calorias e manter a qualidade nutricional é aumentar o consumo de vegetais e frutas com baixo índice glicêmico, proteínas magras e gorduras essenciais, e, claro, eliminar alimentos açucarados e processados.
Na minha opinião, depois de toda essa análise complexa e completa, eu diria que o Alzheimer, antes de tudo, é uma doença do nosso estilo de vida moderno, no mesmo nível da diabesidade – a síndrome composta pela diabetes e obesidade. Há um interessante texto a respeito nessa plataforma, veja lá. Temos de encarar o fato de que nosso corpo, nossa fisiologia, ainda se encontra na pré-história, há mais de 20.000 anos. Pense em como eram as coisas naquela época, a vida ao ar livre, a atividade física necessária para conseguir comida em um cenário de alimento escasso e competitivo, a falta dos elementos agressores e opressores modernos. Não dá pra voltar no tempo. Mas temos que reviver alguns daqueles hábitos para conseguir viver plenamente, e não apenas sobreviver à custa de remédios.
De novo, voltando à pergunta inicial – o que você faria se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer? Eu lhe recomendaria: não espere os sinais, não espero resultados de exames genéticos ou outros – mude já sua vida, adote novos hábitos, elimine os ruins. Quer uma dica como fazê-lo? Achou este texto complexo demais, difícil de entender como aplicar alguns dos conceitos em sua vida? Relaxe. Aqui, nesta plataforma, há um Programa Especial chamado ‘Protololo UCLA – Alzheimer’. É uma tradução, vamos dizer assim, do estudo conduzido pelo médico americano Dale Bredesen que vimos neste texto. E para você que ficou até aqui, até o final, uma atualização daqueles resultados: ao protocolo aplicado já somam mais de 500 curas! Então, se você considerar ser um assinante ‘Premium’ de ‘Cuide de Sua Vida’, terá acesso simples e fácil a este protocolo. No menu aqui em cima, acesse ‘Planos’, altere seu registro. Depois, clique em ‘Especiais’ e em ‘Programas’. Nesta página encontrará facilmente o ‘protocolo’. Eu recomendo que você assista tudo, compreenda os princípios e ponha em prática as atividades descritas, sempre sob orientação ou supervisão de um profissional de saúde. Isso é importante. Pois bem. Até a próxima análise, no próximo texto! Um abraço!

Alzheimer: este é o seu futuro sombrio? – PARTE 1 – O que é, sintomas, genética e epigenética

De acordo com um artigo publicado na revista ‘Genetics in Medicine’, em 2012, o risco médio ao longo da vida para você ou eu desenvolvermos Alzheimer é de 10 a 12 por cento. Esse risco dobra se você tem um parente de primeiro grau, pai ou mãe, com o transtorno. Antes de eu lhe explicar em detalhes o que é o ‘Mal de Alzheimer’, eu lhe pergunto: se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer, o que faria? Vou lhe dar três alternativas de resposta:
A. Continuaria com sua vida, como se nada tivesse acontecido, quer dizer, ignoraria o fato;
B. Dedicaria sua vida a encontrar uma cura – uma que pudesse estar em uso quando você começasse a precisar;
B. Você começaria a se preparar para enfrentá-la, até mesmo de pequenas formas, mudando sua alimentação, adotando novos hábitos, pesquisando práticas que lhe ajudem a viver com a doença no futuro.
Muitas pessoas que enfrentam uma predisposição genética para uma doença grave optam por ignorar a possibilidade de a desenvolverem. Dizem a si mesmas: “isso não vai acontecer comigo. E, se acontecer, lá na frente eu dou um jeito.” Outras alteram drasticamente suas vidas para evitar ao máximo esse futuro sombrio. Há ainda algumas poucas que adotam uma postura interessante – aceitam o risco, passam a estudá-lo, acreditam que serão vítimas da doença, mas ainda mantêm uma postura positiva e trabalham para atenuar os problemas futuros.
E então? Qual seria a sua postura frente a este desafio?
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. Ocorre em todo o mundo e afeta todos os grupos étnicos. A incidência de Alzheimer está aumentando, em parte, devido ao aumento da expectativa de vida. É uma doença progressiva, que destrói a memória e outras funções cognitivas importantes por conta da degeneração das células cerebrais e suas conexões. Até o momento, não existe cura, e a medicina convencional, vamos chamar assim, possui apenas estratégias de controle que podem melhorar os sintomas temporariamente. E que sintomas seriam?
Na cognição, há um declínio mental generalizado – dificuldade em pensar e compreender, delírio, desorientação, esquecimento. Há incapacidade de fazer cálculos simples, de reconhecer coisas comuns, e uma gradual perda da memória recente.
Em termos comportamentais, há inquietação, irritabilidade, agitação, não raro, momentos de agressividade. Pessoas com Alzheimer avançado repetem palavras sem sentido, acabam apáticas.
Fisicamente, pode-se confundir o Alzheimer com um outro distúrbio, o Parkinson, por conta das contrações musculares rítmicas, incapacidade de coordenar movimentos musculares. A fala é embaralhada, confusa, também há incontinência urinária.
Os especialistas da saúde que ajudam a tratar da doença são neurologistas, psiquiatras, geriatras e clínicos gerais.
A doença se instala quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Como consequência, surgem fragmentos de proteínas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços entre eles, chamadas beta-amiloides. Como resultado dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem, o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.
A doença também se desenvolve de forma lenta – a partir do diagnóstico, a sobrevida média oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios:
– A forma inicial: alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;
– Estágio 2, moderado: dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. A pessoa fica agitada e manifesta insônia;
– Estágio 3, grave: não há como realizar as tarefas diárias mais simples, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e uma deficiência motora progressiva;
– Estágio 4, terminal: o doente fica restrito ao seu leito, à sua cama. Também fica mudo, tem dor ao engolir, portanto, passa a não mais se alimentar e sofre com diversas infecções, principalmente a urinária, que pode gerar a falência dos rins e demais órgãos em um efeito cascata. Neste estágio, sua imunidade está muito, muito baixa.
Do ponto de vista fisiológico, o cérebro pesa cerca de 2% de um indivíduo de 70 kg, quer dizer, tem cerca de 1,4 kg, e consome 20% de todo o oxigênio inalado. Entre 50 e 85 anos, o peso do cérebro é mantido regularmente, mas em um doente de Alzheimer, na sua forma mais radical, ele pode chegar à metade disso, passando a ser incompatível com a vida. Este é o Alzheimer Atrófico. Em média, para compararmos, uma pessoa pode perder até 12% do peso de seu cérebro até os 90 anos de idade. Esse é um fenômeno natural, ocorre por um déficit do número de mitocôndrias nas células neurais, assim, os neurônios e as células da glia se encurtam.
Há também o Alzheimer Inflamatório, consequência de uma situação muitas vezes subclínica, quer dizer, que não produz manifestações detectáveis através de exames clínicos regulares e laboratoriais. Nesse caso, o corpo mantém um estado inflamatório permanente, causado por um estilo de vida – alimentação, hábitos, costumes – incompatível com nossa fisiologia. Por exemplo: a falta de prática de atividade física, a alimentação com baixo nível de micronutrientes, um elevado consumo de açúcar e outros refinados e mesmo falta de sono adequado.
Por último, eu ressalto aqui o Alzheimer Tóxico, que advém do consumo ou exposição a produtos com elevados níveis de venenos ou substâncias que podem causar danos à nossa saúde se ingeridas, inaladas ou em contato com a pele, mesmo em pequenas quantidades, mas de forma regular. Com o tempo, o acúmulo de tais substâncias em nosso organismo, principalmente no cérebro, promove a degeneração das células nervosas e acelera o processo degenerativo.
Como foi descoberta essa doença, o Alzheimer? De fato, a demência é quase tão antiga quanto a própria humanidade, algumas vezes confundida com a própria senilidade, quer dizer, com nossa degeneração e envelhecimento natural, que nos tira capacidades fisiológicas. Existem vários tipos de demência, quase 100 – há a vascular, a gerada por Parkinson, a frontotemporal, a de Pick, a demência por corpos de Lewy, a demência por abuso de álcool e, claro, o Alzheimer, que representa quase 70% de todos os casos.
Durante a década de 1910, na Universidade de Munique, dois renomados psiquiatras alemães estavam fazendo pesquisas clínicas sobre psicose e doenças senis. Mas um deles estava mais interessado no trabalho feito em laboratório. Com a ajuda de uma equipe médica italiana, usando métodos de coloração biológica, Aloysius Alzheimer conseguiu identificar placas amilóides e emaranhados neurofibrilantes, que são anomalias cerebrais. Elas se tornariam os identificadores do que ficou, portanto, conhecido como a doença ou o mal de Alzheimer.
Aloysius, em 1912, saiu de Munique e foi para a Universidade de Breslávia, onde aceitou um cargo de professor de psiquiatria e diretor do Instituto Neurológico e Psiquiátrico. Sua saúde se deteriorou logo após sua chegada e ele foi hospitalizado. Aloysius morreu três anos depois.
Quantas pessoas têm Alzheimer no mundo? E no Brasil? Quantas serão em 2050, por exemplo, quando eu mesmo tiver mais de 80 anos? Como diria ‘Jack’, vamos por partes.
No Brasil, estima-se que existam 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico. No mundo, são quase 36 milhões de doentes acometidos pelo mal. Daqui a pouco menos de 30 anos, em 2050, serão 4 milhões de doentes no Brasil e mais de 150 milhões no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS. Veja, a população não crescerá nesta proporção, o que significa que demência e o mal de Alzheimer estão em franca progressão.
Vamos voltar à pergunta que fiz no início deste texto, com suas 3 possibilidades de resposta: se você soubesse que tem alto risco de desenvolver uma doença grave como Alzheimer, o que faria? Continuaria com sua vida, como se nada tivesse acontecido, ignorando o fato? Dedicaria sua vida a encontrar uma cura que pudesse estar em uso quando você começasse a precisar? Ou começaria a se preparar para enfrentar a doença, mudando sua alimentação, adotando novos hábitos, pesquisando práticas que lhe ajudem a viver com ela no futuro?
Eu volto a essa pergunta, porque aquelas previsões de crescimento da demência me parecem conservadoras. Porque, tudo o que vi até agora, tudo o que estudei, me mostra que o desenvolvimento do mal de Alzheimer, e também da demência de forma geral, claro, tem muito a ver com nosso estilo de vida atual e pouco com nossa genética, falando stricto sensu, quer dizer, em sentido específico, porque, na verdade, tem muuuito a ver com a epigenética.
Vamos explorar isso agora, você vai entender tudo.
Como você deve saber, o material genético que herdamos dos nossos pais é armazenado em estruturas denominadas cromossomos. Temos 22 pares de cromossomos, mais dois cromossomos X, nas mulheres, ou um cromossomo X e um Y, nos homens.
Cada cromossomo contém milhares de genes que contêm informação específica para a estrutura de seus portadores. Ou seja, cada gene contém as instruções para modelar um pequeno aspecto de uma pessoa. Eles são a unidade fundamental da hereditariedade, e permitem que características específicas, como a cor dos cabelos, altura, cor da pele, a tendência para desenvolver diabetes numa idade avançada, sejam transmitidas de uma geração para a geração seguinte.
Já a mutação é uma alteração num gene. Algumas mutações são benéficas, mas muitas outras são potencialmente prejudiciais. Alguns genes, por exemplo, são causadores de doenças – se uma pessoa herdar um gene para um tipo de distrofia muscular irá certamente desenvolver essa doença na vida. Outros genes são fatores de risco, ou seja, podem não levar inevitavelmente ao aparecimento de uma doença, tal como a diabetes, hipertensão arterial ou Doença de Alzheimer, mas tornam muito provável o seu desenvolvimento ao longo da vida, desde que haja um gatilho para isso, algo que acione aqueles genes, que iniciem o processo. Esse é o conceito de epigenética. É a interação entre fatores ambientais a que estamos sujeitos e a expressão da informação contida em nosso DNA.
O simples fato de se ter um parente próximo com Doença de Alzheimer não significa a existência de uma ligação genética. As pessoas que têm fatores genéticos de risco apresentam apenas um ligeiro aumento do risco de desenvolver a doença, em comparação à média da restante população. Até onde se sabe, hoje, o gene mais importante descoberto relacionado ao Alzheimer é a apolipoproteína-E, que se localiza no cromossoma 19. Este gene ocorre em três formas, ou isoformas: tipo 2, tipo 3 e tipo 4. Todas as pessoas têm dois genes de apolipoproteína-E: eles podem ser do mesmo tipo – 2/2, 3/3 ou 4/4 -, ou uma combinação de dois tipos – 2/3, 2/4 e 3/4. Foi descoberto que as pessoas com pelo menos um gene tipo 4 e especialmente aquelas com dois – 4/4 – apresentam um risco aumentado de desenvolverem mais cedo a Doença de Alzheimer do que outras pessoas com outros tipos de apolipoproteína-E. Preciso ressaltar que metade das pessoas que têm 85 anos e têm 2 cópias de apolipoproteína-E – tipo 4, não têm sintomas da doença de Alzheimer nessa idade.
As pessoas com tipo 2, especialmente as de tipo 2/2, parecem estar protegidas do desenvolvimento da doença até muito mais tarde na vida. Os pesquisadores, até agora, não conseguiram explicar esta situação e, atualmente, existem muitos estudos em curso para descobrir por que razão isto acontece. Eu tenho minha própria teoria e vou compartilhar com você em seguida.
Voltando, portanto, o tipo de apolipoproteína-E não significa que a Doença de Alzheimer vai ocorrer ou não. É sabido que algumas pessoas podem chegar aos 90 anos com o tipo 4 e não desenvolverem demência, enquanto outras com tipo 2, aquele gene mais brando, podem desenvolvê-la muito mais cedo na vida. Isto significa que o tipo de apolipoproteína-E que pessoa tem não é suficiente para causar a Doença de Alzheimer.
Agora, é bom você saber mais o seguinte: existe uma forma rara da Doença de Alzheimer que é transmitida de geração em geração. Ela é denominada como Doença de Alzheimer Familiar, ou DAF. Se um dos progenitores possui uma mutação genética que provoca DAF, cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-la. A presença do gene significa que a pessoa poderá desenvolver Doença de Alzheimer, normalmente entre os 40 e os 60 anos. Esta forma da Doença de Alzheimer afeta um número extremamente reduzido de pessoas, de 1 a 4% do total dos casos. E foram identificados três genes que, se sofrerem certos tipos de mutação, vão causar DAF. Estes são denominados presenilina 1, PSEN1, do cromossomo 14, presenilina 2, PSEN2, do cromossomo 1, e o gene da Proteína Precursora Amiloide, APP, no cromossomo 21. Um teste genético pode identificar alterações específicas naqueles genes de uma pessoa. Este teste pode indicar se a pessoa tem DAF, se uma criança herdou o gene alterado de um dos seus pais e se irá desenvolver a doença no futuro. No entanto, não consegue determinar quando é que os sintomas vão ter início. Este tipo de doença, a DAF, Alzheimer Familiar, é um verdadeiro pesadelo. Os outros, nem tanto, e vou explicar porque, voltando novamente à questão que deu início a este texto.
Você ignoraria o teste e continuaria levando a sua vida da mesma forma, correndo o risco de desenvolver demência futura? Eu acredito que não. E se você não tivesse como saber, como testar e atestar quais tipos de alipoproteína-E carrega em seus genes? Qual a medida mais inteligente a se tomar? Prevenir, claro. Impedir os gatilhos que acionam os genes! Nesse ponto começaremos a explorar o que fazer a respeito.

(Continua na ‘Parte 2’)

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