#MENSAGEMAGARCIA

Um século depois, o que Rowan continua nos ensinando sobre missão, foco, produtividade e responsabilidade?

“A message to Garcia” é um clássico mundial de 1899, um ensaio do filósofo e escritor norte-americano Elbert Green Hubbard que ganhou o mundo, sendo traduzido para 37 línguas.

A história relata a aventura de um soldado chamado Rowan que, heroicamente, superou todos os desafios e adversidades e entregou uma mensagem do então presidente William McKinley a Calixto Garcia, líder das forças rebeldes cubanas durante a Guerra Hispano-americana. O caso foi baseado em história real – o tenente Andrew Summers Rowan combateu naquele conflito e foi responsável por entregar ao então general Garcia documentos estratégicos que possibilitaram a vitória americana e a independência cubana.

Segundo Elbert, uma estátua de Rowan deveria ser fundida em bronze para imortalizar a façanha, mas a intenção real do texto nada tinha a ver com o heroísmo do personagem. Muito pelo contrário. Em um período de forte desenvolvimento industrial, os Estados Unidos se tornaram líderes mundiais em produção, rivalizando com Alemanha, Inglaterra e França. Mas a vida do trabalhador americano estava longe de ser fácil – baixos salários, condições precárias e insalubridade, jornadas longas, inexistência de direitos trabalhistas. Ou seja, um cenário altamente desmotivador.

“Mensagem a Garcia” (em português) travestia de heroísmo uma pesada advertência aos trabalhadores – eles deveriam obedecer cegamente às suas autoridades, devotando-se ao trabalho acima de suas próprias vidas. Essa foi a razão de empresas e indústrias terem impresso centenas de milhares de cópias do texto no início do século XX, distribuindo-as entre seus funcionários.

Vamos a um resumo da história.

Durante a guerra entre Espanha e Estados Unidos pelo domínio do Caribe, importava aos americanos contatarem rapidamente o chefe dos revoltosos de Cuba, um oficial chamado Garcia, que se encontrava em uma fortaleza desconhecida no sertão da ilha. O presidente McKinley precisava de sua colaboração estratégica. Contudo, como fazê-lo? Telégrafo, correio ou outro meio de comunicação mostraram-se proibitivos. Foi então que o chefe do escritório de inteligência militar destacou Rowan para a tarefa. Se Rowan não o fizesse, ninguém mais o poderia.

Alguns papéis contendo plano de ações foram entregues ao jovem soldado que nem sequer perguntou “onde está Garcia?”, quanto mais “como faço para realizar a tarefa?” E assim, poucas semanas após ter desaparecido com o documento em um invólucro impermeável amarrado ao peito sob a roupa e se lançando a uma perigosa aventura, apareceu do outro lado da ilha. Atravessou sozinho e a pé um território hostil, se embrenhou no sertão, desviou de tropas inimigas, sabe-se lá como conseguiu alimento e água, mas entregou a carta a Garcia. (Depois do ato de bravura e competência, o verdadeiro Andrew Rowan considerou que “concluiu algo até mesmo acima do seu dever de soldado”.)

Elbert completa seu ensaio fazendo uma alusão aos “novos empregados” que são chamados à responsabilidade pelos patrões, mas não fazem as “entregas necessárias”, a não ser por muito custo, não sem antes retrucarem, resmungarem e a agirem sem auto iniciativa, desviando das responsabilidades de seus cargos e funções. Conclui seu texto que suas “simpatias pertencem ao homem que trabalha, fazendo o que deve ser feito, melhorando o que pode ser melhorado, ajudando sem exigir ajuda.”

Um século depois, o que mudou?

De forma geral, o cenário trabalhista já não é mais o mesmo. Por todo o mundo, a luta pelos direitos sociais trouxe resultados muito positivos e o conflito entre “capital” e “trabalho”, longe de estar superado, também foi se ajustando às novas realidades e sendo apaziguado.

Mas a natureza humana se mantém inalterada há centenas de milhares de anos. As necessidades continuam a moldar nossos hábitos e atitudes. Os desafios pessoais continuam separando profissionais em dois grupos muito distintos em essência: os reativos e os proativos.

O primeiro grupo é formado pelos profissionais que assistem aos acontecimentos que acabam por moldar suas atitudes. São guiados pelo acaso, pelo conjunto de ocorrências aleatórias (a vida é assim, incontrolável) e vivem em um cenário de conformação. Ao final de suas vidas, olharão para trás e dirão que foram guiados pelo destino, que suas carreiras não poderiam ter sido diferentes, que seus caminhos não poderiam ter sido trilhados de outra forma e que o conjunto de suas obras, por tudo isso, estariam sempre e necessariamente orientados para os mesmos resultados alcançados.

O segundo grupo, dos proativos, é formado por profissionais que lutam por seus propósitos, por suas pretensões e que, muito provavelmente, chegarão a um ponto muito mais elevado de satisfação e de realização. São os “Rowans modernos”. Não necessitam de chefes, pois se identificam com seus líderes. Assumem a responsabilidade independentemente da autoridade que lhes foi confiada. Perseguem seus objetivos, traçam planos estratégicos para atingi-los e se envolvem de “corpo e alma” a esta missão.

A moderna “Mensagem a Garcia” está sendo escrita a todo instante e por todos os lados. Os novos desafios se multiplicam e, junto com as mudanças, transformam todos os cenários em uma guerra com a qual somente aqueles abertos à inovação, à transformação e ao crescimento pessoal estarão aptos a vencer. Você está preparado? Se não está, tem a coragem necessária para enfrentar e se ajustar ao que virá pela frente?

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