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Felicidade e Uma Vida Produtiva

Não há dúvida que trabalho e carreira são aspectos muito importantes das nossas vidas. Para alguns é uma questão de simples sobrevivência, sustento, para outros é qualidade de vida, possibilidade de uma aposentadoria mais robusta e feliz. Tudo depende do seu sucesso, de quanto você acertou em suas escolhas profissionais e de como conduziu sua carreira. De quanto foi produtivo, de quando fez a diferença em seu ambiente de trabalho. Agora, diga-me: de que forma a felicidade contribui para que você tenha uma vida produtiva e cheia de realizações? Pode parecer uma relação direta – pessoas felizes trabalham melhor, produzem melhor, vivem melhor. É bastante intuitivo isso, mas vamos aprofundar um pouco para que você tenha certeza de como isso é bem verdadeiro. Produzimos mais e melhor quando estamos satisfeitos, realizados e motivados. Por outro lado, nos sentimos mais felizes e satisfeitos quando realizamos algo bom ou melhor. Avaliando de perto os dois conceitos, temos que “produtividade é a redução do tempo necessário para a realização de algo. É também a melhoria dos resultados obtidos sem o acréscimo de novos recursos. Em um ambiente industrial, por exemplo, é a busca contínua para ser mais eficiente, mantendo ou elevando os níveis de qualidade, sem acréscimo de mão de obra ou de outros investimentos. Produtividade passa a ser produzir mais e melhor com o mesmo. Já a felicidade é um conceito bem mais complexo, difícil de ser definido em consenso, pois cada um de nós tem uma visão pessoal do que seja ser feliz. Mas, de forma geral, a felicidade é uma total alegria interior, na completa ausência de prazer ou dor. Ou seja, é um estado de espírito independente das satisfações físicas e emocionais ou das dores e frustrações. A felicidade não é física. Não está ligada às conquistas, prazeres ou a situações específicas. Eu mesmo tenho uma definição pessoal a respeito:
Felicidade é a total conexão com a realidade – um entendimento profundo de nossos potenciais, de nossas limitações e de nosso papel no mundo, em nossa existência.
Isso é um pensamento, uma perspectiva filosófica ‘estoica’. Segundo o estoicismo, devemos dedicar nossos esforços somente naquilo que podemos controlar, para encontrarmos nossa harmonia interior. Vamos pensar agora mais objetivamente, colocar em uma perspectiva mais prática – a empresa em que você trabalha pode ou mesmo deve ser responsável pela sua felicidade? Considerando que os melhores ambientes para se trabalhar devem ser motivadores, devem nos suprir de recursos para que possamos demandar sempre mais e melhor, devem oferecer benefícios adicionais para que tenhamos uma boa qualidade de vida? Vamos a um estudo de caso para colocar essa premissa em perspectiva: Imaginemos que 2 pessoas, desempregadas há algum tempo, recebam propostas idênticas para cargos semelhantes em uma mesma grande empresa, na mesma época. Ao realizarem os exames médicos admissionais, ambas descobrem estar gravemente doentes. De forma bastante incomum, a empresa concorda em manter o acordo de admissão e ainda pagar pelos tratamentos dos novos funcionários e seus salários. Pois bem, meses depois, curadas e em plenas condições físicas, as 2 pessoas são bem acolhidas e começam a trabalhar. Suas perspectivas é que não são parecidas, pelo contrário até. A primeira está altamente motivada, por várias razões: porque está finalmente empregada após um longo período desempregada, no cargo de seus sonhos, em uma empresa altamente humanizada que lhe acolheu, que lhe deu suporte e, ainda por cima, ela conseguiu superar uma grave doença. É um sonho. A outra está deprimida, também por seus motivos: passou um longo período desempregada. Ao conseguir finalmente uma vaga, descobriu uma grave doença que a afastou durante meses, em um período longo e de difícil tratamento. Considera que, apesar de estar curada, os desafios recentes mostraram uma terrível e desanimadora sequência de acontecimentos, e que isto talvez esteja longe de acabar. É um verdadeiro pesadelo! Veja, são 2 casos semelhantes com visões antagônicas, opostas. Portanto, em minha opinião, uma empresa não pode ser responsável por sua felicidade. Você é quem deve ser. A felicidade está em suas mãos, ou melhor, em seus pensamentos, na forma como você enxerga o mundo, a sua realidade. E neste ponto, se você me permite, eu reitero o MEU conceito de felicidade. Vamos em frente. Agora, uma pergunta: você sabe quem é o homem mais feliz do mundo? Eu poderia dizer que sou eu, mas um monge budista foi analisado por uma equipe de neurocientistas da Universidade de Wisconsin que lhe deu um certificado de autenticidade. Ele é Matthieu Ricard, nascido em 1946. Ele foi colocado à prova em 2012, num estudo que visava avaliar as reações do cérebro à meditação. No caso de Matthieu, seu cérebro produziu um nível de ‘ondas gama’ nunca antes relatado no campo da neurociência. Os resultados mostraram uma atividade mais elevada no segmento esquerdo do córtex pré-frontal. Quando Matthieu Ricard meditava focando em ‘compaixão’, seu cérebro ficava altamente ativo em regiões ligadas à consciência, atenção, aprendizado e memória. Esta exploração revelou que, graças à meditação, o monge tem uma incrivelmente e anormal capacidade de ‘sentir felicidade’. .
Matthieu Ricard sendo avaliado pelos cientistas de Wisconsin
Em uma escala baseada nas movimentações do cérebro, das regiões que ativam emoções positivas ou negativas, que vai de 0,3 (muito infeliz) a -0,3 (muito feliz), o resultado atingido pelo monge foi de incríveis… -0,45! Um índice fora da curva da normalidade! Afinal, como, então, podemos ser felizes e produtivos, sem precisar aderir ao budismo? Para isso ser possível, teremos de abordar uma nova perspectiva de nossa existência. É um paradoxo, uma contradição às nossas crenças habituais: o mundo no qual estamos inseridos não existe fora de nós, e sim em nós. A realidade que conhecemos é uma complexa análise mental. É um conjunto de nossas percepções, experiências, conhecimentos e entendimentos do que acreditamos ser nossa vida e nosso mundo. Agora, perceba o seguinte, atenção aqui: se é uma análise mental, ela é passível de ser revisitada, reavaliada, reprogramada sob uma perspectiva diferente, mais feliz, portanto, também mais produtiva. Sabendo disso, devemos fazer uso somente dos nossos recursos internos, disponíveis em abundância. Vamos utilizar nossos potenciais e capacidades latentes através da neurociência. Nós vamos incrementar, melhorar, o que já temos! E eu não estou sozinho nesta tarefa. Vou lhe apresentar um time de notáveis – algumas figuras conhecidas, outras nem tanto, mas todas fundamentais para o entendimento do que eu estou propondo a você. Antes, vamos entender o cérebro. Ele pesa em média 1,4 kg, cerca de 2% da massa de um indivíduo adulto, de 70 kg. É formado por cerca de 86 bilhões de células neurais, que fazem até 1.000 trilhões de conexões entre si. Essa incrível máquina consome 25% de toda a energia que absorvemos através dos alimentos e também de 20% de todo o oxigênio. Está em constante mudança. Toda vez que aprendemos algo, o cérebro cria novas redes neurais. Como agora, neste exato momento está acontecendo em você! Chamamos isso de neuroplastia – a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura. O ambiente no qual crescemos tem impacto direto na qualidade de nossas funções cognitivas, na forma como percebemos o mundo ao redor, como aprendemos, como solucionamos problemas! Ambientes desafiadores e plurais nos tornam melhores e mais inteligentes. O cérebro também é o grande comandante da nossa saúde física, liberando hormônios que controlam boa parte de nossas funções orgânicas. .
Albert Einstein, um dos homens mais inteligentes do mundo
E aqui entra o meu primeiro notável – Albert Einstein, um dos mais extraordinários físicos que o planeta já abrigou. Sete horas após sua morte, seu cérebro foi removido, com o objetivo de ser estudado pela ciência. Com um QI – quociente de inteligência – estimado em 160 pontos, Einstein tinha um cérebro 10% menor e mais leve que o do ser humano comum. Oi? Como? Por ser muito mais inteligente, ele não deveria ter um cérebro maior e mais pesado? Bem, seu cérebro possuía um alargamento nas regiões parietais, ligadas ao processamento matemático e pensamentos abstratos. E suas células consumiam mais nutrientes que o normal. Isso é tudo o que se sabe. Então, da onde vinha a grande capacidade de Einstein? E aqui, vou lhe fazer mais um questionamento: você é seu cérebro? Você é o conjunto de pensamentos, ideias, comportamentos, crenças e experiências vivenciadas por este fantástico órgão que comanda todo nosso corpo? .
Pim van Lommel, cardiologista, analisou mais de 75 EQMs
Ou você é a mente que o conduz? Difícil responder? Já tinha pensado na separação desses conceitos – mente e cérebro? Vamos entender o que é mente? Ok. Mas para entender um pouco a natureza da mente, eu chamo meu segundo notável, Pim Van Lommel, que decidiu analisá-la estudando a morte. Na verdade, as experiências de quase morte. Pim van Lommel é um cardiologista que acompanhou mais de 300 sobreviventes de morte por parada cardíaca. Em mais de 75 casos, esses sobreviventes tiveram EQM – Experiências de Quase Morte. Isto significa que essas pessoas tiveram morte cerebral detectada – quando não há mais nenhuma resposta sensorial ou reações parassimpáticas, como pulsação cardíaca, movimentação dos pulmões, etc., mas ainda assim, voltaram à vida. E, no retorno, narraram aos médicos e suas equipes tudo o que aconteceu no ambiente enquanto elas estiveram mortas – diálogos entre enfermeiros, procedimentos realizados, entre outras situações. Incrível, mas… verdadeiro! Está cientificamente relatado tudo isso, comprovado. Então, Pim Van Lommer concluiu que a mente não reside no cérebro, mas está em simbiose com ele. A mente não é, em suma, um produto químico das redes neurais. E aqui apelo para um terceiro notável: Roger Penrose, físico, matemático e filósofo. Este cientista ainda vivo relatou uma improvável relação quântica entre neurônios e o universo. Improvável não porque é apenas uma probabilidade, mas porque não se pode provar até o momento. A ideia é boa! Ele idealizou que, ‘quando o cérebro morre, a informação gerada e contida nos microtúbulos – que são as menores estruturas neurais – não fica presa, armazenada quimicamente para sempre nas células, se perdendo com a deterioração e com a morte do indivíduo. Toda essa informação se dissipa no que ele chamou de espaço-tempo-quântico. A mente, segundo Penrose, é um conjunto individual de informações que preexiste ao cérebro, e se mantém íntegra em uma outra dimensão após nossa morte. É essa, por acaso, uma tentativa de se explicar cientificamente o conceito de espírito das diversas religiões? Bem, todo esse conceito a gente vai aprofundar em um outro vídeo, combinado? Vamos voltar aqui. .
O ganhador do Premio Nobel, Roger Penrose
Entre o cérebro e a mente há uma total simbiose – uma associação íntima e benéfica que nos faz o que somos, quem somos. Cérebro, portanto, é um instrumento e a mente é nossa essência humana. Há uma linha científica que tenta apaixonadamente provar o contrário, de que é o cérebro que produz a mente, quer dizer, nossa mente, especula-se é um produto da incrível complexidade das nossas redes neurais. Se você tiver interesse, logo adiante eu vou produzir novos vídeos somente sobre esse assunto. Agora, vamos explorar a possibilidade de mudança, de aplicarmos técnicas que nos façam mais felizes, realizados e … produtivos. Vamos entrar no conceito que chamei de ‘reengenharia mental’ – o que pode efetivamente viabilizar uma grande virada pessoal em sua vida! Voltemos ao cérebro. Eu comentei que ele é o grande comandante do corpo, liberando hormônios e pré-hormônios, responsáveis por inúmeras funções fisiológicas. E, ao contrário do que reza a crença popular, a grande maioria de nossas ações e reações não são integralmente conscientes e racionais. Tudo, absolutamente tudo, passa por uma área interna do cérebro chamada ‘região límbica’, o centro de nossas emoções. Através dos modernos sistemas de neuroimagem é possível descrever como um indivíduo pensa e reage aos diversos tipos de estímulos. Sabe-se agora, inclusive, que o nosso cérebro não diferencia imaginação da realidade. Espere, eu explico melhor, preste atenção aqui: as áreas cerebrais ativadas durante a imaginação são as mesmas áreas ativadas durante a observação da imagem real ou durante uma percepção sensorial. Quando nosso cérebro entra em contato com novidades ambientais, seja pela imaginação, pelas visualizações ou as lembranças significativas que vivenciamos, tudo isso estimula a liberação dos mensageiros químicos, os nossos hormônios. É por isso que inputs psicoterápicos, terapias psicológicas, reabilitação, meditação, oração e mesmo exercícios físicos funcionam verdadeiramente, alterando nosso comportamento através dos mecanismos emocionais. .
Émile Coué, pai da autossugestão aplicada
Isto explica o que vem a seguir. Quero introduzir o meu quarto notável: é Émile Coué, um farmacêutico e psicólogo francês, nascido em 1857 e falecido em 1926. É chamado de “pai do condicionamento aplicado”. Ele estudou hipnose e se debruçou sobre a autossugestão consciente, uma técnica que advém da sugestão. Coué produziu um novo método psicoterápico ao propor que a autossugestão flui da mente, e que um primeiro estímulo pessoal a aciona – a nossa vontade. Devemos querer para produzir os resultados esperados. Segundo Coué, ao repetir palavras ou imagens positivas como autossugestão ao próprio subconsciente, a pessoa chega a condicioná-lo fortemente. A mente condicionada produz um comando autogerado consistente, ou seja, quanto mais eu repetir uma ideia, mais verdadeira ela se torna em nossa mente. Sua frase focal era “todos os dias, sob todos os pontos de vista, eu estou cada vez melhor”. Percebeu a força disso? Percebeu o mecanismo simples, mas eficiente desse método? Este método depende em parte da repetição rotineira e consistente de um comando verbal, obedecendo a uma espécie de ritual no início do dia – ao acordar, e ao final do dia – antes de adormecer. Coué afirmou que nunca curou ninguém, que apenas ensinou as pessoas a se curarem. Há inúmeros registros de que tais curas aconteceram de fato, e elas estão bem documentadas, principalmente aquelas de natureza psicossomática. As doenças psicossomáticas são desordens emocionais ou psiquiátricas que afetam também o funcionamento dos órgãos do corpo. Veja alguns exemplos – enxaqueca, síndrome do intestino irritado, alergias, gastrite, mais uma longa lista. Contudo, este método de Coué praticamente desapareceu desde a sua morte, em 1926. A sua premissa, sua ideia central, está no controle mental, na positividade que produz um sentimento de alegria e esperança. Nela, há dois princípios básicos: pense em um comando de cada vez, ou seja, foque uma única ideia. E, quando você se concentra num pensamento, esse pensamento torna-se uma verdade interna, porque o cérebro age nos bastidores e o transforma em ação. Lembre-se: o cérebro reage da mesma forma ao que é real e ao que é imaginário! Entende agora o que acontece no cérebro de Matthieu Ricard, o monge budista, quando ele medita? Mas os céticos vão logo insistir que uma pessoa com câncer não vai se curar simplesmente repetindo que não tem a doença. É absoluta verdade. A simplicidade desse método de autossugestão é factível, realizável, para nosso estado de humor, na crença de transformação e de uma atitude mais positiva. Esse é o segredo. Repetir que eu não tenho gripe, que não quebrei o pé ou que não tenho câncer, é uma distorção exagerada dessa técnica. Mas veja só: a perspectiva otimista e alegre frente aos desafios e aos problemas é solidamente transformadora, alvo de duas outras pesquisas muito interessantes que abordarei agora, com 2 últimos notáveis desse time de estrelas. .
Amy Cuddy, psicóloga social
A primeira é Amy Cuddy, uma psicóloga social americana. O ponto focal de seus estudos recentes é sobre a capacidade que o corpo tem de moldar a mente e vice-versa. Sabe-se que todos somos muito influenciados pela linguagem corporal, pelo que chamamos de comunicação não verbal, pelos nossos pensamentos, sentimentos e mesmo pela fisiologia. Expressões não-verbais de poder e dominação fazem parte dos grupos de pessoas que são dominadoras, líderes e daqueles bem-sucedidos. E como as mentes dos poderosos se diferenciam das pessoas comuns? Pessoas poderosas tendem a ser mais assertivas, mais confiantes, mais otimistas. Elas realmente acham que vão vencer sempre, até em jogos de azar. Tendem também a ser capazes de pensar de forma mais abstrata. Se arriscam mais. E o interessante é sua diferença fisiológica: pessoas mais confiantes têm elevada testosterona, que é o hormônio dominante e é fortemente relacionado com a competitividade. Pessoas líderes também apresentam baixo cortisol, que é o hormônio do estresse. Já os indivíduos menos confiantes sofrem da inversão da concentração desses hormônios. Pois a pesquisa de Amy se concentrou em fazer com que um grupo de pessoas comuns e introvertidas ‘fingisse’ ser de pessoas poderosas. Este grupo de estudo, como exercício diário, teve de adotar uma postura corporal mais firme e confiante na frente do espelho, mesmo sabendo que, internamente, se sentiam uma verdadeira fraude. Com o tempo, num espaço de poucas semanas, os exames de sangue mostraram uma sensível inversão na concentração dos hormônios daquelas pessoas. O cortisol despencou e a testosterona subiu na grande maioria dos casos. E até a atitude das pessoas estudadas mudou. Elas passaram a se sentir muito mais firmes e confiantes. Tudo porque fingiram ser o que não eram! Veja, foram ajustes mínimos. O exercício proposto por Amy durava 2 minutos por dia. Nesse tempo, a ideia era reconfigurar o cérebro, assumindo poses confiantes, firmes e felizes. 120 segundos por dia, na paz da privacidade. Bastava fazê-lo com INTENÇÃO, com CRENÇA, para que o cérebro passasse a cooperar com isso. De novo, lembre-se: o cérebro não distingue realidade de imaginação! Assim, fingir que é uma pessoa confiante e dominadora, aos poucos, transformou os tímidos em extrovertidos e realizadores!.
Shawn Achor, também psicólogo social
Por último, apresento a você Shawn Achor, também psicólogo social. Ele argumenta que, na verdade, a felicidade é que inspira a produtividade. E aqui, voltamos ao ponto essencial deste vídeo, certo? Shawn descobriu que a realidade não necessariamente nos molda, mas as lentes pelas quais o cérebro vê o mundo é que moldam a sua realidade. E se conseguirmos mudar essas lentes, não só podemos mudar nosso estado de felicidade, como também o nosso desempenho produtivo, educacional e até empresarial, ao mesmo tempo. Se elevarmos nosso positivismo, o cérebro vivencia o que chamamos de vantagem da felicidade, ou seja, o cérebro no positivo tem um desempenho significativamente melhor do que no negativo, no estado neutro ou mesmo estressado ou deprimido. A inteligência, a criatividade, o nível de energia aumentam. Pelas pesquisas de Shawn, um cérebro no positivo é, estatisticamente, 30% mais produtivo que no negativo, neutro ou estressado. Por exemplo, os médicos são 20% mais rápidos e precisos para identificar um diagnóstico correto quando atuam no positivo. A dopamina, um hormônio importante produzido no cérebro, está envolvida no aprendizado, no humor, nas emoções e cognição, no controle de movimentos. Ela inunda o sistema quando se está no positivo, e tem duas funções primordiais: não só nos deixa mais felizes, como aciona todos os centros de aprendizagem do cérebro, permitindo nos adaptar ao mundo de forma diferente. Vamos à parte prática: há uma maneira de treinar o cérebro para que ele se torne mais positivo. Durante 4 semanas consecutivas, todos os dias, podemos reprogramar o cérebro permitindo que ele trabalhe com mais otimismo e com mais sucesso. Pegue um caderno e uma caneta. Escreva pela manhã, em um intervalo máximo de 10 minutos, três coisas novas pelas quais você é grato. Durante 28 dias consecutivos, três coisas absolutamente novas – você não pode repetir um pensamento anterior. Procure ser verdadeiro e sincero nestes apontamentos. No final das 4 semanas, o cérebro começou a reter um padrão positivo de buscar informação no mundo, de enxergá-lo, não mais através das lentes negativas ou neutras. Some esse exercício ao anterior, de fingir ser uma pessoa dominante, forte e poderosa, e terá uma vida nova em suas mãos em pouco tempo. Lembra de Matthieu Ricard? O monge budista que metida refletindo na gratidão, e por isso mesmo tem o cérebro mais feliz do mundo? Pois é. Está tudo conectado. Na dúvida, faça o teste. O que você tem a perder? Bem, vamos concluir o que vimos aqui. Em primeiro lugar, que só podemos ser realmente produtivos se formos felizes. Vimos também que a felicidade pode ser um estado autogerado, ou seja, criado por nós, em nosso íntimo. Todo esse processo eu batizei de reengenharia mental, talvez a próxima revolução humana, pois nós, na verdade, somos nossa mente, e o cérebro é apenas um instrumento em simbiose. Um instrumento que pode ser moldado, remoldado, reconfigurado. De novo: faça o teste. Aplique esse novo conhecimento em si. Dê-se essa oportunidade, com dedicação, com regularidade, com intenção. Tenho certeza que os resultados serão incríveis.
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