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Felicidade e Uma Vida Produtiva

Não há dúvida que trabalho e carreira são aspectos muito importantes das nossas vidas. Para alguns é uma questão de simples sobrevivência, sustento, para outros é qualidade de vida, possibilidade de uma aposentadoria mais robusta e feliz. Tudo depende do seu sucesso, de quanto você acertou em suas escolhas profissionais e de como conduziu sua carreira. De quanto foi produtivo, de quando fez a diferença em seu ambiente de trabalho. Agora, diga-me: de que forma a felicidade contribui para que você tenha uma vida produtiva e cheia de realizações? Pode parecer uma relação direta – pessoas felizes trabalham melhor, produzem melhor, vivem melhor. É bastante intuitivo isso, mas vamos aprofundar um pouco para que você tenha certeza de como isso é bem verdadeiro. Produzimos mais e melhor quando estamos satisfeitos, realizados e motivados. Por outro lado, nos sentimos mais felizes e satisfeitos quando realizamos algo bom ou melhor. Avaliando de perto os dois conceitos, temos que “produtividade é a redução do tempo necessário para a realização de algo. É também a melhoria dos resultados obtidos sem o acréscimo de novos recursos. Em um ambiente industrial, por exemplo, é a busca contínua para ser mais eficiente, mantendo ou elevando os níveis de qualidade, sem acréscimo de mão de obra ou de outros investimentos. Produtividade passa a ser produzir mais e melhor com o mesmo. Já a felicidade é um conceito bem mais complexo, difícil de ser definido em consenso, pois cada um de nós tem uma visão pessoal do que seja ser feliz. Mas, de forma geral, a felicidade é uma total alegria interior, na completa ausência de prazer ou dor. Ou seja, é um estado de espírito independente das satisfações físicas e emocionais ou das dores e frustrações. A felicidade não é física. Não está ligada às conquistas, prazeres ou a situações específicas. Eu mesmo tenho uma definição pessoal a respeito:
Felicidade é a total conexão com a realidade – um entendimento profundo de nossos potenciais, de nossas limitações e de nosso papel no mundo, em nossa existência.
Isso é um pensamento, uma perspectiva filosófica ‘estoica’. Segundo o estoicismo, devemos dedicar nossos esforços somente naquilo que podemos controlar, para encontrarmos nossa harmonia interior. Vamos pensar agora mais objetivamente, colocar em uma perspectiva mais prática – a empresa em que você trabalha pode ou mesmo deve ser responsável pela sua felicidade? Considerando que os melhores ambientes para se trabalhar devem ser motivadores, devem nos suprir de recursos para que possamos demandar sempre mais e melhor, devem oferecer benefícios adicionais para que tenhamos uma boa qualidade de vida? Vamos a um estudo de caso para colocar essa premissa em perspectiva: Imaginemos que 2 pessoas, desempregadas há algum tempo, recebam propostas idênticas para cargos semelhantes em uma mesma grande empresa, na mesma época. Ao realizarem os exames médicos admissionais, ambas descobrem estar gravemente doentes. De forma bastante incomum, a empresa concorda em manter o acordo de admissão e ainda pagar pelos tratamentos dos novos funcionários e seus salários. Pois bem, meses depois, curadas e em plenas condições físicas, as 2 pessoas são bem acolhidas e começam a trabalhar. Suas perspectivas é que não são parecidas, pelo contrário até. A primeira está altamente motivada, por várias razões: porque está finalmente empregada após um longo período desempregada, no cargo de seus sonhos, em uma empresa altamente humanizada que lhe acolheu, que lhe deu suporte e, ainda por cima, ela conseguiu superar uma grave doença. É um sonho. A outra está deprimida, também por seus motivos: passou um longo período desempregada. Ao conseguir finalmente uma vaga, descobriu uma grave doença que a afastou durante meses, em um período longo e de difícil tratamento. Considera que, apesar de estar curada, os desafios recentes mostraram uma terrível e desanimadora sequência de acontecimentos, e que isto talvez esteja longe de acabar. É um verdadeiro pesadelo! Veja, são 2 casos semelhantes com visões antagônicas, opostas. Portanto, em minha opinião, uma empresa não pode ser responsável por sua felicidade. Você é quem deve ser. A felicidade está em suas mãos, ou melhor, em seus pensamentos, na forma como você enxerga o mundo, a sua realidade. E neste ponto, se você me permite, eu reitero o MEU conceito de felicidade. Vamos em frente. Agora, uma pergunta: você sabe quem é o homem mais feliz do mundo? Eu poderia dizer que sou eu, mas um monge budista foi analisado por uma equipe de neurocientistas da Universidade de Wisconsin que lhe deu um certificado de autenticidade. Ele é Matthieu Ricard, nascido em 1946. Ele foi colocado à prova em 2012, num estudo que visava avaliar as reações do cérebro à meditação. No caso de Matthieu, seu cérebro produziu um nível de ‘ondas gama’ nunca antes relatado no campo da neurociência. Os resultados mostraram uma atividade mais elevada no segmento esquerdo do córtex pré-frontal. Quando Matthieu Ricard meditava focando em ‘compaixão’, seu cérebro ficava altamente ativo em regiões ligadas à consciência, atenção, aprendizado e memória. Esta exploração revelou que, graças à meditação, o monge tem uma incrivelmente e anormal capacidade de ‘sentir felicidade’. .
Matthieu Ricard sendo avaliado pelos cientistas de Wisconsin
Em uma escala baseada nas movimentações do cérebro, das regiões que ativam emoções positivas ou negativas, que vai de 0,3 (muito infeliz) a -0,3 (muito feliz), o resultado atingido pelo monge foi de incríveis… -0,45! Um índice fora da curva da normalidade! Afinal, como, então, podemos ser felizes e produtivos, sem precisar aderir ao budismo? Para isso ser possível, teremos de abordar uma nova perspectiva de nossa existência. É um paradoxo, uma contradição às nossas crenças habituais: o mundo no qual estamos inseridos não existe fora de nós, e sim em nós. A realidade que conhecemos é uma complexa análise mental. É um conjunto de nossas percepções, experiências, conhecimentos e entendimentos do que acreditamos ser nossa vida e nosso mundo. Agora, perceba o seguinte, atenção aqui: se é uma análise mental, ela é passível de ser revisitada, reavaliada, reprogramada sob uma perspectiva diferente, mais feliz, portanto, também mais produtiva. Sabendo disso, devemos fazer uso somente dos nossos recursos internos, disponíveis em abundância. Vamos utilizar nossos potenciais e capacidades latentes através da neurociência. Nós vamos incrementar, melhorar, o que já temos! E eu não estou sozinho nesta tarefa. Vou lhe apresentar um time de notáveis – algumas figuras conhecidas, outras nem tanto, mas todas fundamentais para o entendimento do que eu estou propondo a você. Antes, vamos entender o cérebro. Ele pesa em média 1,4 kg, cerca de 2% da massa de um indivíduo adulto, de 70 kg. É formado por cerca de 86 bilhões de células neurais, que fazem até 1.000 trilhões de conexões entre si. Essa incrível máquina consome 25% de toda a energia que absorvemos através dos alimentos e também de 20% de todo o oxigênio. Está em constante mudança. Toda vez que aprendemos algo, o cérebro cria novas redes neurais. Como agora, neste exato momento está acontecendo em você! Chamamos isso de neuroplastia – a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura. O ambiente no qual crescemos tem impacto direto na qualidade de nossas funções cognitivas, na forma como percebemos o mundo ao redor, como aprendemos, como solucionamos problemas! Ambientes desafiadores e plurais nos tornam melhores e mais inteligentes. O cérebro também é o grande comandante da nossa saúde física, liberando hormônios que controlam boa parte de nossas funções orgânicas. .
Albert Einstein, um dos homens mais inteligentes do mundo
E aqui entra o meu primeiro notável – Albert Einstein, um dos mais extraordinários físicos que o planeta já abrigou. Sete horas após sua morte, seu cérebro foi removido, com o objetivo de ser estudado pela ciência. Com um QI – quociente de inteligência – estimado em 160 pontos, Einstein tinha um cérebro 10% menor e mais leve que o do ser humano comum. Oi? Como? Por ser muito mais inteligente, ele não deveria ter um cérebro maior e mais pesado? Bem, seu cérebro possuía um alargamento nas regiões parietais, ligadas ao processamento matemático e pensamentos abstratos. E suas células consumiam mais nutrientes que o normal. Isso é tudo o que se sabe. Então, da onde vinha a grande capacidade de Einstein? E aqui, vou lhe fazer mais um questionamento: você é seu cérebro? Você é o conjunto de pensamentos, ideias, comportamentos, crenças e experiências vivenciadas por este fantástico órgão que comanda todo nosso corpo? .
Pim van Lommel, cardiologista, analisou mais de 75 EQMs
Ou você é a mente que o conduz? Difícil responder? Já tinha pensado na separação desses conceitos – mente e cérebro? Vamos entender o que é mente? Ok. Mas para entender um pouco a natureza da mente, eu chamo meu segundo notável, Pim Van Lommel, que decidiu analisá-la estudando a morte. Na verdade, as experiências de quase morte. Pim van Lommel é um cardiologista que acompanhou mais de 300 sobreviventes de morte por parada cardíaca. Em mais de 75 casos, esses sobreviventes tiveram EQM – Experiências de Quase Morte. Isto significa que essas pessoas tiveram morte cerebral detectada – quando não há mais nenhuma resposta sensorial ou reações parassimpáticas, como pulsação cardíaca, movimentação dos pulmões, etc., mas ainda assim, voltaram à vida. E, no retorno, narraram aos médicos e suas equipes tudo o que aconteceu no ambiente enquanto elas estiveram mortas – diálogos entre enfermeiros, procedimentos realizados, entre outras situações. Incrível, mas… verdadeiro! Está cientificamente relatado tudo isso, comprovado. Então, Pim Van Lommer concluiu que a mente não reside no cérebro, mas está em simbiose com ele. A mente não é, em suma, um produto químico das redes neurais. E aqui apelo para um terceiro notável: Roger Penrose, físico, matemático e filósofo. Este cientista ainda vivo relatou uma improvável relação quântica entre neurônios e o universo. Improvável não porque é apenas uma probabilidade, mas porque não se pode provar até o momento. A ideia é boa! Ele idealizou que, ‘quando o cérebro morre, a informação gerada e contida nos microtúbulos – que são as menores estruturas neurais – não fica presa, armazenada quimicamente para sempre nas células, se perdendo com a deterioração e com a morte do indivíduo. Toda essa informação se dissipa no que ele chamou de espaço-tempo-quântico. A mente, segundo Penrose, é um conjunto individual de informações que preexiste ao cérebro, e se mantém íntegra em uma outra dimensão após nossa morte. É essa, por acaso, uma tentativa de se explicar cientificamente o conceito de espírito das diversas religiões? Bem, todo esse conceito a gente vai aprofundar em um outro vídeo, combinado? Vamos voltar aqui. .
O ganhador do Premio Nobel, Roger Penrose
Entre o cérebro e a mente há uma total simbiose – uma associação íntima e benéfica que nos faz o que somos, quem somos. Cérebro, portanto, é um instrumento e a mente é nossa essência humana. Há uma linha científica que tenta apaixonadamente provar o contrário, de que é o cérebro que produz a mente, quer dizer, nossa mente, especula-se é um produto da incrível complexidade das nossas redes neurais. Se você tiver interesse, logo adiante eu vou produzir novos vídeos somente sobre esse assunto. Agora, vamos explorar a possibilidade de mudança, de aplicarmos técnicas que nos façam mais felizes, realizados e … produtivos. Vamos entrar no conceito que chamei de ‘reengenharia mental’ – o que pode efetivamente viabilizar uma grande virada pessoal em sua vida! Voltemos ao cérebro. Eu comentei que ele é o grande comandante do corpo, liberando hormônios e pré-hormônios, responsáveis por inúmeras funções fisiológicas. E, ao contrário do que reza a crença popular, a grande maioria de nossas ações e reações não são integralmente conscientes e racionais. Tudo, absolutamente tudo, passa por uma área interna do cérebro chamada ‘região límbica’, o centro de nossas emoções. Através dos modernos sistemas de neuroimagem é possível descrever como um indivíduo pensa e reage aos diversos tipos de estímulos. Sabe-se agora, inclusive, que o nosso cérebro não diferencia imaginação da realidade. Espere, eu explico melhor, preste atenção aqui: as áreas cerebrais ativadas durante a imaginação são as mesmas áreas ativadas durante a observação da imagem real ou durante uma percepção sensorial. Quando nosso cérebro entra em contato com novidades ambientais, seja pela imaginação, pelas visualizações ou as lembranças significativas que vivenciamos, tudo isso estimula a liberação dos mensageiros químicos, os nossos hormônios. É por isso que inputs psicoterápicos, terapias psicológicas, reabilitação, meditação, oração e mesmo exercícios físicos funcionam verdadeiramente, alterando nosso comportamento através dos mecanismos emocionais. .
Émile Coué, pai da autossugestão aplicada
Isto explica o que vem a seguir. Quero introduzir o meu quarto notável: é Émile Coué, um farmacêutico e psicólogo francês, nascido em 1857 e falecido em 1926. É chamado de “pai do condicionamento aplicado”. Ele estudou hipnose e se debruçou sobre a autossugestão consciente, uma técnica que advém da sugestão. Coué produziu um novo método psicoterápico ao propor que a autossugestão flui da mente, e que um primeiro estímulo pessoal a aciona – a nossa vontade. Devemos querer para produzir os resultados esperados. Segundo Coué, ao repetir palavras ou imagens positivas como autossugestão ao próprio subconsciente, a pessoa chega a condicioná-lo fortemente. A mente condicionada produz um comando autogerado consistente, ou seja, quanto mais eu repetir uma ideia, mais verdadeira ela se torna em nossa mente. Sua frase focal era “todos os dias, sob todos os pontos de vista, eu estou cada vez melhor”. Percebeu a força disso? Percebeu o mecanismo simples, mas eficiente desse método? Este método depende em parte da repetição rotineira e consistente de um comando verbal, obedecendo a uma espécie de ritual no início do dia – ao acordar, e ao final do dia – antes de adormecer. Coué afirmou que nunca curou ninguém, que apenas ensinou as pessoas a se curarem. Há inúmeros registros de que tais curas aconteceram de fato, e elas estão bem documentadas, principalmente aquelas de natureza psicossomática. As doenças psicossomáticas são desordens emocionais ou psiquiátricas que afetam também o funcionamento dos órgãos do corpo. Veja alguns exemplos – enxaqueca, síndrome do intestino irritado, alergias, gastrite, mais uma longa lista. Contudo, este método de Coué praticamente desapareceu desde a sua morte, em 1926. A sua premissa, sua ideia central, está no controle mental, na positividade que produz um sentimento de alegria e esperança. Nela, há dois princípios básicos: pense em um comando de cada vez, ou seja, foque uma única ideia. E, quando você se concentra num pensamento, esse pensamento torna-se uma verdade interna, porque o cérebro age nos bastidores e o transforma em ação. Lembre-se: o cérebro reage da mesma forma ao que é real e ao que é imaginário! Entende agora o que acontece no cérebro de Matthieu Ricard, o monge budista, quando ele medita? Mas os céticos vão logo insistir que uma pessoa com câncer não vai se curar simplesmente repetindo que não tem a doença. É absoluta verdade. A simplicidade desse método de autossugestão é factível, realizável, para nosso estado de humor, na crença de transformação e de uma atitude mais positiva. Esse é o segredo. Repetir que eu não tenho gripe, que não quebrei o pé ou que não tenho câncer, é uma distorção exagerada dessa técnica. Mas veja só: a perspectiva otimista e alegre frente aos desafios e aos problemas é solidamente transformadora, alvo de duas outras pesquisas muito interessantes que abordarei agora, com 2 últimos notáveis desse time de estrelas. .
Amy Cuddy, psicóloga social
A primeira é Amy Cuddy, uma psicóloga social americana. O ponto focal de seus estudos recentes é sobre a capacidade que o corpo tem de moldar a mente e vice-versa. Sabe-se que todos somos muito influenciados pela linguagem corporal, pelo que chamamos de comunicação não verbal, pelos nossos pensamentos, sentimentos e mesmo pela fisiologia. Expressões não-verbais de poder e dominação fazem parte dos grupos de pessoas que são dominadoras, líderes e daqueles bem-sucedidos. E como as mentes dos poderosos se diferenciam das pessoas comuns? Pessoas poderosas tendem a ser mais assertivas, mais confiantes, mais otimistas. Elas realmente acham que vão vencer sempre, até em jogos de azar. Tendem também a ser capazes de pensar de forma mais abstrata. Se arriscam mais. E o interessante é sua diferença fisiológica: pessoas mais confiantes têm elevada testosterona, que é o hormônio dominante e é fortemente relacionado com a competitividade. Pessoas líderes também apresentam baixo cortisol, que é o hormônio do estresse. Já os indivíduos menos confiantes sofrem da inversão da concentração desses hormônios. Pois a pesquisa de Amy se concentrou em fazer com que um grupo de pessoas comuns e introvertidas ‘fingisse’ ser de pessoas poderosas. Este grupo de estudo, como exercício diário, teve de adotar uma postura corporal mais firme e confiante na frente do espelho, mesmo sabendo que, internamente, se sentiam uma verdadeira fraude. Com o tempo, num espaço de poucas semanas, os exames de sangue mostraram uma sensível inversão na concentração dos hormônios daquelas pessoas. O cortisol despencou e a testosterona subiu na grande maioria dos casos. E até a atitude das pessoas estudadas mudou. Elas passaram a se sentir muito mais firmes e confiantes. Tudo porque fingiram ser o que não eram! Veja, foram ajustes mínimos. O exercício proposto por Amy durava 2 minutos por dia. Nesse tempo, a ideia era reconfigurar o cérebro, assumindo poses confiantes, firmes e felizes. 120 segundos por dia, na paz da privacidade. Bastava fazê-lo com INTENÇÃO, com CRENÇA, para que o cérebro passasse a cooperar com isso. De novo, lembre-se: o cérebro não distingue realidade de imaginação! Assim, fingir que é uma pessoa confiante e dominadora, aos poucos, transformou os tímidos em extrovertidos e realizadores!.
Shawn Achor, também psicólogo social
Por último, apresento a você Shawn Achor, também psicólogo social. Ele argumenta que, na verdade, a felicidade é que inspira a produtividade. E aqui, voltamos ao ponto essencial deste vídeo, certo? Shawn descobriu que a realidade não necessariamente nos molda, mas as lentes pelas quais o cérebro vê o mundo é que moldam a sua realidade. E se conseguirmos mudar essas lentes, não só podemos mudar nosso estado de felicidade, como também o nosso desempenho produtivo, educacional e até empresarial, ao mesmo tempo. Se elevarmos nosso positivismo, o cérebro vivencia o que chamamos de vantagem da felicidade, ou seja, o cérebro no positivo tem um desempenho significativamente melhor do que no negativo, no estado neutro ou mesmo estressado ou deprimido. A inteligência, a criatividade, o nível de energia aumentam. Pelas pesquisas de Shawn, um cérebro no positivo é, estatisticamente, 30% mais produtivo que no negativo, neutro ou estressado. Por exemplo, os médicos são 20% mais rápidos e precisos para identificar um diagnóstico correto quando atuam no positivo. A dopamina, um hormônio importante produzido no cérebro, está envolvida no aprendizado, no humor, nas emoções e cognição, no controle de movimentos. Ela inunda o sistema quando se está no positivo, e tem duas funções primordiais: não só nos deixa mais felizes, como aciona todos os centros de aprendizagem do cérebro, permitindo nos adaptar ao mundo de forma diferente. Vamos à parte prática: há uma maneira de treinar o cérebro para que ele se torne mais positivo. Durante 4 semanas consecutivas, todos os dias, podemos reprogramar o cérebro permitindo que ele trabalhe com mais otimismo e com mais sucesso. Pegue um caderno e uma caneta. Escreva pela manhã, em um intervalo máximo de 10 minutos, três coisas novas pelas quais você é grato. Durante 28 dias consecutivos, três coisas absolutamente novas – você não pode repetir um pensamento anterior. Procure ser verdadeiro e sincero nestes apontamentos. No final das 4 semanas, o cérebro começou a reter um padrão positivo de buscar informação no mundo, de enxergá-lo, não mais através das lentes negativas ou neutras. Some esse exercício ao anterior, de fingir ser uma pessoa dominante, forte e poderosa, e terá uma vida nova em suas mãos em pouco tempo. Lembra de Matthieu Ricard? O monge budista que metida refletindo na gratidão, e por isso mesmo tem o cérebro mais feliz do mundo? Pois é. Está tudo conectado. Na dúvida, faça o teste. O que você tem a perder? Bem, vamos concluir o que vimos aqui. Em primeiro lugar, que só podemos ser realmente produtivos se formos felizes. Vimos também que a felicidade pode ser um estado autogerado, ou seja, criado por nós, em nosso íntimo. Todo esse processo eu batizei de reengenharia mental, talvez a próxima revolução humana, pois nós, na verdade, somos nossa mente, e o cérebro é apenas um instrumento em simbiose. Um instrumento que pode ser moldado, remoldado, reconfigurado. De novo: faça o teste. Aplique esse novo conhecimento em si. Dê-se essa oportunidade, com dedicação, com regularidade, com intenção. Tenho certeza que os resultados serão incríveis.

Conhecimento – A Base da Inovação Permanente

Heráclito de Éfeso, o filósofo pai da dialética já dizia: “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Portanto, mudar é uma constante em nosso mundo e é da natureza humana. Cada nova experiência, conhecimento, vivência, reflexão, nos torna renovados, inovados.
Heráclito de Éfeso – filósofo pré-socrático (535 a.C – 475 a.C ) 
O que devemos garantir é que essas mudanças sejam benéficas – a nós e aos outros -, em uma espécie de ‘progresso permanente’. Se são poucos os que até hoje fizeram a diferença no mundo, certamente é pela falta da autoconsciência da maioria, que não recebeu incentivos, orientações ou investimentos adequados, mantendo-se alienados do próprio poder criativo e transformador. Eu sou Eduardo Amaral e há 40 anos venho construindo um histórico pessoal de estudos e autoconhecimento. Meu método é observar, conhecer, refletir, praticar e consolidar. Queria dividir com você hoje a minha perspectiva sobre a chamada inovação pessoal. Afinal, quem não quer ser uma pessoa melhor? Quem não quer ser um profissional melhor? Quem não gostaria de fazer a diferença em seu trabalho, para sua família, para sua comunidade? Pois bem. Eu acredito fortemente que somos um misto de 3 conjuntos que determinam nossa essência: 1. Nossas habilidades; 2. Nossa resiliência; 3. Nossos conhecimentos. Simples? Eu explico. No primeiro conjunto, as habilidades, são elas que definem nossas capacidades e competências, nossas qualificações. Profissionalmente, são indispensáveis para obtermos destaque na carreira. No segundo conjunto, a resiliência, estão as nossas 3 “saúdes”, alvo desta plataforma: a saúde física, a mental e a emocional. Só sendo saudável nos três aspectos é que podemos eficientemente nos adaptar às mudanças, sobrepujar os desafios e sair fortalecidos das eventuais adversidades. O terceiro conjunto é formado por outros 3 grandes grupos de domínios teóricos e práticos: o conhecimento especializado, o conhecimento generalista e o conhecimento universal. O primeiro, especializado, é adquirido na formação acadêmica e técnica, na aplicação no dia a dia, nos sucessos e fracassos ao longo da carreira. O segundo é alvo de inúmeras pesquisas e estudos atuais: um profissional generalista é aquele capaz de ser especialista em interagir com várias áreas, possui visão abrangente da profissão, da organização, do mercado, e vai além: seu conhecimento é plural, rico, lhe proporciona uma visão multifuncional, embora mais superficial. Já o conhecimento universal é aquele que advém de profundas reflexões. É um conhecimento de classe filosófica, ligado à construção de ideias e conceitos, na busca incessante pelas verdades do mundo, da vida. O que somos, por que somos? Quem se apega à metodologia filosófica tende a ser racional, sistemático, crítico. Busca a transformação da realidade, a saída de uma vida medíocre, vulgar, prosaica. Portanto, as bases são estas. Mas como tudo isso funciona? Veremos já, já. Em resumo, a inovação pessoal é uma sólida base de crescimento e evolução, constituída por um triângulo conceitual onde as suas três pontas são complementares – as habilidades, a resiliência e o conhecimento. Vamos falar das habilidades. O que é uma habilidade? É tudo o fazemos com nossa engenhosidade, destreza, capacidade. Tudo o que executamos com alguma perfeição e ligeireza. Nesse grupo estão todas as nossas aptidões, talentos natos e competências, e podem ser várias, como postula Howard Gardner, um psicólogo cognitivo famoso pela sua teoria das inteligências múltiplas. Gardner percebeu que os testes de QI não eram suficientes para descrever a grande variedade de competências cognitivas humanas – por exemplo, uma criança com alta destreza em música não é menos inteligente que outra com grande facilidade em matemática. Indo aos extremos, Machado de Assis, Tom Jobim, Aleijadinho e Pelé são expoentes brasileiros das diversas inteligências. Todos tiveram destaque em suas carreiras, dando ênfase à sua principal vocação. Aqui, fundamental é descobri-la o mais cedo possível – sua vocação. Em seguida, traçar um plano de desenvolvimento, que na maioria das vezes começa na formação acadêmica. Ela procura amplificar e aprofundar seus conhecimentos. Se o objetivo é se tornar o melhor possível naquilo que decidiu fazer, sua carreira será uma continuidade de escolhas que lhe mantenham no caminho planejado. O tempo e a prática tornarão você um profissional melhor e mais preparado. Mas o sucesso só será possível se você mantiver três características complementares: a regularidade, a intensidade e a persistência. Sem elas, você jamais chegará a ter algum destaque ou mesmo a realizar seu sonho. Regularidade é manter o ritmo de forma disciplinada. Intensidade é a força e a paixão com as quais você se dedicará a realizar. E a persistência é a firmeza com a qual superará todos os altos e baixos, mantendo a intensidade mesmo no longo prazo, garantindo o ritmo. Mas, e suas outras habilidades, além da vocação, não contam? Sim. E muito. Vamos tratar disso agora. Sucesso na carreira pode ter vários significados, é algo muito pessoal, cada um de nós pode ter uma perspectiva muito diferente, flexível até, sobre o que é sucesso. Mas ele começa lá atrás, na definição, no encontro de nossa real vocação. Ainda jovens, tendemos a seguir um caminho diferente de nossos pais, irmãos, amigos. Ou não, e descobrimos que temos uma vocação ancestral, herdada de pais e avós. A partir daí, planejamos um caminho a seguir, apostando todas as nossas fichas na atividade ou profissão cuja promessa básica é nos realizar como profissionais, cidadãos e mesmo como seres humanos complexos que somos. Tendemos a concentrar recursos e oportunidades nesse sentido único, nesse funil. Em algum momento, o sucesso virá, na forma de realização pessoal e financeira. Sucesso, em rápidas palavras, é alcançar os seus objetivos. De novo, basta ter regularidade, intensidade e persistência. Essa fórmula realmente trouxe a felicidade para um sem-número de pessoas, por todo o mundo. Olhando para trás, na história, há centenas de milhares de casos registrados, de exemplos a serem seguidos. Mas, e olhando para o futuro? O que vemos?
Processos sociais mais complexos, relações comerciais mais dinâmicas e abrangentes, disrupção em várias áreas, desaparecimento de profissões, surgimento de novas. Eu enxergo um mundo em que as mudanças estão se intensificando. Em breve, teremos de criar soluções para os problemas que ainda nem imaginamos.
Isto significa que aquela sua habilidade principal, transformada em sua vocação, sua aposta franca, terá de ser substituída rapidamente. Talvez não se trate de algo tão radical, como mudar de profissão ou de segmento de atividade. Mas de desenvolver novos conhecimentos para surfar a onda das mudanças. Tudo isso se aproveitando de suas outras habilidades, evidentemente. Hoje, sociólogos e teoristas estão especulando sobre a amplificação do foco de conhecimentos: de evoluirmos de especialistas para nos tornarmos generalistas. Ou seja, de ampliarmos as áreas em que nos distinguimos, avançando para um novo patamar, mais completo e complexo, atendendo às próximas prováveis necessidades. E aqui eu volto a Howard Gardner e sua teoria das inteligências múltiplas. Todos temos alguns outros potenciais adormecidos além da nossa vocação principal. Ou potenciais não ativados, por conta das oportunidades que abraçamos ou das decisões que tomamos ao longo da vida. Por isso, o conselho que lhe dou é: mantenha sua mente aberta e aprenda algo novo todos os dias. Crie o hábito da curiosidade, dê-se a oportunidade de descobrir coisas novas. Sob todos os cenários, isto fará de você um profissional melhor ou uma pessoa bem mais interessante. Então, eu pergunto: você é especialista ou generalista? Essa pergunta é a ‘bola da vez’ nos centros de estudo de potenciais humanos, de recursos humanos, no mundo corporativo. Duas perspectivas me fazem questionar o porquê desses conceitos serem tratados como distintos, às vezes até antagônicos. Quer dizer, ou você é um ou você é outro. Ou você é especialista ou é generalista. Em primeiro lugar, acredito, temos uma questão física – o tempo. Ele é algo comum a todos, e tem caráter excepcionalmente inflexível e irreversível. Em todo o mundo, um dia tem exatas 23 horas, 56 minutos, 45 segundos e meio. Enquanto estamos juntos, aqui, os segundos vão se sucedendo, é o ritmo. O tempo não para. Ele continua implacável apesar de todos os esforços, desejos, pedidos e orações que façamos ao universo. É inflexível. Você não pode chegar em um ponto de sua vida e optar por uma nova escolha em seu passado, voltar no tempo e preferir algo diferente, como uma outra profissão. Tempo é irreversível. Já foi. Então, todos destinamos o uso de nosso tempo em algo que não tem volta. Por definição, “tempo é o único bem irrecuperável”, como bem disse Napoleão Bonaparte. Ao escolhermos uma profissão, sabemos que, quanto mais profundo formos no conhecimento que a cerca, melhor. Mais assertivos seremos, mais destaque teremos em relação aos que sabem menos. Dedicamos um longo tempo, de forma metódica, à carreira. Quer dizer, nos tornamos especialistas por sermos racionalmente rigorosos e sistemáticos, investindo ou apostando todo o nosso tempo. Em 15, 20 ou 30 anos de estudos aliados à prática, nos tornamos uma referência. Em um longo período, todo estudioso e praticante irredutível torna-se um excepcional especialista. Esta é, portanto, uma das duas perspectivas do porquê se separar especialistas e generalistas. É a primeira. Agora, vamos à outra, à segunda. O que é conhecimento? Por conceito, conhecimento é a somatória do que se conhece. É o conjunto das informações e princípios armazenados e compartilhados pela humanidade. É o domínio, a consciência e ciência das coisas que nos cercam. Portanto, é finito sob certo sentido. E dinâmico, sob outro. Significa que tudo o que sabemos é uma fração do que ainda descobriremos. Agora, perceba que, se conhecimento é um recurso finito, pode ser também um produto administrável. Produtivamente consumível e administrável, o que nos abre as portas para a generalização. Por mais que a humanidade produza dados e informação, o novo conhecimento exige também coerência, organização das ideias, prova e contraprova, exige aderência ao que já se sabe para ser universalmente aceito. Como já comentei, os que se dispuseram a estudar e a desenvolver profundamente um tema, uma área específica, chamamos de especialista. O profissional que possui uma visão mais ampla dos objetivos de uma organização, que possui um pensamento mais estratégico e uma visão global, é um generalista. Sua dedicação em ampliar esta visão macro é seu objetivo contínuo. Generalistas acabam se tornando CEO das organizações. Compreendem a sinergia de áreas tão diversas quanto finanças, operações, TI e recursos humanos. Iniciam a carreira como um especialista, mas habilidades como liderança, gestão e administração logo dão um outro sentido à carreira. É natural, portanto, que os especialistas sejam em número maior que generalistas em uma empresa, pois os cargos gerenciais são em menor número. Dito isso, vamos voltar aos desafios modernos. Principalmente, ao desafio do futuro ambíguo, improvável, imprevisível. O futuro e os próximos cenários vão exigir dessas duas classes de profissionais – especialistas e generalistas, algo mais, algo além. Vão exigir uma nova lógica de atuação. A tendência é que os especialistas se abram para o pensamento estratégico e visão mais global e, em algum momento, essa amplitude de conhecimentos os transformará também em ótimos administradores. Ou em profissionais exponencialmente mais adequados às suas funções! A nova era da inovação contínua forçará as empresas a terem uma organização de recursos humanos mais avançada, com times mais autônomos, com mais acesso à aprendizagem organizacional. Os especialistas do futuro saberão mais que seus chefes atuais em termos de gestão. Silenciosamente, as parcerias, as joint-ventures, as plataformas de conhecimentos múltiplos e acessíveis, elas já vêm transformando mercados e empresas. Os generalistas como conhecemos hoje vão desaparecer. As carreiras de sucesso serão construídas por especialistas em constante aprendizagem e amplificação de suas áreas de conhecimento. Seremos todos multiprofissionais. Isso está lhe perturbando? Essa ideia lhe provoca desânimo? Não se preocupe. Posso afirmar que você tem todos os recursos internos e condições para essa mega atualização. Mas, antes de avaliarmos nossos recursos internos e nossa capacidade de desenvolver habilidades latentes, vamos entender um pouco mais a natureza dos três níveis de conhecimento que eu postulei aqui: o conhecimento especializado, o geral e o universal. Eu os coloco dessa forma – em uma escala hierárquica que se inicia no específico e chega ao absoluto, ao essencial. Em um mapa do tempo, eu definiria o primeiro como quase efêmero e o último transcendente, atemporal. Em um gráfico, seria o seguinte: uma pirâmide de base larga: embaixo está todo conhecimento especializado do mundo, e no alto, o universal. Tudo o que sabemos é resultado de nossas experiências, que se iniciam em nossas percepções, sensações e constantes análises que formam nosso repertório interior. Ao abraçarmos uma profissão – médico, professor, cientista, engenheiro, programador, qual for -, a profundidade na qual nos imergimos nos assuntos relativos a ela, a intensidade dos estudos e das aplicações práticas nos transformam em um especialista. Olhando para trás, ao longo dos tempos, as divagações e teorias sobre a natureza das coisas e ao funcionamento de tudo o que era observado deram lugar à tecnicidade e à metodologia científica. Na medicina, por exemplo, as dissecações feitas pelos gregos 400 anos antes de Cristo apontavam que os nervos – sensitivos e motores, estavam ligados ao cérebro, e que este era reconhecidamente a sede da inteligência. Mas, só muito recentemente, com a ajuda de microscópios eletrônicos e equipamentos de ressonância magnética é que avançamos para o entendimento efetivo do funcionamento do cérebro e suas microrregiões. Ainda assim, estamos longe de entender o mecanismo de nossos pensamentos. Você percebe, portanto, a dinâmica do conhecimento especializado? Ele evolui com o tempo. Se superpõe. Às vezes, se contrapõe, como Galileu e Copérnico fizeram na astronomia. O próximo degrau no conhecimento é o ‘geral’ -, ou seja, o conjunto do que se sabe efetivamente e foi consagrado como verdadeiro. Aqui está tudo o que exprime a conformidade com a realidade, as teorias comprovadas há muito tempo, as bases sólidas do que é permanente, estável, definitivo. É um conhecimento não sujeito às mudanças de suas bases de estudo ou à transitoriedade do conhecimento especializado. É tudo o que nos dá segurança para vivermos e tomarmos decisões. Se nos aprofundamos nesse tipo de conhecimento, mais do que datas, fatos, regras e ocorrências, acabamos por dominar as concepções, a compreensão superestrutural. Por exemplo, você não precisa ser médico para dominar o conceito de vida humana, dos fatores que podem estender ou abreviar nossa existência – alimente-se bem, tenha bons hábitos, pratique atividades físicas e terá uma vida mais longa. Recuse esse estilo de vida e morra mais cedo, simples assim. É um conhecimento já consolidado, não precisa de comprovações técnicas adicionais. Por último, temos o conhecimento universal. Um conjunto total e eminentemente abstrato, formado por ideias e concepções acerca dos porquês humanos: o que somos? Por que somos? Qual o sentido de nossa existência? O que seremos em mil ou dois mil anos? O que é a humanidade em um amplo contexto do universo conhecido? Somos tudo ou somos nada? Senhores da cognição – os únicos seres inteligentes em mais de 93 bilhões de anos-luz do espaço sideral ou somos pó? Filósofos, religiosos, ocultistas e pensadores, em todas as épocas conhecidas, em todo o mundo, convergem a um ponto – no propósito de tentar encontrar essas respostas. Viver por viver, ser o mais graduado especialista conhecido em alguma área, chegar à polimatia, ou seja, no saber mais vasto e variado possível, tudo isso não chega a nos satisfazer. Nossos espíritos têm sede por mais, muito mais. É por isso que eu acredito firmemente que você também tem esse poder, essa semente da autotransformação, da renovação, da inovação contínua. E por isso a resiliência é tão importante! Reflita aqui – como você encara um longo desafio no trabalho? Como você encara uma crise financeira? Como você encara um problema pessoal ou familiar? Você é uma pessoa resiliente? Estamos em uma era profundamente marcada pela velocidade dos acontecimentos, das mudanças, de forma contínua. Os ciclos de transformação estão cada vez mais curtos. Tecnologia e tendências novas transformam empresas, hábitos corporativos e a forma como trabalhamos, fazemos negócios e como vivemos. Embora pareça uma conjuntura positiva, tudo isso é absolutamente estressante, pois nos coloca à prova permanentemente. Esta nova realidade impõe às pessoas, aos profissionais e colaboradores das empresas um cenário de frustração, de estresse e vulnerabilidade. Mas não somente aos subordinados. Os gestores e empresários também sofrem de uma crescente ansiedade. Enfrentam a necessidade de serem mais rápidos e precisos em suas decisões, principalmente em períodos de competição anabolizada pelas crises. Esses cenários adversos são especialmente propensos a descortinar o que chamamos de resiliência. A resiliência é uma expressão migrada da física para as ciências humanas – é a capacidade para enfrentar e superar adversidades, ou a capacidade de se recompor facilmente. Uma habilidade psicológica para se adaptar aos infortúnios ou às mudanças repentinas e incontornáveis. O que descobri é que a resiliência é em parte um atributo da personalidade. Quando ativado, ele possibilita a criação de um senso de autoproteção, de autoconfiança, de renovação. Mas isto só é possível quando temos saúde mental, ou seja, quando nossos pensamentos estão sob o controle de uma certa racionalidade e não reféns das nossas emoções. Portanto, a resiliência só é possível quando, além da saúde mental, temos uma sólida saúde emocional. Veja, quando cedemos aos problemas, à ansiedade e à frustração, uma grande quantidade de cortisol – o hormônio do estresse – é permanentemente injetada em nossa corrente sanguínea, causando não só um desequilíbrio mental e emocional, mas também físico. O corpo sofre! Enfim, a resiliência só é possível também quando também temos saúde física. Acha tudo isso um pouco distante de sua realidade, do seu dia a dia? Quer dizer, acha difícil controlar integralmente o seu tripé de saúde? Eu vou lhe mostrar como isso é possível, ao longo do projeto ‘Cuide de Sua Vida’. Pense em uma extraordinária máquina orgânica, pesando entre 1 quilo e 200 e 1 quilo e 400 gramas, que processa praticamente tudo – automaticamente – para você poder viver seu dia da forma mais confortável e econômica possível. Esta máquina é o cérebro, uma junção de estruturas distintas que foram sendo ‘adicionadas’ de acordo com as necessidades evolutivas, ao longo de 4 milhões de anos. Os então hominídeos, nossos ancestrais lá atrás, possuíam as partes básicas que cuidam do comportamento voltado à sobrevivência, como a fome e o impulso sexual. Eles também deveriam ter uma estrutura rudimentar dos centros mais altos do cérebro, envolvidos no processamento emocional – como o hipocampo e a amígdala. Com o tempo, foi se avolumando o córtex, hoje complexo e gigantesco, responsável pelos pensamentos lógicos e abstratos e pela linguagem. A interação entre as regiões mais antigas e as mais novas do cérebro é o que faz de nós o que somos hoje. Há cerca de 300 anos estão os primeiros registros de estudos sobre a saúde mental. Ela está diretamente relacionada às funções cerebrais, pois é ele, o cérebro, que comanda e coordena nossos atos, pensamentos e emoções. Este é um assunto tão vasto e complexo que será impossível abordarmos todas os aspectos relevantes aqui, agora. Vamos fazê-lo ao longo de vários vídeos aqui na plataforma, ok? No conceito de saúde mental descreve-se um nível de qualidade cognitiva e emocional que inclui a nossa capacidade para apreciarmos a vida, buscando um equilíbrio entre atividades e esforços para se atingir a resiliência. Aliás, há uma tênue diferença entre saúde mental e saúde emocional. Nós trataremos disso um pouquinho mais adiante. Por ora, vamos continuar no cérebro e a manutenção de sua saúde. É o básico, o ponto inicial da jornada rumo à resiliência. Pois bem. Você trata bem seu cérebro? Se o cérebro é um instrumento poderoso e sensível, como podemos cuidar para que ele se mantenha sempre afiado e saudável? Vou lhe dar 3 recomendações e explicar rapidamente cada uma delas. A primeira: beba muita água, pelo menos 2 a 2,5 litros por dia. A base da atividade cerebral é elétrica. Em nosso organismo, isso ocorre na presença de sais diluídos em água. Beber pouca água reflete diretamente em várias atividades metabólicas e impacta profundamente no cérebro, diminuindo a função cognitiva. A segunda recomendação: faça exercícios aeróbicos. Mantenha a intensidade, sempre. Andar, correr ou praticar ginástica, procurando suar bastante. Isso protege seu cérebro. Cérebro precisa de oxigênio. Ele consome 20% de tudo o que é inalado. A terceira recomendação é… muito poderosa: medite. A meditação, do tipo relaxamento associado à contemplação interna pode transformar o cérebro. A prática faz crescer o tecido cerebral, melhora o humor e nos deixa mais resilientes. Ela envolve a metacognição, que usa o córtex pré-frontal, mas também ativa o cérebro inteiro, acessando experiências sensoriais e emocionais, impulsionando as partes mais novas e as mais antigas do cérebro. Pense em seu cérebro como um atleta. Com os cuidados corretos, pode-se extrair dele o máximo desempenho. Veja só: em um estudo realizado na Universidade de Harvard, participantes que meditaram por 40 minutos diários (em duas sessões de vinte minutos) apresentaram o tecido do córtex, a massa cinzenta, mais espesso nas áreas responsáveis pela atenção, pela tomada de decisões e pela memória de trabalho, quando comparado a quem não meditava. Um outro estudo verificou que oito semanas de meditação do tipo atenção plena – a chamada mindfulness – aumentava a densidade da massa cinzenta em várias regiões e também no hipocampo, envolvido na aprendizagem e na memória, e reduzia a densidade da massa da amídala – estrutura que desempenha um papel significativo no estresse. Também surgiram como resposta à meditação mudanças fisiológicas e bioquímicas que permaneceram muitas horas depois de terminada a sessão, proporcionando sensível melhora na saúde do praticante. Você medita? Não? Então, não sabe o que está perdendo. Diversas técnicas foram criadas e aprimoradas nos últimos milhares de anos – da yoga à meditação transcendental, da alfagenia ao mindfulness. Técnicas que foram exaustivamente testadas em laboratório, e cujos benefícios estão amplamente difundidos por toda a internet. Para mim, meditar é um dos segredos da saúde cerebral, a base de nossa resiliência. Nos últimos anos tenho me dedicado a este assunto – a saúde do cérebro – como ponto de partida para meu processo de inovação pessoal. Descobri coisas interessantíssimas, como os estímulos à criação de novas células nervosas. Nosso cérebro, portanto, pode ter intensa atividade de renovação estrutural. Este são fenômenos chamados neuroplasticidade e neurogênese. A neurogênese, apesar de não muito significativa em termos quantitativos, ocorre principalmente no hipocampo, uma estrutura no centro do cérebro muito importante para o aprendizado, a memória, o humor e a emoção. A neurocientista francesa Sandrine Thuret, num amplo estudo verificou, sem novidade para nós agora, que a atividade física aeróbica impacta positivamente a neurogênese. E o que você come também tem efeito na produção de novos neurônios no hipocampo. Uma dieta com restrição calórica de 20% a 30%, aumenta a neurogênese. Um jejum intermitente ou um longo espaço de tempo entre as refeições, aumenta a neurogênese. A ingestão de flavonóides, presentes no chocolate amargo, aumenta a neurogênese. Os ácidos graxos do ômega 3, presentes em peixes gordos de grande profundidade, vão aumentar a produção dos novos neurônios. O resveratrol, encontrado no vinho tinto, ajuda a promover a sobrevivência dos novos neurônios. Por outro lado, a ingestão de álcool diminuirá a neurogênese. Fazendo um resumo: a restrição calórica irá melhorar sua capacidade de memorizar, enquanto uma dieta rica em gordura ruim vai exacerbar sintomas da depressão. Por gordura ruim estou falando dos excessos de Ômega 6 e das gorduras hidrogenadas. Se você achar legal, vamos resumir essas recomendações para a saúde do cérebro: coma menos, procure fazer uma dieta saudável à base de frutas, legumes e peixe. Quando eu falo frutas, não estou me referindo aos sucos! Eu me dedicarei a esse assunto em um artigo exclusivo, ok? E só de vez em quando comemore todos os seus potenciais mentais recém descobertos com uma taça de vinho. Assim encerramos esse resumo sobre como tratar bem o cérebro. Agora, vamos estudar um pouco os aspectos mentais e emocionais. Saúde mental e saúde emocional. Elas fazem parte de um processo amplo, interligados de forma indissociável e de influência recíproca. Veja, uma pessoa que está sofrendo de depressão ou de extrema ansiedade tem um quadro de saúde mental alterado. Ao seu redor, as pessoas respondem a estas alterações também de forma modificada, provocando ainda mais desequilíbrio. Ter saúde mental significa aceitar de forma natural dificuldades e exigências da vida, assim como lidar bem com as emoções, boas ou ruins. Reconhecer seus próprios limites é também uma das características de quem goza de boa saúde mental. Mas saber lidar com sentimentos, conseguir se desvencilhar e superar acontecimentos ruins, também são produtos de uma boa saúde emocional. A saúde emocional é mais fácil de ser percebida por outras pessoas, uma vez que se trata diretamente da forma como lidamos com o outro. É também caracterizada pela capacidade de controlar e gerenciar as alterações de comportamento que influenciam nossas atividades cotidianas. Se você percebe que algo não está indo bem, saiba que há formas simples e práticas de se melhorar a sua saúde emocional. Em primeiro lugar, passe a monitorar suas atitudes e pensamentos. Contenha sua irritação, sua impaciência e a dificuldade em se concentrar em algo. Faça isso questionando os prováveis porquês desses comportamentos. Invista nos hábitos positivos, como comer saudavelmente e praticar atividade física, muito importante é alegrar as pessoas ao redor com uma atitude positiva. Pratique atividades prazerosas, elas estimulam a inteligência e suas habilidades sociais. Seja grato por tudo o que conquistou até aqui. Quebre a rotina. Reserve um tempo só para você. Tenha menos expectativas para evitar as frustrações e seja mais tolerante. Com o tempo, em um formidável efeito dominó, tudo isso promoverá uma saúde completa e inabalável. Física, mental e emocional. Este é o ponto de partida para sua inovação pessoal. Tenha certeza, depois de tudo o que vimos aqui, que é possível desenvolver um senso de renovação e recriação de sua própria carreira, de sua própria vida, construindo bases sólidas para impulsionar hábitos e ideias transformadoras. Você deve ter percebido que eu não gosto de verdades prontas, não gosto de ideias sem comprovação adequada. Em minha vida, testei tudo o que pude. Pus à prova meus novos saberes, minhas teorias, abracei novas ideias e abandonei crenças limitantes e invisivelmente perversas. Há um monte delas por aí. Portanto, questione sempre, acredite vendo e refletindo, mantenha a esperança. É com ela que damos o salto de fé. Use suas habilidades. Desenvolva novas. Amplifique seus conhecimentos – os especializados e os generalizados, mas busque os conhecimentos universais! Nossa vida é um sopro, viver cem anos é nada perto da idade do planeta, ou mesmo do futuro que há por vir. Por isso, dê o seu melhor, faça o seu melhor. Faça por você, faça pelas pessoas que ama, faça pelas gerações próximas. E faça tudo com regularidade, com intensidade e com persistência. Se precisar de uma luz, de um estímulo, de uma ideia nova, estarei por aqui, esperando por você. Um abraço e até o próximo artigo!
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