#SAUDEMENTAL

Pensamentos Positivos – A Grande Mentira

Pense em algo que você quer muito. A casa dos seus sonhos, um carro novo, um emprego onde lhe tratem com respeito e você obtenha o devido valor, uma saúde perfeita. Enquanto você pensa, centenas de milhares de neurônios são acionados, trocam informações, impactam seu sistema endócrino liberando hormônios que lhe farão se sentir bem. Muito bem.

Agora, pense nesta possibilidade: se você intensificar este pensamento, repeti-lo incansavelmente, mantiver estas imagens em sua cabeça, o ‘Universo’ trabalhará a seu favor. Ou Deus ou as ‘forças da natureza’ ou os ‘anjos que lhe dirão amém’ ou mesmo aquilo que você tem em suas crenças como o ‘motor superior de nossas vidas’ – algo assim promoverá, materializará este seu desejo ardente, intensamente mentalizado.

Responda com sinceridade, em um lapso de realidade: isso já aconteceu verdadeiramente com você? Um desejo ou um sonho realizado de forma extraordinária, sem explicação aparente? Conhece alguém que domina esta prática de mentalizar positivamente e hoje vive feliz e realizado?

Eu respondo por você. Desculpe-me por atravessar a questão: se você conhece alguém privilegiado nesse sentido, foi uma mera coincidência. Coisa das estatísticas. Há tantas pessoas no mundo que existe até mesmo essa possibilidade – a de pessoas atingirem alguns de seus objetivos ‘mentalizando intensamente’.

É uma mentira, infelizmente. Pense bem, caso fosse uma ‘Lei do Universo’, ‘mentalizar positivamente’ faria de todas as pessoas no mundo seres extremamente felizes, com seus desejos amplamente realizados! Quem não deseja intensamente uma vida próspera e repleta de momentos de alegria plena?

Essa mentira vende livros, palestras, webinários, cursos, brindes, mais livros e mais palestras. Ronda Byrne, por exemplo, autora de ‘O Segredo’, faturou 50 milhões de dólares em um ano de lançamento de sua obra. É um tema sensacional, pois não exige comprovação material ou científica. Só um lastro das estatísticas. Pegam-se os casos de sucesso, os pouquíssimos, e os colocam como ‘padrão’, como regra.

Para quem se encanta com isso, é uma ideia perniciosa. Ela coloca você em um alto grau de motivação interna, sem prazo de validade. Mais que isso, ela retira a capacidade de realização do seu centro interno e coloca em um ponto externo. Você acaba refém de um ‘Ser Superior Realizador’ para receber o que merece ou acha que merece. Mas a motivação é como uma breve paixão, acaba logo. Com o tempo, vem a frustração, a sensação de abandono por parte do ‘Universo Realizador’ – por que eu não? Portanto…

Portanto, o PENSAMENTO POSITIVO é destrutivo, é cruel, chega a ser desumano.

Por outro lado, temos uma grande força interna, que é a nossa MENTE. Na verdade, a mente, de forma ampla, é nosso verdadeiro eu – um conjunto de qualidades, experiências, conhecimentos, desejos e realizações. Um mix de tudo isso que se traduz em nossa personalidade (exterior e interior), tendo ao fundo nosso caráter como catalisador. É nossa mente que pode produzir alguns dos ‘milagres’, desde que você saiba exatamente como fazê-lo. Não há mistério: há muita prática e bom senso. Há muito ‘trabalho interno’ para se produzir os resultados esperados.

Nossa mente é sempre condicionada por aspectos exteriores e interiores. Mas você é quem dá o tom de sua vida: é uma pessoa proativa ou reativa? Quer dizer, busca o que ambiciona ou espera que a vida lhe traga? Tem um otimismo permanente, que impede os ciclos alternados de alegria e tristeza, de altos e baixos, ou é refém dos acontecimentos que trazem a felicidade e a infelicidade?

É isto o que faz toda a diferença na vida: ter o domínio de si. Produzir os sentimentos internos que nos fazem motivados, alegres e otimistas. Um otimismo consigo, ao contrário daquele que prevê um ideal externo de bonança e prosperidade. A este estado interno damos o nome de MENTE POSITIVA. Como tudo na vida, é um processo de aprendizado, de auto aprendizado, de testes, escolhas, retornos e avanços. Começa instável, mas vai ganhando consistência, aumentando sua segurança interior, seu senso de controle.

A mente positiva é só benéfica. Não possui efeitos colaterais, não tira o seu poder. Muito pelo contrário, mantém o seu controle sobre a vida, melhora sua saúde. E isto sim, foi comprovado cientificamente, tem respaldo das boas universidades americanas. Para saber mais a respeito, leia o artigo desta plataforma intitulado “Felicidade e Uma Vida Produtiva”.

Então, livre-se dos PENSAMENTOS POSITIVOS. Passe a adotar a MENTE POSITIVA.

Como Você Enfrenta a Crise?

Em algum momento de sua vida, você enfrentou ou enfrentará uma crise. Financeira, emocional, estrutural, existencial, de saúde. Mas as crises não existem “fora de nós”, e sim “em nós”. Elas são uma leitura mental complexa que fazemos de uma situação específica com a qual não sabemos lidar ou que está fora de nossa zona de conforto, causando uma séria frustração e, por isso, muita ansiedade. Eu sou Eduardo Amaral, empresário da área de comunicação há 30 anos. Hoje vim trazer a você um pouco da minha experiência de bastidores, daquilo que aprendi indiretamente, durante minha vivência em diversos desafios. Nos últimos tempos, tenho observado amigos, colegas de trabalho e, principalmente, clientes, reclamando da crise por que passa o país, numa leitura mista de resultado econômico inconsistente e falta de moral e ética em todos os âmbitos institucionais. A cada vez que abrimos o jornal, assistimos ao telejornal, vemos um post nas redes sociais, conversamos em uma mesa de bar, acabamos por redundar na ideia coletiva de que tudo está ruim. Pois é, eu também acho que está. Mas o quanto isso afeta você? O quanto você se deixa afetar? Vamos olhar mais especificamente para os que estão sofrendo realmente uma crise. Nas últimas semanas, quatro ou cinco pessoas próximas relataram estar passando por severas dificuldades em seus negócios, agravadas pela pandemia. Clientes sumiram, projetos foram cancelados, estruturas tiveram de ser encolhidas, enxugadas e ainda assim estão mergulhados em um redemoinho de problemas. O dinheiro sumiu! E, se nas empresas isso é preocupante, em casa, que deveria ser um ambiente acolhedor para quem sofre no trabalho, a situação é pior, uma insatisfação que contamina toda a família. Minha vida profissional, olhando as últimas décadas, também foi marcada por altos e baixos. Também sofri problemas agudos em que decisões difíceis tiveram de ser tomadas. Apesar de indesejável, acho que esses ciclos fazem parte da carreira de todo empreendedor. Na década de 1990, minha experiência como empresário ainda não tinha saído das fraldas quando um grande cliente – o maior da nossa pequena carteira da agência de propaganda recém-aberta – resolveu nos passar uma rasteira. Pior, uma rasteira lastreada por contrato. Quando se é jovem e solteiro, tudo é mais fácil, mas não menos duro. Dediquei todos os dias da semana, de domingo a domingo, 16 horas por dia, administrando problemas, trabalhando insanamente, me alimentando mal, para descobrir rapidamente que, em alguns casos, o fundo do poço ainda lhe oferece 3 subsolos. Uma verdadeira montanha russa. Ou uma “roleta russa”. Depois de um longo período de recuperação financeira, daquela época para cá, plantei a semente de um novo modelo de negócios para a empresa, reduzi o portfólio de serviços focando no que era melhor e mais rentável, desenvolvi processos internos mais inovadores e produtivos e consegui colher certa estabilidade. Nem aplicando essa razoável fórmula empresarial escapei de outras confusões. Em duas décadas, confesso que aprendi ótimas lições, que agora eu divido com você.
“Ninguém escapa da evolução”, dizia o título de um anúncio criado por um ótimo redator com quem fiz “dupla de criação”. É a pura verdade.
Uma lei universal. Aliás, se você não estiver atento, será atropelado por ela, pela evolução. Por exemplo, o que era analógico tornou-se digital. Quantas empresas não foram ágeis o suficiente para se reinventarem ou entenderem que deveriam se adaptar às mudanças? Por isso, a alusão: uma empresa é como uma pessoa que tenta subir uma escada rolante que desce continuamente. Para se manter no mesmo lugar, é necessário estar sempre subindo os degraus, mantendo o ritmo, inovando. Para avançar e chegar lá em cima, deve-se dispender um esforço mais intenso. Experimente parar para descansar um pouco e em breve se verá lá embaixo novamente. O mercado não permite “cochilos”. Se essa é uma regra geral, se as coisas são como são, adianta lutar contra? Não. É energia desperdiçada, leva a mais tensão, a mais frustração. Esse é um aspecto que pode detonar uma crise. Portanto, se você é um gestor, gerente ou responsável por toda uma área sensível na empresa em que trabalha, fique atento, mexa-se, suba os degraus com intensidade. Naqueles meus dias de reinvenção, de superação, de trabalho duro, descobri logo que eu deveria descansar sempre que possível. Ou, no mínimo, dormir à noite. Quando você consegue repor suas energias, luta de igual para igual contra as adversidades. Mas, à noite, ao colocar a cabeça no travesseiro, centenas de pensamentos inoportunos tentam manter nossa atenção presa aos problemas. Isso não tem controle. Quem faz meditação, ioga ou conhece outra técnica avançada de relaxamento sabe que os pensamentos são produzidos com uma insistência proporcional à nossa vontade de fazê-los desaparecer. Então, eu desenvolvi uma técnica baseada em pura observação. Acompanhe este raciocínio simples. Quando estamos envolvidos na leitura de um livro de ficção, costumamos criar mentalmente os ambientes, personagens, situações. E passamos a vivenciá-las. O tom, a intensidade da narrativa e a qualidade do texto nos induzem a experiências internas, mentais. Dependendo da habilidade do escritor, essas experiências ganham contornos quase reais que nós respondemos com estados alterados de humor. Eu já comentei em outro artigo que nosso cérebro não consegue separar realidade da imaginação, ou seja, em um cenário real ou fictício, as mesmas regiões cerebrais são ativadas. Portanto, terror, apreensão, suspense, leveza, amor, paixão, ternura, amizade, tudo pode ser recriado através de uma indução direta da mente, em nosso “corpo emocional”. Veja um exemplo – no cinema, os filmes nos atingem objetivamente, criam sensações sem a necessidade da imaginação, pois as cenas são literais. Através dessa premissa, sob hipnose, é bastante provável que você acredite e vivencie situações comandadas pelo hipnotizador com um grau excepcional de realidade interna. Por isso, essa técnica terapêutica é usada em casos radicais, no tratamento de fobias, manias, ansiedade, traumas, com resultados muito eficientes. Vamos lá. Se você está sofrendo em um momento de crise, ou dorme como um bebê recém-nascido, quer dizer, chora de 4 em 4 horas, vamos direto ao ponto, à técnica simples que desenvolvi. Tente o seguinte à noite, ao deitar a cabeça no travesseiro… Quando seus pensamentos se multiplicarem à procura de soluções para seus problemas, pense duas coisas: Primeira – você terá todo o dia seguinte para encontrar uma saída, um ponto de fuga, uma recriação, uma reinvenção. Lembre-se de que é pouco provável que você possa fazê-lo deitado, no meio da noite, sem os recursos do seu ambiente de trabalho; Segunda – após “comprar” a primeira ideia, repita mentalmente: “a mente vazia não cria emoções”, “a mente vazia não cria emoções”, “a mente vazia não cria emoções”… Faça com tranquilidade, mas seja firme! É um mantra poderoso esse. Não deixe que os outros pensamentos lhe assaltem, e, quando o fizerem, volte ao mantra, repetindo seguidamente “a mente vazia não cria emoções”! Em breve, você cederá naturalmente ao cansaço, terá uma noite de sono mais tranquila e acordará com melhor disposição. Aí, então, sim, vá à luta! A grande questão continua depois das boas noites de sono reconquistadas: o que fazer em meio à crise? Como superá-la? Bem, cada crise tem uma origem, um desdobramento, características próprias, duração incontrolável, vertentes às vezes insólitas. Portanto, não posso aconselhá-lo quanto ao que fazer, mas posso lhe oferecer um novo questionamento de como enfrentá-la através de mais uma metáfora.
Há apenas 2 formas de se enfrentar uma crise
“Imagine que a crise que você está vivenciando é como um prato intragável, repugnante, asqueroso, mal cheiroso, que deve ser consumido todos os dias, obrigatoriamente. Não há como escapar. Então, como fazê-lo?” A resposta é que há duas formas de ingeri-lo. Você pode comê-lo rindo ou chorando. Rindo ou chorando. Não há outra perspectiva. Portanto, há duas formas objetivas de você enfrentar seus problemas e sua crise: rindo ou chorando. É muito comum olharmos para nossos esforços, para nossa dedicação passada, nosso trabalho intenso, nosso desejo de vencer, de ter sucesso, e questionar o que está ocorrendo sob uma perspectiva injusta. Você não merece nada disso, certo? Talvez. Mas lembre-se que tudo o que você sabe, tudo o que você conheceu, aprendeu, descobriu, vivenciou, definiu, decidiu e aplicou em seu negócio ou em sua carreira levou-o aonde está hoje, à essa situação! Traçando outro paralelo, de forma também figurativa, nenhuma tempestade acontece de imediato – primeiro há a mudança de temperatura, de pressão, de umidade, depois começam os ventos, as formações adensadas de vapor ganham quilômetros de altura, ficam escuras, cospem raios, tudo num processo declarado, visível, previsível. Ou seja, declaradamente, o culpado pelas nossas crises, em grande parte dos casos, somos nós. Vivemos o reflexo ou os desdobramentos de nossas decisões, passadas ou presentes. Nestes casos, a última coisa que você deve fazer é se enxergar como vítima. Ter pena de si mesmo ou achar que ao final das contas haverá uma recompensa por todo esse seu sofrimento impedirá de você reconhecer o maior benefício a receber por tudo isso: o aprendizado real, verdadeiro. Pense comigo: escola convencional boa geralmente é paga. A escola da vida cobra caro, mas não em dinheiro vivo. Já é uma vantagem. Na escola convencional, você aprende uma lição e depois é posto à prova. Na escola da vida, você é posto à prova e depois aprende uma lição. Para evoluir – já que “ninguém escapa da evolução” – é necessário unir, juntar o melhor das duas: ter bons professores acadêmicos, teóricos de qualidade e também viver uma vida intensa, densa, rica. Portanto, responda-me com franqueza: como você enfrentará sua crise ou sua próxima crise? Chorando? Rindo?

Conhecimento – A Base da Inovação Permanente

Heráclito de Éfeso, o filósofo pai da dialética já dizia: “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Portanto, mudar é uma constante em nosso mundo e é da natureza humana. Cada nova experiência, conhecimento, vivência, reflexão, nos torna renovados, inovados.
Heráclito de Éfeso – filósofo pré-socrático (535 a.C – 475 a.C ) 
O que devemos garantir é que essas mudanças sejam benéficas – a nós e aos outros -, em uma espécie de ‘progresso permanente’. Se são poucos os que até hoje fizeram a diferença no mundo, certamente é pela falta da autoconsciência da maioria, que não recebeu incentivos, orientações ou investimentos adequados, mantendo-se alienados do próprio poder criativo e transformador. Eu sou Eduardo Amaral e há 40 anos venho construindo um histórico pessoal de estudos e autoconhecimento. Meu método é observar, conhecer, refletir, praticar e consolidar. Queria dividir com você hoje a minha perspectiva sobre a chamada inovação pessoal. Afinal, quem não quer ser uma pessoa melhor? Quem não quer ser um profissional melhor? Quem não gostaria de fazer a diferença em seu trabalho, para sua família, para sua comunidade? Pois bem. Eu acredito fortemente que somos um misto de 3 conjuntos que determinam nossa essência: 1. Nossas habilidades; 2. Nossa resiliência; 3. Nossos conhecimentos. Simples? Eu explico. No primeiro conjunto, as habilidades, são elas que definem nossas capacidades e competências, nossas qualificações. Profissionalmente, são indispensáveis para obtermos destaque na carreira. No segundo conjunto, a resiliência, estão as nossas 3 “saúdes”, alvo desta plataforma: a saúde física, a mental e a emocional. Só sendo saudável nos três aspectos é que podemos eficientemente nos adaptar às mudanças, sobrepujar os desafios e sair fortalecidos das eventuais adversidades. O terceiro conjunto é formado por outros 3 grandes grupos de domínios teóricos e práticos: o conhecimento especializado, o conhecimento generalista e o conhecimento universal. O primeiro, especializado, é adquirido na formação acadêmica e técnica, na aplicação no dia a dia, nos sucessos e fracassos ao longo da carreira. O segundo é alvo de inúmeras pesquisas e estudos atuais: um profissional generalista é aquele capaz de ser especialista em interagir com várias áreas, possui visão abrangente da profissão, da organização, do mercado, e vai além: seu conhecimento é plural, rico, lhe proporciona uma visão multifuncional, embora mais superficial. Já o conhecimento universal é aquele que advém de profundas reflexões. É um conhecimento de classe filosófica, ligado à construção de ideias e conceitos, na busca incessante pelas verdades do mundo, da vida. O que somos, por que somos? Quem se apega à metodologia filosófica tende a ser racional, sistemático, crítico. Busca a transformação da realidade, a saída de uma vida medíocre, vulgar, prosaica. Portanto, as bases são estas. Mas como tudo isso funciona? Veremos já, já. Em resumo, a inovação pessoal é uma sólida base de crescimento e evolução, constituída por um triângulo conceitual onde as suas três pontas são complementares – as habilidades, a resiliência e o conhecimento. Vamos falar das habilidades. O que é uma habilidade? É tudo o fazemos com nossa engenhosidade, destreza, capacidade. Tudo o que executamos com alguma perfeição e ligeireza. Nesse grupo estão todas as nossas aptidões, talentos natos e competências, e podem ser várias, como postula Howard Gardner, um psicólogo cognitivo famoso pela sua teoria das inteligências múltiplas. Gardner percebeu que os testes de QI não eram suficientes para descrever a grande variedade de competências cognitivas humanas – por exemplo, uma criança com alta destreza em música não é menos inteligente que outra com grande facilidade em matemática. Indo aos extremos, Machado de Assis, Tom Jobim, Aleijadinho e Pelé são expoentes brasileiros das diversas inteligências. Todos tiveram destaque em suas carreiras, dando ênfase à sua principal vocação. Aqui, fundamental é descobri-la o mais cedo possível – sua vocação. Em seguida, traçar um plano de desenvolvimento, que na maioria das vezes começa na formação acadêmica. Ela procura amplificar e aprofundar seus conhecimentos. Se o objetivo é se tornar o melhor possível naquilo que decidiu fazer, sua carreira será uma continuidade de escolhas que lhe mantenham no caminho planejado. O tempo e a prática tornarão você um profissional melhor e mais preparado. Mas o sucesso só será possível se você mantiver três características complementares: a regularidade, a intensidade e a persistência. Sem elas, você jamais chegará a ter algum destaque ou mesmo a realizar seu sonho. Regularidade é manter o ritmo de forma disciplinada. Intensidade é a força e a paixão com as quais você se dedicará a realizar. E a persistência é a firmeza com a qual superará todos os altos e baixos, mantendo a intensidade mesmo no longo prazo, garantindo o ritmo. Mas, e suas outras habilidades, além da vocação, não contam? Sim. E muito. Vamos tratar disso agora. Sucesso na carreira pode ter vários significados, é algo muito pessoal, cada um de nós pode ter uma perspectiva muito diferente, flexível até, sobre o que é sucesso. Mas ele começa lá atrás, na definição, no encontro de nossa real vocação. Ainda jovens, tendemos a seguir um caminho diferente de nossos pais, irmãos, amigos. Ou não, e descobrimos que temos uma vocação ancestral, herdada de pais e avós. A partir daí, planejamos um caminho a seguir, apostando todas as nossas fichas na atividade ou profissão cuja promessa básica é nos realizar como profissionais, cidadãos e mesmo como seres humanos complexos que somos. Tendemos a concentrar recursos e oportunidades nesse sentido único, nesse funil. Em algum momento, o sucesso virá, na forma de realização pessoal e financeira. Sucesso, em rápidas palavras, é alcançar os seus objetivos. De novo, basta ter regularidade, intensidade e persistência. Essa fórmula realmente trouxe a felicidade para um sem-número de pessoas, por todo o mundo. Olhando para trás, na história, há centenas de milhares de casos registrados, de exemplos a serem seguidos. Mas, e olhando para o futuro? O que vemos?
Processos sociais mais complexos, relações comerciais mais dinâmicas e abrangentes, disrupção em várias áreas, desaparecimento de profissões, surgimento de novas. Eu enxergo um mundo em que as mudanças estão se intensificando. Em breve, teremos de criar soluções para os problemas que ainda nem imaginamos.
Isto significa que aquela sua habilidade principal, transformada em sua vocação, sua aposta franca, terá de ser substituída rapidamente. Talvez não se trate de algo tão radical, como mudar de profissão ou de segmento de atividade. Mas de desenvolver novos conhecimentos para surfar a onda das mudanças. Tudo isso se aproveitando de suas outras habilidades, evidentemente. Hoje, sociólogos e teoristas estão especulando sobre a amplificação do foco de conhecimentos: de evoluirmos de especialistas para nos tornarmos generalistas. Ou seja, de ampliarmos as áreas em que nos distinguimos, avançando para um novo patamar, mais completo e complexo, atendendo às próximas prováveis necessidades. E aqui eu volto a Howard Gardner e sua teoria das inteligências múltiplas. Todos temos alguns outros potenciais adormecidos além da nossa vocação principal. Ou potenciais não ativados, por conta das oportunidades que abraçamos ou das decisões que tomamos ao longo da vida. Por isso, o conselho que lhe dou é: mantenha sua mente aberta e aprenda algo novo todos os dias. Crie o hábito da curiosidade, dê-se a oportunidade de descobrir coisas novas. Sob todos os cenários, isto fará de você um profissional melhor ou uma pessoa bem mais interessante. Então, eu pergunto: você é especialista ou generalista? Essa pergunta é a ‘bola da vez’ nos centros de estudo de potenciais humanos, de recursos humanos, no mundo corporativo. Duas perspectivas me fazem questionar o porquê desses conceitos serem tratados como distintos, às vezes até antagônicos. Quer dizer, ou você é um ou você é outro. Ou você é especialista ou é generalista. Em primeiro lugar, acredito, temos uma questão física – o tempo. Ele é algo comum a todos, e tem caráter excepcionalmente inflexível e irreversível. Em todo o mundo, um dia tem exatas 23 horas, 56 minutos, 45 segundos e meio. Enquanto estamos juntos, aqui, os segundos vão se sucedendo, é o ritmo. O tempo não para. Ele continua implacável apesar de todos os esforços, desejos, pedidos e orações que façamos ao universo. É inflexível. Você não pode chegar em um ponto de sua vida e optar por uma nova escolha em seu passado, voltar no tempo e preferir algo diferente, como uma outra profissão. Tempo é irreversível. Já foi. Então, todos destinamos o uso de nosso tempo em algo que não tem volta. Por definição, “tempo é o único bem irrecuperável”, como bem disse Napoleão Bonaparte. Ao escolhermos uma profissão, sabemos que, quanto mais profundo formos no conhecimento que a cerca, melhor. Mais assertivos seremos, mais destaque teremos em relação aos que sabem menos. Dedicamos um longo tempo, de forma metódica, à carreira. Quer dizer, nos tornamos especialistas por sermos racionalmente rigorosos e sistemáticos, investindo ou apostando todo o nosso tempo. Em 15, 20 ou 30 anos de estudos aliados à prática, nos tornamos uma referência. Em um longo período, todo estudioso e praticante irredutível torna-se um excepcional especialista. Esta é, portanto, uma das duas perspectivas do porquê se separar especialistas e generalistas. É a primeira. Agora, vamos à outra, à segunda. O que é conhecimento? Por conceito, conhecimento é a somatória do que se conhece. É o conjunto das informações e princípios armazenados e compartilhados pela humanidade. É o domínio, a consciência e ciência das coisas que nos cercam. Portanto, é finito sob certo sentido. E dinâmico, sob outro. Significa que tudo o que sabemos é uma fração do que ainda descobriremos. Agora, perceba que, se conhecimento é um recurso finito, pode ser também um produto administrável. Produtivamente consumível e administrável, o que nos abre as portas para a generalização. Por mais que a humanidade produza dados e informação, o novo conhecimento exige também coerência, organização das ideias, prova e contraprova, exige aderência ao que já se sabe para ser universalmente aceito. Como já comentei, os que se dispuseram a estudar e a desenvolver profundamente um tema, uma área específica, chamamos de especialista. O profissional que possui uma visão mais ampla dos objetivos de uma organização, que possui um pensamento mais estratégico e uma visão global, é um generalista. Sua dedicação em ampliar esta visão macro é seu objetivo contínuo. Generalistas acabam se tornando CEO das organizações. Compreendem a sinergia de áreas tão diversas quanto finanças, operações, TI e recursos humanos. Iniciam a carreira como um especialista, mas habilidades como liderança, gestão e administração logo dão um outro sentido à carreira. É natural, portanto, que os especialistas sejam em número maior que generalistas em uma empresa, pois os cargos gerenciais são em menor número. Dito isso, vamos voltar aos desafios modernos. Principalmente, ao desafio do futuro ambíguo, improvável, imprevisível. O futuro e os próximos cenários vão exigir dessas duas classes de profissionais – especialistas e generalistas, algo mais, algo além. Vão exigir uma nova lógica de atuação. A tendência é que os especialistas se abram para o pensamento estratégico e visão mais global e, em algum momento, essa amplitude de conhecimentos os transformará também em ótimos administradores. Ou em profissionais exponencialmente mais adequados às suas funções! A nova era da inovação contínua forçará as empresas a terem uma organização de recursos humanos mais avançada, com times mais autônomos, com mais acesso à aprendizagem organizacional. Os especialistas do futuro saberão mais que seus chefes atuais em termos de gestão. Silenciosamente, as parcerias, as joint-ventures, as plataformas de conhecimentos múltiplos e acessíveis, elas já vêm transformando mercados e empresas. Os generalistas como conhecemos hoje vão desaparecer. As carreiras de sucesso serão construídas por especialistas em constante aprendizagem e amplificação de suas áreas de conhecimento. Seremos todos multiprofissionais. Isso está lhe perturbando? Essa ideia lhe provoca desânimo? Não se preocupe. Posso afirmar que você tem todos os recursos internos e condições para essa mega atualização. Mas, antes de avaliarmos nossos recursos internos e nossa capacidade de desenvolver habilidades latentes, vamos entender um pouco mais a natureza dos três níveis de conhecimento que eu postulei aqui: o conhecimento especializado, o geral e o universal. Eu os coloco dessa forma – em uma escala hierárquica que se inicia no específico e chega ao absoluto, ao essencial. Em um mapa do tempo, eu definiria o primeiro como quase efêmero e o último transcendente, atemporal. Em um gráfico, seria o seguinte: uma pirâmide de base larga: embaixo está todo conhecimento especializado do mundo, e no alto, o universal. Tudo o que sabemos é resultado de nossas experiências, que se iniciam em nossas percepções, sensações e constantes análises que formam nosso repertório interior. Ao abraçarmos uma profissão – médico, professor, cientista, engenheiro, programador, qual for -, a profundidade na qual nos imergimos nos assuntos relativos a ela, a intensidade dos estudos e das aplicações práticas nos transformam em um especialista. Olhando para trás, ao longo dos tempos, as divagações e teorias sobre a natureza das coisas e ao funcionamento de tudo o que era observado deram lugar à tecnicidade e à metodologia científica. Na medicina, por exemplo, as dissecações feitas pelos gregos 400 anos antes de Cristo apontavam que os nervos – sensitivos e motores, estavam ligados ao cérebro, e que este era reconhecidamente a sede da inteligência. Mas, só muito recentemente, com a ajuda de microscópios eletrônicos e equipamentos de ressonância magnética é que avançamos para o entendimento efetivo do funcionamento do cérebro e suas microrregiões. Ainda assim, estamos longe de entender o mecanismo de nossos pensamentos. Você percebe, portanto, a dinâmica do conhecimento especializado? Ele evolui com o tempo. Se superpõe. Às vezes, se contrapõe, como Galileu e Copérnico fizeram na astronomia. O próximo degrau no conhecimento é o ‘geral’ -, ou seja, o conjunto do que se sabe efetivamente e foi consagrado como verdadeiro. Aqui está tudo o que exprime a conformidade com a realidade, as teorias comprovadas há muito tempo, as bases sólidas do que é permanente, estável, definitivo. É um conhecimento não sujeito às mudanças de suas bases de estudo ou à transitoriedade do conhecimento especializado. É tudo o que nos dá segurança para vivermos e tomarmos decisões. Se nos aprofundamos nesse tipo de conhecimento, mais do que datas, fatos, regras e ocorrências, acabamos por dominar as concepções, a compreensão superestrutural. Por exemplo, você não precisa ser médico para dominar o conceito de vida humana, dos fatores que podem estender ou abreviar nossa existência – alimente-se bem, tenha bons hábitos, pratique atividades físicas e terá uma vida mais longa. Recuse esse estilo de vida e morra mais cedo, simples assim. É um conhecimento já consolidado, não precisa de comprovações técnicas adicionais. Por último, temos o conhecimento universal. Um conjunto total e eminentemente abstrato, formado por ideias e concepções acerca dos porquês humanos: o que somos? Por que somos? Qual o sentido de nossa existência? O que seremos em mil ou dois mil anos? O que é a humanidade em um amplo contexto do universo conhecido? Somos tudo ou somos nada? Senhores da cognição – os únicos seres inteligentes em mais de 93 bilhões de anos-luz do espaço sideral ou somos pó? Filósofos, religiosos, ocultistas e pensadores, em todas as épocas conhecidas, em todo o mundo, convergem a um ponto – no propósito de tentar encontrar essas respostas. Viver por viver, ser o mais graduado especialista conhecido em alguma área, chegar à polimatia, ou seja, no saber mais vasto e variado possível, tudo isso não chega a nos satisfazer. Nossos espíritos têm sede por mais, muito mais. É por isso que eu acredito firmemente que você também tem esse poder, essa semente da autotransformação, da renovação, da inovação contínua. E por isso a resiliência é tão importante! Reflita aqui – como você encara um longo desafio no trabalho? Como você encara uma crise financeira? Como você encara um problema pessoal ou familiar? Você é uma pessoa resiliente? Estamos em uma era profundamente marcada pela velocidade dos acontecimentos, das mudanças, de forma contínua. Os ciclos de transformação estão cada vez mais curtos. Tecnologia e tendências novas transformam empresas, hábitos corporativos e a forma como trabalhamos, fazemos negócios e como vivemos. Embora pareça uma conjuntura positiva, tudo isso é absolutamente estressante, pois nos coloca à prova permanentemente. Esta nova realidade impõe às pessoas, aos profissionais e colaboradores das empresas um cenário de frustração, de estresse e vulnerabilidade. Mas não somente aos subordinados. Os gestores e empresários também sofrem de uma crescente ansiedade. Enfrentam a necessidade de serem mais rápidos e precisos em suas decisões, principalmente em períodos de competição anabolizada pelas crises. Esses cenários adversos são especialmente propensos a descortinar o que chamamos de resiliência. A resiliência é uma expressão migrada da física para as ciências humanas – é a capacidade para enfrentar e superar adversidades, ou a capacidade de se recompor facilmente. Uma habilidade psicológica para se adaptar aos infortúnios ou às mudanças repentinas e incontornáveis. O que descobri é que a resiliência é em parte um atributo da personalidade. Quando ativado, ele possibilita a criação de um senso de autoproteção, de autoconfiança, de renovação. Mas isto só é possível quando temos saúde mental, ou seja, quando nossos pensamentos estão sob o controle de uma certa racionalidade e não reféns das nossas emoções. Portanto, a resiliência só é possível quando, além da saúde mental, temos uma sólida saúde emocional. Veja, quando cedemos aos problemas, à ansiedade e à frustração, uma grande quantidade de cortisol – o hormônio do estresse – é permanentemente injetada em nossa corrente sanguínea, causando não só um desequilíbrio mental e emocional, mas também físico. O corpo sofre! Enfim, a resiliência só é possível também quando também temos saúde física. Acha tudo isso um pouco distante de sua realidade, do seu dia a dia? Quer dizer, acha difícil controlar integralmente o seu tripé de saúde? Eu vou lhe mostrar como isso é possível, ao longo do projeto ‘Cuide de Sua Vida’. Pense em uma extraordinária máquina orgânica, pesando entre 1 quilo e 200 e 1 quilo e 400 gramas, que processa praticamente tudo – automaticamente – para você poder viver seu dia da forma mais confortável e econômica possível. Esta máquina é o cérebro, uma junção de estruturas distintas que foram sendo ‘adicionadas’ de acordo com as necessidades evolutivas, ao longo de 4 milhões de anos. Os então hominídeos, nossos ancestrais lá atrás, possuíam as partes básicas que cuidam do comportamento voltado à sobrevivência, como a fome e o impulso sexual. Eles também deveriam ter uma estrutura rudimentar dos centros mais altos do cérebro, envolvidos no processamento emocional – como o hipocampo e a amígdala. Com o tempo, foi se avolumando o córtex, hoje complexo e gigantesco, responsável pelos pensamentos lógicos e abstratos e pela linguagem. A interação entre as regiões mais antigas e as mais novas do cérebro é o que faz de nós o que somos hoje. Há cerca de 300 anos estão os primeiros registros de estudos sobre a saúde mental. Ela está diretamente relacionada às funções cerebrais, pois é ele, o cérebro, que comanda e coordena nossos atos, pensamentos e emoções. Este é um assunto tão vasto e complexo que será impossível abordarmos todas os aspectos relevantes aqui, agora. Vamos fazê-lo ao longo de vários vídeos aqui na plataforma, ok? No conceito de saúde mental descreve-se um nível de qualidade cognitiva e emocional que inclui a nossa capacidade para apreciarmos a vida, buscando um equilíbrio entre atividades e esforços para se atingir a resiliência. Aliás, há uma tênue diferença entre saúde mental e saúde emocional. Nós trataremos disso um pouquinho mais adiante. Por ora, vamos continuar no cérebro e a manutenção de sua saúde. É o básico, o ponto inicial da jornada rumo à resiliência. Pois bem. Você trata bem seu cérebro? Se o cérebro é um instrumento poderoso e sensível, como podemos cuidar para que ele se mantenha sempre afiado e saudável? Vou lhe dar 3 recomendações e explicar rapidamente cada uma delas. A primeira: beba muita água, pelo menos 2 a 2,5 litros por dia. A base da atividade cerebral é elétrica. Em nosso organismo, isso ocorre na presença de sais diluídos em água. Beber pouca água reflete diretamente em várias atividades metabólicas e impacta profundamente no cérebro, diminuindo a função cognitiva. A segunda recomendação: faça exercícios aeróbicos. Mantenha a intensidade, sempre. Andar, correr ou praticar ginástica, procurando suar bastante. Isso protege seu cérebro. Cérebro precisa de oxigênio. Ele consome 20% de tudo o que é inalado. A terceira recomendação é… muito poderosa: medite. A meditação, do tipo relaxamento associado à contemplação interna pode transformar o cérebro. A prática faz crescer o tecido cerebral, melhora o humor e nos deixa mais resilientes. Ela envolve a metacognição, que usa o córtex pré-frontal, mas também ativa o cérebro inteiro, acessando experiências sensoriais e emocionais, impulsionando as partes mais novas e as mais antigas do cérebro. Pense em seu cérebro como um atleta. Com os cuidados corretos, pode-se extrair dele o máximo desempenho. Veja só: em um estudo realizado na Universidade de Harvard, participantes que meditaram por 40 minutos diários (em duas sessões de vinte minutos) apresentaram o tecido do córtex, a massa cinzenta, mais espesso nas áreas responsáveis pela atenção, pela tomada de decisões e pela memória de trabalho, quando comparado a quem não meditava. Um outro estudo verificou que oito semanas de meditação do tipo atenção plena – a chamada mindfulness – aumentava a densidade da massa cinzenta em várias regiões e também no hipocampo, envolvido na aprendizagem e na memória, e reduzia a densidade da massa da amídala – estrutura que desempenha um papel significativo no estresse. Também surgiram como resposta à meditação mudanças fisiológicas e bioquímicas que permaneceram muitas horas depois de terminada a sessão, proporcionando sensível melhora na saúde do praticante. Você medita? Não? Então, não sabe o que está perdendo. Diversas técnicas foram criadas e aprimoradas nos últimos milhares de anos – da yoga à meditação transcendental, da alfagenia ao mindfulness. Técnicas que foram exaustivamente testadas em laboratório, e cujos benefícios estão amplamente difundidos por toda a internet. Para mim, meditar é um dos segredos da saúde cerebral, a base de nossa resiliência. Nos últimos anos tenho me dedicado a este assunto – a saúde do cérebro – como ponto de partida para meu processo de inovação pessoal. Descobri coisas interessantíssimas, como os estímulos à criação de novas células nervosas. Nosso cérebro, portanto, pode ter intensa atividade de renovação estrutural. Este são fenômenos chamados neuroplasticidade e neurogênese. A neurogênese, apesar de não muito significativa em termos quantitativos, ocorre principalmente no hipocampo, uma estrutura no centro do cérebro muito importante para o aprendizado, a memória, o humor e a emoção. A neurocientista francesa Sandrine Thuret, num amplo estudo verificou, sem novidade para nós agora, que a atividade física aeróbica impacta positivamente a neurogênese. E o que você come também tem efeito na produção de novos neurônios no hipocampo. Uma dieta com restrição calórica de 20% a 30%, aumenta a neurogênese. Um jejum intermitente ou um longo espaço de tempo entre as refeições, aumenta a neurogênese. A ingestão de flavonóides, presentes no chocolate amargo, aumenta a neurogênese. Os ácidos graxos do ômega 3, presentes em peixes gordos de grande profundidade, vão aumentar a produção dos novos neurônios. O resveratrol, encontrado no vinho tinto, ajuda a promover a sobrevivência dos novos neurônios. Por outro lado, a ingestão de álcool diminuirá a neurogênese. Fazendo um resumo: a restrição calórica irá melhorar sua capacidade de memorizar, enquanto uma dieta rica em gordura ruim vai exacerbar sintomas da depressão. Por gordura ruim estou falando dos excessos de Ômega 6 e das gorduras hidrogenadas. Se você achar legal, vamos resumir essas recomendações para a saúde do cérebro: coma menos, procure fazer uma dieta saudável à base de frutas, legumes e peixe. Quando eu falo frutas, não estou me referindo aos sucos! Eu me dedicarei a esse assunto em um artigo exclusivo, ok? E só de vez em quando comemore todos os seus potenciais mentais recém descobertos com uma taça de vinho. Assim encerramos esse resumo sobre como tratar bem o cérebro. Agora, vamos estudar um pouco os aspectos mentais e emocionais. Saúde mental e saúde emocional. Elas fazem parte de um processo amplo, interligados de forma indissociável e de influência recíproca. Veja, uma pessoa que está sofrendo de depressão ou de extrema ansiedade tem um quadro de saúde mental alterado. Ao seu redor, as pessoas respondem a estas alterações também de forma modificada, provocando ainda mais desequilíbrio. Ter saúde mental significa aceitar de forma natural dificuldades e exigências da vida, assim como lidar bem com as emoções, boas ou ruins. Reconhecer seus próprios limites é também uma das características de quem goza de boa saúde mental. Mas saber lidar com sentimentos, conseguir se desvencilhar e superar acontecimentos ruins, também são produtos de uma boa saúde emocional. A saúde emocional é mais fácil de ser percebida por outras pessoas, uma vez que se trata diretamente da forma como lidamos com o outro. É também caracterizada pela capacidade de controlar e gerenciar as alterações de comportamento que influenciam nossas atividades cotidianas. Se você percebe que algo não está indo bem, saiba que há formas simples e práticas de se melhorar a sua saúde emocional. Em primeiro lugar, passe a monitorar suas atitudes e pensamentos. Contenha sua irritação, sua impaciência e a dificuldade em se concentrar em algo. Faça isso questionando os prováveis porquês desses comportamentos. Invista nos hábitos positivos, como comer saudavelmente e praticar atividade física, muito importante é alegrar as pessoas ao redor com uma atitude positiva. Pratique atividades prazerosas, elas estimulam a inteligência e suas habilidades sociais. Seja grato por tudo o que conquistou até aqui. Quebre a rotina. Reserve um tempo só para você. Tenha menos expectativas para evitar as frustrações e seja mais tolerante. Com o tempo, em um formidável efeito dominó, tudo isso promoverá uma saúde completa e inabalável. Física, mental e emocional. Este é o ponto de partida para sua inovação pessoal. Tenha certeza, depois de tudo o que vimos aqui, que é possível desenvolver um senso de renovação e recriação de sua própria carreira, de sua própria vida, construindo bases sólidas para impulsionar hábitos e ideias transformadoras. Você deve ter percebido que eu não gosto de verdades prontas, não gosto de ideias sem comprovação adequada. Em minha vida, testei tudo o que pude. Pus à prova meus novos saberes, minhas teorias, abracei novas ideias e abandonei crenças limitantes e invisivelmente perversas. Há um monte delas por aí. Portanto, questione sempre, acredite vendo e refletindo, mantenha a esperança. É com ela que damos o salto de fé. Use suas habilidades. Desenvolva novas. Amplifique seus conhecimentos – os especializados e os generalizados, mas busque os conhecimentos universais! Nossa vida é um sopro, viver cem anos é nada perto da idade do planeta, ou mesmo do futuro que há por vir. Por isso, dê o seu melhor, faça o seu melhor. Faça por você, faça pelas pessoas que ama, faça pelas gerações próximas. E faça tudo com regularidade, com intensidade e com persistência. Se precisar de uma luz, de um estímulo, de uma ideia nova, estarei por aqui, esperando por você. Um abraço e até o próximo artigo!

O Início de Tudo – Nosso Inimigo Invisível

Eu sou Eduardo Amaral e este é um projeto pessoal que vou compartilhar com você. Trata-se de uma extensa coleção de artigos onde vamos tratar de sua saúde, ou melhor da nossa, de todos nós. Um projeto que tem como objetivo trazer luz a um assunto sempre tão polêmico, alvo de tantos modismos. Saúde é básica na vida, mas não é simples. Eu vou contar para você um pouco da minha história, minhas experiências, meus desafios, conquistas, angústias e decepções, até culminar com o que considero o mais próximo da verdade que eu cheguei quando o assunto é saúde. Talvez você goste disso, porque eu vou encurtar o seu caminho, a sua jornada, o seu trabalho. Você não precisará pesquisar o que eu pesquisei, ler o que que li, assistir o que eu assisti, ou mesmo colecionar uma incrível quantidade de referências científicas, opiniões médicas, de especialistas, de estudiosos diversos, mais de 4.000 somente nos últimos 5 ou 6 anos. Você me acompanha? Legal, fico feliz. Eu pretendo ser bastante produtivo e trazer pra você conhecer e avaliar temas tão diferentes quanto dietas alimentares, meditação, transtornos compulsivos, atividade física, metabolismo, genômica, medicina e terapias, fisiologia, síndromes da psique humana, entre outros. Esta plataforma traz, em essência, muitos conteúdos referentes ao que eu chamo de ‘Tripé da Saúde Ideal’ – a saúde física, que é básico, a saúde mental e a saúde emocional. Eu planejei e estou produzindo para você centenas de artigos e análises para quem gosta de um conteúdo de alta qualidade. Hoje, como você deve saber, o conhecimento, praticamente todo ele, está disponível na internet. Seja gratuito, pago, caro, barato, essencialmente está tudo lá. Mas é necessário garimpar, porque muito do que existe é porcaria, é virtualmente lixo, não serve para nada, talvez só para confundir ou para distrair. O que eu fiz com o passar do tempo foi associar, cruzar, relacionar conjuntos de dados diferentes, de fontes confiáveis, para construir uma nova linha de raciocínio que fosse, a meu ver, mais próxima da realidade. Porque é disso que se trata: de tirar o véu, a névoa que encobre a verdade! Essa névoa podem ser crenças, modismos, ideias não comprovadas, achismos e opiniões diversas, conhecimento especulativo. Tudo isso é muito ruim, porque acaba gerando distorções gigantescas, e todos nós acabamos dragados, arrastados, para um estilo de vida que não é saudável. E, principalmente, para um estilo de vida que nossos corpos, sim, nossos corpos, não foram talhados ou não estão acostumados!
Essa plataforma, portanto, é resultado de um grande esforço de curadoria. Ou seja, eu cuidando dos interesses de todos nós, peneirando o que funciona e o que não funciona, para ser mais claro.
Essa plataforma, portanto, é resultado de um grande esforço de curadoria. Ou seja, eu cuidando dos interesses de todos nós, peneirando o que funciona e o que não funciona, para ser mais claro. E hoje eu já vou logo metendo o dedo na ferida. Vou falar sobre um inimigo invisível comum a todos, ou quase todos. No meu caso, durante quase 5 anos, era o que estava acabando com minha saúde. Convivi com ele dia e noite, e, na maior parte do tempo, nem percebi que ele estava aqui, me acompanhando em cada caminhada, refeição, dormindo ou acordado, em pé, sentado ou deitado, acelerando um processo de envelhecimento e de adoecimento. Acredita nisso? Olhe, você mesmo pode ser uma das 6 pessoas em cada 10, no Brasil, também vítimas desse mesmo inimigo. Na verdade, o inimigo é uma condição, um estado em que acabamos nos encontrando exatamente por não termos o costume de nos observar, de não nos examinar, de nos preocuparmos mais com a vida dos outros e menos com a nossa – e aqui falo no bom sentido: quem é pai, mãe, quem tem irmãos, quem tem parentes sob cuidados ou mesmo amigos fragilizados, são pessoas que acabam sendo invisíveis para si mesmas. Voltando ao inimigo invisível, eu estou falando de sobrepeso e obesidade. Hoje eu estou com 71 quilos. E você deve estar curioso, ou curiosa: como eu perdi os mais de 15 quilos? Em quanto tempo? Acha que eu tive o chamado efeito-sanfona, quer dizer, até chegar aos 71 quilos, se eu tive recaídas, se voltei a engordar ou mesmo se experimentei muitas dietas até acertar o ponto, etc. Calma, vou te contar tudo, ok? No decorrer dessa série, tenho artigos dedicados ex-clu-si-va-men-te ao emagrecimento. E, tá bom, pra matar sua curiosidade, eu perdi os 17 quilos em 6 meses. E nunca mais voltei a engordar, a ganhar peso de novo. Já mantenho meu peso por volta dos 70 quilos há 5 anos. Uma pequena variação sempre é normal.

Na foto deste ‘post’, eu estou segurando um pedaço de ferro fundido, redondo, que encontramos em academias por todo o mundo, é chamado de anilha. Aquele, em especial, tem 15 kg. É exatamente o sobrepeso que estava distribuído em meu corpo na forma de gordura. E que me acompanhou por um longo tempo – mais de 5 anos. Ele foi se instalando silenciosamente, nem percebi. E um dia você olha para si mesmo de forma crítica e toma um choque ao finalmente subir na balança. Com 1 metro e 75 centímetros, eu estava pesando quase 87 quilos, meu IMC, Índice de Massa Corporal era de 28,4, o que indicou sobrepeso, próximo ao que se considera o primeiro nível de obesidade. Em um artigo mais à frente, vou te explicar tudo sobre esse índice de massa corporal. Ele é um parâmetro, apenas isso, talvez seja útil para as pessoas sedentárias, pois os atletas ou mesmo aqueles que levam uma vida com atividade física moderada a intensa encontram muitas distorções nos números dessa tabela. Se quiser, você pode abrir uma calculadora no seu computador ou celular e fazer a seguinte conta: divida o seu peso em quilos pelo quadrado de sua altura em metros. Essa é a conta básica. No meu caso, por exemplo, 87 dividido por 1,75, dividido de novo por 1,75 (dividir o peso duas vezes em seguida pela sua altura dá o mesmo resultado, ok?). Total, 28,4, ou seja, sobrepeso. Na tabela, um índice abaixo de 18,5 sinaliza estar abaixo do peso. De 18,5 a 24,9, peso normal. De 25 a 29,9, sobrepeso. De 30 a 34,9, obesidade grau I. De 35 a 39,9, obesidade grau II. Um índice maior ou igual a 40, obesidade mórbida. E então, qual o seu índice?

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Esses assuntos correlacionados, obesidade, sobrepeso, emagrecimento, são muito complexos. Não há fórmula mágica ou método fácil para emagrecer. É uma má notícia, principalmente, porque parte dos impulsos que nos fazem exagerar na comida ou nos leva a consumir alimentos não saudáveis têm fundo emocional. Mas a saúde é um assunto complexo e multifatorial, quer dizer, depende de fatores múltiplos, por exemplo, da sua genética e, principalmente, epigenética. De novo, em linguagem fácil, clara, sem o cientifiquês, vou te explicar cada termo, cada expressão, cada conceito, tudo a sua hora. Bom, pergunta rápida: você sabe o que é saúde? Sim, deve fazer uma boa ideia, talvez, mas, qual é o conceito universalmente aceito? Saúde é, por exemplo, a falta de doenças? Não. Saúde é se sentir bem ou estar bem? Não também. Durante a pandemia, eu soube de algumas pessoas que supostamente eram saudáveis e acabaram morrendo vitimadas pela síndrome. Pois então, que eu saiba, ninguém, nenhuma pessoa realmente saudável morreu disso. Pessoas saudáveis têm o sistema imunológico funcionais e robustos, seus corpos sabem lidar muito bem com vírus, bactérias e outros patógenos. Uma conhecida minha, médica, contou que perdeu um grande amigo, também médico, maratonista, praticava muita atividade física. Ela estava consternada, com toda a razão, lógico, porque, segundo ela, seu amigo era médico, portanto, sabia o que fazer de sua saúde e também praticava exercícios intensamente. Aí eu me opus a essa lógica, disse a ela: “praticar intensivamente atividade física não é sinal de saúde”. Simples assim. Sabe, lá na frente, você também vai concordar comigo. Eu já fui uma espécie de hiper atleta e desisti disso. Vamos voltar ao conceito de saúde. A Constituição da Organização Mundial da Saúde postula, quer dizer, define, o seguinte: “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Percebeu a extensão, a complexidade do assunto? Até mesmo o ‘bem-estar social’ entra na jogada. É por isso que este projeto aborda o que eu chamei de tripé da saúde: a saúde física (que é o básico), a saúde mental e a saúde emocional. Se um desses três aspectos não estiver bem, a saúde lhe faltará, tenha certeza. Eu já estou até imaginando que dúvidas estão surgindo em sua cabeça, né? Do tipo: “esse cara é médico? É treinador físico? É nutricionista? É cientista? Que raio de atividade esse cara faz da vida pra viver? Como ele sabe disso?” Então, ok, vamos começar falando um pouco de mim, vou abrir meu coração aqui e contar pra você coisas que talvez até minha esposa e meus filhos ainda não saibam. Pra você acreditar em mim, confiar nos conteúdos que eu estou trazendo pra você, eu acho que preciso ser bastante transparente, certo? Então vamos lá. Nasci em 1966, em uma família de classe média. Tenho 3 irmãos. E já fui obeso pra valer, com meses de vida, hahaha. Veja só, com 3-4 meses, eu pesava 11 quilos, nasci com pouco mais de 3. Mas foi uma fase rápida, minha mãe dizia que eu era um bebê ansioso e vivia pedindo mais leite. Mamadeira enriquecida era minha melhor amiga no início da minha vida. Tenho essa foto em que estou ao lado de minha irmã, 1 ano e 2 meses mais velha, e é ela que parece a minha caçula.
Essa minha fase obesa durou pouco. Logo me tornei uma criança normal, fiquei magrinho. Mas a ansiedade era forte. Com 5 ou 6 anos, começaram tiques-nervosos. Isso evoluiu muito, até eu descobrir, bem recentemente, que tenho a “Síndrome de Tourette”. Sabe o que é? De novo, você saberá tudo sobre isso logo mais na frente. Por hora, posso lhe contar que, quem tem essa síndrome, parece viver com um anarquista no cérebro, na cabeça. Dito de outra forma, você faz gestos, diz coisas ou emite sons esquisitos totalmente fora de seu controle. Se eu tenho vergonha disso? Hoje não, porque, se você prestar bem a atenção, não conseguirá ver nenhum comportamento estranho em mim, mas na época era infernal. De novo, estou sendo transparente com você, te contando isso. Bom, dos 5-6 anos, até uns 12-13, tiques-nervosos e cacoetes – que são gestos, trejeitos, hábitos corporais ridículos, faziam parte vigorosamente de minha vida. E é difícil ter uma vida social saudável – como postula a Organização Mundial da Saúde -, com tudo isso. Pra esse podcast aqui não ficar muito longo, eu entrarei em detalhes, se você tiver curiosidade, também em outra oportunidade, combinado? Eu levei muito tempo e esforço, pesquisando tratamentos, técnicas e criando hábitos para tentar me curar. Mas, não. Não há cura. Você se controla, só isso. Aquele anarquista que vive em sua cabeça, fica enjaulado, amordaçado, amarrado, mas é só isso. A qualquer momento um gatilho pode soltá-lo novamente. Quem tem essa síndrome cretina sabe muito bem do que estou falando. Foi aos 11 anos de idade que eu tive consciência absoluta de o quão diferente eu era das outras crianças por conta de “Tourette”. É um período de minha vida que vale a pena ser contado por conta dos desafios que enfrentei. Minha vida escolar, até então, foi em escolas públicas. É um ambiente em que você encontra todo tipo de crianças – ricas, pobres, brancas, pardas, negras, e o melhor de tudo: são apenas crianças! Um bando de crianças em salas de aula aprendendo ou nos pátios, brincando alegremente. Aos meus 11 anos, meu pai estava crescendo na empresa onde trabalhava e passou a ter condições de pagar por um ensino de alta qualidade, em uma das chamadas escolas de elite de São Paulo. Eu prestei umas provas seletivas, concorri com mais de 300 outros alunos que também desejavam estudar naquela escola e passei em… 10º lugar! Cara, refletindo um pouco agora, isso foi incrível! Minha base de conhecimentos era a que tive nas escolas públicas. Não sei da realidade no restante do país, mas em São Paulo, na década de 1970, as escolas públicas ofereciam um estudo de qualidade verdadeira. Lembro-me de conteúdos que tive na quarta-série, na escola pública, que fui tê-los novamente na quinta-serie, na escola privada. Bom, vamos voltar aqui. Meu primeiro dia de aula foi esquisito. Minha ansiedade estava a mil. Minha casa ficava a 40 minutos de carro, em trânsito fluido, da escola. Chegando lá, eu nunca tinha visto tanta criança junta, a escola era enorme, quase 3.000 alunos disputando salas em um terreno imenso, repleto de quadras de esportes. Levamos, minha mãe e eu, uns 10 minutos pra nos localizar e ela me deixar na porta da minha sala de aula, onde se despediu com um beijo rápido de boa sorte. Fiquei ali, observando outras mais de 30 crianças chegarem e tomarem seus lugares, numa algazarra imensa. Pra eles era uma festa de reencontro, já eram antigos colegas, pra mim, um início estranho, com colegas estranhos, ambiente estranho. Tudo desconhecido. A única coisa que eu sabia é que meu tio trabalhava como diretor na escola e meus primos também estudavam lá. No planejamento das aulas, uma folha de papel com um cronograma semanal, mostrava um período que eu conhecia bem – o Recreio, um intervalo curto de atividades livres. Eu não via a hora de chegar naquele momento, sair correndo e ir procurar meu primo Ique, de Henrique, ele infalivelmente me socorreria naquela minha solidão. E assim o fiz. Depois de muita procura, encontrei o Ique sentado sobre uma pequena cerca ao largo de uma quadra de terra, de futebol. Estava sorridente, cercado por outros amigos, possivelmente contando como tinham sido suas férias. Ao me ver chegando, sua expressão mudou. Ele não sabia que eu tinha sido aceito na escola. Sua acolhida não foi das melhores. Apontando pra mim, começou a gritar – “veja quem vem aí, o Américo Pisca-pisca!” Nada de “esse é o meu primo querido”, ou “vem cá pra eu te apresentar pros meus amigos”. Durante os poucos minutos que permaneci ali, tive acesso ao melhor estilo de assédio moral, de intimidação, de bullying, pra ficar em um conceito mais moderno. Fui salvo pelo sinal, um alarme estridente que soava pelo fim do recreio. Mais ansioso ainda e atônico, voltei pra sala de aula. E os desafios continuaram. Na programação, teríamos 2 aulas seguidas de educação física. Na boa, eu não fazia ideia do que era aquilo. Educação física. No primário das escolas públicas, as atividades físicas eram brincadeiras – pega-pega, queimada, pique-esconde, bolinha de gude. É meu, tenho meio século de história, se você não conhece esses termos, taí o Google pra lhe dar uma mão. Mas, handball, volleyball, basquete, calistenia, eram termos que só faziam par com toda aquela estranheza. Nunca eu havia ouvido falar, só de futebol. Coisa que eu só torcia, nunca havia jogado, assim, de forma oficial, 2 times de 11, regras, etc. Pois bem, as 130 crianças da quinta série ginasial, na época, o que hoje seria a sexta série do ensino fundamental, foram divididas em 2 grupos, por gênero – meninos e meninas que fariam suas atividades físicas fisicamente separados, coisa de escola católica, talvez da época. Então, 60 garotos se acumularam em um pátio enorme, e um cara atarracado, 1 metro e 70 de altura por outro metro e setenta de largura se apresentou como professor. O Clodoaldo. Ele mandou que formássemos duas fileiras, todos de frente uns para os outros, porque, nesse primeiro dia de aula, o objetivo era avaliar a nossa condição física, mais que isso, nossa aptidão física, por meio de exercícios de calistenia. Sabe o que é? Calistenia? Nem eu. Na época. Abrindo um parêntesis aqui pra você, calistenia é “um conjunto de exercícios físicos em que se usa somente o peso do próprio corpo, substituindo os halteres de uma academia, para desenvolver e melhorar as habilidades físicas, como força, elasticidade, resistência, noção espacial, etc”. Pois bem. Em curtos períodos de tempo, de 30 segundos, executamos todo tipo de exercício físico – flexão de braços, abdominais diversos, polichinelos, dorsais diversos, agachamentos, barra. Enquanto uma fila praticava, a outra contava. E vice-versa. Aqueles resultados seriam confrontados com um outro exame ao final do ano. Tudo para avaliar a evolução da turma depois dos meses de prática de esportes. Dos mais de 60 meninos, eu só não fui pior que o Fábio. Guardei esse nome com carinho, porque ele me salvou de uma humilhação mais acentuada. Eu, um garoto novo na escola, repleto de cacoetes, com péssima aptidão física. Definitivamente, o estranho lá era mesmo eu. Voltei pra casa de ônibus escolar. Apesar de reconhecer uns rostos que também estavam em minha classe, sentei-me no último banco, no fundo, isolado, e fui refletindo sobre tudo aquilo. Um dia que, definitivamente, me fez entender minha condição, me deu consciência sobre desigualdades, sobre desafios, e que mudou minha vida pra sempre. Minha jornada de entendimento e mudança começou neste dia! E essa jornada, essas histórias todas, vou contar em conta-gotas para você, junto com tudo o que aprendi sobre saúde física, emocional e mental nos últimos 35 anos de estudos, de tentativas e erros. Posso lhe garantir, há muita coisa boa vindo pela frente aqui. Não quero dar spoiler dos próximos artigos, mas, pra não deixar você com um sentimento ruim de pena talvez, vou lhe adiantar o seguinte: – Eu virei um hiper atleta ainda bem jovem; – Eu aprendi a controlar minha condição de “Tourrette”; – Meu primo Ique, não fique com raiva dele, é um dos caras mais especiais que conheço, é um primo muito querido, me dou muito bem com ele. Hoje, estamos sempre trocando ideias e fazendo negócios. E, pra encerrar, eu lhe faço um convite: olhe para si, olhe para dentro, olhe para você. Tenha um profundo carinho por si mesmo ou por si mesma. Reflita, assim como eu fiz, em seus desafios – pequenos, médios, grandes, que teve na vida, que continua a ter, que impactaram em sua saúde física, em sua saúde mental, em sua saúde emocional. Desafios nos fazem crescer, como dizia meu avô, ‘reforçam o nosso couro’, nos preparam para outros ainda maiores. Quem não se gosta, não se ama, não supera. Portanto, siga meu conselho: cuide de sua vida, porque ninguém fará isso por você.
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